Mais uma “sopa” criacionista
Embora tenham começado agora a tentar ameaçar a liberdade na internet, não é de hoje que políticos norte-americanos tentam impor suas crenças nas aulas de ciências. Um projeto de lei do senado de Oklahoma (SB 1742) é mais uma dentre as dezenas de leis anti-evolução que infestam os Estados Unidos. Se aprovada, a lei exigiria que o departamento estadual de educação promovesse o “pensamento crítico, a análise lógica e a discussão ampla e aberta de teorias científicas, incluindo, mas não se limitando a, evolução, a origem da vida, o aquecimento global e a clonagem humana.” A legislação também recomenda que professores “possam usar livros didáticos e materiais de ensino suplementares para ajudar os estudantes a entender, analisar, criticar e rever teorias científicas de modo objetivo.”
Parece bastante isento, não? Não há nenhuma citação nominal do criacionismo ou de seu equivalente pseudocientífico, o design inteligente. Então, qual é o problema? Há dois problemas na verdade. Continue reading “Mais uma “sopa” criacionista” »
>Vista Grossa
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Não é de hoje que o governo norte-americano faz vista grossa a uma ameaça de ataque em seu próprio território para entrar em uma guerra. Em 7 de janeiro de 1941, exatos 11 meses antes do ataque japonês a Pearl Harbor, o embaixador Joseph Clark, mandou o seguinte telegrama para o Departamento de Estado:
Um membro da Embaixada foi informado por —– meu colega que em muitos quartéis, inclusive em um japonês, ele ouviu que um massivo ataque-surpresa em Pearl Harbor estaria sendo planejado pelas forças militares japonesas em caso de “problema” entre o Japão e os Estados Unidos. Tal ataque envolveria o uso de todas as instalações militares japonesas.
Uma guerra errada, como se viu (duas, na verdade). Bin Laden pode ter sido extremamente estúpido em abandonar a vida de playboy de petrodólares por um fundamentalismo religioso odiento. Mas ele não se tornou um simples guerrilheiro; foi um gênio por se esconder no Paquistão. Por outra ironia do destino, os militares americanos caíram na própria armadilha que criaram na Guerra Fria. Eles jamais ousaram atacar o Paquistão, por que ainda acreditavam em um antigo aliado na luta contra o comunismo seria confiável. Ainda mais um aliado com um arsenal nuclear. Assim, se Washington tivesse lutado pelo desmantelamento completo do arsenal nuclear em todo o mundo — Israel inclusive — nos anos 90, pegar o terrorista número 1 teria sido bem mais fácil (e barato, pois dez anos de uma guerra infrutífera ajudaram e muito a botar a economia americana de joelhos).
Ficou bem claro agora que os Estados Unidos desmantelaram o sistema errado quando Moscou caiu. A CIA pós-soviética já não era a mesma: acomodou-se com a suposta postura de única superpotência e abriu mão de infiltrados e clássicas estratégias de espionagem em favor de equipamento high tech. Quando os alertas sobre o 11 de setembro surgiram já era tarde e, como se viu, foram ignorados por uma mistura estúpida de conservadorismo político-econômico e fundamentalismo religioso.
>O Paradoxo da Lealdade
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Você tem lealdade por alguém quando está ligado a essa pessoa por algum laço: de família, de amor, de amizade, de trabalho, ou de propósito. Lealdade é um ideal e, idealisticamente, você sente que tem um dever com essa pessoa. Mas ao apoiá-la incondicionalmente, você se submete ao bem-estar de outro indivíduo — e isso é o oposto do idealismo, é um anti-ideal.
>Próximo!
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>Lingva Latina morta non est
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O Latim não está morto. A língua de Ovídio, Júlio César e da Antiguidade Clássica está em franco renascimento, graças à internet e à curiosidade de jovens do mundo todo.
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| “Noli Fumari”: em uma estação de trem em Wallsend, Inglaterra, uma placa bilíngue mostra que o latim está vivo. |
Como o latim andava meio sumido, seu vocabulário teve que ser modernizado. Muitos termos modernos foram inventados pelos monges do Vaticano, único país que mantém o Latim como língua oficial. Entretanto, como não há uma autoridade única – nem todos, com razão, reconhecem a autoridade vaticana – há múltiplas versões para termos e nomes modernos. Alguns usam o nome original para se referir a algo, enquanto outros criam e usam formas latinizadas. Um exemplo interessante e comum é “Estados Unidos”. Alguns referem-se aos EUA em latim como United States; outros como Civitates Foederatum.
Há quarenta anos, os homens chegaram à Luna num Rochete (foguete) e meio orbe (mundo) viu tudo pela televisoria ou ouviu pela radiophona (pelo rádio). Hoje, você navega na interrete usando uma computaralia ou um ordinatralis (computador ou ordenador). Se você tiver denarium, pode acessar através do seu telephonula ingeniosa (smartphone) Evidentemente, para acessar a interrete, é preciso ter um coniuctio (uma conexão). Depois, você pode usar seu mus (mouse) para tangere (clicar) em ligamenis, nexus ou nodi (links, ou linques ou elos ou ligações; em português também é um quid pro quod).![]() |
| Regulus: o Pequeno Príncipe que fala latim. |
Os críticos do uso do latim como lingua franca global sempre afirmaram que o idioma latino só é facilmente reconhecível e inteligível para os falantes das línguas neolatinas (Italiano, Francês, Espanhol, Português e Romeno) ou de línguas que sofreram uma influência considerável, como o Inglês e o Alemão ou de línguas com estrutura de desinências semelhante, como o Russo. Assim, o latim, embora politicamente neutro, seria intrinsecamente eurocêntrico.
Um dos criadores da Vici é Josh Rocchio, americano, estudante universitário da University of Maryland. Fã de Ovídio e baterista nas horas vagas, ele diz que ficou “encantado com a estrutura e simplicidade do latim e como se pode expressar conceitos complexos em poucas palavras”.
Harrius Potter, aut Henricus Figulus (Anglice: Harry Potter) est persona ficta et actor princeps in “mythistoria” fabulosa, creatus ab Anglica scriptrice Ioanna Rowling (cui fabulae auctrici nomen est J. K. Rowling), cuius acta et facinora narrantur in librorum serie eodem nomine appellata. Seriei primus liber anno 1997 editus est. Usque ad 2007, septem libri editi sunt.
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Tela inicial e cena da versão latina de Zelda II |
Aliás, também há diversas versões latinas de ícones da cultura moderna: a saga de Henricus Figulus, o Pequeno Príncipe, Asterix e até o videoludum Zelda II foram traduzidos para a língua de Virgilio.
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Curso de Latim — apostila de 98 páginas disponível no scribd; pode ser baixada gratuitamente.
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google/la — o maior buscador do mundo, em latim;
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Vicipaedia — versão latina da wikipedia; como é uma inciativa libre, onde o consenso é fundamental, é uma boa fonte de textos e vocabulário moderno;
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Ephemeris — notícias em latim; a página peca apenas por ter um visual que já deve ter uns 10 anos sem mudanças;
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Audi Nuntios Latinos per interrete — podcasts hebdomadários de notícias em latim feitos por uma rádio finlandesa (com textos);
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Vocabula computatralia — vocabulário de informática; dicionário bilíngue inglês-latim feto por uma universitária alemã (isso é que globalização!);
- Glossarium Anglico-Latinum — dicionário inglês-latim; útil para quem já sabe inglês;
- Adagia — página com provérbios em latim;
- Lexicon Recentis Latinitatis, sive Parvun Verborum Novatorum Lexicum — Vocabulário oficial de termos modernos de Latim do Vaticano;
- Regulus — o Pequeno Príncipe em Latim (infelizmente, só na Amazon. Mas dá pra ver algumas páginas)
- Zelda II – Expeditio Linci — hack (cantherius?) para jogar o clássico Zelda em uma língua igualmente clássica.
>Isso é escolha?
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>Blasfêmias?
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| Convenção do PCC e Concílio Católico (abaixo): semelhanças vão além dos cerimoniais… |
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| …Ambas as instituições se consideram poderosas, mas adoram se vitimizar ao menor sinal de oposição. |
Esta semana foi marcada por assim chamadas “blasfêmias” cometidas pela Comissão do Prêmio Nobel. Na segunda, a Igreja Católica — que tanto diz defender a vida — protestou contra a indicação de Robert Edwards, criador do método de fertilização in-vitro para o Nobel de Medicina/Fisiologia. Em seguida, foi o governo chinês, outra organização obscura, retrógrada (e revelando seu lado religioso) protestou — dessa vez contra a premiação do dissidente pró-democracia, Liu Xiaobo com o Nobel da Paz.
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| Liu Xiaobo: preso pelo crime de “subverter o poder do Estado”. Ou seja: por dizer o que pensa e pensar diferente |
Quando Liu ganha um prêmio notoriamente neutro, sem conotações políticas, concedido por uma academia de um país neutro — a Noruega —, Pequim corre para que a notícia não chegue aos milhões de outros potenciais Lius por que tem medo de seu próprio povo. De fato, a única liberdade que os jornais – oficiais, é claro – tiveram foi para criticar a premiação, tachando-a de “tentativa de irritar a China”, mas dizendo que “não vão conseguir [nos irritar].” Com a prisão de quem tivesse comemorado o Nobel de Xiaobo, a já esperada censura dos termos “Nobel da Paz” e “Liu Xiaobo” em sistemas de busca na internet e até de mensagens de SMS endereçadas a qualquer Liu, vê-se que os suposto objetivos da concessão do prêmio foram atingidos. Os chefões de PCC (Partido Comunista Chinês) estão se mordendo de irritação, essa é que é a verdade.
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| Professor Edwards: embora não esteja preso, é condenado pelos Católicos. Seu crime: criar 4 milhões de vidas. |
Quando surge uma oportunidade de efetivamente consolar esses casais, o Vaticano se opõe baseado num potencialismo embrionário que se preocupa mais com um pequeno monte de células — que muitas vezes nem se desenvolve — do que com a vida já cheia de dores e preocupações de um casal que só quer tentar ter um filho da única maneira que lhe resta: a inseminação artificial. E condena, desde o início, o trabalho de Robert Edwards, um homem que acha a que “a coisa mais importante do mundo é ter filhos”.
>Revolucionário FAIL!
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| Podia ser pior, Che… O camarada Fidel poderia reconhecer que o sistema cubano simplesmente não funciona… |
EPIC FAIL!


















É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídio pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.