Publicado
20 de jan de 2012
Embora tenham começado agora a tentar ameaçar a liberdade na internet, não é de hoje que políticos norte-americanos tentam impor suas crenças nas aulas de ciências. Um projeto de lei do senado de Oklahoma (SB 1742) é mais uma dentre as dezenas de leis anti-evolução que infestam os Estados Unidos. Se aprovada, a lei exigiria que o departamento estadual de educação promovesse o “pensamento crítico, a análise lógica e a discussão ampla e aberta de teorias científicas, incluindo, mas não se limitando a, evolução, a origem da vida, o aquecimento global e a clonagem humana.” A legislação também recomenda que professores “possam usar livros didáticos e materiais de ensino suplementares para ajudar os estudantes a entender, analisar, criticar e rever teorias científicas de modo objetivo.”
Parece bastante isento, não? Não há nenhuma citação nominal do criacionismo ou de seu equivalente pseudocientífico, o design inteligente. Então, qual é o problema? Há dois problemas na verdade. Continue lendo…
Publicado
20 de jul de 2011
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| Os animais embarcam na arca, gravura do holandês Maerten van Heemskerck, c. 1560 |
As primeiras edições da Encyclopedia Britannica estavam tão certas da realidade da Arca de Noé que, dentro do respectivo verbete, chegavam ao ponto de especular como os animais poderiam ter sido alimentados e acomodados em tal embarcação:
[O] Bispo Wilkins calcula que todos os animais carnívoros equivalem, em termos de volume de seus corpos e à sua alimentação, a 27 lobos; e todos os que restam a 280 cabeças de gado. Para aqueles, ele provê 1825 ovelhas e para estas, 109.500 cúbitos de feno. Tudo isso poderia ser facilmente contido nos dois primeiros andares e ainda haveria bastante espaço livre.
Essa especulação — não muito diferente das abordagens “sob condições ideais de temperatura e pressão” de certos problemas de Física do Ensino Médio — é encontrada na edição de 1797 da Britannica. Nos anos 1860, quando se deram conta de que uma arca não seria capaz de acomodar todas as espécies do mundo, os editores passaram a sugerir que o dilúvio não teria sido assim tão universal: apenas as partes da Terra sob ocupação do homem teriam sido inundadas.
Na edição de 1911, a história de Noé já era integralmente apresentada como um mito. Ironicamente, meio século mais tarde, a enciclopédia inglesa relatava até as “muitas engenhosas e curiosas teorias” que haviam sido publicadas a favor da Arca de Noé ao longo dos séculos.
Publicado
1 de jun de 2010
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Um grande asteróide caiu na Terra há 65 milhões de anos e extinguiu os dinossauros? Não dá pra entender por que “Deus” faria isso. Uma explicação melhor é essa:
Afinal, esses dinossauros levavam uma vida muito desregrada: eram preguiçosos, viviam de farra, não iam ao templo, não pagavam dízimo e ainda por cima não acreditavam em Deus. Nesse caso, uma extinção até que faz sentido.
Amém!
Publicado
7 de mar de 2010
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O Dilúvio, segundo o ilustrador francês Gustave Doré
Em De Civitate Dei [A Cidade de Deus], Santo Agostinho levanta uma importante questão bíblica: Como Matusalém sobreviveu ao dilúvio? De acordo com a Septuaginta, versão grega da Bíblia, o patriarca já era bem velho quando Noé nasceu; tinha 355 anos de idade. O dilúvio aconteceu 600 anos mais tarde. Portanto, Matusalém ainda estava vivo, com 955 anos, quando o céu desabou — e ele viveu mais 14 anos, falecendo aos 969 anos. Só que Matusalém não estava na arca de Noé e a hecatombe pluviométrica matou todos os demais seres vivos — entre os quais, segundo os criacionistas, encontravam-se também os dinossauros.
Então, como é que Matusalém sobreviveu? Nunca houve uma resposta oficial dessa “celebrada questão que tem sido publicamente divulgada por todas as igrejas”, nas palavras de S. Jerônimo. Em vez disso, culparam (e talvez condenaram à danação eterna) os tradutores gregos pelo erro bíblico. Textos mais recentes, baseados diretamente dos manuscritos hebraicos massoréticos relatam que Matusalém morreu no ano do dilúvio.