>Saída Estratégica

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Um Judeu muito velho chamou sua mulher para a cama e disse: “Eu estou morrendo. Por favor, chame um padre… Eu gostaria de me converter ao Catolicismo.” Chocada, a mulher lembrou ao seu marido que eles haviam sido judeus devotos durante toda a vida. “Eu sei, querida,” disse ele, “mas não é melhor que um deles morra em lugar de um dos nossos?” — Epígrafe anônima em John Martin Fischer, The Metaphysics of Death [A Metafísica da Morte], 1993

>Fé e Obra

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Não sabia que a Igreja Católica aceita o cumprimento de promessas “por procuração”…

Catarina de Médicis (rainha da França) fez um voto de que se algumas de suas preocupações terminassem bem-sucedidas, ela enviaria um peregrino a Jerusalém. Ele iria a pé até lá e, a cada três passos para frente, ele voltaria um passo para trás. Havia dúvidas se poderia ser encontrado um homem suficientemente forte para ir a pé e suficientemente paciente para retroceder um passo a cada três. Um cidadão de Verberie se apresentou e prometeu pagar o voto da rainha do modo mais escrupuloso possível. A rainha aceitou sua proposta e prometeu-lhe uma recompensa adequada. Diz-se que ele cumpriu sua promessa com grande exatidão e que a rainha foi constantemente informada por relatórios. — William Granger, The New Wonderful Museum, and Extraordinary Magazine [Revista do Novo Museu do Maravilhoso e Extraordinário], 1804

Católica de origem italiana, Catarina de Médicis (1519-1589) foi rainha consorte e regente da França em diversas ocasiões durante a Reforma e Contra-Reforma. Entre outras “preocupações”, ela foi responsável pelo Massacre da Noite de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572. Para alegria do Vaticano, mais de 30 mil protestantes franceses foram mortos numa única noite. Afinal, “a fé sem obras é morta”.

>Sex and the Vatican

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Denúncia de pedofilia: você está fazendo isso errado

O papa pode não ser mais italiano há um bom tempo, mas mesmo assim, parece que o Vaticano acha que suas fronteiras vão além dos muros que o separam de Roma. Em meio aos escândalos político-sexuais de seu primeiro-ministro fanfarrão, a Itália está calada. Vergonhosamente, também está calada com o lançamento do livro Sex and the Vatican, do jornalista Carmelo Abbate. Não que se esperassem louvores à obra que devassa a vida dupla que padres, freiras, monges e bispos italianos levam. Surpreendentemente, também não houve críticas generalizadas. Nem um escândalo sequer.

Entre outras coisas, o livro apresenta a vida de mulheres que, mesmo na clandestinidade, se casaram com padres e ou tiveram filhos ou fizeram aquilo que a igreja mais condena — aborto. Freiras denunciam estupros que sofreram nas mãos de padres. A conclusão, porém, não é surpreendente: tais comportamentos só ocorrem por que a Igreja impõe a castidade e o celibato, fardos pesados demais na vida de quem deseja ser clérigo.
Na França — onde boa parte da população é católica —, o livro tornou-se um best-seller instantâneo. A primeira edição se esgotou em uma semana. Sex and the Vatican foi o 12º. livro de não-ficção mais vendido pela Amazon francesa. Carmelo Abbate tem aparecido em diversos programas de entrevistas na TV francesa. Diversos artigos e resenhas têm sido escritos em diversos diários franceses nas últimas semana. Há até mesmo um documentário para a televisão sendo preparado sobre o tema.
Mas se você atravessar os Alpes e entrar na primeira banca que encontrar na Itália, não vai ver nada sobre Abbate ou sobre seu livro. Também não vai adiantar muito zapear pela TV italiana. Exceto por uma pequena nota publicada pela Ansa, a agência de notícias italiana, tudo o que saiu sobre o livro na Itália se resume a uma breve resenha em um pequeno jornal econômico de Milão, Finanza e Mercati, e uma matéria na revista Panorama, onde o próprio Carmelo Abbate trabalha. 
Falar sobre as relações entre sexo e Vaticano continua sendo um enorme tabu na bota mediterrânea. É como se o livro — e tudo o que ele revela — tivesse sido escondido debaixo do tapete, ou melhor, da batina. Há alguns que consideram Abbate apenas como um jornalista sensacionalista. Mas nem mesmo os deméritos do livro estão sendo discutidos aberta e extensivamente na mídia italiana.
Um dos motivos para isso está fuora i muri do pequeno Estado teocrático governado por Bento XVI. Além de ser o primeiro-fanfarrão do país, Silvio Berlusconi é dono de um império midiático: o Canale 5, o Italia 1 e a Rete 4. Esses são três dos cinco grandes canais de TV aberta na Itália. A RAI, maior emissora de TV do país, é pública e tem diversos canais — mas tal como no Brasil, a TV pública na Itália nunca foi muito autônoma. Não é surpresa, portanto, saber que a TV italiana calou sobre um assunto tão polêmico. O capo de tutti capi já tá bastante ferrado publicamente. Se suas empresas pudessem criticar o Vaticano, ele cairia feito um anjinho de asas quebradas.

B-16 e Berlusconi têm muita coisa em comum: são chefes de Estado e líderes de gangues sexuais.

A mídia impressa também parece impor uma autocensura muito forte quando o assunto é sexo na Igreja. Aparentemente, os jornalistas italianos consideram mais importante o respeito a uma instituição decadente do que a revelação da verdade, seja ela qual for. Aliás, esse tipo de pseudojornalismo é o sonho do lulo-petismo (que mostrou-se muito católico ao condenar o aborto na última campanha eleitoral).
Entretanto, o que pode estar acontecendo na Itália é uma intervenção direta do clero para impor a lei do silêncio no país. Não é a primeira vez que isso ocorre. Em 2006, líderes católicos tentaram censurar a versão cinematográfica d’O Código da Vinci antes mesmo da estreia nos cinemas — não apenas na Itália, mas em diversos países. Onde não conseguiram, promoveu-se uma discreta porém verdadeira queima de livros de Dan Brown. Agora a estratégia é um pouco diferente: ignorar, orgullhosamente ignorar. Diferente, mas não muito. Essa tem sido a mesma estratégia católica diante das denúncias de abusos sexuais cometidos por padres e monges contra crianças e adolescentes. Em vez de enfrentar e reconhecer o problema, o Vaticano tem procurado abafar os casos, como se eles não existissem, como se eles fossem historinhas inventadas por criancinhas malvadas. 
Padres pedófilos não são punidos, denunciados nem mesmo excomungados: são transferidos para outra diocese e fica-se nisso até que cometam novos abusos e sejam transferidos ad nauseam. Em vez de jogar fora os frutos estragados, o clero prefere desacreditar os acusadores e proteger a reputação da fazenda onde esses frutos são produzidos. Nem que para isso seja necessário por em risco o Estado de Direito dando um verdadeiro golpe branco em um país soberano e independente do Vaticano. Ou que pelo menos deveria ser.

>Dia do Livro: É proibido proibir

>Para que esse dia (ou noite) não passe em branco:

Alguns dos autores listados no Index Librorum Prohibitorum da Igreja Católica: Galileu Galilei, Copérnico, Kepler, Montaigne, Descartes, Voltaire, Jean-Jacques Russeau, Sade, Victor Hugo, Dumas, Rebelais, Balzac, Zola, Anatole France, Jean-Paul Sartre, Laurence Sterne, Comte, Graham Greene, Maquiavel, Jonathan Swift, além da Encyclopedie e do Grand Dictionaire Universel Larousse
Entretanto, Karl Marx e Adolph Hitler jamais foram censurados pelo Vaticano.

>Moderna Páscoa Judaica

>Mudam-se os tempos, mas as sérias restrições alimentares do judaísmo continuam firmes e fortes:

Não ria se você for cristão — especialmente se for católico. Afinal você também não pode comer nem um Big Mac durante a quaresma. Ou não deveria.

>Voto de Pobreza

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Por que a população do Vaticano não derruba o papa? Porque o ”povo” vaticano
 vive rica e fartamente com a renda de suas ovelhinhas.

>Pai de Todos

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Bons eram tempos em que padres poderiam “tirar o atraso” livremente com mulheres. Nada de preservativos e um monte de filhos! Porém, até hoje não houve pároco com tanta vontade de “fazer filhos” quanto Francisco Costa, o lendário prior de Trancoso:

Sobre a união do homem com muitas mulheres, é curioso este documento que se acha arquivado na Torre do Tombo em Lisboa (armário 5º., maço 7º., datado do ano 1487):

“F…… C……, prior que foi de Trancoso, na idade de 62 anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas ao rabo de cavalos, esquartejado o seu corpo e posto em quartos e a cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime de que foi arguido, que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com 29 afilhadas, tendo delas 97 filhas e 37 filhos; de 5 irmãs teve 18 filhos e filhas; de 9 comadres teve 38 filhas e 18 filhos; de 9 amas teve 29 filhas e 5 filhos; de 2 escravas teve 21 filhas e 7 filhos; dormiu com uma tia chamada A…. C…… de quem teve três filhos e… da própria mãe teve 2 filhos!!!

Total — 275 filhos, sendo 200 do sexo feminino e 75 do sexo masculino, sendo concebidos de 54 mulheres!”

— Valmiro Vidal Rodrigues, Curiosidades: 1000 coisas interessantes para nossa cultura enciclopédica, Vol. III. 1960

O prior foi julgado e condenado e executado, certo? Errado! Lembre-se que estávamos em Portugal, um país que nos legou a rigorosa tradição jurídica do “prende e solta”:
“O rei João I perdoou ao fecundo sotaina e o mandou por em liberdade aos 17 dias de março de 1487 e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença e mais papéis que formam o processo.”Idem.

>Pérolas Fundamentalistas III: a Ascenção

>

porco
E depois de quase dois anos, essa série volta para nos assombrar com exemplos do que a fé é capaz de gerar. Para começo de conversa, uma torrente de ignorância na polêmica sobre a presença de gays no Exército:


Homossexualidade é só sexo e luxúria… só o fato de que eles são tão promíscuos prova que NUNCA há devoção e amor por outra pessoa. Esse é o porquê tal ato é tão desagradável (fora as doenças e os danos)… não há honra ou caráter para pessoas que se engajam em tais atos e o acham “bom”. Sempre acaba em pederastia rampante, como no Afeganistão, os Gregos e os antigos Japoneses.
Nossos militares estarão num vácuo de honra e caráter em nada diferente dos Gregos e Romanos pagãos… dos Russos ateus que fizeram Patton vomitar e das tropas Nazistas homossexuais adoradoras de Odin… É tão repugnante como eles escondem os fatos verdadeiros sobre os efeitos da promoção desses atos malignos, feios contra a moralidade sempre que eles ocorrem, como na República de Weimar. A Bíblia descreve Sodoma e Gomorra e aquilo não era pior que a República de Weimar. Era notório que o Vício Nacional da Alemanha nos anos 20 era a homossexualidade crescente. Todos os oficiais de outros países eram alertados para guardar suas costas quando tinham que interagir com os alemães.
Precisamos retornar ao paradigma Cristão sob o qual ficamos por duzentos anos. Ele está alinhado com a Lei Natural e é perfeito para um povo livre e justo. [...] Se não fosse pelo Cristianismo, a Civ. Ocidental teria morrido. Nenhuma das sociedades pagãs, ateístas, islâmicas, etc, jamais poderia criar o país livre-para-todo que nós temos. Isso é impossível. — savagesusie em Free Republic
Também parece ser impossível o surgimento de democracias no caso de nações cristãs, minha jovem. Especialmente naquelas onde a separação Estado/Igreja não é muito clara. Vamos ignorar toda a besteira historiográfica — afinal ela não deve ter entendido muito bem as aulas de História —, e ir direto ao ponto: se você diz que seu país é “livre-para-todos”, qual o problema de ser livre também para os homossexuais? E se um país é de “todos”, é mais do que justo que todos tenham o direito de defendê-lo, se quiserem.

Agora vamos para uma discussão fundamentalista sobre a pena para o estupro:

“‘Olho por olho e dente por dente?’ Não é olho por dedo ou dente por unha. Eu acho que é castração, talvez.”
Ele não extraiu o útero dela.
Ele fez sexo com ela.
A punição dele poderia ser ela fazer sexo com ele.

— anônimo, em The World according to Bob

Depende, meu caro. Esse sexo retributivo seria pela frente ou por trás? Ou será que isso também dependeria do estupro? Enfim, temos mais um estuprador em potencial (isso explica o anonimato). Mas não se preocupem, ele é um bom cristão.

Falando em almas bondosas, uma pergunta: Índios também são filhos de deus? Não para esse cara, que mais parece uma reencarnação de Torquemada:
TODOS os injuns [forma depreciativa de se referir aos índios] devem reconhecer os crimes dos índios do passado e reconhecer que NADA acontece na terra exceto com a APROVAÇÃO de Deus. Também precisam entender POR QUE Deus pensou que os Injun, como povo, teriam suas terras tomadas e suas tribos DESTRUÍDAS.
“Sabe com certeza que a tua descendência será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos; […] Na quarta geração, porém, voltarão para cá; porque a medida da iniqüidade dos amorreus não está ainda cheia.” [Gênesis, 15: 13,16, grifo original]
Tal como os Amorreus, Deus viu a degradação dos Injun e removeu-os e deu a Terra a uma nação que ELE escolheu.
— specter, em Minutemen Message Board
Crimes? Que crimes, cara pálida? Tu tá confundindo as tribos cananéias com os nativos da América, rapá!
Além disso, eu sempre pensei que deus tinha escolhido um pedacinho minúsculo de terra desértica fincado no Oriente Médio como terra prometida (e o povo ainda achou isso muito promissor…). Mas parece que, após alguns cansativos séculos de caça às bruxas na Europa, nada melhor que a “América” para acomodar o Divino Ego.
Falando em terra prometida, verifique se ela está bem firme em seu pedestal no centro do Universo:

A Terra não era apenas o primeiro planeta em existência, foi o primeiro objeto do universo que teve massa.
A terra (sic) veio primeiro, depois o universo foi criado à volta dela.
— AV1611VET, em Christian Forums

Claro, claro. Afinal se o universo não fosse geocêntrico, como Jesus faria para salvar todas as formas de vida fora da Terra? Ele teria que morrer em cada planeta habitado. Coitadinho, ele não tem poder (nem sangue) suficiente para isso…
Dizem que Jesus veio para redimir os pecados de Adão. Um desses pecados pode muito bem ter sido o incesto, não é mesmo?
[Resposta à alguém que apontou o incesto implícito nos relatos criacionistas dos primórdios da Humanidade]
Parece que você quer transformar esse “incesto” em algo ruim. Você pensa que o fato de ser incesto deveria ser destacado no artigo. Eu nunca discordei com a menção dessa ocorrência, mas discordo colocá-lo de forma a sugerir que havia algo de errado nisso. Mesmo o uso da palavra “incesto”, embora tecnicamente correto, é problemático por causa da conotação do termo.
— Philip J. Rayment, na Conservapedia
Uma objeção educada, é verdade, mas que ainda não responde a uma dúvida fundamental:
logic-test-1
Ou será que há um milagre apócrifo em Gênesis, alguma gravidez homossexual entre irmãos, algo totalmente aceitável e natural?
Para quem não sabe, Rush Limbaugh é um radialista linha-dura, um ícone da direita americana. Mas graças a ele, nossa próxima pérola  vem não de um fórum religioso, mas de um site sobre Rock (\m/):
Um radialista de direita disse a uma audiência de milhões que os trágicos eventos no Arizona no fim de semana, ondo seis pessoas foram mortas e 14 feridas durante a tentativa de assassinato da congressista Gabrielle Giffords, não têm nada a ver com armas e tudo a ver com metal music.
A banda texana Drowning Pool foi forçada a defender sua música Bodies após ser revelado que o suspeito do crime, Jared Loughner, gostava dela. Eles ressaltaram que a faixa era sobre “a irmandade do mosh” e o assunto era “respeito, não violência”.
Mas [Rush] Limbaugh afirma que a posição pró-armas da direita não teve nenhuma influência no ataque, enquanto a música teve.
Ele diz: “O cara ouvia heavy metal, e alguma daquelas coisas anarquistas. Nós estamos lidando com um indivíduo insano. São os liberais, não nós conservadores, que glorificam o comportamento criminoso e a apologia da violência. Eles chamam isso de arte.”
Aparentemente, Limbaugh jamais (a) entendeu arte como uma “válvula de escape” e (b) leu o Velho Testamento. Ou, embora seja radialista, ele ainda não conhece as bandas de metal cristãs. Sim, isso ecsiste!
Por fim, antes que me digam que eu não prestigio a produção nacional, seguem algumas amostras de fundamentalismo made in Brazil:
Para começar, a polêmica (e confusa) relação do Papa com a camisinha, ou melhor, sobre o uso da camisinha (grifos nossos):
Usar a camisinha é uma forma errada de salvaguardar a própria integridade; mas a intenção de se proteger, a consciência de que existem riscos associados ao uso desenfreado do sexo, é o que existe de positivo (embora, repita-se, os meios empregados estejam equivocados) no exemplo dado pelo Papa.
— Jorge Ferraz, em Deus lo volut
Estranho, não é mesmo. Embora a intenção de se proteger de DSTs seja “o que existe de positivo”, usar camisinha ainda é “uma forma errada de salvaguardar a própria integridade”. Então, camisinha tá certo ou errado para os católicos? Sexo seguro, comofas??/ Com criancinhas??
A confusão com a camisinha já é velha dentro da ICAR. Mas eu ainda não conhecia a birra com jogos eletrônicos de sucesso, como o Assassin’s Creed:
o jogo é como um imã [sic] para o erro no que diz respeito a tragar as almas para o antropocentrísmo [sic] mais escandaloso de tal sorte que por isso mesmo a pessoa seja arrastada ao mais crú [sic, esse cara não tem corretor ortográfico??] materialismo ou em uma hipótese menos drástica a um agnosticísmo [sic, pqp!] hedonista.
— de um post anônimo no Index Bonorvm
O texto todo é uma pérola, por que em nenhum momento o jogo é criticado tecnicamente. O que se critica é a suposta intenção do jogo: criar assassinos. A crítica inicia-se pelas origens históricas do termo assassino (de etimologia árabe, o que causa desconfiança no tal anônimo), fala da “seita dos ‘Assassinos’” e explica algo da trama do jogo, que envolve as cruzadas do ponto de vista árabe, isto é, herético e não-cristão. Mas o importante é o final, onde se apresenta total indignação apenas por que o jogo tem a ousadia de mostrar a sagrada ICAR como a vilã que realmente foi.
Mas não são apenas os católicos brasileiros que andam soltando pérolas na internets antes de passar os textos pelos corretores ortográficos:
Nos países não-cristãos se ploriferam as crenças mais ridículas e absurdas. Uma das mais difundidas hoje é o budismo, que conta com algumas variações, o Zen-Budismo, o Brahmanismo e o Hinduísmo.
O budismo é um candomblé oriental [sic], o sincretismo é bem semelhante: fazem danças venerando os deuses, encorporam entidades, fazem trabalhos de amarração e evocam espíritos.
[…] Assim como o [sic] umbanda, veneram vários deuses antropozoomorficos [sic, de novo! muda-se a fé, mas a ingorância é idêntica], ou seja, que possuem forma de homens e animais. Este tipo de adoração descende da era da pedra lascada, quando a raça humana ainda não tinha sido iluminada por mensageiros de Deus judeus, como Moisés, Jesus e o profeta Ezequiel.
— pastor Silas Adoniran Fonseca, no Igreja Internacional
Parece que o pastor Silas não é assim tão internacional. Ele parece incapaz de diferenciar budismo de hinduísmo. Na prática, ele fala de budismo, mas acerta no hinduísmo. É um Galvão Bueno da teologia. Mas em compensação, ele tem um perfil que por si só já é uma pérola: “Palestrante, cantor gospel, instrumentista, ex-álcoolatra, ex-assaltante e curado de um câncer no fígado. Sou assembleiano por convicção, apesar de já ter ministrado cultos na IURD, Deus é Amor, Igreja de Cristo, Sara Nossa Terra, Videira e Renascer.” Pois é, parece que a convicção dele — como o “amor à camisa” de muito jogador de futebol — sempre vai para a Igreja que paga mais. Talvez seja pela falta de materialismo que os budistas (ou seriam os hindus?) irritam tanto esse pastor.
Este post já está longo demais. Mas encontrei tanto bullshit fundamentalista por aí que, graças a deus (literalmente), essa série não vai morrer tão cedo.

>Igreja Católica na manhã de domingo

>

soninho
A Igreja Ateísta na Manhã de Domingo é bem mais animada!

>É dando que se recebe!

>

Um Católico Romano tinha uma ficha tão longa que decidiu se confessar com o padre para obter uma absolvição. Ele entrou no apartamento do padre e disse: “Padre, eu tenho pecado.”

O padre fê-lo ajoelhar-se diante da cadeira de penitências. O penitente estava olhando à sua volta quando viu o relógio de ouro do padre sobre a mesa, bem a seu alcance. Ele pegou-o e colocou-o no seu paletó. O padre aproximou-se dele e pediu-lhe para contar os crimes que cometera.


“Padre,”, disse o meliante, “eu roubei. O que devo fazer?” “Devolva”, disse o padre, “a coisa que você pegou a seu legítimo dono”. “Fique com ela”, disse o penitente. “Não, eu não vou pegá-la”, disse o padre, “Você deve deixá-la com o dono.” “Mas ele se recusa a recebê-la.” “Se esse é o caso, você pode ficar com ela.”

O padre deu ao homem total absolvição. O penitente levantou-se, beijou-lhe a mão, ouviu sua bênção, fez o sinal da cruz e partiu, com a consciência tranquila e um valioso relógio de ouro no bolso.
 
— Walter Baxendale, Dictionary of Anecdote, Incident, Illustrative Fact [Dicionário de Anedotas, Incidentes e Fatos Ilustrativos], 1888
Se o ladrão arrependido não tivesse , ele provavelmente não cometeria um novo roubo tão cedo. Já se o padre não levasse uma vida tão materialmente confortável (ou tivesse um mínimo de ceticismo), ele jamais seria assaltado.

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