Patentes Patéticas (nº. 52)

antena hiperlumínica

Você se sente frustrado pelos delays dos sinais de satélite? Acha que os grandes atrasos nas comunicações interplanetárias é que são o verdadeiro impedimento à conquista do espaço? Uma solução seria transmitir sinais a uma velocidade maior do que a da luz. Mas se você acha que não existe tecnologia para isso, não conhece a Hyper-light-speed antenna. Trata-se de Continue reading “Patentes Patéticas (nº. 52)” »

A primeira mensagem de erro

Em meados dos anos 1950, quando até fabricantes duvidavam que computadores pudessem ser um grande negócio, já apareciam as primeiras revistas especializadas em informática. Das publicações pioneiras sobre a área, a Computers and Automation, dedicada a temas como “Processamento de dados – Cibernética – Robôs” destacou-se por não se restringir à área acadêmica e tentar popularizar a então novata (e complicada) computação eletrônica. Na edição de dezembro de 1957, o editor da revista, Edmund C. Berkeley, escreveu uma breve resenha de certo “dispositivo de saída para um computador automático” — a tela, descrita como um “visor e gerador de símbolos”:

A tela do tubo de imagem apresentado irá exibir até 10.000 caracteres por segundo. Cada caracter é formado por uma matriz de pontos brilhantes, uma seleção de uma matriz retangular com um total de 35 pontos, cinco de largura e sete de altura. Para uma letra T maiúscula, por exemplo, a seleção tem cinco pontos cruzando o topo e seis outros que descem pelo meio.

Numa época em que ainda se usavam cartões perfurados como dispositivos de entrada e saída de dados, uma tela com letras de 35 pixels de resolução era uma maravilha. Curiosamente, para demonstrar como seria o uso de uma tela em um computador, aquele número de Computers and Automation trazia na capa a imagem de uma mensagem de erro — que seria, talvez, a primeira de muitas:

Comp & Autom, dez-57

Operador Miss Smith – Sua instrução 317 parece incorreta. Ela permite divisão por zero. Você poderia, por favor, revisar meu programa.

- Diana

Não está claro se Diana era o nome de outro “operador” (em vez de “usuário”) ou se esse era o nome do computador. Hoje pode parecer estranho uma mensagem de erro sobre a divisão por zero com um pedido para revisar o programa, mas naquela época os computadores eram basicamente grandes calculadoras programáveis.

[via Ptak Science Books]

O primeiro ‘alô’

Thomas Edison pode não ter inventado o telefone, mas é o pai do “Alô”. Revirando os arquivos da AT&T em 1987, o professor Allen Koenigsberg, do Brooklyn College, encontrou uma carta de Edison datada de agosto de 1877. Além de informar o presidente de uma companhia telegráfica sobre seus planos para introduzir o telefone em Pittsburgh, Edison levantou uma questão de ordem prática:

Amigo David, Não acho que nós precisemos de um sinal de chamada como “Hello!” que tenha que ser ouvido a 10 ou 20 pés de distância. O que você pensa?

Naquela época, ainda se achava que a linha que a linha precisaria ficar o tempo todo aberta, o que tornaria necessário definir um modo de chamar a atenção do outro lado da linha ao iniciar uma chamada.

Sendo assim, como deveríamos responder uma chamada recebida? O próprio inventor do telefone, Alexander Graham Bell, sugeriu ahoy (o que tornaria as chamadas um tanto marítimas: Ahoooooy!). Edison defendia hello e acabou ganhando — talvez por ter melhores contatos tanto com os empresários das nascentes telecoms quanto com o público.

Há quem diga que hello seria uma variação de Haloo!, uma tradicional exclamação usada por caçadores. Ironicamente, isso torna o aportuguesamento alô bastante próximo do étimo original.

>Língua presa

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O antropólogo Daniel Suslak, da Indiana University, está compilando um dicionário de Ayapaneco, uma das 68 línguas indígenas do México. Isso não seria incomum, não fossem dois grandes problemas que Suslak encontrou em seu trabalho: 1) há apenas duas pessoas ainda falam Ayapaneco e 2) essas pessoas não se falam entre si.

Os últimos ayapanecófonos são Manuel Segovia, de 75 anos e Isidro Velazquez, 69. Os dois vivem no Estado de Tabasco — e a apenas 500 metros de distância. Infelizmente, como contou Suslak ao Guardian em abril, “eles não têm muito em comum.” Segovia é “um pouco espinhoso” enquanto Velazquez é “mais estóico” e raramente sai de casa.

Sem a cooperação dos dois velhinhos ranzinzas, a língua Ayapaneco (que era chamada por seus falantes de Nuumte Oote, “voz de verdade”) pode morrer com eles. “Quando eu era um garoto”, reconhece Segovia, “todo mundo a falava. Pouco a pouco ela foi desaparecendo e agora eu suponho que pode morrer junto comigo.” Velazquez, seis anos mais jovem, talvez discorde.

>Em uma palavra [68]

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deltiologia
s.f. ramo da filatelia dedicado ao estudo e à coleção de cartões-postais.  “A popularização do correio eletrônico e das fotomensagens levou a deltiologia à beira da extinção.” Deltiologista (ou Deltiólogo), adj. é o colecionador de cartões-postais. “Ao se aposentar, ele pretendia realizar dois velhos sonhos: ser um turista profissional e um deltiologista dedicado.” [derivado do grego δελτίον, deltion, diminutivo de δέλτος, déltos, carta].

Os filatelistas mais tradicionalistas usam o termo cartofilia (e cartófilo). Telecartofilia é o hábito de colecionar cartões telefônicos; telecartófilo é o colecionador.

>O Admirável Carteiro das Neves

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John Albert Thompson levava uma vida tranquila cuidando de um rancho no Vale do Sacramento. Foi assim até 1856, quando ele soube que perto dali, os colonos de Placerville estavam tendo grande dificuldade para enviar e receber cartas para Nevada durante os meses de inverno. Se durante o resto do ano a viagem já era difícil pelo relevo acidentado, no inverno a Sierra Nevada ficava tão coberta de neve que parecia impossível manter o contato postal.
Mas não para Albert Thompson. Antes de emigrar para os Estados Unidos, ele aprendeu a particar esqui cross-coutry em sua Noruega natal. Quando soube do problema, disse que poderia fazer a jornada e atuar como carteiro durante o inverno. Carregando um malote postal de 40 kg nas costas e equilibrando-se com um grande bastão, Thompson normalmente fazia a viagem de 180 km em apenas três dias na ida e voltava em dois — no caminho ele comia apenas biscoitos, carne seca e bebia neve derretida. Ele se mostrou tão hábil que continuou no serviço durante vinte anos e se tornou conhecido como “Snowshoe Thompson” [algo como “Thompson Pé-de-Neve”]
“Se eu estou com meu mackinaw,” — disse Pé-de-Neve — “eu nunca congelo. O exercício me mantém aquecido. Na verdade, meu problema durante as nevascas, não é evitar o frio mas é que eu suo muito facilmente. Eu nunca passei frio nas montanhas”. O senso de orientação de Thompsom era infalível e ele salvou a vida de algumas pessoas que se perderam nas áreas montanhosas por onde ele passava. 
John Albert Thompson morreu em 1876, após prestar um serviço duro e arriscado por duas décadas — e pelo qual nunca recebeu.

>Correio Aéreo Subterrâneo

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Quando um jovem de Manhattan escreve uma carta para sua garota, que mora no Brooklyn, ele manda a carta para ela através de um tubo pneumático — pffft. — E.B. White, Here Is New York [Nova York é Aqui], 1949

O sistema de tubos pneumáticos já foi uma parte essencial da vida de Nova York. Cilindros contendo cartas, pacotes — e, em pelo menos uma oportunidade, um gatinho vivo — eram transportados através de tubos de ar comprimido, a uma velocidade de até 35 milhas [56km] por hora. Esses tubos cruzavam toda a cidade, do Harlem ao Lower East Side; da Canal Street ao Planetarium e até mesmo de Manhattan para o Brooklyn.
Posto em operação em 1897 pela American Pneumatic Service Company, o sistema tinha 27 milhas [43km] de extensão e ligava 22 agências do correio em Manhattan entre si e ao Correio Geral no Brooklyn. Os canos ficavam entre 1,20m e 3,60m abaixo do nível do solo. Em alguns pontos, feixes com 4, 5 ou até 6 linhas acompanhavam os túneis do metrô. No auge de sua operação, o sistema pneumático carregava cerca de 95.000 cartas por dia — o que representava 1/3 de toda a correspondência que circulava diariamente por Nova York.
“Eu ainda me lembro daquelas latas que saíam do tubo”, diz Natham Halpern, um funcionário veterano dos correios. “Eles chegavam a cada minuto mais ou menos e quando chagavam, estavam um pouco quentes e com uma leve camada de óleo.”

As latas poderiam ser largas o suficiente para transportar livros, pequenos pacotes e até gatinhos.

Em certa ocasião, os tubos transportaram não uma simples carta, mas um gato vivo. “Os funcionários dos correios pareciam tão fascinados com aquele mágico sistema de tubos quanto qualquer um. Certa vez eles até enviaram um pobre gato através dos tubos da cidade.” — conta Joseph H. Cohen, historiador do New York City Post Office. — “Ele chegou um pouco atordoado, mas chegou.”
Mas o sistema de correio a ar comprimido de Nova York não duraria para sempre. A manutenção dos tubos era cara e, apesar dos números, o serviço de entrega era bastante limitado. Após a virada do século outra maravilha apareceu para facilitar as entregas: o caminhão motorizado. Embora a maior parte das cidades tenha fechado seus sistemas pneumáticos por volta de 1918, Nova York continuou usando os seus tubos até 1º. de dezembro de 1953 (Praga foi uma exceção: inaugurado pouco depois dos tubos de NY, o sistema pneumático da capital tcheca continuou em funcionamento até 2002, quando foi seriamente danificado por uma inundação). Os tubos de Nova York resistiram em parte por causa da alta densidade populacional e em parte por causa do lobby das empresas envolvidas. Na verdade, o serviço só seria interrompido para uma revisão de contrato, mas acabou sendo abandonado mesmo.
Uma caixa de correio a ar: facilidade da entrega em edifícios era uma grande vantagem

O tubo pneumático que passava pela ponte do Brooklyn foi removido durante uma reforma ainda nos anos 1950. Desde então, os tubos sibilantes de toda a cidade caíram em silêncio. Até os edifícios que tinham seu próprio sistema, como o Waldorf Astoria, acabaram adotando substituindo-os em favor de novos meios de comunicação.

Mas há um lugar de Nova York onde esses maravilhosos tubos ainda são mais ágeis que seus sucessores eletrônicos: a seção de Humanidades e Ciências Sociais da Biblioteca de Nova York. Quando alguém entrega um pedido para o bibliotecário, ele é enviado por via pneumática e desce sete andares até o depósito de livros no subsolo. O pedido é recebido, o livro é localizado, retirado e enviado para cima por outro tubo.

Terminais pneumáticos da Biblioteca de Nova York

O velho sistema a ar comprimido da seção de Humanidades e Ciências Sociais sempre funcionou tão bem que um novo sistema foi instalado na Biblioteca de Negócios, Ciência e Indústria da Madison Avenue em 1998.
Mesmo em desuso, as tubulações pneumáticas de Nova York podem voltar à ativa e fazer um serviço muito similar ao do passado: transportar informação. O empresário Randolph Stark planeja passar linhas de fibra ótica por dentro dos tubos. “Mesmo que apenas uma pequena parte desses tubos ainda exista”, diz ele, “esse é um negócio muito valioso.”

>“Leve-me ao seu líder”

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Quando John Glenn, um dos primeiros astronautas norte-americanos, entrou em órbita a bordo da Friendship 7 em 1962, ninguém na NASA sabia ao certo se ele voltaria. Se ele retornasse, também não sabiam com certeza onde seria o pouso. Os lugares mais prováveis ficavam entre a Austrália e a Nova Guiné — mas a margem de erro era tão larga, que ele poderia cair até mesmo no Oceano Atlântico! Por causa disso, o resgate só chegaria 72 horas após o pouso.

Glenn não temia a missão no espaço. Ele tinha medo de passar até três dias entre aborígenes que jamais haviam visto um avião e, de repente, veriam “um homem de prata emergir de uma cápsula com um grande pára-quedas.” Precavido, o homem-de-prata-que-veio-do-céu levou consigo um pequeno discurso transcrito foneticamente em diversas línguas.
A mensagem era simples e direta: “Eu sou um estrangeiro. Eu venho em paz. Leve-me ao seu líder e haverá uma imensa recompensa para você na eternidade.” 
Felizmente, para Glenn, ele não precisou “fazer contato imediato” com nenhuma tribo primitiva. O pioneiro americano caiu no Oceano Atlântico e foi resgatado rapidamente. Embora não tenham sido usadas suas palavras tornaram-se icônicas.

>Pegue o pombo! Pegue o Pombo!

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Em 17 de agosto de 1921, um pombo-correio pousou aos pés de um policial no Columbus Circle em Nova York. Presa à sua pata, vinha a seguinte mensagem:

Notificar Dan Singer, no Belleclaire Hotel. Estou perdido nas Montanhas Hoodoo, Parque de Yellowstone. Mande socorro, provisões e mulas para transporte. HELLER. 8-13-21.

Ao chegar ao Belleclaire Hotel, o policial não tardou a encontrar Daniel J. Singer, um corretor de seguros. Singer reconheceu o pombo e identificou o tal HELLER como Edmund H. Heller, um naturalista veterano que, junto com Theodore Rooselvelt, o havia acompanhado em uma viagem à África em 1909. Heller havia viajado recentemente para Yellowstone a fim de reunir material para uma série de palestras que apresentaria.
A história parecia tão dramática quanto piscosa (de pescador). Se o pássaro partiu do Wyoming no dia 13, então ele voou 3.000 quilômetros em cinco dias, o que seria extraordinário. Quando os repórteres souberam do caso e contataram o superintendente do Parque de Yellowstone, ele declarou: “Edmund Heller está aqui. Mas não há qualquer fundamento na afirmação de que ele está ou estaria perdido.”
Aparentemente, alguém falsificou a assinatura de Heller na nota, montando uma farsa para atrair publicidade para as palestras do naturalista. Uma investigação foi aberta por um mal-humorado delegado do distrito, que não viu graça nenhuma no caso. Ninguém foi preso, porém. O New York Times também fez suas investigações, mas divulgou que “No Belleclaire fomos informados de que Singer estava fora da cidade, mas havia negado qualquer responsabilidade e insistia que alguma pessoa do hotel perpetrou o golpe.”

>Humilde Requisição de Dispensa Temporária

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Se você acha difícil pedir uma folga ao chefe, lembre-se de que você poderia ter sido um indiano empregado de um inglês há pouco mais de um século. Aí sim seria difícil:

Ao Mais Excelso Sir,

É com a mais habitual expressão devota de meu sensível respeito que eu dirijo-me à clemência de Vossa Senhoria. Imbuído da mais profunda auto-depreciação e ainda esquecido de minha própria segurança presumo que estaria pedindo imperdoáveis doações se eu afirmasse que desejo um breve retiro de minhas obrigações. Trata-se apenas de uma noite de folga, pois estou sofrendo de três freimões. Com o honorável prazer de servir à sua elevada veneração, subscrevo-me,

— Jonabol Panjamjaub
(Citado por William Shepard Walsh em Handy-Book of Literary Curiosities [Manual de Curiosidades Literárias], 1892) 
Walsh ainda acrescenta o seguinte comentário: “Em adição ao regalamento auditivo provocado pelo estilo charmoso de sua comunicação, a visão é gratificada por uma tosca porém intensa ilustração dos três freimões [furúnculos].”
O que não deixa de ser uma ofensa sutil ao Sir. É como se depois de tudo aquilo o pobre indiano dissesse: “se não entendeu, eu desenho.”

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