>O Incidente de Kersey
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| Kersey em 1957. Aquarela de Jack Merriot. |
A rua em si estava bem deserta. Isso não seria surpresa numa manhã de domingo de 1957, ainda mais no coração rural da Inglaterra. No entanto, mesmo os mais remotos vilarejos britânicos já mostravam então sinais de modernidade — carros estacionados nas calçadas, linhas telefônicas suspensas ao lado das ruas e antenas espalhadas pelos tetos. Mas não havia nada disso naquela vila. De fato, todas as casas daquela rua pareciam antiquíssimas: eram grosseiras, com estruturas de madeira, e “quase medievais em aparência”, pensava um dos garotos.
Os três jovens, que eram cadetes da Royal Navy, aproximaram-se da construção mais próxima e meteram seus rostos nas janelas encardidas, esforçando-se para ver alguma coisa. O que dava para ver era algum tipo de açougue, mas o interior era ainda mais perturbador. Segundo um dos meninos, em depoimento ao escritor Andrew MacKenzie:
Não havia mesas ou balcões, apenas duas ou três carcaças interias de boi que haviam sido esfoladas e em alguns lugares já estavam esverdeadas de velhas. Havia uma porta pintada de verde e janelas com diminutos painéis de vidro, uma na frente e uma do lado, com um ar um tanto sujo. Eu me recordo que enquanto olhávamos incrédulos através daquela janela para as carcaças mofadas e emboloradas… o sentimento geral era um de descrença e irrealidade… Quem acreditaria que em 1957 as autoridades sanitárias permitiriam tais condições?
O que aconteceu com esses três rapazes numa manhã de outubro há mais de meio século ainda permanece um tanto misterioso (ou não). Eles participavam de um exercício de leitura de mapa que deveria ser bastante simples. A ideia era fazê-los se orientar através de quatro ou cinco milhas de uma área rural até um ponto determinado. Depois, eles voltariam à base e relatariam o que encontrassem — o que, de acordo com o plano, seria a pitoresca vila de Kersey, no condado de Suffolk. Mas quanto mais pensavam no assunto, mas os cadetes se convenciam de que algo muito estranho havia ocorrido. Anos mais tarde, William Laing, o rapaz escocês que liderava o trio, colocou as coisas nestes termos:
Era uma vila fantasma, por assim dizer. Era quase como se tivéssemos andado para trás no tempo… Eu experimentei uma sensação esmagadora de tristeza e depressão em Kersey, mas também uma sensação de hostilidade de observadores ocultos que dariam frio na espinha de qualquer um… Eu me perguntava que, se nós batessemos em uma porta para fazer uma pergunta, quem a teria respondido? Não suporto ter de pensar nisso.
O incidente de Kersey ficou esquecido até meados da década de 1980, quando Laing e Crowley — que agora viviam na Austrália — conversaram por telefone e remoeram a história toda. Laing sempre foi perturbado pelo acontecimento. Crowley, por sua vez, não se lembrava com tantos detalhes quanto o colega, mas pensava que alguma coisa estranha havia mesmo ocorrido e recordava-se do quadro geral de silêncio, ausência de antenas e postes e especialmente do açougue bizarro. Isso foi o bastante para fazer Laing escrever ao autor de um livro que ele havia lido: Andrew MacKenzie, que era um dos líderes da Society for Psychical Research.
Retrocognição?
O que torna esse caso particularmente interessante é que a retrocognição é o mais raro dos supostos fenômenos paranormais. O número de casos relatados não passa de uma mão cheia. Muitos fatores levaram MacKenzie a considerar como genuína a experiência dos garotos: a sinceridade óbvia de Laing e Crowley (Ray Baker foi procurado sobre o assunto, mas disse não se recordar da experiência); os detalhes de suas recordações; e algumas descobertas persuasivas.
Contradições Históricas
No entanto, essa simples contradição de datas joga por terra a hipótese de que os garotos tenham se perdido no tempo. Kersey é exatamente o tipo de lugar que poderia causar confusões em visitantes novatos e estrangeiros. Quanto à falta de postes e antenas, há uma explicação bastante racional para isso. No começo dos anos 1950 a Suffolk Preservation Society lutou pela preservação da paisagem local [Electrical Review p.414; Electrical Times p.300]. O resultado dos protestos a favor da preservação histórica de Kersey podem ser encontrados em relatórios do Parlamento Britânico da época, que falam de “negociações que resultaram na transferência das linhas aéreas para o fundo das casas de cada lado da rua ou o enterro do cabo no subsolo no ponto onde a rua precisa ser cruzada.” [Command Papers p.96] Ou seja, havia sim linhas elétricas. Elas apenas estavam escondidas por motivos turísticos.
E quanto aos outros detalhes? Janelas de vidro, mesmo que toscas, eram bastante caras e portanto raras nos séculos XIV e XV [Cantor p.139]. Mesmo que a Kersey supostamente visitada fosse rica, porque suas casas estariam abandonadas e sem móveis? Se o local houvesse sido repentinamente abandonado por causa de uma praga, ninguém teria tempo de levar sua mobília.
O açougue bizarro
Confusão mental
- Andrew Mackenzie. Adventures in Time. London: Athlone Press, 1997
- Eric Kerridge. Textile Manufactures in Early Modern England. Manchester: MUP, 1988
- Electrical Review vol. 145 (1949); Electrical Times vol.116 (1949)
- Command papers. Great Britain: Parliament: House of Commons. London: HMSO, 1951. Vol. XX
- Leonard Cantor. The Changing English Countryside, 1400-1700. London: RKP, 1987
- Ian Mortimer. The Time Traveller’s Guide to Medieval England. London: Vintage, 2009
- Christopher Dyer. Everyday Life in Medieval England. London: Vantage, 2000
>A anomalia da foto C-S11-32W071-03
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Em 1976, uma foto de satélite da NASA, de número C-S11-32W071-03, revelou algo bastante incomum na densa floresta do sudeste do Peru: objetos piramidescos, alinhados em duas fileiras quase perfeitas. Seria aquele o esconderijo de incas-venusianos?
>A Mosca Supersônica de Townsend
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A potência necessária para alcançar tamanha velocidade seria de 370 watts ou quase meio cavalo-vapor. Para voar tão rápido, a mosca teria que consumir 1,5 vez o seu próprio peso em comida — por segundo.
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Fórmulas da Balística mostram que a pressão do vento sobre a cabecinha da mosca chegaria a 8 libras por polegada quadrada. Isso seria mais que o suficiente para esmagá-la completamente.
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Uma mosca de 800 mph seria capaz de atingir a pele humana com uma força de 310 libras [140 kg]. “É óbvio que tal projétil penetraria profundamente na pele humana.”
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Uma mosca supersônica seria invisível ao olho humano e não algo como o “borrão amarronzado” descrito por Townsend.
>Fotógrafo-fantasma
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Esta é Mary Todd Lincoln, viúva de Abraham Lincoln, com o fantasma de seu marido, em uma foto do “fotógrafo de espíritos”, Willianm H. Mumler.
>Uma dívida no bolso e uma enguia na cabeça
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>Hélène Smith, a médium marciana
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Que engraçados, esses carros! Dificilmente há qualquer cavalo ou pessoa a puxá-los. Imagine diferentes tipos de poltronas que se movem mas não têm rodas. São as pequenas rodas que produzem as faíscas. As pessoas sentam em suas poltronas. Algumas, as maiores, levam quatro ou cinco pessoas. À direita do braço da poltrona está espetado um tipo de vara, que tem um botão, o qual é pressionado com o polegar para por o veículo em movimento. Não há trilhos. Também se vê pessoas a pé. Elas são constituídas como nós e seguram-se com pequenos dedos. A vestimenta é a mesma para ambos os sexos: uma blusa comprida de gola alta, calças bem largas, sapatos de couro, com solas grossas, sem salto e cuja cor é a mesma do resto do conjunto: branco com detalhes em preto.
Flournoy (à esq.) fora amigo próximo de Catherine-Elise Müller (o verdadeiro nome de Mme. Smith), mas — talvez cedendo ao ceticismo de seu lado científico — ele não conseguiu engolir a história sobre Marte. Ele afirmava que as descrições do povo marciano eram baseadas no orientalismo que estava em moda (too mainstream); que o Planeta Vermelho apresentado pela médium era excessivamente “material”, pois se parcecia muito com a Terra. E a suposta língua marciana, com suas 22 letras e sua gramática era muito semelhante ao francês. Ele classificou Catherine Müller como um caso de “sonambulismo com glossolalia”. Depois dessa, a carreira de Mademoiselle Smith deveria ter ido para o espaço.
>Jovens Ainda
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Menos pessoas vivem até a velhice
A surpreendente ideia de que a vida humana está se tornando mais curta e não mais longa foi recentemente sugerida pelo Professor C. H. Forsyth, do Darthmouth College. A teoria recebeu uma corroboração inesperada das estatísticas sobre pessoas com mais de 100 anos que vivem nas Ilhas Britânicas — recém-compiladas pelo Dr. Maurice Ernest, do Centenarian Club de Londres. Em 1881, segundo o Dr. Ernest, a Inglaterra possuía 141 centenários, a Escócia tinha 57 e os atuais territórios do Estado Livre Irlandês relatavam 566. Em 1921, ano com o mais recente censo completo, as respectivas quantias eram de 110 na Inglaterra, 35 na Escócia e aproximadamente 120 no Estado Livre Irlandês. Ressalta o Dr. Ernest que “possivelmente o grande número de centenários relatado nos anos anteriores pode ser devido a falsas alegações de longevidade extrema, feitas pelas próprias pessoas e que não eram verificadas tão cuidadosamente quanto agora.” Mulheres que passam dos cem parecem ser o dobro dos homens. — Modern Mechanix, Janeiro de 1930
>Hamlet: Uma comédia de erros?
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O all you host of heaven! O earth! what else?
And shall I couple hell? O fie!
[Ó legiões do céu! Ó terra! Que mais, ainda?
Invocarei o inferno?]
| O gatinho Hamlet — leva um tempão pra morrer. |
And shall I couple? Hell! O fie!
[lit. E deverei eu formar um par? Para o Inferno!]
| “A Trágica História de Hamlet, príncipe da Dinamarca” (edição de 1605). |
Por quase três séculos tem sido possível mal-entender, não apenas passagens específicas, mas a intenção fundamental da peça. Durante esse tempo nenhuma explicação satisfatória de todas as suas obscuridades foi apresentada. Eu acredito que essa teoria as explica. Contrariando a aparente vaidade e presunção da afirmação anterior, tal crença baseia-se em cuidadosos estudos e comparações. — Fredericka R. B. Gilchrist, The True Story of Hamlet and Ophelia [A verdadeira história de Hamlet e Ofélia], 1889
>O Papagaio dos Atures
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Mas há vários motivos para duvidar dessa história. Quando o naturalista alemão fez seu registro, não havia um alfabeto fonético internacional. Mesmo que os papagaios tenham sido treinados de acordo com os escritos de Humboldt, o “vocabulário” que ele registrou pode não ser muito fiel à suposta língua Ature.
Digo suposta língua por que o papagaio apresentado ao cientista alemão pode ter sido simplesmente um truque, uma forma de chamar a atenção e talvez até de obter dinheiro de forasteiros. Humboldt era um grande cientista, mas como ninguém é perfeito, ele pode ter sido enganado.
>Imóvel Fantasma
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| Cuidado! Esta casa é assombrada – ou pelo menos foi isso que disse a Justiça nova-iorquina. |












É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídio pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.