Publicado
11 de jan de 2012
Publicado
1 de ago de 2011
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| Deus: um declínio |
Uma agência de pesquisas americana, a Public Policy Polling cansou-se de fazer sondagens populares sobre os políticos e, durante uma enquete sobre diversas figuras em evidência na mídia, finalmente fez a grande pergunta: “Se Deus existe, você aprova ou desaprova sua atuação?” Realizada entre 15 e 17 de julho, a pesquisa revelou que 52% dos 928 entrevistados aprovam a atuação de Deus. 40% estão indecisos e 8% o desaprovam. A margem de erro é 3,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Alguns aspectos do divino governo também foram pesquisados. Questionados sobre a performance de Deus na criação do Universo, 71% aprovam; 5% desaprovam e 24% não souberam opinar. Entretanto, quanto mais se aproximam do mundo humano, mais cai a aprovação para as ações de Deus: só 56% aprovam o modo como o Todo-Poderoso cuida do reino animal e apenas metade do público aprova a atuação do Criador quanto aos desastres naturais. Infelizmente, porém, não foram feitas perguntas sobre as ações de Deus diante de problemas que afetam diretamente os humanos, como fome, miséria, violência, guerras (inclusive as santas) e segunda-feiras. Sem surpresa, os jovens entre 18 e 29 anos são mais críticos com relação a Deus; os maiores de 65 são os que mais o aprovam.
Embora tenha sido feita apenas nos Estados Unidos (#ficaadica, Ibope!) podemos depreender o seguinte: 1) Dados similares no Brasil mostrariam que Lula — que teve amplo apoio dos evangélicos — aparentemente foi maior que Deus (se é que não continua sendo); 2) Na prática, pode-se concluir que quase metade do público (norte-americano), 48%, é ateu ou agnóstico.
Nunca antes na história deste universo o PC (Partido Celestial) esteve tão em baixa — ao menos nos Estados Unidos, onde o criacionismo ainda é divulgado em escolas a título de “ensinar a controvérsia”. Aparentemente, a tática não tem dado muito certo… Levando-se em conta a margem de erro e a popularidade divina em baixa na Europa e na Austrália já há algum tempo, a reeleição de Deus estaria ameaçada se o cargo-mor do Universo fosse eletivo. Felizmente, para ele e infelizmente para nós, seu governo é uma monarquia absolutista e autocrática (se existir, é claro).
Procurado pela nossa reportagem, Deus não se manifestou. Nem São Pedro, nem os anjos, nem o herdeiro hippie, Jesus Cristo. Seus relações-públicas na Terra, entre os quais estão o Papa, o Dalai Lama e o bispo Edir Macedo também não comentaram os resultados da pesquisa. Aos berros, o pastor ali da esquina disse que isso é tudo intriga da oposição e que pesquisa é “coisa do demo”. Ainda não há dados sobre a popularidade do líder da oposição, Satã, que também não concedeu entrevista. O relatório completo da pesquisa poder ser visto aqui — não, não naquele “aqui”, neste
“aqui”.
Publicado
20 de jul de 2011
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| Os animais embarcam na arca, gravura do holandês Maerten van Heemskerck, c. 1560 |
As primeiras edições da Encyclopedia Britannica estavam tão certas da realidade da Arca de Noé que, dentro do respectivo verbete, chegavam ao ponto de especular como os animais poderiam ter sido alimentados e acomodados em tal embarcação:
[O] Bispo Wilkins calcula que todos os animais carnívoros equivalem, em termos de volume de seus corpos e à sua alimentação, a 27 lobos; e todos os que restam a 280 cabeças de gado. Para aqueles, ele provê 1825 ovelhas e para estas, 109.500 cúbitos de feno. Tudo isso poderia ser facilmente contido nos dois primeiros andares e ainda haveria bastante espaço livre.
Essa especulação — não muito diferente das abordagens “sob condições ideais de temperatura e pressão” de certos problemas de Física do Ensino Médio — é encontrada na edição de 1797 da Britannica. Nos anos 1860, quando se deram conta de que uma arca não seria capaz de acomodar todas as espécies do mundo, os editores passaram a sugerir que o dilúvio não teria sido assim tão universal: apenas as partes da Terra sob ocupação do homem teriam sido inundadas.
Na edição de 1911, a história de Noé já era integralmente apresentada como um mito. Ironicamente, meio século mais tarde, a enciclopédia inglesa relatava até as “muitas engenhosas e curiosas teorias” que haviam sido publicadas a favor da Arca de Noé ao longo dos séculos.
Publicado
8 de mai de 2011
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Esta “parábola contra a perseguição” era a favorita de Benjamin Franklin (1706-1790), que muitas vezes apresentava-a como um texto bíblico, “o capítulo 51 de Gênesis”. Os fiéis mais fervorosos vão afirmar que tal capítulo inexiste. Mas eles não sabem a grande lição que perdem e que está fora de suas bíblias:
51 E após passar por todas essas coisas, Abraão sentou-se à porta de sua tenda ao por do sol. 2. Eis que um homem, encurvado pela idade e apoiado em um cajado, caminhava pela floresta. 3. Abraão levantou-se e foi ao encontro do homem e disse-lhe: “Entrai, achegai-vos, pois lavarei vossos pés. Velarei por ti a noite toda e vos acordareis na alvorada e vós seguireis então vosso caminho.” 4. Mas o homem disse: “Não, pois eu me abrigarei sob esta árvore.” 5. E Abraão insistiu ainda mais e o homem cedeu; e eles entraram na tenda. Abraão cozeu um pão ázimo e eles cearam. 6. E ao ver que o homem não agradecera a Deus, Abraão disse-lhe: “Vós adorais o mais alto Deus, o criador do céu e da terra?” 7. E o homem respondeu, dizendo: “Eu não adoro o deus de que falais, nem o chamo por tal nome. Pois criei para mim um deus e ele habita em minha morada e me provê todas as coisas.” 8. E o zelo de Abraão foi ferido e fê-lo levantar-se. Ele lançou-se contra o homem, arrancando-o para fora, bufando. 9. E à meia-noite, Deus chamou por Abraão, dizendo: “Abraão, onde está o forasteiro?” 10. E Abraão respondeu: “Senhor, ele não vos adorava, nem chamava vosso nome, por isso lancei-o para a escuridão, para longe da minha face.” 11. E disse Deus: “Eu o suportei durante seus cento e noventa e oito anos, alimentei-o e dei-lhe de vestir, apesar de sua rebelião contra mim. E tu, tu que também é um pecador, não pudeste suportá-lo por uma noite?” 12. E Abraão respondeu: “Que a ira do Senhor não se derrame sobre seu servo. Pai, eu pequei e vos imploro perdão.” 13. E Abraão levantou-se e saiu à escuridão; procurou diligentemente pelo homem, encontrou-o e conduziu-o de volta à sua tenda. E após hospedá-lo gentilmente, despediu-se dele ao alvorecer, entregando-lhe presentes. 14. E Deus se dirigiu a Abraão, dizendo: “Por teu pecado, tua descendência sofrerá por quatrocentos anos em terra estrangeira. Mas por teu arrependimento, eu irei libertá-los e eles retornarão com poder e com gratidão no coração.”
Não se sabe ao certo se é um capítulo realmente apócrifo ou uma alegoria, uma fan-fiction bíblica. Geralmente, o texto é atribuído ao poeta persa (e muçulmano) Saadi (1184-1283). Seja como for, se esse único capítulo fosse incluído na Bíblia, na Torá e no Corão, e fosse igualmente ensinado pelas três grandes religiões monoteístas desde a antiguidade, milhares, quiçá milhões, de vidas teriam sido salvas. Judeus, cristãos, muçulmanos, índios e negros e até os ateus jamais teriam sido perseguidos.
Mas, cegos pela fé e pela tradição, ninguém ousou admitir que é possível alterar a Palavra de Deus — seja ela qual for, seja qual for o deus —, nem mesmo para torná-la melhor ou para enriquecê-la. Pois ensinar essa lição levaria à perda do poder político e da influência dos líderes religiosos, fossem eles papas, rabinos ou imãs. Por mais piedosos que muitos tenham sido, nenhum quis reconhecer seu erro e abrir sua tenda e aceitar o forasteiro, o estranho, o anormal ou o diferente em sua morada. Nem mesmo por uma noite.
Publicado
7 de mar de 2011
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Que isso? Todo mundo sabe que o JC não salva…
Publicado
1 de fev de 2011
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ademonista
adj. aquele que nega a existência de demônios ou do diabo. Ademonismo, subst. [do Grego a-, não + daimon, espírito, + -ista]. Adiabólico, sinôn.
Para esclarecer o assunto de uma vez por todas: ateus não acreditam em deus, mas também não creem em demônios. Logo também são ademonistas.
Publicado
11 de dez de 2010
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| E não adianta dizer que é “Filho do Dono”! |
Publicado
24 de out de 2010
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Thompson Seton queria provar que os 10 mandamentos “não são um conjunto de regras arbitrárias”, mas a “base do comportamento de todos os animais superiores.” Ele não conseguiu. |
Pioneiro do escotismo, o naturalista escocês naturalizado americano Ernest Thompson Seton (1860-1946) amava tanto a Deus quanto aos animais. Por isso, em 1907, ele escreveu um livro para provar que, como também são filhos de Deus, os animais também seguem os 10 mandamentos:
“Uma vareta encontrada no bosque é a propriedade do corvo que a descobre e é duplamente dele quando ele trabalha para levá-la até seu ninho. Este é o reconhecimento da lei.”
Aqui ele só dá exemplos de coisas “não-produzidas”, i.e., que não pertencem a ninguém. Não se pode roubar algo que não pertence a ninguém, então, obviamente não há furto.
“Cascavéis recém-nascidas atacarão instantaneamente um estranho de qualquer outra espécie, mas nunca matam um de sua própria.”
Claro, é a evolução, estúpido!
“Uma galinha faz para seus pintinhos um ninho. Um deles não se mantém perto de seu ‘cocoricó’ de convite e de comando e consequentemente ele se perde e morre.”
Não é honra; é a evolução de novo, estúpido!
“Os promíscuos animais de hoje — o coelho-do-norte e as ratazanas — têm grande fecundidade, mas pouco desenvolvimento geral e são periodicamente atacados por pragas epidêmicas.”
Será que é por que eles são incapazes de criar métodos contraceptivos e antibióticos? Além disso, notem como ele escolhe exemplos negativos e confunde fertilidade com adultério.
“Muitas vezes um perdigueiro jovem cai na conclusão, pensamento ou esperança de que ele está na trilha certa, o que lhe permite ir em frente e gritar em linguagem de perdigueiro: ‘Trilha!’. Os outros perdigueiros seguem-no, mas se um exame cuidadoso mostrar que ele estava errado, (…) aquele indivíduo é inteiramente desacreditado.”
Primeiro, todo mundo pode se enganar. Segundo, o que os perdigueiros mais velhos fazem tem nome: ceticismo.
“Uma galinha fez um ninho em certo lugar e já estava ocupando-o. Depois, outra galinha, desejando o mesmo ninho, tomou posse dele diversas vezes, botando seus ovos durante a breve ausência da dona. O resultado foi um estado de guerra e os ovos de ambas as galinhas se perderam.”
De novo, evolução em ação. E este exemplo entra em contradição direta com o primeiro: a galinha invejosa rouba sim o ninho da galinha trabalhadora.
Thompson pára por aqui, por falta de matéria-prima. Nem mesmo ele foi capaz de se convencer de que animais adoram a deus sobre todas as coisas, não fazem imagens esculpidas, não tomam o nome de deus em vão e não trabalham em santos dias.
Num exemplo clássico de interpretação seletiva típica do pensamento religioso, Thompson conclui sua
Natural History of Ten Commandments [
História Natural dos Dez Mandamentos] dizendo que apenas o “homem está encarregado de todos” os mandamentos, mas “os animais apenas com os seis últimos.”
Publicado
18 de ago de 2010
Publicado
26 de jul de 2010
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| Se RIR = INFERNO, então deus também vai abraçar o capeta? |