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Cientistas de uma universidade do Canadá respondem porque algumas palavras nos parecem tão engraçadas

Às vezes basta folhear um dicionário para encontrar algo engraçado e rolar de rir. Por exemplo: Pindamonhangaba. Macuco. Brenha. Terebintina. Aquidauana. Inhaca. Palavras como essas podem parecer engraçadas pra muita gente — e se você não achou graça nessas, provavelmente vai achar em outras. Que tal dentifrício? Seja como for, qual é a graça?

Embora haja fatores muito subjetivos no humor, é possível estudá-lo com seriedade. Foi isso que os professores Chris Westbury e Geoff Hollis, da Universidade de Alberta, tentaram fazer. Para entender porque certas palavras nos parecem cheias de graça, os dois juntaram uma lista com quase 5 mil palavras em inglês (4.997, pra ser bem exato) e pediram que diversos voluntários, de diferentes gêneros e faixas etárias, fizessem um ranking com as que consideravam mais funny.

Em artigo recém-publicado (com título devidamente engraçadinho) no Journal of Experimental Psychology: General, Westbury e Hollis demonstram que existem dois fatores que dão o ar da graça a qualquer palavra. O primeiro é morfológico. Nesse caso, a graça não está ligada ao sentido da expressão e sim à sua forma. De modo geral, palavras tornam-se engraçadas conforme o comprimento (que pode ser maior ou menor que a média), pela combinação incomum de sons e letras e pela similaridade com outras palavras.

Do ponto de vista morfológico, uma das descobertas é a frequente presença dos sons de /k/ e /oo/ nas palavras que se consideram mais engraçadas. Ainda que o corpus usado tenha sido exclusivamente em inglês, talvez isso explique porque uma palavrinha como cu — que junta exatamente esses dois sons — pode arrancar gargalhadas de algumas pessoas.

Por outro lado, existem fatores semânticos. Esses fatores ocorrem quando a graça está mais no sentido do que na forma. Para estudar esse aspecto, os pesquisadores criaram um modelo computacional do inglês, capaz de traçar a relação entre cada uma das palavras listadas e alguma emoção. Além disso, os termos foram classificados em seis categorias: sexo, funções corporais, insultos, palavrões, animais e termos de festa.

Se parece haver sobreposição entre essas categorias é porque é assim mesmo. “Acontece que o melhor preditor de engraçamento”, explica Westbury (cujo nome aliás me parece engraçadinho), “não é a distância de uma dessas seis categorias, mas a média entre todas elas.” Ou seja, quanto mais ambíguo for o termo, mais engraçado. Um exemplo é boobs, que se relaciona tanto com a categoria sexo quanto com função corporal. Em português, tetas teria uma sobreposição tripla, já que pode ter conotações sexuais, corporais e animais.

Então quais seriam as palavras mais engraçadas que existem? Claro que isso varia de língua pra língua mas a pesquisa de Westbury e Hollis lista os seguintes termos entre os 10 primeiros em inglês: upchuck, bubby, boff, wriggly, yaps, giggle, cooch, guffaw, puffball e jiggly [vide N.E.T.]. Mesmo que você não saiba nada de inglês, é possível que veja graça nessas palavras só pela forma como se escrevem ou só de ouvi-las — são grafias e pronúncias incomuns no inglês e ainda mais pra nós. Não seria difícil conseguir um top 10 de palavras cientificamente engraçadas em português: basta que alguém replique essa pesquisa em nossa língua. Vamos deixar isso como exercício para o leitor.


[N.E.T., nota engraçadinha de tradução] — upchuck [gíria para vômito, mais ou menos equivalente ao nosso gorfo], bubby [pode ser tanto o peito de uma moça quanto uma criança pequena], boff [sinônimo de cópula e gargalhada, também é a onomatopeia de tapa], wriggly [contorcido, distorcido], yaps [latido agudo, ganido; criança mal-criada], giggle [risadinha], cooch [tipo de dança erótica; gíria para vagina], guffaw [riso escandaloso, gargalhada], puffball [espécie de cogumelo] e jiggly [trêmulo]


Referência

rb2_large_gray25Chris Westbury & Geoff Hollis. Wriggly, squiffy, lummox, and boobs: What makes some words funny? [Wriggly, squiffy, lummox e boobs: o que torna algumas palavras engraçadas?] Journal of Experimental Psychology: General. Vol 148(1), Jan 2019, 97-123; doi: 10.1037/xge0000467

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