Se Arrependimento Pagasse…

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Durante a Guerra Civil (1861-1865), o Tesouro dos Estados Unidos recebeu um cheque no valor de 1.500 dólares, enviado anonimamente. Junto com o cheque, um bilhete explicava que o valor deveria ser recebido como reparação por uma apropriação indébita da mesma quantia, que um cidadão cometera enquanto trabalhava no Exército. Ele se declarava culpado, porém arrependido, e desejava ressarcir os cofres públicos.

Ao saber disso, o então Tesoureiro dos Estados Unidos, Francis E. Spinner (1802-1890; no cargo entre 1861-75), teve um estalo: “Suponhamos que essa seja uma contribuição para o Fundo de Consciência e coloquenos anúncios nos jornais sobre isso. Talvez ganhemos mais alguma coisa.” Há quem diga, porém, que o fundo fora estabelecido meio século antes e começara com uma doação igualmente anônima no valor de cinco dólares.

Desde então, o Tesouro Americano mantém um Fundo de Consciência, que recebe depósitos de cidadãos arrependidos de pecados cometidos com dinheiro público, de desvios de verbas a calotes de impostos. Nos primeiros 20 anos de funcionamento, o fundo recebeu 250 mil dólares dos arrependidos. Segundo a Time, por volta de 1987, mais de 5,7 milhões de dólares haviam sido recuperados dessa maneira simples, porém discreta.

Para encorajar os depósitos, o Tesouro não procura identificar nem punir os doadores. Até porque eles já estão pagando o que devem, o que é bom para ambas as partes, pois tira um peso monetário da consciência e o deposita no erário. Os valores devolvidos variam amplamente — dos nove centavos de um morador de Massachussetts pelo uso de um selo danificado em uma correspondência aos 139 mil dólares depositados em 1950 por um único indivíduo não-identificado e por razões desconhecidas.

Aliás, a maioria das doações são anônimas, mas muitas cartas que chegam são enviadas por clérigos. Isso não significa necessariamente que os padres ou pastores estão arrependidos depois de andar sonegando demais. Tais doações geralmente cumprem pedidos de reparações feitos em confissões no leito de morte.

Patentes Patéticas (nº. 100) (agora sim)

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Você sente que precisa de mais segurança ao andar por aí com seu telefone celular? Mas você acha que carregar uma arma de fogo seria muito desconfortável ou mesmo muito perigoso? Seu sonho de infância era ser o 007?

O sonho de Ken Grove deve ter sido este. Ou então ele andou vendo muitos filmes do elegante agente secreto britânico antes de ter um estalo. É dele a ideia de um Electronic Device with Concealed Firearm System [Dispositivo Eletrônico com Sistema de Arma-de-Fogo Oculto]: Continue lendo…

Patentes patéticas (nº. 97)

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Você gosta de usar os bolsos mas eles já estão cheios? Ou você é daqueles que teme usá-los porque não quer ser assaltado? Qualquer que seja seu caso, você já pensou em usar a cabeça? Ou melhor, botar um bolso na cabeça? Essa é a proposta de Stefan Cvijanovich e seu Concealed compartiment incorporated into head gear [Compartimento oculto e incorporado no interior de chapéus]: Continue lendo…

“Procedimentos contra as coisas inanimadas”

Entre os Kulkis, se um homem cai de uma árvore e é morto, é dever sagrado derrubar a árvore, cortá-la em pedaços e jogá-los fora da comunidade. O espírito da árvore, supõem, causou o acidente e o sangue do falecido não terá sido inteiramente vingado até que o objeto ofensivo tenha sido extraído da face da Terra. Um sobrevivente dessa noção era o costume de queimar hereges e lançar suas cinzas aos quatro ventos ou em rios que correm para o mar. As leis de Drakôn e Erechtheus exigiam que as armas e todos os outros objetos pelo qual uma pessoa tenha perdido a vida fossem publicamente condenados e lançados para fora das fronteiras atenienses. Essa sentença de banimento, então considerada uma das mais severas que se podia aplicar, foi pronunciada contra a espada que matara um sacerdote e também contra um busto do poeta elegíaco Theognis, que caíra sobre um homem, matando-o. Mesmo nos casos em que alguém poderia considerar como homicídio justificável por legítima defesa, não se admitia exceção. Assim, a estátua erigida pelos atenienses em honra de um famoso atleta, Nikôn de Thasos, foi atacada e derrubada de seu pedestal por invejosos inimigos [do homenageado]. Ao cair, a estátua matou um dos atacantes e foi levada ao tribunal, onde foi sentenciada a ser lançada ao mar. Processos judiciais desse tipo eram chamados de “procedimentos contra as coisas inanimadas” e eram conduzidas na baixa corte de Atenas conhecida como Prytaneion. Tais processos são relatados por Ésquines, Pausânias, Demóstenes e outros autores, e brevemente descritos no “Onomasticon” de Julius Pollux e no “Lexicon Decem Oratorum Graecorum” de Valerius Hapokration. — Edward Payson Evans, The Criminal Prosecution and Capital Punishment of Animals [O Processo Criminal e Punição Capital de Animais], 1906

Sem dinheiro, sem lei

Ser xerife no faroeste nem sempre era sinônimo de grana e poder. Aliás, quanto menos dólares no bolso, mais limitado era o raio de ação de um xerife. Esse foi, por exemplo, o caso do xerife George Tyng, de Yuma County, no então Território do Arizona. O caso é tão enrolado quanto a descrição feita por Mr. Tyng em uma carta:

Recebido o processo de Arizona City, em janeiro de 1873, parti para deter o acusado em Ehrenberg, Território do Arizona, em 31 jan. 1873. Mas, considerando — que o acusado não tinha dinheiro algum e eu mesmo estava quebrado; e que o condado não pagou o adiantamento em dinheiro; e que nem havia por aqui barco a vapor e nenhum calabouço disponível; e que o acusado não poderia seguir sozinho a pé até Yuma e eu não poderia acompanhá-lo antes de detê-lo, o que não podia fazer por falta de dinheiro — ele apresentou um casaco (valor estimado em 45 centavos em moeda corrente), dizendo que nunca o havia roubado, mas que lhe havia sido presenteado por Bryson. Só que, de todo modo, Bryson era um mentiroso desgraçado e eu, não sabendo o que fazer dele [do acusado], não restou-me nada mais além de passar-lhe um excelente sermão moral, o qual ele considerou desnecessário, já que sua vida seria inocente e sua reputação ilibada, como ele poderia comprovar através dos melhores homens de Nevada e Idaho. Acabei por liberá-lo até uma estação mais favorável, quando um navio a vapor esteja por aqui e nós pudermos fazer as malas para sua passagem até Yuma e apresentar a conta para os próprios Supervisores, o que é quase tudo o que tive que fazer nesse processo, embora eu pudesse fazer o retorno do Orçamento se esse processo tiver um retorno mais maior.

Multas — orçamento de quanto vale o casaco após o pagamento das tarifas judiciárias.

George Tyng,
Sheriff de Yuma County,
Arizona

Seria melhor nem se dar ao trabalho de ir atrás do acusado. Aliás, como ele pôde fazer a viagem de ida sem dinheiro? Talvez seus recursos tenham acabado durante a viagem. Isso poderia ser facilmente resolvido com um caixa-eletrônico, mas o xerife estava preso no Velho-Oeste do séc. XIX. Mas então porque raios ele não recebeu a quantia que parece ter-lhe sido prometida para o cumprimento do dever? Anyway, ficamos com a impressão de que, naquela época, ser xerife era mais um trabalho voluntário do que emprego público. Quanto ao acusado anônimo, é bem provável que tenha ficado livre-leve-e-solto.

Patentes Patéticas (nº. 80)

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O roubo de uma pasta cheia de documentos ultra-secretos (ou até mesmo os controles para detonar uma guerra nuclear) é o começo típico de um filme de agente secreto. Como evitar isso? Carregar os documentos na cueca? Transportar os papéis via pombo-correio? Mandar tudo via e-mail? Não, não e não! Desde 1989, Isaac Soleimani tem a solução. Seu Remotely controlled briefcase alarm [Alarme para pasta controlado remotamente] é, obviamente, Continue lendo…

Hereges Galináceos

Em 1474, os magistrados de Bâle sentenciaram um galo a ser queimado na estaca “pelo odioso e antinatural crime de botar um ovo.” O auto-da-fé teve lugar em uma colina perto de uma cidade chamada Kohlenberg, onde uma imensa multidão de aldeões e camponeses obsavava, com grande solenidade, a consignação do herege às chamas. A afirmativa feita por Gross em seu “Kurze Basler Chronik”, de que o executor ainda encontrou três ovos no interior do galo ao abri-lo é evidentemente absurda. O que há nesse caso é menos uma abominação natural e mais a abominação de uma imaginação tomada pela superstição. Outros casos desse tipo também foram registrados, sendo o mais recente em Pättigau, na Suíça em 1730. Entretanto, a maioria dos casos de execução de malfeitores galináceos era muito mais sumária e menos cerimoniosa do a de Bâle. — Edward Payson Evans, The Criminal Prosecution and Capital Punishment of Animals [O Processo Criminal e a Punição Capital de Animais],  1906

Em seguida, Mr. Evans relata o caso de um velho galo de 1710 que também teria botado um ovo. Em meio ao clima de iluminismo nascente, o “savant francês Lapeyronie considerou essa noção absurda digna de uma refutação séria”, apresentada em um paper na Academia de Ciências, a fim de “provar que os pequenos ovos sem gema atribuídos a eles [os galos] devem sua forma e condição peculiar a uma doença da galinha que resulta na má-formação do oviduto.” Além disso, M. Lapeyrone apresentou a hipótese de que o galo, naquele caso em particular, seria hermafrodita, “mas ao matá-lo e dissecá-lo, nada encontrou para suportar sua teoria, sendo que os órgãos internos estavam todos perfeitamente saudáveis e normais.”

Misteriosamente, mesmo depois de morto em nome da ciência, os ovos desse galo continuaram a aparecer, “até que o fazendeiro, observando cuidadosamente suas aves, percebeu que a galinha os punha. A dissecação [dela] mostrou que a pressão de uma bolsa de cera contra o oviduto o contraíra tanto que, ao passar, o ovo perdia sua gema, deixado apenas uma pequena parte amarelada que se parecia com um verme.” (Mémories da l’Académie de Sciences, Paris, 1710, pp. 553-60)

Perna pra que te quero

O que acontece quando se junta vingança e fetiche por pernas? Provavelmente, algo assim:

“Em certa noite, uma pessoa veio ao nosso escritório e pediu para ver o editor do Lancet. Ao ser introduzido em nosso santuário, ele colocou um saco sobre a mesa, do qual, em seguida, ele retirou uma bela e simétrica extremidade inferior, a qual igualava-se à “melhor parte de Atalanta” e que evidentemente pertencera a uma mulher. “Eis!”, disse ele, “Haverá algo com essa perna? Já viste alguma mais bela? O que deveria ser feito com o homem que a cortou?” Ao receber a explicação dessas interrogações que nos foram postas, viemos a saber que a perna era da esposa de nosso visitante noturno. Ele se acostumara a admirar o pé e a perna da senhora, de cuja perfeição, parece-nos, ela era plenamente consciente. Uns poucos dias antes [daquela noite] ele atiçara a ira dela e ambos tiveram uma violenta querela. Após a discussão, ela saiu de sua casa, dizendo que se vingaria dele e que ele jamais veria novamente os objetos de sua admiração. A primeira coisa que ele soube dela é que ela havia sido paciente no Hospital **** e teve sua perna amputada. Ela declarou aos cirurgiões que sofria de uma intolerável dor no joelho e implorou pela remoção de seu membro – um pedido que os cirugiões atenderam e, assim, tornaram-se instrumentos de sua absurda e torurante vingança contra seu marido!”

De A Collection of Remarkable Cases in Surgery [Coletânea de Casos Notáveis em Cirurgia] (1857), com citação do Lancet de 1850. Paul Fitzsimmons Eve, autor da coletânea, comenta: “O caso nos parece altamente improvável, mas percebam que o Lancet é o responsável por sua publicação.”

Seria possível uma vingança tão cruel? Ainda mais numa época em que a anestesia engatinhava e, sem antibióticos ou procedimentos antissépticos, a morte de amputados era comum? Os médicos teriam sido assim tão ingênuos? E como o marido teria conseguido arranjar a perna? Seria assim tão fácil sair de um hospital inglês carregando um saco com uma perna nas costas?

Mesmo que não seja verdade – e tudo indica que não é – o jornalista que escreveu (ou inventou) essa história deveria ter tentado a carreira como autor de contos de terror.

Porém, não seria surpresa se o inventor da história fosse o próprio Mr. Eve. O caso aparece apenas no fim do capítulo dedicado às amputações de sua coletânea – e pode muito bem ter sido criado apenas para inchar mais um pouco seu volumoso livro de 850 páginas. Mesmo citando o Lancet, Eve não dá o número da edição. Uma busca nos arquivos da publicação médica britânica não dá resultados relevantes.

Patentes Patéticas (nº. 73)

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AAAAAAHHHHH, MEUSOLHOS!!11!!

Diz-se que pimenta nos olhos dos outros é refresco. Mas não seria melhor usar ácido? Igualmente, há métodos de auto-defesa que consistem no uso de gás de pimenta. De novo, não seria melhor usar ácido? O casal Martineau acha que, em ambos os casos, a resposta é positiva. Tanto que patentearam seu próprio (e simples) Attack Prevention Method [Método de Prevenção de Ataque]: Continue lendo…

Patentes Patéticas (nº. 71)

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Não importa se você estava tentando entrar no aeroporto ou na penitenciária. Ser obrigado a tirar os sapatos por questões de segurança é um ultraje! Mas em vez de atirar os próprios sapatos nos agentes de segurança, Evan B. Tromer teve um estalo que virou o Tamper resistant institutional shoe and method [Calçado institucional resistente à violação e método], qual seja: Continue lendo…

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