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Na realidade, apesar de um forte otimismo — baseado na fé e na disciplina — constituir uma inconfundível característica soviética, o temor representa papel muito importante na sua política – temor da possibilidade de uma dissenção interna; temor de um futuro choque com os países satélites; temor pela continuidade de sua liderança; temor de que toda a gigantesca estrutura do “primeiro estado socialista” venha a desabar, devido a defeitos imanentes, ou à decorrência de um profundo malogro econômico, e — o que é mais importante — temor de um ataque militar direto. Os Estados Unidos — devemos lembrar — só foram invadidos uma vez, em toda a sua história, ou seja, durante a guerra de 1812, e com poucos danos. Mas consideremos a Rússia e sua exposta e vulnerável fronteira ocidental! Foi ela invadida, pelo Oeste, 14 diferentes vezes, em 150 anos, e uma de suas cidades, Minsk, esteve sob ocupação estrangeira 101 vezes, desde a respectiva fundação (de acordo com John Fischer, Why They Behave Like Russians [1948], p. 9). É verdade, os russos conseguiram se livrar de seus invasores. A libertação, contudo, tomou tempo, vidas e esforço, e a União Soviética não deseja passar por essa laboriosa experiência outra vez. Resumindo: os russos sustentam a Guerra Fria em parte porque receiam que a tornemos quente. — GUNTHER, John. A Rússia por dentro. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1959. p. 534-5

Com este trecho encerramos esta série que revelou um olhar americano sobre a União Soviética dos anos 1950, registrado num livro excelente mas que infelizmente está fora de catálogo. Se você perdeu outros trechos que destacamos, pode encontrar todos nesse link.

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