Em uma palavra [145]
sinaxário (si.na.xá.rio [cs])
s.m. Crist. compêndio com resumos das vidas dos santos, usado especialmente na liturgia da Igreja Grega, onde também é chamado de μηνολόγιον, menologion. Hagiografia e Martirológio são seus homólogos mais próximos na Igreja Romana. [do grego συναξάριον, synaxarion; cp. com sinaxe, s.f., do grego synaxis, assembléia de fiéis nos primórdios do cristianismo; missa; culto cristão]
“A ofensa cujo nome é crime”
Você já deve ter ouvido falar em bestialidade, né seu tarado? (ou então caiu de pára-quedas aqui após buscar no Google) De qualquer forma, se hoje essa parafilia é considerada repugnante por pessoas comuns e “desumana” por defensores dos animais, imagine o que não acontecia em plena Idade Média:
A bestialidade (offensa cujus nominatio crimen est, como é eufemisticamente referida em documentos legais) era punida uniformemente com a condenação à morte de ambas as partes envolvidas. Era comum condená-las a serem queimadas vivas. “A besta também é punida e ambos são queimados”, diz Guillielmus Benedictinus, um autor de livros de Direito que viveu em fins do século XIV. Assim, em 1546 um homem e uma vaca foram enforcados e queimados por ordem do parlamento de Paris, [então] a suprema corte da França. Em 1466, o mesmo tribunal condenou um homem e uma porca a serem queimados em Corbeil.
E era assim não apenas na Europa (pós-)medieval, mas também, como era de se esperar, nas colônias puritanas da América do Norte:
Em sua “Magnalia Christi Americana” (Livro VI, (III), Londres, 1702), Cotton Mather relata que “em 6 de Junho de 1662, em New Haven, houve uma desgraça sem paralelo. Um homem, de nome Potter, com cerca de sessenta anos de idade, foi executado por Bestialidades. [...] viveu nas mais infames Bestialidades por não menos de cinquenta anos [sic] e agora, na forca, foram mortos diante de seus olhos uma vaca, uma novilha, três ovelhas e duas porcas, com todas as quais ele havia cometido suas brutalidades.”
— Edward Payson Evans, The Criminal Prosecution and Capital Punishment of Animals [Processo Criminal e Punição Capital de Animais], 1906
Peraí, se o tal Mr. Potter realmente existiu e passou 50 dos seus 60 anos de vida em contatos íntimos com seus animaizinhos, isso significa que os bichos, hoje, também seriam punidos por pedofilia??
Retratos da fé
Quem já tentou discutir com um fundamentalista, especialmente um cristão, com certeza já ouviu uma dessas:
[do hiliariantemente herético LOLgod]
Bate o sino sob o solo
Perto de Raleigh há um vale do qual se diz ter sido formado por um terremoto há várias centenas de anos. Tal convulsão natural teria engolido uma vila inteira, inclusive a igreja. Antigamente era costume das pessoas se reunir nesse vale a cada manhã do Dia de Natal para ouvir o badalar dos sinos da igreja debaixo da terra. Afirmava-se positivamente que poder-se-ia ouvi-los ao colocar a orelha sobre o solo e ouvir atentamente. Tão recentemente quanto em 1827, era comum encontrar naquela manhã velhos homens e mulheres, que pediam a seus filhos e amigos mais jovens que fossem ao vale, se abaixassem e ouvissem o alegre repicar dos sinos. Na verdade, os aldeões ouviam o soar dos sinos de uma igreja nas vizinhanças, cujo som se propagava através da superfície do solo, mas cuja causa havia sido mal formada pela ignorância e credulidade dos ouvintes.
— J. Potter Briscoe, “Stories about Bells” ["Estórias sobre os Sinos"], in William Andrews (org.), Ecclesiastical Curiosities [Curiosidades Eclesiásticas], Londres: 1899.
>Herança Divina
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Contendo quatro milhas quadradas [cerca de 10 km² ou pouco mais de 1.000 hectares] de terra, do qual nós reservamos cerca de seiscentos acres [uns 242 hectares] e do qual nós separamos o dito trato de terra antes ou até a redenção do mundo inteiro, como propriedade particular de Jesus, o Messias, incluindo-se todos os direitos singulares, liberdades, privilégios e benfeitorias quaisquer até agora pertencentes a nós. E nós cedemo-la, legamo-la e transmitimo-la ao dito Criador e Deus dos céus e da terra e a seu herdeiro, Jesus, o Messias, para seu uso e benefício próprio para sempre.
>Ser pobre é coisa do Demo!
>
- Eu digo que você deve ficar rico e que é seu dever ficar rico. [Como você vai ficar rico? Te vira! Mas antes me pague o dízimo pelo amor de Deus!]
- Fazer dinheiro honestamente é pregar o evangelho. [Mas pregar o evangelho é a maneira mais desonesta de fazer dinheiro!]
- O homem que faz dinheiro honestamente pode ser o mais honesto que se encontra na comunidade. [Pode ser, mas nem sempre é]
- Um homem não é um homem de verdade até que tenha sua própria casa e aqueles que têm suas casas são mais honoráveis e honestos e puros, mais verdadeiros e econômicos e cuidadosos, por possuir a casa. [Um sem-teto, então, não deve passar de um animal selvagem]
- Não há uma pessoa pobre nos Estados Unidos que não tenha se tornado pobre por suas próprias limitações ou pelas limitações de outros. De qualquer modo, é completamente errado ser pobre. [E ela deve continuar pobre! Enquanto isso, Wall Street dá graças a Deus e vai dormir tranquila.]
- Amor é a maior coisa de Deus na Terra, mas mais bem-aventurado é o amado que tem montes de dinheiro. [Afinal, você pode precisar subornar algum pastor para conseguir sua vaga no céu]
>Jesus Multinacional
>
…ERA MEXICANO
1. Seu primeiro nome era Jesus;
2. Ele era bilíngue;
3. Ele sempre estava sendo perseguido pelas autoridades.
…ERA NEGRO
1. Ele chamava todo mundo de “mano”;
2. Ele curtia música gospel;
3. Ele não conseguiu um julgamento justo.
…ERA JUDEU
1. Ele seguiu a mesma carreira do pai;
2. Viveu em casa até os 33 anos;
3. Ele tinha certeza de que sua mãe era uma virgem, e ela estava certa de que ele era um Deus.
…ERA ITALIANO
1. Ele falava com as mãos;
2. Ele vivia tomando vinho;
3. Ele só comia massas e peixes e temperava tudo com azeite de oliva.
…ERA IRLANDÊS
1. Ele era barbudo;
2. Ele nunca se casou;
3. Ele vivia contando histórias…
…ERA CALIFORNIANO
1. Ele nunca cortou o cabelo;
2. Vivia andando descalço por aí;
3. Ele inventou uma nova religião;
…ERA ARGENTINO1. Ele era cabeludo;2. Se considerava um deus;3. Só era legal com seus puxa-sacos.
…ERA BRASILEIRO
1. Ele nasceu num curral e depois mudou-se com a família pra cidade grande;
2. Vivia cercado de pobres e putas (mas detestava os camelôs);
3. Sempre negou-se a trabalhar e a pagar impostos.
>Da arca do velho
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| Os animais embarcam na arca, gravura do holandês Maerten van Heemskerck, c. 1560 |
[O] Bispo Wilkins calcula que todos os animais carnívoros equivalem, em termos de volume de seus corpos e à sua alimentação, a 27 lobos; e todos os que restam a 280 cabeças de gado. Para aqueles, ele provê 1825 ovelhas e para estas, 109.500 cúbitos de feno. Tudo isso poderia ser facilmente contido nos dois primeiros andares e ainda haveria bastante espaço livre.
>10 Dimensões: Apocalipses FAIL!
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Hoje o mundo acabou. Mais uma vez. Não foi a primeira e provavelmente não será a última — ainda falta 21 de dezembro de 2012. Por enquanto, pois ao longo dos séculos diversas foram as previsões. Evidentemente, todas falharam. A razão por trás disso é que a humanidade teima em projetar no planeta seu próprio ciclo de vida e de morte — até mesmo cientificamente, conforme a Hipótese Gaia. Somos tão antropocêntricos que não admitimos ser extintos sem levar o planeta inteiro junto (isso também explica o atual cenário ambiental). Mesmo que toda a vida desapareça de uma vez, a Terra vai continuar firme e forte. Mas como nada é eterno ela vai acabar sendo engolida por um Sol vermelho, inchado e moribundo dentro de sete bilhões de anos. Ou não.
Esse é o primeiro apocalipse baseado em um escrito antigo. Ou melhor, nem tão antigo assim. Quando Pompéia foi destruída pelo Vesúvio no ano 79, alguns romanos consideraram o desastre como o começo do fim dos tempos. Isso por que o filósofo Sêneca, que havia morrido uns 15 anos antes, havia predito que a Terra acabaria em fumaça: “Tudo o que vemos e admiramos hoje será queimado em um fogo universal que abrirá um mundo nove, feliz e justo.” Qualquer semelhança com o lago de fogo do Apocalipse de S. João — escrito vinte anos depois de Pompéia — não é mera coincidência.
No começo dos anos 1950, Dorothy Martin, uma rica dona de casa da Califórnia com uma queda por fenômenos psíquicos, fundou um culto conhecido como Seekers após receber uma psicografia de Chico Xavier extraterrestres do planeta Clarion. Na mensagem, os ETs alertavam que uma enchente cataclísmica destruiria o mundo a partir de 21 de dezembro de 1954. Naquele dia, os Seekers se reuniram na porta da casa de sua líder, de onde seriam resgatados por um disco voador antes do dilúvio final. Como nem nuvens de chuva torrenciais e nem discos voadores apareceram na porta de sua casa, Miss Martin logo assegurou seus seguidores de que a fé dos Seekers foi tamanha que os extraterrestres conseguiram convencer o “Deus da Terra” a salvar o mundo. A desculpa não colou e o culto acabou se dissolvendo. Mas sem saber, Miss Martin deu uma grande contribuição à psicologia. Alguns psicólogos conseguiram se infiltrar no grupo para conduzir um estudo sobre crenças apocalípticas. O resultado foi o livro When Prophecy Fails [Quando a Profecia Falha].
[Primeiro Plano] 1914, 1915, 1918, 1920, 1925, 1941, 1975 e 1994
Uau! Parece que alguém não aprendeu a lição do pastor Mather. Mesmo assim, esses caras insistem em te acordar todo domingo de manhã para lhe distribuir revistinhas cristãs e tentar te convencer de que mesmo sendo todo-poderoso, deus precisa de testemunhas. Sim, senhores, os recordistas de profecias apocalípticas são as Testemunhas de Jeová. Em 1879, Charles Taze Russell começou a pregar dizendo que Jesus já havia retornado silenciosamente em 1874 e reuniria seus 144.000 santos até 1914. Por coincidência, 1914 parecia ser o começo de uma grande tribulação na Europa que ameaçava se espalhar pelo mundo. Apesar disso, ninguém subiu aos céus naquele ano (exceto os primeiros pilotos de caça). Assim, a data de fundação do Reino Milenar de Cristo na Terra foi sendo religiosamente postergada: 1915, 1918, 1920, 1925, 1941, 1975 e 1994. Taze Russell não acertou nem a data do seu próprio fim: ele morreu em 1916.












É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídeo pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.