Em uma palavra [145]

sinaxário (si.na.xá.rio [cs])
s.m. Crist.
compêndio com resumos das vidas dos santos, usado especialmente na liturgia da Igreja Grega, onde também é chamado de μηνολόγιον, menologion. Hagiografia e Martirológio são seus homólogos mais próximos na Igreja Romana. [do grego συναξάριον, synaxarion; cp. com sinaxe, s.f., do grego synaxis, assembléia de fiéis nos primórdios do cristianismo; missa; culto cristão]

Em uma palavra [132]

iconódulo (i.co.nó.du.lo)
adj. Teolog. que ou aquele que pratica iconodulia, ou seja, a adoração de imagens ou ícones. “A Igreja Católica é uma religião iconódula”; “A iconodulia dos Cristãos Ortodoxos é diferente da Católica”; seu antagonista é o  iconoclasta, aquele que destrói imagens.

A iconodulia não é fenômeno exclusivo da religião. Podemos falar também que, desde o aparecimento do cinema e da televisão, a humanidade tem se tornado cada vez mais iconódula. Para muitas pessoas – verdadeiros fanáticos – qualquer crítica ao seu ator/modelo/cantor/banda/filme/série ou simplesmente seu ídolo preferido só pode vir de um iconoclasta detestável.

“A ofensa cujo nome é crime”

Você já deve ter ouvido falar em bestialidade, né seu tarado? (ou então caiu de pára-quedas aqui após buscar no Google) De qualquer forma, se hoje essa parafilia é considerada repugnante por pessoas comuns e “desumana” por defensores dos animais, imagine o que não acontecia em plena Idade Média:

A bestialidade (offensa cujus nominatio crimen est, como é eufemisticamente referida em documentos legais) era punida uniformemente com a condenação à morte de ambas as partes envolvidas. Era comum condená-las a serem queimadas vivas. “A besta também é punida e ambos são queimados”, diz Guillielmus Benedictinus, um autor de livros de Direito que viveu em fins do século XIV. Assim, em 1546 um homem e uma vaca foram enforcados e queimados por ordem do parlamento de Paris, [então] a suprema corte da França. Em 1466, o mesmo tribunal condenou um homem e uma porca a serem queimados em Corbeil.

E era assim não apenas na Europa (pós-)medieval, mas também, como era de se esperar, nas colônias puritanas da América do Norte:

Em sua “Magnalia Christi Americana” (Livro VI, (III), Londres, 1702), Cotton Mather relata que “em 6 de Junho de 1662, em New Haven, houve uma desgraça sem paralelo. Um homem, de nome Potter, com cerca de sessenta anos de idade, foi executado por Bestialidades. [...] viveu nas mais infames Bestialidades por não menos de cinquenta anos [sic] e agora, na forca, foram mortos diante de seus olhos uma vaca, uma novilha, três ovelhas e duas porcas, com todas as quais ele havia cometido suas brutalidades.”

— Edward Payson Evans, The Criminal Prosecution and Capital Punishment of Animals [Processo Criminal e Punição Capital de Animais], 1906

Peraí, se o tal Mr. Potter realmente existiu e passou 50 dos seus 60 anos de vida em contatos íntimos com seus animaizinhos, isso significa que os bichos, hoje, também seriam punidos por pedofilia??

Retratos da fé

Quem já tentou discutir com um fundamentalista, especialmente um cristão, com certeza já ouviu uma dessas:

[do hiliariantemente herético LOLgod]

Bate o sino sob o solo

Perto de Raleigh há um vale do qual se diz ter sido formado por um terremoto há várias centenas de anos. Tal convulsão natural teria engolido uma vila inteira, inclusive a igreja. Antigamente era costume das pessoas se reunir nesse vale a cada manhã do Dia de Natal para ouvir o badalar dos sinos da igreja debaixo da terra. Afirmava-se positivamente que poder-se-ia ouvi-los ao colocar a orelha sobre o solo e ouvir atentamente. Tão recentemente quanto em 1827, era comum encontrar naquela manhã velhos homens e mulheres, que pediam a seus filhos e amigos mais jovens que fossem ao vale, se abaixassem e ouvissem o alegre repicar dos sinos. Na verdade, os aldeões ouviam o soar dos sinos de uma igreja nas vizinhanças, cujo som se propagava através da superfície do solo, mas cuja causa havia sido mal formada pela ignorância e credulidade dos ouvintes.

— J. Potter Briscoe, “Stories about Bells” ["Estórias sobre os Sinos"], in William Andrews (org.), Ecclesiastical Curiosities [Curiosidades Eclesiásticas], Londres: 1899.

>Herança Divina

>

Em um testamento registrado em 1864, Peter e Hannah Armstrong deixaram como herança um pedaço de terra na Pensilvânia. Os herdeiros seriam ninguém menos que o Deus e seu filho:

Contendo quatro milhas quadradas [cerca de 10 km² ou pouco mais de 1.000 hectares] de terra, do qual nós reservamos cerca de seiscentos acres [uns 242 hectares] e do qual nós separamos o dito trato de terra antes ou até a redenção do mundo inteiro, como propriedade particular de Jesus, o Messias, incluindo-se todos os direitos singulares, liberdades, privilégios e benfeitorias quaisquer até agora pertencentes a nós. E nós cedemo-la, legamo-la e transmitimo-la ao dito Criador e Deus dos céus e da terra e a seu herdeiro, Jesus, o Messias, para seu uso e benefício próprio para sempre. 

Talvez mais interessado nos tesouros do Vaticano, o Criador não deve ter se interessado muito por esse presente. O Todo-Poderoso jamais compareceu para tomar posse da propriedade e também deixou de pagar os respectivos impostos e taxas. Não tardou para que a divina propriedade fosse desapropriada pelo Estado e leiloada, voltando às mãos de um reles humano.
Vinte anos mais tarde, Charles Hastings também legou um pedaço de terra — dessa vez no Massachussets — “para o Senhor Jesus, o Regente Supremo do Universo”. Talvez sabendo do fracasso do casal Armstrong, Hastings entregou a propriedade a Cristo apenas em usufruto, reservando a seus herdeiros apenas o direito de agirem como agentes (ou meros caseiros) para “ocupar e ampliar, fazer reparos, pagar tributos e apólices de seguro, etc.” No fim das contas, nem essa precaução funcionou. Em 1897, os herdeiros de Mr. Hastings cansaram-se de ter que sustentar a divina propriedade e contestaram judicialmente o testamento, que acabou sendo anulado.

>Ser pobre é coisa do Demo!

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Russell Herman Conwell (1843-1925) foi um pastor e escritor norte-americano. Mais ou menos um Edir Macedo ou Waldemar Costa Neto, como se verá. Ele tornou-se conhecido por ser o fundador da Temple University. No entanto, seu livro-pregação mais famoso, Acres of Diamonds, publicado em 1916, revela muito sobre a mentalidade evangélico-americana e sobre o ofício de ser pastor:
  • Eu digo que você deve ficar rico e que é seu dever ficar rico. [Como você vai ficar rico? Te vira! Mas antes me pague o dízimo pelo amor de Deus!]
  • Fazer dinheiro honestamente é pregar o evangelho. [Mas pregar o evangelho é a maneira mais desonesta de fazer dinheiro!]
  • O homem que faz dinheiro honestamente pode ser o mais honesto que se encontra na comunidade. [Pode ser, mas nem sempre é]
  • Um homem não é um homem de verdade até que tenha sua própria casa e aqueles que têm suas casas são mais honoráveis e honestos e puros, mais verdadeiros e econômicos e cuidadosos, por possuir a casa. [Um sem-teto, então, não deve passar de um animal selvagem]
  • Não há uma pessoa pobre nos Estados Unidos que não tenha se tornado pobre por suas próprias limitações ou pelas limitações de outros. De qualquer modo, é completamente errado ser pobre. [E ela deve continuar pobre! Enquanto isso, Wall Street dá graças a Deus e vai dormir tranquila.]
  • Amor é a maior coisa de Deus na Terra, mas mais bem-aventurado é o amado que tem montes de dinheiro. [Afinal, você pode precisar subornar algum pastor para conseguir sua vaga no céu]

Ao ser questionado se não simpatiza com os pobres do mundo, Russell Conwell responde dizendo que claro que sim, que ele simpatiza com alguns, mas  que “simpatizar com um homem a quem Deus puniu por seus pecados, ajudando-o quando Deus está apenas fazendo uma justa punição é cair no erro”. Ou seja, ajudar um pobre é ir contra a vontade divina, pois o pobre-coitado é um pecador, uma vítima do carma da justiça divina. O destino do pé-rapado é ser infernizado na Terra. Essa é praticamente a essência do cristianismo… #NOT!
Além de ser um pastor bem pouco cristão, Mr. Conwell foi um dos pioneiros dessa praga literária chamada literatura de auto-ajuda (e cristã, é claro). Eis alguns títulos: Health, Healing and Faith [Saúde, Cura e Fé], Increasing Personal Efficiency [Aumentando a Eficiência Pessoal], Praying For Money [Orando por Dinheiro] e What You Can Do with Your Will Power [O que você pode fazer com sua força de vontade].

>Jesus Multinacional

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Recentemente em um congresso teológico em Roma, estudiosos bíblicos de várias nacionalidades e etnias apresentaram TRÊS PROVAS DE QUE JESUS…

…ERA MEXICANO
1. Seu primeiro nome era Jesus;
2. Ele era bilíngue;
3. Ele sempre estava sendo perseguido pelas autoridades.

…ERA NEGRO
1. Ele chamava todo mundo de “mano”;
2. Ele curtia música gospel;
3. Ele não conseguiu um julgamento justo.

…ERA JUDEU
1. Ele seguiu a mesma carreira do pai;
2. Viveu em casa até os 33 anos;
3. Ele tinha certeza de que sua mãe era uma virgem, e ela estava certa de que ele era um Deus.

…ERA ITALIANO
1. Ele falava com as mãos;
2. Ele vivia tomando vinho;
3. Ele só comia massas e peixes e temperava tudo com azeite de oliva.

…ERA IRLANDÊS
1. Ele era barbudo;
2. Ele nunca se casou;
3. Ele vivia contando histórias…

…ERA CALIFORNIANO
1. Ele nunca cortou o cabelo;
2. Vivia andando descalço por aí;
3. Ele inventou uma nova religião;

…ERA ARGENTINO
1. Ele era cabeludo;
2. Se considerava um deus;
3. Só era legal com seus puxa-sacos.

…ERA BRASILEIRO
1. Ele nasceu num curral e depois mudou-se com a família pra cidade grande;
2. Vivia cercado de pobres e putas (mas detestava os camelôs);
3. Sempre negou-se a trabalhar e a pagar impostos.

>Da arca do velho

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Os animais embarcam na arca, gravura do holandês Maerten van Heemskerck, c. 1560

As primeiras edições da Encyclopedia Britannica estavam tão certas da realidade da Arca de Noé que, dentro do respectivo verbete, chegavam ao ponto de especular como os animais poderiam ter sido alimentados e acomodados em tal embarcação:

[O] Bispo Wilkins calcula que todos os animais carnívoros equivalem, em termos de volume de seus corpos e à sua alimentação, a 27 lobos; e todos os que restam a 280 cabeças de gado. Para aqueles, ele provê 1825 ovelhas e para estas, 109.500 cúbitos de feno. Tudo isso poderia ser facilmente contido nos dois primeiros andares e ainda haveria bastante espaço livre.

Essa especulação — não muito diferente das abordagens “sob condições ideais de temperatura e pressão” de certos problemas de Física do Ensino Médio — é encontrada na edição de 1797 da Britannica. Nos anos 1860, quando se deram conta de que uma arca não seria capaz de acomodar todas as espécies do mundo, os editores passaram a sugerir que o dilúvio não teria sido assim tão universal: apenas as partes da Terra sob ocupação do homem teriam sido inundadas. 
Na edição de 1911, a história de Noé já era integralmente apresentada como um mito. Ironicamente, meio século mais tarde, a enciclopédia inglesa relatava até as “muitas engenhosas e curiosas teorias” que haviam sido publicadas a favor da Arca de Noé ao longo dos séculos.

>10 Dimensões: Apocalipses FAIL!

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Hoje o mundo acabou. Mais uma vez. Não foi a primeira e provavelmente não será a última — ainda falta 21 de dezembro de 2012. Por enquanto, pois ao longo dos séculos diversas foram as previsões. Evidentemente, todas falharam. A razão por trás disso é que a humanidade teima em projetar no planeta seu próprio ciclo de vida e de morte — até mesmo cientificamente, conforme a Hipótese Gaia. Somos tão antropocêntricos que não admitimos ser extintos sem levar o planeta inteiro junto (isso também explica o atual cenário ambiental). Mesmo que toda a vida desapareça de uma vez, a Terra vai continuar firme e forte. Mas como nada é eterno ela vai acabar sendo engolida por um Sol vermelho, inchado e moribundo dentro de sete bilhões de anos. Ou não.

[10-D] 634 AEC
Apesar de existirem dias-do-juízo-final para judeus e muçulmanos, as previsões apocalípticas são uma característica tipicamente cristã. Mas antes mesmo de Cristo nascer, o mundo já estava condenado. Segundo uma antiga lenda romana, 12 águias teriam dito ao fundador de Roma, Rômulo, que sua grande civilização existiria por apenas 120 anos. 634 anos antes da Era Comum, o 120º. aniversário de Roma chegou e os romanos foram tomados pelo pânico. Nada aconteceu e hoje, ironicamente, Roma é conhecida como Cidade Eterna.
[9-D] 79

Esse é o primeiro apocalipse baseado em um escrito antigo. Ou melhor, nem tão antigo assim. Quando Pompéia foi destruída pelo Vesúvio no ano 79, alguns romanos consideraram o desastre como o começo do fim dos tempos. Isso por que o filósofo Sêneca, que havia morrido uns 15 anos antes, havia predito que a Terra acabaria em fumaça: “Tudo o que vemos e admiramos hoje será queimado em um fogo universal que abrirá um mundo nove, feliz e justo.” Qualquer semelhança com o lago de fogo do Apocalipse de S. João — escrito vinte anos depois de Pompéia — não é mera coincidência.

[8-D] 1000
Ah, os números redondos. Não importa qual a crença, eles parecem ser mágicos para todo mundo. Enquanto o mundo árabe alcançava seu auge no findar do século IX, a Europa se encolhia de medo e rezava fervorosamente. Cercados por fome, pragas e exércitos infiéis, parecia mesmo o fim para os europeus, que se ainda se assustavam com eclipses e cometas. 
[7-D] 1284
Como 666 e 1000 passaram sem qualquer perigo — exceto talvez por alguns bárbaros ou infiéis —, os cristãos precisaram procurar uma outra maneira de usar o número da besta em suas profecias. Considerando os infiéis muçulmanos seguidores do demônio, o Papa Inocêncio III profetizou que o mundo acabaria em 1284, 666 anos depois da ascenção do Islã. Felizmente para o Vaticano, Inocêncio III morreu em 1216 e nunca teve que se explicar quando seu deadline apocalíptico falhou.
[6-D] 1º. de fevereiro de 1524
Depois do FAILipse do ano 1000, os cristãos europeus deixaram o fim-do-mundo de lado. Mas em 1523, diversos astrólogos de Londres alertaram que a capital da Inglaterra seria afogada em um dilúvio (mais um) marcado para 1º. de fevereiro do ano seguinte. Em meio à crescente divisão da Igreja na Europa, a previsão não parecia tão absurda (embora fosse extremamente limitada). Assim, mais de 20.000 londrinos acreditaram na profecia e correram para armazenar suprimentos e fugir da cidade. Mas o dia do dilúvio londrino passou apenas em brancas nuvens: nenhuma gota caiu do céu.
[5-D] 1666
Obviamente, depois que a água não veio, os londrinos passaram a acreditar em um fim infernal. Juntando 1000 anos do reino messiânico e demoníaco 666, muitos cristãos temiam 1666. Na Inglaterra então, a ameaça parecia ainda mais real: o país sofreu uma grande guerra civil entre 1649 e 1661, que foi interpretada por alguns como o “período de tribulação” que antecederia o dia final. Os temores pareceram se concretizar quando uma praga matou muitos londrinos em 1665 e o Grande Incêndio quase riscou a cidade do mapa no ano seguinte. Foi o fim para muita gente — inclusive, talvez, por infarto —, mas o mundo continuou girando. E maçãs continuaram caindo.
[4-D] 1697, 1716, 1717, 1736
Talvez nada seja mais desagradável para um líder religioso do que admitir que sua palavra não é infalível. Cotton Mather — um influente ministro puritano que teve um papel decisivo no julgamento das bruxas de Salém — proclamou em 1691 que o mundo acabaria dentro de seis anos, em 1697. Como muitos depois dele, o pastor Mather baseou sua data no cumprimento de profecias bíblicas. Após um fim-do-mundo relativamente tranquilo, ele mudou sua previsão. Dessa vez com base na doutrina do “viva cada dia como se fosse o último, um dia você acerta”, Mather atirou pra todo lado: primeiro seria em 1736, depois adiantado para 1716 e após alguns ajustes, 1717. Ele morreu em 1728, sem arriscar qualquer nova previsão, mas ainda acreditando e pregando que o fim estava muito próximo. 

[3-D] 21 de dezembro de 1954

No começo dos anos 1950, Dorothy Martin, uma rica dona de casa da Califórnia com uma queda por fenômenos psíquicos, fundou um culto conhecido como Seekers após receber uma psicografia de Chico Xavier extraterrestres do planeta Clarion. Na mensagem, os ETs alertavam que uma enchente cataclísmica destruiria o mundo a partir de 21 de dezembro de 1954. Naquele dia, os Seekers se reuniram na porta da casa de sua líder, de onde seriam resgatados por um disco voador antes do dilúvio final. Como nem nuvens de chuva torrenciais e nem discos voadores apareceram na porta de sua casa, Miss Martin logo assegurou seus seguidores de que a fé dos Seekers foi tamanha que os extraterrestres conseguiram convencer o “Deus da Terra” a salvar o mundo. A desculpa não colou e o culto acabou se dissolvendo. Mas sem saber, Miss Martin deu uma grande contribuição à psicologia. Alguns psicólogos conseguiram se infiltrar no grupo para conduzir um estudo sobre crenças apocalípticas. O resultado foi o livro When Prophecy Fails [Quando a Profecia Falha].

[2-D] 2000
“Se ano 1000 passou, agora vai!” Muitos cristãos — e ainda mais místicos — acreditaram que o mundo acabaria junto com o segundo milênio. Além do intenso debate sobre se o século e o milênio começariam em 2000 ou 2001, a mídia foi tomada por pseudoprofetas num fin-de-siècle típico do século XX. Como não houvesse nenhuma grande guerra ou pandemia para sinalizar o apocalipse, foi mais fácil (e cientificamente correto) usar o chamado bug do milênio, que faria todos os computadores enlouquecer. Como os sistemas usavam apenas dois dígitos para identificar os anos, temia-se que 1º. de janeiro de 2000 seria interpretado como 1º. de janeiro de 1900. Os sistemas tiveram que passar por uma correção bem simples. Quem ficou louco da vida foram milhões que se desiludiram.

[Primeiro Plano] 1914, 1915, 1918, 1920, 1925, 1941, 1975 e 1994

Uau! Parece que alguém não aprendeu a lição do pastor Mather. Mesmo assim, esses caras insistem em te acordar todo domingo de manhã para lhe distribuir revistinhas cristãs e tentar te convencer de que mesmo sendo todo-poderoso, deus precisa de testemunhas. Sim, senhores, os recordistas de profecias apocalípticas são as Testemunhas de Jeová. Em 1879, Charles Taze Russell começou a pregar dizendo que Jesus já havia retornado silenciosamente em 1874 e reuniria seus 144.000 santos até 1914. Por coincidência, 1914 parecia ser o começo de uma grande tribulação na Europa que ameaçava se espalhar pelo mundo. Apesar disso, ninguém subiu aos céus naquele ano (exceto os primeiros pilotos de caça). Assim, a data de fundação do Reino Milenar de Cristo na Terra foi sendo religiosamente postergada: 1915, 1918, 1920, 1925, 1941, 1975 e 1994. Taze Russell não acertou nem a data do seu próprio fim: ele morreu em 1916.

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