Varrição eletromagnética (1930)
Eletroímãs montandos em uma barra com rodinhas puxada por um carro tornam as ruas de Universal City, Califórnia, mais seguras para os motoristas. O íma recolhe pregos, tachinhas, pedaços de fios, porcas e parafusos soltos, além de ampla variedade de objetos de metal que, espalhados pelas ruas, poderiam causar furos e outros danos aos pneus. Frank Graves, eletricista-chefe da cidade, é o inventor do exterminador de furos. — Modern Mechanix, março de 1930
Se tivesse sido patentado, o rodo magnético de Frank Graves seria mais uma patente patética. Seria no mínimo irônico que o carro-reboque tivesse um pneu furado justamente com um prego que tentaria capturar. No entanto, Mr. Graves pode ter se precavido: os grandes pneus do veículo da foto podem muito bem ser de borracha sólida. Por outro lado, o sistema de prevenção de furos deixa escapar uma fonte perigosa e bastante comum de pneus furados: cacos de vidro.
O Paradoxo das Apólices Concorrentes

Quando Seguros Colidem!
Há apólices de seguro que declaram-se inaplicáveis quando os danos ou ferimentos são cobertos por outras apólices. Isso significa que, caso haja um acidente, apenas uma apólice é paga para cobrir os prejuízos. Mas e se uma pessoa ferida — e excessivamente precavida — mantém duas apólices concorrentes?
Se a interpretação das condições for estrita, “então cada uma se tornaria inaplicável”, esclarece o filósofo Peter Suber, do Earlham College. “Mas assim que se tornam inaplicáveis, uma acionaria a aplicabilidade da outra e assim por diante.”
O segurado duplamente precavido poderia ou ficar sem seguro algum ou receber benefícios de apenas uma apólice, mas nunca das duas. Isso, claro, se houver alguma decisão em meio a essa interminável oscilação de responsabilidades.
Malditas seguradoras! Mal consigo ver seus movimentos!
Patentes Patéticas (nº. 70)

Ter o carro roubado é uma das piores experiências que um motorista pode ter. Ao longo do século passado, diversos sistemas (inclusive mecânicos) foram inventados e patenteados para evitar essa dor de cabeça. Mas nenhum é tão drástico quanto o Protective system for protecting against assaults and/or intrusions [Sistema protetivo para proteção contra assaltos e/ou intrusões] proposto por Yair Tanami: Continue lendo…
Dança da Manivela
Em 1936, o escritor e jornalista norte-americano E.B. White relembrava suas experiências com o Ford T, que entre nós foi chamado Ford Bigode:
Durante minha associação com Modelos T, self-starters não eram um acessório comum. Eram caros e vistos com suspeitas. Seu carro vinha equipado com uma manivela de serviço e a primeira coisa que você aprendia era como obter resultados. Era um truque especial e até que você o aprendesse (geralmente com outro proprietário de um Ford, mas às vezes por um apavorante período de experimentação), você poderia muito bem ter levantado o toldo. O truque era deixar o botão de ignição em off, posicionar-se diante da cabeça do animal, puxar o afogador (era um pequeno fio que saía pelo radiador) e dar à manivela uns dois ou três movimentos indiferentes. Daí, assoviando como se pensasse em outra coisa, você retomaria o assento do motorista na cabine, ligaria a ignição, voltaria para a manivela e, pegando-a pelo baixo curso [down stroke], daria um rápido giro até enchê-lo. Se esse procedimento fosse seguido, o motor quase sempre respondia — primeiro com umas poucas explosões dispersas, depois com um tumultuoso tiroteio, o que você checava ao correr para o banco do motorista e retardar o acelerador. Muitas vezes, se o freio de emergência não estivesse puxado completamente, o carro avançava sobre você no instante em que a primeira explosão ocorria e você teria que segurá-lo apoiando seu peso contra ele. Ainda posso sentir meu velho Ford farejando-me na guia, como se procurasse por uma maçã no meu bolso.
Elwyn Brooks White (1899-1985) foi co-autor de The Elements of Style, manual de redação de língua inglesa ainda hoje muito usado, e de livros infantis, como Stuart Little. Suas recordações sobre o fordeco estão em Farewell, my lovely [Adeus, meu amado], ensaio publicado na edição de 19 de maio de 1936 da New Yorker.
Patentes Patéticas (nº. 57)
Evitar acidentes de trânsito é importante. Usar fogos de artifício para tentar fazer isso é… patético. O californiano Harry Rudolph Rodrigues não deve ter percebido os riscos envolvidos nesse método ao inventar o Vehicular Impact Signaling Device [Dispositivo de Sinalização de Impacto Veicular]. O U.S. Patent Office também não, pois aprovou um pedido de patente para Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 49)
Ladrões de carro fugindo da polícia em alta velocidade são a base de jogos como Need for Speed: Most Wanted e GTA e de filmes como Bullitt e 60 segundos. Embora seja perigoso na vida real, o roubo de carros pelo método hit and run [bater e correr] é praticamente um patrimônio cultural norte-americano (ou, pelo menos, californiano). Mas isso não significa que todos os americanos adoram perseguições na vida real.
Por isso mesmo, diversas invenções foram criadas ao longo das últimas décadas para tentar frear os fugitivos à força (e atrapalhar a audiência dos plantões televisivos a la Datena). No entanto, nenhuma dessas estratégias patenteadas conseguiu superar a redundância digna de comédia policial do “Método para parar um carro roubado sem uma caçada em alta velocidade, utilizando um código de barras”, o qual seria Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 44)
Quando a americana Mary Anderson (1866-1953) inventou o limpador de para-brisas em 1903, recebeu muitas críticas. A principal delas argumentava que os movimentos pendulares dos limpadores eram incômodos e poderiam até hipnotizar os motoristas. Apesar disso, mais de meio século se passaria até que alguém tentasse fazer algo melhor. No fim dos anos 1950, os engenheiros Béla Barényi (1907-1997) e Karl Wilfert (1907-1976), de Stuttgart, na Alemanha, criaram um limpador de para-brisas com varredura linear que foi simplesmente chamado de “Limpadores de para-brisas para veículos motorizados” e cujo objetivo era: Continue lendo…
Arqueologia automotiva
Nos Estados Unidos carros são coisas tão banais que chegam a ser praticamente descartáveis. Não é raro encontrar verdadeiros clássicos abandonados, muitas vezes após pouco tempo de uso, nas áreas rurais da “América”. Foi o que aconteceu com o autor do video a seguir, jermikey, que ao sair para um passeio de domingo com a família encontrou uma picape Kombi 1959 que estava abandonada perto de Idaho Falls desde 1967. Fã de VW ele decidiu resgatar o veículo com ajuda da família e de uma miniescavadeira que parece surgir do nada. O trabalho de exumação desse fóssil sobre rodas levou nove horas, mas foi resumido num vídeo de 15 minutos.
O estado da carroceria é relativamente bom, dadas as condições. Em um comentário no próprio vídeo jermikey diz que planeja “uma preservação em vez de uma restauração. Novo motor e transmissão, mantendo a pintura como está”. Pode parecer loucura mas o rusting, a falta (muitas vezes forçada) de pintura, é o equivalente automotivo da moda do jeans rasgado e manchado. Contanto que estejam vacinados contra o tétano, não deve haver riscos. Apesar dos investimentos necessários para por a Kombi em ordem, jermikey e família podem ter descoberto uma pequena fortuna.
Patentes Patéticas (nº. 39)
Já vimos nessa série como algumas pessoas tentaram trazer a cozinha para dentro do carro. Se um fogão aquecido pela fumaça do motor não parecia uma boa ideia, que tal um microondas no painel? Convenhamos, quem ainda usa o porta-luvas? Aliás, quem ainda usa luvas para dirigir? Basicamente, esse foi o raciocínio que levou Daniel Perlman e Jane Ilene Katims (de Arlington, Massachussets) a inventar e patentear um “Forno Microondas com Cassete de Armazenamento Removível no Painel de um Veículo Motorizado”. O resumo da patente tenta esclarecer o conceito:
Um forno microondas adaptado para uso no interior do painel de um veículo motorizado. O forno microondas possui um cassete de armazenamento removível [i.e., uma gaveta] e plataformas deslizantes para segurar e servir recipientes de bebidas e alimentos. Um veículo motorizado caracterizado por um forno microondas no qual alimentos podem ser aquecidos por um magnetron gerador de microondas alimentado direta ou indiretamente pela bateria e/ou alternador do veículo. O espaço necessário para o forno microondas é providenciado pela eliminação do maior compartimento de armazenamento do painel, i.e., o porta-luvas. A porta do forno microondas abre em posição horizontal para resultar em uma superfície segura para servir bebidas e alimentos aquecidos. Acompanha o forno microondas um cassete removível para armazenamento de itens do compartimento de luvas. O cassete de armazenamento deve ser removido como condição principal, e a porta do forno deve ser fechada como condição secundária para que o magnetron receba energia elétrica.
Simplificando, isso significa que a patente nº. 6.060.700, emitida em 9 de maio de 2000, é de um forno microondas instalado em um porta-luvas, mas que ainda permite que o porta-luvas seja usado e cuja porta pode ser usada como mesinha.
A ideia em si, de um microondas sobre rodas, não era nova. Mr. Perlman e Mrs. Katims relatam a existência de diversas patentes anteriores sobre o assunto (algumas se aplicam a barcos ou caminhões, mas a maioria lida com aperfeiçoamentos de segurança para microondas).
No entanto, o casal de inventores argumenta — de forma irritantemente repetitiva, numa patente que se estende por 10 páginas — que seu forno é mais seguro e mais prático, já que as alternativas anteriores não previam um meio para usar o forno como porta-luvas enquanto estivesse desligado.
Mas se tal invento é tão pratico assim, porque não pegou? Porque não temos carros equipados com microondas? Porque não é tão prático quanto parece. Se você quiser usar o microondas enquanto estiver preso no trânsito, por exemplo, vai ter que levar comida de microondas no carro. Ainda que você possa armazená-la no porta-luvas “intra-forno”, isso não vai adiantar muito, uma vez que comida de microondas geralmente é congelada (e um porta-luvas, especialmente no verão, já funciona como um “forno”).
Modelos mais modernos de carros até têm pequenos refrigeradores no painel. Mas se você também quiser um microondas muito provavelmente vai ter que abrir mão de um airbag, ou de um bom sistema de som ou de equipamentos de segurança. Isso sem falar no grande consumo de energia, que facilmente sobrecarregaria um sistema de 12V.
>Patentes patéticas (nº. 32)
Um forno de cozimento para automóveis, aquecido a gás de exaustão, formado por uma câmara fechada para encerrar utensílios de cozinha. A dita câmara tem uma tampa móvel para cobrir-la e para dar acesso ao seu interior, que contém uma serpentina de aquecimento a gás de exaustão localizada no fundo da tal câmara, uma placa dissipadora de calor colocada sobre a tal serpentina e que serve de suporte aos utensílios de cozinha.




É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídeo pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.