O lago bipolar

Por definição, um lago é um corpo de água que ocupa permanentemente uma depressão do relevo terrestre. Mas o Lago Merzbacher é uma exceção. Localizado numa das áreas mais inacessíveis das Montanhas Tian Shan, no leste do Quirguistão, não muito longe da fronteira com o Cazaquistão e a China, o Lago Merzbacher fica ao pé do glaciar Inylchek. É tão difícil chegar lá que o lago só foi descoberto em 1902, por Gotfrid Merzbacher (daí o nome), um alpinista-geógrafo alemão.

O isolado lago quirguiz não é lá muito grande: 4 km de extensão, 1 km de largura e até 70 metros de profundidade máxima, mas sua proximidade com a geleira é o que torna excepcional. A cada primavera, quando o lago congelado se torna líquido, suas águas cada vez mais quentes recebem pedaços da geleira vizinha. Um lago tomado por icebergs já seria por si só uma atração turística, mas isso não é tudo o que acontece por lá.

Dependendo da época em que você chega a Merzbacher — se é que você vai conseguir chegar lá —, pode não encontrar lago algum. Mas isso não significa que o seu GPS não funciona e que você esteja perdido ou que o verão local é inclemente a ponto de evaporar o lago inteiro. Também não é preciso culpar o aquecimento global, nem qualquer intervenção humana. O lago some por sua própria natureza.

O Lago Merzbacher é um tipo especial de lago, conhecido como lago proglacial. Isso significa que o lago é represado pela geleira. Há lagos proglaciais em todo o mundo e eles geralmente ou crescem com a retração do gelo ou simplesmente desaparecem junto com o glaciar. Exceção da exceção, o Merzbacher é um meio-termo: esvazia-se para se encher novamente logo depois.

Image of Merzbacher Lake located in Ozero Mertsbakhera, Kyrgyzstan

Vão-se as águas, ficam os icebergs

O fenômeno pode parecer misterioso, mas provavelmente é assim: no verão o degelo continua e a água chega a subir até dois metros por dia. Depois de certo ponto, o lago enche tanto que a geleira inteira que o mantém flutua. Quando isso acontece, é como se fosse aberta a comporta de uma represa e o lago inteiro pode se esvaziar em apenas três dias, com suas águas correndo em direção ao Rio Inylchek. Depois que o lago esvazia, a geleira se reacomoda e bloqueia o vale glacial, reiniciando a cheia.

O velho dilema do copo d'água em proporções lacustres: meio cheio ou meio vazio?

Normalmente, esse ciclo de cheia e vazante costuma acontecer anualmente, mas já houve registro de ciclos semestrais ou de cheias que levaram dois anos até chegar ao ponto crítico. Dada a dificuldade de acessar o lago, ele foi pouco estudado até agora e a hipótese da represa de gelo móvel ainda não foi inteiramente confirmada.

Longplayer is long

Qual é a música mais longa já criada? Dentre as muitas respostas possíveis, a mais provável é a composição chamada Longplayer. Composta pelo músico Jem Finer e outros artistas entre 1995 e 1999, Longplayer é uma peça para sinos tibetanos com duração estimada de 1000 anos. A execução foi iniciada em 31 de dezembro de 1999 e deve terminar nos últimos momentos de 2999.

Cronologicamente ambiciosa, a obra se baseia na aplicação de seis regras precisas para relacionar seis peças de música. Cada uma dessas peças é uma transposição harmônica de uma música-fonte, uma composição original com 20 minutos e 20 segundos de duração. Além da música-fonte, há uma versão uma oitava abaixo, uma sete semitons abaixo, outra cinco semitons abaixo e outras cinco e sete semitons acima.

Seis trechos de dois minutos — um de cada harmônico — estão tocando simultaneamente o tempo todo. Esses trechos são selecionados de modo a não haver repetição alguma durante 1000 anos. Ao fim desse milênio, tudo começa de novo, em um loop milenar. Por razões práticas, desde o começo, Longplayer tem sido executada apenas na forma digital. No entanto, segundo o Longplayer.org,

embora o computador seja um dispositivo barato e preciso no qual Longplayer pode ser executada, é importante — até mesmo para sua própria sobrevivência — que um meio fora do domínio digital seja encontrado. Para esse fim, um objetivo dos primeiros estágios do seu desenvolvimento tem sido pesquisar métodos alternativos de performance, incluindo versões mecânicas, não-elétricas e operadas por humanos.

Ainda segundo o site,

Longplayer surgiu de uma preocupação conceptual da representação e entendimento da fluidez e expansividade do tempo. Embora tenha encontrado forma como uma composição musical, isso também pode ser entendido como um processo vivo com 1000 anos de duração – uma forma de vida artificial programada para buscar suas próprias estratégias de sobrevivência. Mais que uma peça de música, Longplayer é um organismo social, dependente de pessoas — e da comunicação entre pessoas — para sua própria continuidade e existência enquanto comunidade de ouvintes ao longo dos séculos.

Quatro estratégias de sobrevência são propostas: o uso de uma radiofrequência globalmente dedicada, um dispositivo mecânico, um dispositivo computacional e, claro, a performance humana. Destas, apenas a performance humana já foi tentada: um trecho de 1000 minutos (16h40min) foi executado por diversas pessoas em 12 de setembro de 2009. Outra apresentação ao vivo, com três horas de duração, ocorreu durante a comemoração dos dez anos da música, em 31 de dezembro de 2009. Há planos para mais apresentações na Austrália ao longo de 2013 e nos Estados Unidos em 2014.

Embora ainda não tenham sido encontradas soluções extradigitais definitivas, a composição milenar pode ser ouvida em diversos locais do mundo. A primeira instalação foi feita no farol da Trinity Buoy Wharf, em Londres e na Brisbane Powerhouse em Queensland, Austrália. Ao longo da década, foram montados outros “pontos de audição” no Royal Observatory, também em Londres, no Orangery, em Nottinghamshire, no The Long Now Museum & Store em San Francisco e — talvez a locação mais emblemática — na nova Biblioteca de Alexandria, no Egito. Evidentemente, também há uma versão em livestream na internet.

Saturno Troll

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Na noite de 25 de abril de 1889, por volta das 8:30, eu estava examinando Saturno com uma potência de cerca de 180 em um [telescópio] Brashear acromático de 4 polegadas e 1/8, quando, para minha grande surpresa, percebi que a sombra do globo sobre os anéis estava curvada de maneira errada, i.e., partindo do globo, como mostra o desenho. Pensando que meus olhos estivessem enganados, chamei minha esposa e, sem contar-lhe o que vi, pedi-lhe que me descrevesse a forma da sombra. Ela a descreveu como tendo sua extremidade direita curvada para fora do planeta.saturno-sombra

Escrevi sobre isso ao Professor Comstock, do Washburn Observatory e ele me informou que, embora seja incomum, minha observação de Saturno estava longe de ser inédita. A mesma aparência fora observada em 1875 com um acromático de 26 polegadas em Washington. [James] Webb, em “Celestial Objects for Common Telescopes” [Objetos Celestes para Telescópios Comuns] diz: “A borda dessa sombra tem sido frequentemente encontrada curvada da maneira errada por sua perspectiva”. O Prof. Comstock ainda acrescenta: “Que eu saiba, nenhuma explicação satisfatória foi dada a essa anomalia”. — Aldro Jenks, “On the Reversed Curvature of the Shadow on Saturn’s Rings,” [“Da Curvatura Reversa da Sombra nos Anéis de Saturno”], Sidereal Messenger, 9:255, Junho de 1890

Há relatos similares em observações feitas entre 1886 e 1914. Ainda assim, qual seria o motivo? Todos os telescópios daquele período não podem estar com defeito… Seria uma ilusão  de ótica causada por algum alinhamento incomum entre o Sol, a Terra e Saturno?

Você é um Cronometrado?

Se você nasceu em 30 de novembro de 1999, parabéns! Porquê — você deve estar se perguntando — se ainda estamos em maio? Acontece que, segundo o matemático Phil Grizzard, para uma pessoa nascida em 30/11/99 qualquer data posterior sempre vai registrar precisamente sua idade. Por exemplo, em 16/05/12 tal pessoa tem exatos 12 anos, 5 meses e 16 dias de idade.

Grizzard, da Illinois University State, chama tais pessoas de stopwatch baby [bebê cronômetro]. Ele ressalta um porém. Para fazer sentido no mês de dezembro é necessário zerar o mês e acrescentar 1 ao ano. Assim, no natal desse ano, um adolescente-cronômetro vai ter 25/0/13 — ou seja, 13 anos e 25 dias.

Vida após a Morte

Reiss relata a morte de uma mulher que foi enterrada apressadamente enquanto seu marido estava longe. Ao retornar, ele pediu a exumação de seu corpo [dela] e, ao abrir do caixão, o choro de uma criança foi ouvido. O infante havia evidentemente nascido postmortem. Ele acabou sendo conhecido pelo nome de “Fils de la terre” [Filho da terra]. Willoughby menciona a curiosa ocorrência na qual ouviu-se um murmúrio do caixão de uma mulher durante seu apressado sepultamento. Uma de seus vizinhas retornou ao túmulo, colocou seu ouvido rente ao solo e estava certa de ouvir um ruído de respiração. Um soldado que a acompanhava confirmou sua história e, juntos, eles foram atrás de um clérigo e de um juiz, implorando a abertura da cova. Quando o férretro foi aberto, encontrou-se uma criança recém-nascida, que havia descido para os joelhos [da mãe]. Em Derbyshire, ainda hoje, pode-se encontrar no registro paroquial: “Em Abril, aos 20 [dias], 1650, foi sepultada Emme, esposa de Thomas Toplace, a qual foi encontrada com uma criança nascida após ela estar duas horas na sepultura.” – George Milbry Gould e Walter Lytle Pyle, Anomalies and Curiosities of Medicine [Anomalias e Curiosidades da Medicina], 1896

E assim nascem os bebês-zumbi…

Perdas e Ganhos

Mr. J. Cuthbert Hadden, que fez um estudo sobre esse assunto, diz que a oferta de versos hoje em dia excede grandemente a demanda. E, assim, acontece que muitos quartos de poesia não recebem pagamento algum. A maioria dos poetas menores cujos volumes vêm a público têm de sustentar todas as despesas de produção por si mesmos e apenas um número muito pequeno escapa sem perdas consideráveis. Em relação a isso, um divertida história envolvendo James Russell Lowell — que nada tem de poeta menor — merece ser contada. O custo da publicação de seu primeiro livro foi financiado inteiramente pelo próprio Mr. Lowell. Era uma edição simples, mas de substanciais 500 cópias. O autor logo sentiu orgulho comum por esse tipo de realização e esperava por uma fama quase imediata. Infelizmente, apenas umas poucas cópias da obra foram vendidas. Pouco depois, houve um incêndio na livraria onde os volumes estavam armazenados e todos foram destruídos. Como o publisher havia feito um seguro integral sobre o estoque, Mr. Lowell foi capaz de reaver todo o dinheiro que havia investido em sua aventura e teve a satisfação de dizer que aquela edição fora integralmente esgotada. — William Andrews, Literary Byways [Atalhos Literários], 1898

James Cuthbert Hadden (1861-1914) foi um escocês de habilidades múltiplas. Começa a carreira na adolescência, como assistente em uma livraria em Aberdeen. Aos vinte anos, após estudar música, torna-se organista em uma igreja em Crieff. Após casar-se em 1886 e ter uma filha, passa a atividades literárias, como o jornalismo e a biografia. Graças ao seu passado musical, especializa-se em biografias de músicos, entre os quais Handel, Haydn, Chopin e Mendelssohn. Prolífico, contribui com 98 artigos para o Dictionary of National Biography.

James Russell Lowell (1819-1891) foi um poeta, professor universitário e diplomata norte-americano. Da escola romântica, foi um dos primeiros poetas ianques a se tornar mais popular que os poetas britânicos na América. Seu primeiro livro foi publicado em 1841. Considerando que o poeta deve atuar como um profeta e crítico da sociedade, Lowell usa sua poesia para causas reformistas, especialmente para a abolição. No entanto, ao longo dos anos sua fidelidade ao abolicionismo e sua opinião sobre os afro-americanos vai se tornando inconstante. Ganha notoriedade nacional em 1848, quando publica A Fable for Critics, uma sátira sobre os poetas e críticos de seu tempo e The Biglow Papers, uma obra de tom regionalista com a Guerra Mexicano-Americana como pano de fundo. Após o falecimento da primeira esposa, em 1853, torna-se professor de línguas estrangeiras em Harvard. Apesar de permanecer na instituição por duas décadas, não leciona muito e dedica-se a atividades administrativas. Durante a Guerra Civil, para a qual alertava já em 1845, perdeu três sobrinhos, mas manteve uma postura pacifista. Após a Guerra, aproxima-se da política e sua amizade com o presidente Rutherford B. Hayes lhe vale dois postos diplomáticos: na Espanha (1877-1880) e na Inglaterra (1880-1885). Falece em 1891, vítima de um câncer que se espalhou pelos rins, pulmões e fígado.

Os demônios de Berbiguier

Berbiguier_Farfadets

Essas criaturinhas de outro mundo vão aprontar altas confusões!

Alexis-Vincent-Charles Berbiguier de Terre-Neuve du Thym vivia sendo aterrorizado por farfadets, uma espécie de equivalente francês dos goblins. Filho de uma família pequeno-nobreza, Berbiguier nasceu em Carpentras, no sul da França, em 1765. Ele entraria para a história da literatura francesa por sua bizarra autobiografia demonológica. Intitulada Les farfadets ou Tous les démons ne sont pas de l’autre monde [Os farfadets, ou Todos os demônios não são do outro mundo], a autobiografia de Berbiguier foi publicada em três volumes entre 1818 e 1820. A obra é magnificamente ilustrada com litografias desenhadas pelo próprio autor. Continue reading “Os demônios de Berbiguier” »

A Aposta de Feynman-Weisskopf

Quando Richard Feynman foi laureado com o Prêmio Nobel de Física em 1965, um de seus amigos ficou preocupado com seu futuro.  Victor Weisskopf, que era diretor do CERN, sabia de duas coisas: (1) Feynman detestava trabalhos administrativos e (2) esse era o destino de muitos cientistas após o auge da carreira, numa espécie de aposentadoria (voluntária ou não). Por isso, Weisskopf fez Feynman assinar, diante de testemunhas, os termos da seguinte aposta:

Mr. FEYNMAN irá pagar a soma de DEZ DÓLARES a Mr. WEISSKOPF se, a qualquer tempo durante os próximos DEZ ANOS (i.e., antes do DIA TRINTA E UM DE DEZEMBRO de MIL NOVECENTOS E SETENTA E CINCO), o referido Mr. FEYNMAN vier a ocupar uma “posição responsável.”

Para os propósitos da APOSTA supra, a expressão “posição responsável” deverá ser interpretada como significando uma posição que, por razões de sua natureza, obriga o detentor a emitir instruções a outras pessoas sobre a execução de certos atos, não obstante o fato de que o detentor não tenha qualquer entendimento daquilo que ele esteja instruindo as ditas pessoas a cumprir.

Feynman — que dizia que administração é uma “doença ocupacional” — leu e concordou com os termos da aposta. Vencido o prazo estipulado, e verificando-se que Mr. Feynman não se tornou um administrador, ele ganhou os 10 dólares de Mr. Weisskopf em 1976.

A moça de maiô verde

Ela matava todo mundo e vivia nos enganando. Agatha Christie poderia ser uma serial-killer, mas tornou-se a maior autora de novelas policiais do século XX e pioneira do surfe. Pioneira do surfe?? What???

É dificil imaginar aquela Dame de ares vitorianos saindo de uma kombi com uma prancha debaixo dos braços, pronta pra pegar um tubo. Ainda jovem no começo dos anos 1920, Agatha também teve a sua fase descolada. É o que conta Pete Robinson, fundador do Museum of British Surfing [Museu do Surfe Britânico], situado no condado de Devon, no sudoeste inglês. Para quem não sabe, Christie passou a infância e a adolescência em Devon, que também foi cenário de muitos de seus mistérios.

Como o sobrenome que a tornaria consagrada na literatura, Agatha Mary Clarissa Miller deve ao primeiro marido suas experiências com pranchas de surfe. Ex-aviador e veterano da I Guerra Mundial, Archibald “Archie” Christie foi convocado novamente pelo governo britânico em janeiro de 1922. Sua nova missão era promover a British Empire Exhibition [Exposição do Império Britânico] que seria realizada em Londres dois anos mais tarde. Após deixar a filha única de três anos aos cuidados da mãe e de uma irmã, Mrs. Christie partiu com o marido para o que acabaria sendo não uma viagem de negócios, mas uma verdadeira turnê surfista.

Agatha-Christie-surf

Maiô de lã verde e pranchão: "glória da vida" (imagem: Museum of British Surfing)

Agatha e Archie chegaram à África do Sul em fevereiro e logo foram apresentados a um esporte relativamente novo, o prone surfboarding (antigo nome do bodyboarding). Segundo a jovem Christie, “as pranchas de surfe na África do Sul eram feitas de madeira fina e leve, fáceis de carregar e logo se pega a manha para entra nas ondas.” Mas nem sempre era uma moleza, segundo a Rainha do Crime: “ocasionalmente, era doloroso, como quando você cai de nariz na areia. Mas, em geral, era um esporte simples e bastante divertido.”

Depois de passar pela Austrália e Nova Zelândia, os Christie alcançaram Honolulu em Agosto, em pleno verão havaiano. E foi em nada menos que Waikiki que, depois de umas dicas sobre como lidar com queimaduras de sol e barreiras de corais, o casal aprendeu a ficar de pé na prancha.

Entre uma onda e outra, Agatha escreveu Poirot Investiga e O Homem de Terno Marrom, que seriam publicados em 1924. Em sua autobiografia, Agatha Christie se recorda de suas peripécias no Havaí: “Eu aprendi a ponto de ficar expert — ou pelo menos expert do ponto de vista europeu — e o momento do meu completo triunfo foi no dia em que manti meu equilíbrio e fui até a praia de pé em minha prancha!” Agatha também sempre se lembrou da sua indumentária. Como o neoprene não existia na época, ela teve que apelar para a lã: “Um maravilhoso e modesto traje-de-banho de lã verde-esmeralda, que era a glória da minha vida e no qual eu me achava notavelmente bem!”

Segundo Robinson, os Christie estão entre os primeiros bretões a pegar uma onda — o único britânico que pegou uma onda antes do casal foi o próprio Príncipe Edward.

[Guardian via The Mary Sue]

As Flechadas de Franklin

Em carta ao general Charles Lee datada de fevereiro de 1776, Benjamin Franklin argumentava que o exército das colônias deveria se armar com instrumentos tipicamente americanos — arcos e flechas. Franklin os considerava “boas armas, insensatamente postas de lado”. O inventor e diplomata americano apresentou seis razões para o uso estratégico de um arsenal low-tech:

  1. 1. “Porque um homem pode atirar tão verdadeiramente com um arco quanto com um mosquete comum.”
  2. 2. “Ele pode lançar quatro flechas no intervalo entre carregar e descarregar uma bala.”
  3. 3. “Seu alvo não lhe é tirado de vista por fumaça do seu próprio lado.”
  4. 4. “Uma chuva de flechas, vista por baixo, aterroriza e perturba a atenção do inimigo.”
  5. 5. “Uma flecha que acerte qualquer parte de um homem o põe hors de combat até que seja extraída.”
  6. 6. “Arcos e flechas são mais fáceis de se arranjar em qualquer lugar do que mosquetes e munições.”

Franklin também recomendava a utilização do pique (uma longa lança com ponta de aço, comum na Idade Média). Mesmo que não tenham sido postas em prática, as recomendações militares de Franklin continuaram a ser debatidas muito tempo após a Revolução Americana.

Um teórico calculou que, em 22 de maio de 1794, na Batalha de Tournay, os franceses revolucionários e a coalizão antirepublicana (Áustria, Grã-Bretanha e Hanôver) trocaram 1.280.000 tiros. Com estimadas 8.500 baixas de ambos os lados, o resultado foi uma média de 150 disparos para cada baixa, “o que evidentemente aparece em favor do arco, em termos da certeza de seu tiro, de não mais de 20 [disparos] para 1 [morte].”

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