Varrição eletromagnética (1930)

Eletroímãs montandos em uma barra com rodinhas puxada por um carro tornam as ruas de Universal City, Califórnia, mais seguras para os motoristas. O íma recolhe pregos, tachinhas, pedaços de fios, porcas e parafusos soltos, além de ampla variedade de objetos de metal que, espalhados pelas ruas, poderiam causar furos e outros danos aos pneus. Frank Graves, eletricista-chefe da cidade, é o inventor do exterminador de furos. — Modern Mechanix, março de 1930

Se tivesse sido patentado, o rodo magnético de Frank Graves seria mais uma patente patética. Seria no mínimo irônico que o carro-reboque tivesse um pneu furado justamente com um prego que tentaria capturar. No entanto, Mr. Graves pode ter se precavido: os grandes pneus do veículo da foto podem muito bem ser de borracha sólida. Por outro lado, o sistema de prevenção de furos deixa escapar uma fonte perigosa e bastante comum de pneus furados: cacos de vidro.

Dança da Manivela

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Em 1936, o escritor e jornalista norte-americano E.B. White relembrava suas experiências com o Ford T, que entre nós foi chamado Ford Bigode:

Durante minha associação com Modelos T, self-starters não eram um acessório comum. Eram caros e vistos com suspeitas. Seu carro vinha equipado com uma manivela de serviço e a primeira coisa que você aprendia era como obter resultados. Era um truque especial e até que você o aprendesse (geralmente com outro proprietário de um Ford, mas às vezes por um apavorante período de experimentação), você poderia muito bem ter levantado o toldo. O truque era deixar o botão de ignição em off, posicionar-se diante da cabeça do animal, puxar o afogador (era um pequeno fio que saía pelo radiador) e dar à manivela uns dois ou três movimentos indiferentes. Daí, assoviando como se pensasse em outra coisa, você retomaria o assento do motorista na cabine, ligaria a ignição, voltaria para a manivela e, pegando-a pelo baixo curso [down stroke], daria um rápido giro até enchê-lo. Se esse procedimento fosse seguido, o motor quase sempre respondia — primeiro com umas poucas explosões dispersas, depois com um tumultuoso tiroteio, o que você checava ao correr para o banco do motorista e retardar o acelerador. Muitas vezes, se o freio de emergência não estivesse puxado completamente, o carro avançava sobre você no instante em que a primeira explosão ocorria e você teria que segurá-lo apoiando seu peso contra ele. Ainda posso sentir meu velho Ford farejando-me na guia, como se procurasse por uma maçã no meu bolso.

Elwyn Brooks White (1899-1985) foi co-autor de The Elements of Style, manual de redação de língua inglesa ainda hoje muito usado, e de livros infantis, como Stuart Little. Suas recordações sobre o fordeco estão em Farewell, my lovely [Adeus, meu amado], ensaio publicado na edição de 19 de maio de 1936 da New Yorker.

Arqueologia automotiva

Nos Estados Unidos carros são coisas tão banais que chegam a ser praticamente descartáveis. Não é raro encontrar verdadeiros clássicos abandonados, muitas vezes após pouco tempo de uso, nas áreas rurais da “América”. Foi o que aconteceu com o autor do video a seguir, jermikey, que ao sair para um passeio de domingo com a família encontrou uma picape Kombi 1959 que estava abandonada perto de Idaho Falls desde 1967. Fã de VW ele decidiu resgatar o veículo com ajuda da família e de uma miniescavadeira que parece surgir do nada. O trabalho de exumação desse fóssil sobre rodas levou nove horas, mas foi resumido num vídeo de 15 minutos.

O estado da carroceria é relativamente bom, dadas as condições. Em um comentário no próprio vídeo jermikey diz que planeja “uma preservação em vez de uma restauração. Novo motor e transmissão, mantendo a pintura como está”. Pode parecer loucura mas o rusting, a falta (muitas vezes forçada) de pintura, é o equivalente automotivo da moda do jeans rasgado e manchado. Contanto que estejam vacinados contra o tétano, não deve haver riscos. Apesar dos investimentos necessários para por a Kombi em ordem, jermikey e família podem ter descoberto uma pequena fortuna.

>Patentes patéticas (nº. 34)

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Já em 1930 havia gente bastante preocupada com atropelamentos a ponto de pensar em soluções práticas (ou não). Heinrich Karl, de Jersey City, New Jersey, é um exemplo desse tipo de pessoa: ele inventou um complexo mecanismo para impedir ou minimizar os efeitos de um atropelamento. O sistema, totalmente mecânico, “sentiria” o choque com um pedestre, pararia o veículo e ainda teria a gentileza de lançar um lençol no solo para que “as roupas [da vítima] não sejam sujas.”

A geringonça anti-atropelo era tão imensamente complicada que a patente tinha oito páginas para descrever o sistema ilustrado em outras duas páginas — normalmente as patente têm só quatro ou cinco páginas. Até o título completo da patente nº. 1.865.014 é enorme: Dispositivo Automático para Veículos Sem-Cavalos para Proteção dos Pedestres e do Próprio Veículo. Um resumo simplificado é apresentado em partes do primeiro parágrafo (que soma quase 40 linhas) da patente, emitida em 28 de junho de 1932:

[...] Mais particularmente, este dispositivo inclui meios para prevenir o pedestre [...] de ser atropelado pelas rodas do dito automóvel ou caminhão, etc, [...] de tal maneira que a pessoa que for atingida não apenas cairá sobre o dito lençol [...] mas sua queda será amortecida pelo lençol, o qual não se apoiará diretamente no solo, previnindo assim ferimentos na dita pessoa. [...] Meios similares também são empregados na traseira do automóvel, etc, para proteger pessoas e o automóvel quando ele se move para trás. [...]

Entretanto, bem mais adiante, Mr. Karl via nessa complicação toda uma virtude e não um defeito:
O fato de que será necessária uma certa quantidade de trabalho e alguma perda de tempo para repor as diversas partes em suas posições normais após a ocorrência de uma colisão é uma razão para que o motorista do veículo seja mais cauteloso ao dirigir seu carro ou caminhão, etc, o que por sua vez diminuiria o alto número de acidentes decorrentes de colisões entre pessoas ou veículos.

Essa ideia pode parecer bastante lógica, mas é bom lembrarmos que um sistema de air-bag (que é muito mais simples) também demanda bastante perda de tempo e dinheiro após o uso — e mesmo assim, atropelamentos continuam ocorrendo. Pois na maior parte das vezes o defeito encontra-se entre o volante e o assento do banco dianteiro esquerdo (ou direito, em alguns casos).

>Cosplay sobre Rodas: Modelo 313

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Você já deve ter ouvido falar em cosplay. Mas não são apenas os personagens que são homenageados por seus fãs. Porém, quando se fala em cosplay automotivo, o que geralmente aparece são réplicas de carros de super-heróis como o do Batman ou de veículos famosos do cinema, como o simpático Herbie de Se Meu Fusca Falasse. Mas e quanto aos veículos que aparecem nos quadrinhos ou nas animações?

Um dos exemplos mais famosos, icônico mesmo, nessa categoria é o pequeno calhambeque vermelho do Pato Donald. Direto das ruas de Patópolis para a vida real, o carro parece ter sido feito exatamente como Donald o construiu — com o uso de diversas peças usadas.

Os enormes pneus faixa-branca são um detalhe bastante fiel e, na vida real, fazem o carro parecer bem maior do que é. Na verdade apenas duas pessoas (não muito grandes) são capazes de passear pelo carrinho com a placa 313.

A réplica parece ser obra de algum fã islandês do rouco pato-sem-calça. Não há informações sobre a mecânica (até porque é tudo improviso), mas a foto abaixo dá a entender que o motor é um quatro-cilindros comum.

>Como funciona o diferencial?

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Ei, você já deu uma olhada debaixo do seu carro hoje? Já viu aquela “bola” que fica no meio do eixo traseiro de caminhões e de alguns carros mais antigos? Se você for curioso, já deve ter se perguntado para quê serve aquela coisa redonda no meio de um eixo.
Pois aquela “bola” é uma das peças, ou melhor, um dos sistemas mais importantes em um carro — o diferencial, que distribui de forma equilibrada a energia cinética do motor entre as rodas de um eixo (dianteiro ou traseiro). O diferencial tem esse nome por que movimenta as duas rodas em velocidades diferentes. Graças a isso (e ao sistema de direção), os automóveis podem fazer algo incrível: curvas! 
Embora pareça complexo, o conceito por trás do diferencial é muito simples.  É mais simples ainda se usarmos imagens em lugar de palavras. O vídeo a seguir — traduzido por este que vos escreve — é um verdadeiro tesouro. Foi feito nos anos 1930 pela Chevrolet norte-americana e explica o que é e como funciona um diferencial.
Hoje em dia, os engenheiros nem precisam mais se preocupar com aquele “eixo desajeitado por cima do piso”. Exceto por alguns esportivos, todos os carros modernos são tracionados pelo eixo dianteiro, o que permite ainda mais espaço interno, menor altura e muito mais conforto. Mas é realmente uma pena que não se façam mais videos explicativos como esse. Isso deveria ser apresentação obrigatória nas aulas de auto-escolas.

>O Carro-mala

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Depois de ver a diferença entre o estacionamento do shopping e o estacionamento no shopping, você deve achar que já viu de tudo em termos de soluções para esse problema do trânsito.
Uma solução mais séria seria apostar em carros compactos. Mas o que te vem à cabeça quando você pensa em carro compacto? VW Fox? Ford Ka? Mini? Smart? Romi-Isetta? Você ainda não viu nada, por que você não conhece o Peel P50.

Fabricado entre 1963 e 1964 na pequena Ilha de Man (Inglaterra) o Peel P50 é considerado pelo Guiness Book como o menor carro do mundo produzido em série. O P50 era um triciclo com carroceria de fibra de vidro — e sem chassi! — movido um pequeno, barulhento e fumacento motor DKW de 49 cm³, acoplado a um câmbio de três marchas (sem ré). Dimensões? 1,37m de comprimento por 1,11m de largura.
O material publicitário anunciava a incrível marca de 100 milhas por galão (42,5 km/litro). O carro poderia correr uma maratona com apenas um litro! Bem, na verdade correr não seria a expressão mais adequada: a velocidade máxima beirava as 40 milhas por hora (pouco mais de 64 km/h).
Na época do lançamento, o preço era proporcional ao carro: apenas 400 libras (cerca de R$ 550,00 pela cotação atual). Mas o preço da gasolina também era barato e a produção foi minúscula: 47 unidades do modelo monoposto. Do total produzido, poucos encontram-se hoje em condições de rodar. O resultado é que hoje um P50 original não sai por menos de £35 000 (quase R$ 100 000).
Nada disso, porém, dá uma boa ideia do P50 pra quem nunca viu um. Em 2007, o carrinho foi apresentado no Top Gear, programa especializado em automóveis da BBC. Com 1,98m de altura, o apresentador Jeremy Clarkson teve que fazer contorcionismo para entrar na mala motorizada. Cheia de cenas hilárias, a matéria mostra Clarkson dando voltas pelo centro de Londres para depois passar um dia inteiro com o carro (literalmente).
Quem quiser ter uma mala motorizada pode comprar  uma carroceria da Modern Microcars por £1.650 (uns 4 500 paus) e se virar com um motor de mobilte que dá na mesmo. Mas se já é difícil dirigir o carro-mala no trânsito londrino, imagine em São Paulo.
descobri no meio de umas coisas retrô.

>Dodge La Femme

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A Dodge introduziu em 1955 um sedutor pacote de opcionais para o Custom Royal Lancer: por 143 dólares a mais, era possível ter um modelo feminizado, com pintura rosa e bege e um interior pink decorado com botões de rosa.
“O primeiro carro desenhado exclusivamente para a mulher motorista” vinha também com uma capa e um chapéu de chuva que combinavam com uma sombrinha além de uma bolsinha pink com um pó compacto, um batom e um isqueiro. A brochura promocional adulava as possíveis consumidoras: “Para a satisfação de Sua Majestade… a Mulher Americana.”
Mas o carro não era assim tão sedutor. Pouco menos de 1500 La Femmes foram vendidos e o modelo desapareceu em 1957.
 
Talvez o carro tenha sido feminino demais para as mulheres do pós-guerra, que já não eram mais “amélias” que pilotavam apenas fogões.

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