>Uma dívida no bolso e uma enguia na cabeça

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Em dezembro de 1964, o fotógrafo francês Robert Le Serrec, sua esposa e um amigo australiano chamado Henk de Jong estavam passeando de barco na Baía Stonehaven, na Ilha de Hook em Queensland. De repente apareceu uma criatura enguiesca (adjetivo ad hoc), que passou pelo barco deles. Mergulhados na água (onde mais?), Le Serrec e de Jong haviam acabado de começar a filmagem submarina quando a coisa abriu a boca, assustando-os. O bicho tinha mais de 20 metros de comprimento.
Essa foi a história publicada por Le Serrec na edição de março de 1965 da revista Everyone. Mas isso não é tudo. A verdade é que Le Serrec não era um simples turista sortudo. Ele estava fugindo de seus credores franceses quando teve a brilhante ideia de fotografar um monstro marinho. As dívidas seriam pagas com o dinheiro das fotos vendidas para a imprensa. A ideia, porém, morreu na praia: o francês conseguiu publicar as fotos, mas não recebeu nada depois que seus verdadeiros planos foram descobertos.

>Big Brother Rodoviário

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Aquele carro vermelho virando à esquerda é muito suspeito! (esta legenda vermelha alinhada à esquerda também!)



Durante a caça às bruxas do começo dos anos 1950, a paranóia anticomunista dos americanos chegou até mesmo às ruas e às estradas. Segundo J. Edgar Hoover, então chefe do FBI, estes seriam os hábitos de motoristas comunistas ao volante [e estes são os sintomas da paranoia]:

  • Dirigir alternadamente em altas e baixas velocidades [claro que é suspeito: não faz o menor sentido diminuir de velocidade se as condições da pista ou o trânsito mudam...];
  • Passar num cruzamento movimentado durante a luz amarela intencionalmente, para desorientar ou causar um acidente fatal [também muito suspeito: o camarada pode ser daltônico ou estar a caminho de um hospital. E fugir de um assalto sempre levanta suspeitas];
  • Dobrar a esquina em alta velocidade e parar repentinamente logo em seguida [evitar um atropelamento não é algo muito americano];
  • Sair do carro e soltá-lo na contramão de uma ladeira de mão única [abandonar um carro sem freios é coisa de comuna!];
  • Entrar em uma rua residencial escura, à noite, com as luzes apagadas [o cúmulo da suspeita! É um comportamento totalmente anti-americano. Mas a rua escura não é culpa nossa, pois o governo não pode forçar a companhia elétrica — um empreendimento particular — a manter a rede em ordem];
  • Dirigir até uma área rural, atravessar campos por um longo tempo e se encontrar com outro carro [também muito suspeito: se perder é coisa de forasteiro];
  • Esperar até o último minuto no sinal e depois cortar à esquerda do tráfego [mas cortar à direita é um ato de amor à pátria!];
  • Parar em todos os postos de gasolina, sair, andar em volta do carro, sempre olhando e depois ir embora [camarada, esse seu disfarce de motorista cansado para deixar de consumir não nos convence. Estamos de olho!].

>Mary Bateman, a Bruxa de Yorkshire

>bruxa

Mary Bateman (1768-1809) era filha de um fazendeiro pobre e não recebeu qualquer tipo de educação. Tentou trabalhar como doméstica, mas o furto acabou tornando-se uma carreira mais promissora. Em pouco tempo, ela passou a praticar golpes nos quais afirmava (de forma bastante convincente) ter poderes sobrenaturais. Por volta da virada do século XIX, ela passou a atuar como curandeira. Aí ela cruzou a fronteira entre o roubo e o assassinato.
Entre os ingredientes de suas poções medicinais havia veneno. Um casal lhe procurou e recebeu de Bateman uma porção. A moça, evidentemente, acabou morrendo. O marido ainda acreditou em Miss Bateman por mais dois anos, inclusive pagando diversas consultas para tentar falar com a falecida esposa. Nesse meio-tempo, aproveitando-se de uma onda milenarista, a “Bruxa de Yorkshire”, como ficou conhecida, armou o golpe dos ovos apocalípticos — ela cobrava um penny de quem quisesse ver o prodígio galináceo.

Pouco depois de ser desmascarada por gentlemen céticos, a bruxa foi descoberta também pelo marido da moça morta. Ele encontrou, escondidas na casa de Mary, receitas anotadas que indicavam o uso de veneno em suas porções. Em março de 1809, a “Bruxa de Yorkshire” foi denunciada, julgada e condenada à morte. Ela ainda tentou recorrer, alegando estar grávida, mas exames médicos provaram que, pra variar, ela estava mentindo. Vinte dias depois, Mary Bateman foi enforcada. Ela foi a última mulher a ser morta acusada de “bruxaria” na Inglaterra.

>Blasfêmias?

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Convenção do PCC e Concílio Católico (abaixo):
semelhanças vão além dos cerimoniais…
…Ambas as instituições se consideram
poderosas, mas adoram se vitimizar ao menor sinal de oposição.

Esta semana foi marcada por assim chamadas “blasfêmias” cometidas pela Comissão do Prêmio Nobel. Na segunda, a Igreja Católica — que tanto diz defender a vida — protestou contra a indicação de Robert Edwards, criador do método de fertilização in-vitro para o Nobel de Medicina/Fisiologia. Em seguida, foi o governo chinês, outra organização obscura, retrógrada (e revelando seu lado religioso) protestou — dessa vez contra a premiação do dissidente pró-democracia, Liu Xiaobo com o Nobel da Paz.

A reação de Roma não foi surpresa, dado o conservadorismo de Bento XVI.  A de Pequim  também já era esperada, mas surpreendeu pela ironia dos termos: dar o Nobel da Paz a um “condenado por atividades subversivas” é uma “blasfêmia” contra a República Popular Democrática da China. Com mais de 1 bilhão de habitantes, a China pode até ser uma República “Popular”, mas está longe de ser “Democrática”.
O antiquíssimo Reino do Meio expôs claramente a contradição de termos de um regime comunista: a religião é claramente condenada como um “ópio do povo”. Mas ao contrário do que muitos pensam, não se impõe o ateísmo. Impõe-se a adoração do Estado e de seus onipresentes líderes — no caso chinês, Mao Tsé-Tung. — que são alçados à condição de salvadores messiânicos ou mártires tombados na luta contra a “exploração capitalista”. Mas o discurso marxista do regime chinês não impede a abertura econômica em condições francamente capitalistas. Só que, interna e externamente, Pequim jamais admitiu que só foi capaz de tirar centenas de milhões da miséria apenas quando passou a adotar políticas econômicas claramente anti-comunistas.
E quando Liu Xiaobo, um mero professor de literatura chinês — um homem frágil, de óculos enormes — começa a pensar por si e a criticar o absolutismo político dos “camaradas” do “Partidão”, o que acontece? O regime todo treme de medo. Sim, o regime que se impôs pela subversão agora persegue e prende quem lhe parece subversivo. Revolução permanente? Que nada! Nada mais conservador do que um revolucionário no poder (Não é, José Dirceu?).
Liu Xiaobo: preso pelo crime de
“subverter o poder do Estado”.
Ou seja: por dizer o que pensa e
pensar diferente

Quando Liu ganha um prêmio notoriamente neutro, sem conotações políticas, concedido por uma academia de um país neutro — a Noruega —, Pequim corre para que a notícia não chegue aos milhões de outros potenciais Lius por que tem medo de seu próprio povo. De fato, a única liberdade que os jornais – oficiais, é claro – tiveram foi para criticar a premiação, tachando-a de “tentativa de irritar a China”, mas dizendo que “não vão conseguir [nos irritar].” Com a prisão de quem tivesse comemorado o Nobel de Xiaobo, a já esperada censura dos termos “Nobel da Paz” e “Liu Xiaobo” em sistemas de busca na internet e até de mensagens de SMS endereçadas a qualquer Liu, vê-se que os suposto objetivos da concessão do prêmio foram atingidos. Os chefões de PCC (Partido Comunista Chinês) estão se mordendo de irritação, essa é que é a verdade.

Liberdade de imprensa é blasfêmia. Respeito aos direitos humanos é blasfêmia. Autonomia para minorias étnicas, como tibetanos budista e uigures muçulmanos, é blasfêmia. Mas abrir a economia ao capital estrangeiro para criar fábricas onde se explora a mão-de-obra mais barata do mundo, formada por mulheres e crianças não é nada para Pequim.
Do outro lado da Eurásia, em Roma, as coisas não são muito diferentes. Embora se considere defensora da vida, a Igreja Católica protesta contra um homem que criou um método para permitir milhões de novas vidas, que seriam impossíveis de acordo com os “sábios preceitos da Natureza”, os quais por milênios condenaram casais à esterilidade e à frustração.
Professor Edwards: embora não esteja preso,
é condenado pelos Católicos.
Seu crime: criar 4 milhões de vidas.

Quando surge uma oportunidade de efetivamente consolar esses casais, o Vaticano se opõe baseado num potencialismo embrionário que se preocupa mais com um pequeno monte de células — que muitas vezes nem se desenvolve — do que com a vida já cheia de dores e preocupações de um casal que só quer tentar ter um filho da única maneira que lhe resta: a inseminação artificial. E condena, desde o início, o trabalho de Robert Edwards, um homem que acha a que “a coisa mais importante do mundo é ter filhos”.

Que tipo de consolo e compaixão cristãos Roma oferece aos que sofrem de infertilidade? Nenhum. Muito menos uma solução prática. Tudo que a Igreja faz é o que poder fazer: condenar pessoas que querem ser pais e a seus médicos,  gente que muitas vezes é (e infelizmente continua a ser) cristãos devotos. Em vez de louvar um novo meio para ganhar fiéis num momento de declínio — muitos bebês de proveta também são criados como católicos —, a Igreja Católica cospe no prato em que come.
Fertilização in-vitro é blasfêmia. Camisinha é blasfêmia. Homossexualismo é blasfêmia. Mas pedofilia e abuso sexual (talvez até contra os agora jovens de proveta) cometidos por sacerdotes que deveriam ser celibatários e escândalos financeiros com dinheiro do dízimo de milhões de fiéis não é nada para o Vaticano.
Nos dois casos, temos regimes idênticos: ultrapassados, absolutistas, incapazes de admitir os próprios erros e de se adequar aos novos tempos. Que em vez de se reformar, buscam fazer algo muito mais fácil: o papel de vítima, acusando qualquer oposição de perseguição ou até conspiração maligna. Sim, agora, de repente, tanto comunistas quanto católicos fazem coro ao dizer que estão sendo perseguidos e ameaçados por uma perigosa comissão de cientistas e pensadores malvados, que querem dominar o mundo. Coitadinhos. Pensam que mostram sua força ao protestar, mas só revelam suas fraquezas.

>Duas vidas em uma

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Charles-Geneviève-Louis-Auguste-André-Timothée d’Éon de Beaumont, Cavalheiro d’Eon (1728-1810) viveu a primeira metade de sua vida como homem e a segunda como mulher. Até os 49 anos de idade, d’Eon foi soldado e diplomata da França de Luís XV. Ele foi espião du Roi em Londres e em São Petersburgo e lutou durante a Guerra dos Sete Anos — onde foi ferido e condecorado por bravura com a Ordem de São Luís. Depois, disso a coisa foi mais complicada do que pode parecer.
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Chevalier d’Éon (1728-1774)
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Logo após a guerra, em 1763, Charles de Beaumont foi ministro plenipotenciário — embaixador temporário — em Londres. Quando o  novo embaixador oficial, o Conde de Guerchy, chegou d’Éon foi rebaixado a secretário. Irritado com o tratamento recebido, Charles escreveu um livro divulgando algumas correspondências diplomáticas. O serviço secreto francês esteve à beira de um escândalo: d´Éon tinha recebido cartas do Rei Luís XV com planos para invadir a Inglaterra que ninguém, nem mesmo o Exército Francês tinha conhecimento. Com os papéis da invasão nas mãos, Beaumont literalmente manteve o rei em xeque e passou a ser bem tratado — ganhando uma vultosa pensão —, mas não pôde voltar para a França.
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Com a morte do rei em 1774, ele tentou voltar para o Continente. Para isso, aproveitou-se de boatos que corriam em Londres a seu respeito e afirmou ser fisicamente uma mulher, pedindo para ser reconhecido(a) como tal. Na época, havia mulheres que buscavam trabalhar sob disfarce para fugir da vida doméstica. A maioria era facilmente descoberta e acabava morta. Surpreendentemente, Luís XVI não só concordou com a nova condição, como ainda financiou um guarda-roupa novinho. E o ex-cavalheiro passou seus últimos anos como uma dama. Genoveva, nome feminino que Beaumont adotou, até se ofereceu para liderar uma divisão de soldadas na Guerra de Independência dos Estados Unidos, mas em vez disso, foi presa por 19 dias.
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Mademoiselle d’Éon (1774-1810)
Mademoiselle d’Éon voltou para a Inglaterra após a Revolução Francesa. Com a pensão cancelada pelo novo governo, vendeu sua biblioteca e passou a  participar de torneios de esgrima para sobreviver. Ela também chegou a assinar um contrato com uma editora para escrever sua autobiografia, mas o livro nunca foi publicado. Ela passou os últimos anos vivendo em companhia de uma viúva, uma certa Mrs. Cole.
Era ou não era?
Pode parecer um interessante caso de hermafroditismo ou pseudo-hermafroditismo. Mas, na autópsia, os médicos descobriram que ela, afinal, era ele mesmo: o corpo de d’Éon era anatomicamente masculino. Estudos mais recentes indicam tratar-se de um caso de síndrome de Kallmann, uma doença hormonal em que o indivíduo cresce, mas não passa pela puberdade.
Hoje também há um revisionismo histórico sobre a figura do Cavalheiro-Mademoiselle. Historiadores LGBT afirmam que d’Éon teria sido um transgênero (travesti) e o favorito do Rei Luís XV. O rei teria sido forçado a exilá-lo em Londres sob o disfarce de ministro diplomático para não se complicar.

>Uma mesquita não resolve nada

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Ground_zero_aerial_view
Quase dez anos depois o solo que sustentava as Torres Gêmeas em Nova York continua deserto. O Marco Zero continua sendo um pólo atrativo para turistas e polemistas. Nada foi levantado lá até hoje por uma razão simples: não há consenso sobre o que construir no lugar do WTC. E as controvérsias e teorias conspiratórias que surgiram desde então voltam à tona com a proposta de construir uma mesquita perto dali — e a aprovação dada pelo presidente Obama.
Suspeitas e indecisão
Sempre houve aqueles que defendessem a reconstrução nos moldes originais ou os que desejavam um projeto novo para esquecer do antigo. Em meio a esses, havia quem defendesse, independente do projeto vencedor — houve vários concursos arquitetônicos — deveria haver no local algum ponto intocado, alguma ruína preservada, um memorial e/ou museu. Também havia defensores da criação de um parque ou de um centro de convenções internacional, um fórum para discutir os problemas do mundo (como se já não houvesse a ONU, ali mesmo, em NY).
Em meio a essa indecisão toda, não poderia faltar uma coisa tipicamente americana: o conspiracionismo. Surgiram diversas explicações sobre o que aconteceu na manhã de 11 de Setembro. Todas buscavam negar a participação, ao menos direta, de terroristas suicidas islâmicos. Teria sido coisa do governo americano, dos serviço secreto israelense, dos Illuminati, da “nova ordem mundial”, etc. O evento teria sido previsto por Nostradamus, mas curiosamente não houve nenhuma palavra, ou melhor, data dos maias, nem participação de forças alienígenas. Era só o que faltava para uma teoria de tudo em termos de conspiração.
Uma mesquita no sapato de Obama
Agora, todas essas controvérsias e suspeitas — além de outras mais recentes — voltam à tona após o Presidente Obama anunciar seu apoio à construção de uma mesquita e um centro cultural islâmico de 15 andares a duas quadras do terreno do World Trade Center. Para o New York Times, o novo empreendimento seria apenas um “monumento à tolerância”. Mas a obra pode não ser assim tão inofensiva e tolerante.

Sam Harris notou, num artigo no The Daily Beast, que “a construção da mesquita sobre as cinzas dessa atrocidade também será vista por muitos milhões de muçulmanos como uma vitória — e um sinal de que os valores liberais do Ocidente são sinônimos de decadência e covardice”.

Declaração favorável de Obama
pode trazer mais problemas do que ele imagina
Obama está claramente ignorando essa possível reação no mundo islâmico. Não podemos esquecer da mais forte evidência contra todas aquelas teorias conspiratórias: milhões de muçulmanos comemorando o maior ataque suicida da história como uma final de Copa do Mundo. Seria impossível haver tantas pessoas envolvidas numa conspiração que as incriminaria. 
Outra coisa que o presidente norte-americano parece ter esquecido deve ser a reação de seus próprios opositores. Foram levantadas fortes suspeitas, durante as eleições de 2008, de que ele seria  estrangeiro e muçulmano e teria, inclusive, ligações perigosas. O presidente negro pode ser muito popular no mundo, mas nem tanto nos EUA. Para muitos, Obama ainda não resolveu todos os problemas — a economia não se recuperou totalmente e muitos continuam sem emprego. Uma declaração favorável a um empreendimento tão polêmico às vésperas das eleições para o legislativas deve complicar ainda mais a vida de Barack Obama.
Um impasse paradoxal
Mas a questão que Harris levanta é: deve-se permitir tal empreendimento? Dado o contexto, há uma situação paradoxal: se for permitido, pode ser uma vitória para os extremistas; se não for permitido, pode haver sentimentos de perseguição e isso também pode levar a reações violentas. E, mais uma vez, tudo isso por causa de crenças religiosas e crentes que se recusam a mudar suas crenças.
Harris argumenta que a violência e o terrorismo são características intrínsecas do islamismo. Ele cita passagens do Corão que convencem seus fieis à guerra santa. Embora o livre-pensador americano generalize neste ponto, uma de suas críticas é muito válida: os muçulmanos moderados e tolerantes são indiferentes, apáticos, silenciosos.
O silêncio dos inocentes
Os moderados jamais se levantaram para defender aquilo que os extremistas odeiam — o secularismo, a separação entre Estado e Igreja, a liberdade de expressão e de culto, a livre crítica da fé e o respeito aos direitos humanos. 
Muito pelo contrário, eles se calam diante de questões como a emancipação femininas, a mutilação sexual de meninas e a perseguição aos homossexuais. Ou você já viu algum muçulmano comum vindo a público manifestar-se contra a pena de morte (apedrejamento ou enforcamento) por adultério ou homossexualismo que há no Irã? Algum grande líder islâmico censurou Ahmadinejad por negar o holocausto ou negar-se a dialogar sobre a questão nuclear?
Mesmo os não-muçulmanos buscam defender seus irmãos maometanos tirando-os da cena terrorista com teorias mirabolantes. Certamente muitos conspiracionistas são apenas teístas que não acreditam em pessoas capazes de matar estrangeiros do outro lado do mundo por que deus assim deseja.
Alguém tem que ceder
Nada fere mais a credibilidade de um credo religioso do que suas atitudes perante os outros. Seja entre judeus e cristãos, seja entre muçulmanos, se não há tolerância não há boas ações. O americano médio já percebeu que a guerra é um atoleiro sem vencedores. Mas e quanto ao islamita comum e sua jihad? Não é a mesma coisa?
Como conclui Harris, os muçulmanos americanos têm o direito de construir seus templos onde quiserem. Mas, como muçulmanos, deveriam estar mais preocupados em reformar suas crenças e em abraçar valores como os direitos humanos e a igualdade feminina.
Não vai ser uma nova mesquita que vai resolver os desentendimentos entre Ocidente e Oriente. Assim como na corrida nuclear, não há vitória possível: ambos os lados têm que ceder se quiserem sobreviver.

>Conflitos Esquecidos [5] — A Guerra dos Oito Príncipes

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De forma menos poética também pode ser chamada de Guerra da Sucessão Chinesa (290-307 E.C.). Como pode se imaginar, foi um conflito confuso e sangrento, que começou após a morte do Imperador Wu em 290. O sucessor, Imperador Hui, foi considerado incapaz de governar, gerando uma disputa dentro do poderoso clã Sima

Inicialmente, o poder ficou nas mãos da madrasta do imperador incapaz, que passou à História como Imperatriz Dowanger Yang. Em vista disso, a esposa do Imperador, Jia Nanfeng procurou a ajuda de Sima Wei, Príncipe de Chu (príncipe 1) e Sima Yao em 291. A madrasta-imperatriz foi deposta e morreu na prisão.
O poder foi entregue a Sima Liang, Príncipe de Runan (príncipe 2), sobrinho-neto do Imperador incapaz. Entretanto, a Imperatriz Nanfeng continuou conspirando com Sima Wei, e convenceu-o a matar Liang. Após o assassinato, ela declarou que o Príncipe de Chu agiu contra a ordem imperial e executou-o. A Imperatriz manteve-se no trono até o ano 300, quando desposou (e depois assassinou) Sima Yu, filho do marido dela com uma concubina (?!?) e considerado outro herdeiro do trono.
Após esse crime, Sima Lun (Príncipe de Zao e nº. 3), comandante da guarda imperial, matou a Imperatriz Nanfeng e exterminou os partidários dela. Estabelecido no poder, Lun buscou consolidar o controle sobre os outros príncipes. Em consequência, Sima Yao (príncipe 4) rebelou-se e marchou contra a capital, Luoyang — mas também foi morto pelas forças de Lun. Em seguida, o Príncipe de Zao deteve o Imperador Hui e declarou-se novo Imperador.
Em resposta, Sima Jiong (Príncipe de Qi, o 5º pretendente) liderou uma coalização, contando com o apoio de Sima Ying (Príncipe de Chengdu, o 6) e Sima Yong (Príncipe de Hejian, o 7) contra Lun. A coalização derrotou as tropas do Príncipe de Zao, matou-o e restaurou o Imperador Hui — embora de fato o poder tenha ficado com Jiong. Quando o Príncipe de Qi tentou centralizar definitivamente o poder em suas mãos, os outros príncipes se rebelaram novamente. Jiong foi derrotado e morto por Sima Ai (Príncipe de Changsa).
Ai também esteve no poder por curto período; foi derrotado por Sima Yue (Príncipe de Donghai, o 8) e também acabou morto. Eventualmente, Sima Ying, Príncipe de Chengdu, assumiu o poder, para em seguida ser derrotado e fugir, levando junto o Imperador. Ele foi capturado por Sima Yong, que por sua vez foi derrotado pelos homens de Sima Yue, Príncipe de Donghai. O Imperador Hui foi envenenado em 306 (como é que não pensaram nisso antes?) e o irmão dele, Huai, subiu ao trono.
Sima Ying e Sima Yong acabaram capturados e mortos em 307, marcando o fim do conflito. O Imperador Huai permaneceu no trono até 313, quando morreu.
Talvez seja mais fácil entender com a ajuda da árvore genealógica da dinastia Jin:
dinastia Jin

Ou não.

>Topa tudo pela fama

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Prosper Mérimée tornou-se conhecido como o autor de Carmen, a novela que inspirou a famosa ópera de Bizet. Ele começou sua carreira como um escritor desconhecido na Paris da década de 20 — de 1820 —, época em que a literatura hispânica estava na moda entre os franceses. Já que ninguém ligava para ele, por que não ousar? Mérimée publicou Le Théâtre de Clara Gazul, uma falsa coletânea de peças teatrais supostamente escritas por uma atriz espanhola.
O truque funcionou muito bem: as peças foram bem recebidas e a carreira de Mérimée deslanchou. Mas algo intriga os fãs até hoje. Se Clara Gazul nunca existiu, quem é a bela espanhola retratada na folha de rosto do livro?
Mérimée
É uma cilada, Bizet!
A dama não é uma dama coisa nenhuma! É o próprio Mérimée, travestido.

>Você conhece este homem?

>O panfleto a seguir teria circulado em Dallas em 21 de novembro de 1963, um dia antes de John Kennedy ser assassinado.
antijfk

É difícil dizer se o documento é mesmo autêntico, isto é, se teria mesmo circulado na cidade na véspera do assassinato do JK gringo. Mesmo que seja uma farsa feita posteriormente, não deixa de ser uma espécie de justificativa para o assassinato, ainda hoje cercado de teorias conspiratórias.

Pra quem não entendeu nada, a tradução do panfleto é a seguinte:

Procurado
por
Traição
ESTE HOMEM é procurado por atividades traidoras contra os Estados Unidos:
  1. Está traindo nossa Constituição (que ele jurou defender).
    Ele está entregando a soberania dos E.E.U.U. à [Organização das] Nações Unidas controlada pelos comunistas.
    Ele está traindo nossos amigos (Cuba, Katanga, Portugal) e sendo amigável com nossos inimigos (Rússia, Iugoslávia, Polônia).
  2. Ele tem sido ERRADO em inúmeros problemas que afetam a segurança dos E.E.U.U. (Nações Unidas – muro de Berlim – remoção dos mísseis – Cuba – Acordos sobre o Trigo – Tratado de Banimento dos Testes [nucleares], etc.).
  3. Ele tem sido frouxo no cumprimento de leis de Registro de Comunistas.
  4. Ele deu apoio e encorajamento às revoltas raciais de inspiração comunista.
  5. Ele invadiu ilegalmente um Estado soberano com tropas federais.
  6. Ele tem constantemente nomeado anticristãos no governo federal;
    Defende a Suprema Corte em suas decisões anticristãs.
    Aliens [alienados políticos, estrangeiros ou extraterrestres?] e comunistas assumidos abundam em cargos federais.
  7. Ele tem sido flagrado em MENTIRAS fantásticas (inclusive pessoais, como seu casamneto* anterior e divórcio).
*marraige, no original; o correto é marriage

>Conflitos Esquecidos [4] — Operação Flocos de Milho

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Mesmo alguns aspectos do maior e mais lembrado de todos os conflitos acabam sendo esquecidos. Ainda mais se forem operações secretas. A Operação Flocos de Milho (Operation Cornflakes) foi uma ação de guerra psicológica realizada entre 1944 e 1945. O objetivo da ação era entregar cartas com propaganda anti-nazista através do próprio serviço postal alemão (Deutsche Reichspost).
A operação era simples: trens do serviço postal eram bombardeados. Em seguida, malas postais com cartas devidamente endereçadas e seladas — mas contendo propaganda anti-nazista — eram lançadas de aviões e espalhadas entre os destroços. Esperava-se que o serviço postal misturasse as cartas reais com as falsas e entregasse ambas corretamente.
Futsches-Reich-Briefmarke-UK 
As cartas traziam cópias de Das Neue Deutschland (A Nova Alemanha), panfleto  de proganda aliado escrito em alemão. Além disso, alguns dos selos usados também eram falsos. Eles eram muito parecidos com o selo-padrão, que trazia a efígie de Adolf Hitler. Um olhar mais atento, porém, revelava que a efígie do Führer era um crânio semi-exposto. E em lugar da inscrição “Deutsches Reich” [Império Alemão], lia-se “Futsches Reich” [Império em Colapso].
A primeira missão da Operação Flocos de Milho ocorreu em 5 de Fevereiro de 1945 e foi um sucesso. Um trem postal foi bombardeado a caminho de Linz, na Áutria. Malas postais com cerca de 3800 cartas falsas foram plantadas nos destroços. Todas foram recolhidas e entregues pelo Deutsche Reichspost.

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