Atrasadas e poucas por causa do mestrado, as recomendações deste bimestre incluem séries documentais sobre a vida selvagem asiática, as maluquices de dublês profissionais (e outros nem tanto) e as dificuldades de investigar enfermeiros que matam

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Nurses Who Kill [2016 | 1 temporada] — Em muitas histórias de terror, a linha que separa anjos de demônios pode ser bem tênue. Enfermeiros costumam ser vistos como os anjos de hospitais e clínicas, mas este não é o caso dos profissionais de saúde apresentados nos dez episódios desta série britânica. O que leva um enfermeiro a matar? Como eles matam? Em cerca de 40 minutos, especialistas como médicos, psiquiatras e investigadores respondem essas perguntas traçando um perfil do enfermeiro assassino retratado em cada episódio. Investigar esse tipo de crime não é tão simples quanto parece: os hospitais muitas vezes relutam em chamar a polícia quando surgem suspeitas e, quando chegam, os investigadores são leigos sobre os procedimentos e a rotina hospitalar. Assim, não é raro que novas mortes ocorram enquanto a investigação é feita. Outra dificuldade é distinguir quem foi assassinado (e por quem) e quem morreu naturalmente. Por isso, alguns casos exigem a realização de dezenas ou centenas de exumações. Mesmo assim, as provas podem ser exíguas, levando a julgamentos que se arrastam por anos. Em comum entre os enfermeiros assassinos está a busca doentia por atenção — colocar um paciente em risco e depois aparecer para salvar o dia — ou o desprezo puro e simples por determinado tipo de pessoa — como pacientes idosos ou em estado terminal. Embora seja uma produção britânica, Nurses Who Kill apresenta casos registrados na Itália, na Suíça, na Alemanha e nos EUA, além do Reino Unido. Embora muitas vezes os roteiros das reconstituições dramáticas sejam baseados nos próprios relatórios e depoimentos de cada caso, alguns episódios pecam pelo tom repetitivo para cobrir o tempo de cada programa. O trailer a seguir (em inglês) é a abertura de um dos episódios:


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Stunt Science [A Ciência do Risco | 2018 | 1 temporada] — Quem foi adolescente nos anos 2000 há de se lembrar das dolorosas idiotices de Jackass. Agora pegue algumas cacetadas intencionais, junte com façanhas realizadas por profissionais e uma dose de ciência para explicar a “física da velocidade e a biologia do bizarro”. Essa é a receita desta produção britânica. De esportistas radicais experientes a truques de fundo de quintal, não faltam momentos de tirar o fôlego e/ou de doer. Slacklining, Basejump, paraquedismo, esqui com paraquedas, canoísmo e saltos de penhascos estão entre os esportes radicais. Por outro lado, temos coisas como um escorregador com loop feito num fundo de quintal, a tentativa de voar com um barco sobre um carro e o sujeito que costuma entrar dentro de uma máquina de lavar além de inúmeras cacetadas do YouTube. Em qualquer caso, as visitas ao hospital podem ser tão previsíveis quanto inevitáveis (ou evitáveis por uma boa dose de bom-senso). Nos 10 episódios de 45 minutos, a narração — especialmente em inglês, com uma voz rouca que parece a de um tiozão fumante meio bêbado e entusiasmado — é tão divertida quanto algumas cenas e não deixa de ser sarcástica quando necessário. Alguns episódios contam com quadros como “Life Hacks” (onde se apresentam alguns pequenos truques para economizar tempo ou esforço que vão do brilhante ao idiota) e “Stunt Hacks” (que ensina pequenas façanhas como empinar a bicicleta ou truques com cartas de baralho). O lado científico, porém, deixa um pouco a desejar: os especialistas consultados nem sempre batem com o que deveriam explicar. Não é incomum ver bioquímicos falando da física de uma queda livre, por exemplo. Na falta de cientistas, falam jornalistas e divulgadores científicos. O lado físico está bem coberto, mas a parte biológica e mesmo psicológica de quem realiza essas façanhas não recebe a devida atenção. Stunt Science sem dúvida diverte — mas poderia informar melhor.


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72 Animais Perigosos: Ásia [2018 | 1 temporada] — Parece óbvio que um programa sobre a fauna asiática tenha animais como rinocerontes, elefantes e tigres. No entanto, você pode se surpreender com os perigos e até a letalidade de bichos como centopeias, ursos-do-sol, lóris, formigas, lontras, caranguejos, caramujos, pandas-vermelhos, gibões, texugos, iaques, vespas-mandarinas e diversos tipos de peixes. A lista de 72 animais vai sendo formada ao longo de 11 episódios (45 min. cada) onde se apresentam seis animais. Por mais diferentes que sejam, os bichos de cada programa têm alguma característica em comum, como o uso de veneno, o comportamento brutal, a presença de listras ou a aparência enganadoramente fofa. Ao final de cada episódio, o primeiro da lista classifica-se para a disputa entre os finalistas mais temíveis no 12º. episódio. Antes disso, porém, cada animal desta produção original Netflix recebe um perfil com suas características, seus ambientes e pelo menos uma história de ataque a um ser humano (que pode ou não ser fatal). Além dos depoimentos dos sobreviventes aos ataques, há entrevistas com especialistas em cada bicho e até um folclorista, que fala sobre o papel que alguns destes animais têm nas milenares culturas asiáticas. No entanto, há um pecado imperdoável para uma produção deste porte: muitos dos depoimentos — tomados de vítimas indianas, indonésias ou de outros países do sudeste asiático — não são dublados nem em inglês nem em português. Assim, o uso de legendas torna-se quase obrigatório. Outro defeito é a restrição geográfica incoerente: o programa deixa de fora a parte asiática da Rússia e mesmo assim inclui o tigre-siberiano, por exemplo. Trailer legendado:


PS: Tive dificuldades com essa coluna não apenas por causa do mestrado (que está na reta final e sobre o qual devo escrever em breve) mas também porque assistir pra resenhar aqui virou meio que uma obrigação e perdeu um pouco a graça. No entanto, não vou acabar com essa coluna: pretendo melhorar a regularidade e a quantidade de recomendações desta série nos próximos meses e estou pensando em ampliar o escopo das minhas resenhas, apresentando algo além de documentários e reality shows (talvez seriados, programas de humor e variedades).

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