Publicado
20 de mai de 2011
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Esta é Mary Todd Lincoln, viúva de Abraham Lincoln, com o fantasma de seu marido, em uma foto do “fotógrafo de espíritos”, Willianm H. Mumler.
Diz a história que Mary sentou-se para a foto no começo dos anos 1870, quando já havia se casado novamente e adotado o sobrenome Lindall. O fotógrafo não a conhecia até que a revelação mostrou o presidente-mártir.
É o que se diz por aí. Os céticos imediatamente acusaram Mumler de falsificação e ele não ganhou muitos amigos com sua carreira de “revelador” de fantasmas dos mortos da Guerra Civil para as famílias enlutadas.
Tal prática era de um nível tão baixo que até P.T. Barnum, dono de circo famoso por sua credulidade, testemunhou contra Mumler num julgamento de fraude em 1869. Ele foi inocentado, mas morreu miserável em 1884.
Talvez Mumler tenha realmente descoberto uma incrível e inovadora técnica… mas parece que seu próprio fantasma jamais foi fotografado.
Publicado
28 de mar de 2011
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Hélène Smith (1861-1929), evidentemente, não era uma vidente de verdade. Mas sua farsa era notavelmente ambiciosa. Ela dizia ser uma reencarnação de uma princesa hindu e de Maria Antonieta.
Mas Mademoiselle Hélène Smith foi também um ícaro espiritualista. Não se contentando em ser uma reencarnação única de duas princesas de épocas e lugares distintos, ela decidiu voar mais alto. Hélène afirmava ser capaz de visitar Marte:
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| Paisagem de Marte (pintada pela própria Hélène Smith): eram os marcianos hindus? |
Que engraçados, esses carros! Dificilmente há qualquer cavalo ou pessoa a puxá-los. Imagine diferentes tipos de poltronas que se movem mas não têm rodas. São as pequenas rodas que produzem as faíscas. As pessoas sentam em suas poltronas. Algumas, as maiores, levam quatro ou cinco pessoas. À direita do braço da poltrona está espetado um tipo de vara, que tem um botão, o qual é pressionado com o polegar para por o veículo em movimento. Não há trilhos. Também se vê pessoas a pé. Elas são constituídas como nós e seguram-se com pequenos dedos. A vestimenta é a mesma para ambos os sexos: uma blusa comprida de gola alta, calças bem largas, sapatos de couro, com solas grossas, sem salto e cuja cor é a mesma do resto do conjunto: branco com detalhes em preto.
Entre 1894 e 1901, Mlle. Smith deu mais de 60 sessões, detalhando inclusive a suposta língua marciana. Suas “visões” inspiraram o livro Des Indes à la Planete Mars [Da Índia ao Planeta Marte], publicado em 1900 pelo (para)psicólogo suíço Théodore Flournoy (1854-1920).
Flournoy (à esq.) fora amigo próximo de Catherine-Elise Müller (o verdadeiro nome de Mme. Smith), mas — talvez cedendo ao ceticismo de seu lado científico — ele não conseguiu engolir a história sobre Marte. Ele afirmava que as descrições do povo marciano eram baseadas no orientalismo que estava em moda (too mainstream); que o Planeta Vermelho apresentado pela médium era excessivamente “material”, pois se parcecia muito com a Terra. E a suposta língua marciana, com suas 22 letras e sua gramática era muito semelhante ao francês. Ele classificou Catherine Müller como um caso de “sonambulismo com glossolalia”. Depois dessa, a carreira de Mademoiselle Smith deveria ter ido para o espaço.
Mas não foi. Uma tal de Mrs. Jackson, rica (e crédula) espiritualista norte-americana, continuou impressionada e ofereceu-lhe dinheiro. Em troca, Catherine Müller deveria largar o trabalho e se dedicar exclusivamente à documentação de suas visões. É claro que Hélène Smith aceitou. E, como já não era mais boba, passou a ter visões mais “aceitáveis” — com Cristo. Pra quem começara vivendo como duas princesas e viajando pra Marte, foi um final bastante decadente.
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| Semelhanças suspeitas: a suposta escrita marciana e o alfabeto tailandês. |
Para os curiosos (ou ociosos) de plantão, a primeira edição de From India to the Planet Mars está disponível on-line [em inglês].
Publicado
17 de nov de 2010
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Na Praça do Mercado em Devizes, Wiltshire, Inglaterra, há a seguinte um monumento com a seguinte inscrição:
Na terça-feira, 25 de janeiro de 1753
RUTH PEARCE
de Potterne, neste Condado,
Fez um acordo com três outras mulheres para comprar um Saco de Trigo
no Mercado, cada qual pagando sua devida proporção
pelo mesmo.
Uma dessas Mulheres, ao coletar as várias quotas
de Dinheiro, descobriu uma deficiência e exigiu de
RUTH PEARCE a soma que faltava para
completar o Montante.
RUTH PEARCE protestou que ela já pagara sua Parte,
e disse que gostaria de cair morta se não o
tivesse feito. — Ela imprudentemente repetiu esse terrível desejo; — quando, para a consternação e o terror da multidão
que a cercava, ela caiu instantaneamente e expirou,
com o dinheiro em questão em suas mãos.
Na época, John Clare, encarregado de investigar a morte de Ruth Pearce, acreditou na história e concluiu que ela “caiu morta pela vingança de Deus”. Não seria surpresa se, com a aproximação entre Católicos e Anglicanos, Ruth Pearce virasse a santa padroeira dos mão-de-vaca. Falando sério, Pearce pode ser apenas uma personagem folclórica, coisa que toda cidadezinha tem para atrair turistas.
Devizes é uma tradicional cidade-mercado e os mercadores sempre tiveram grande influência por lá. Assim, a história pode ter sido inventada para assustar os inadimplentes numa época em que não existiam serviços de proteção ao crédito (aka Serasa).
Mesmo que Ruth Pearce tenha sido uma personagem real, a morte dela não tem nada de sobrenatural. Ela simplesmente pode ter tido um enfarte ou uma morte súbita.
Publicado
6 de set de 2010
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“O Mistério Shaver: a mais sensacional história real já contada.” |
A pioneira revista de ficção científica Amazing Stories vivia, evidentemente, cheia de estórias incríveis. Mas o escritor Richard Sharpe Shaver insistia em afirmar que tudo o que escrevia era baseado em fatos reais. Entre 1943 e 1948, Shaver e Raymond A. Palmer, editor da revista, publicaram uma série de histórias — os Mistérios de Shaver. Eram contos ambientados em cidades construídas em cavernas, cheias de robôs malignos que seqüestravam seres humanos inocentes. O próprio Shaver afirmava ter sido prisioneiro durante vários anos.
Estranhamente, o resultado foi uma avalanche de cartas com relatos de experiências similares às de Shaver. Uma mulher, por exemplo, dizia ter sido abduzida de um porão em Paris para ser torturada e estuprada antes que bons robôs a salvassem. O “Shaver Mystery Club” [Clube de Mistério Shaver] começou a se espalhar por diversas cidades e a Amazing ganhou cerca de 50.000 novos assinantes.
Não muito tempo depois, as histórias incríveis da vida real e toda a sensação em torno delas foram sendo esquecidas — a nova sensação eram os igualmente misteriosos discos voadores —, mas os clubes de mistério resistiram até o fim dos anos 1950. Shaver dizia que os discos voadores que começavam a ser vistos eram prova da realidade de suas histórias. Apesar do incrível número de novos assinantes, muitos fãs da hard sci-fi da Amazing não gostaram nem um pouco da série, que estaria se afastando demais da realidade plausível.
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Richard Sharpe Shaver (1907-1975): para muitos, ele é o criador da mitologia ufológica do pós-guerra. |
Tudo parece um grande golpe publicitário à la Guerra dos Mundos de Orson Welles. Mas a realidade pode ser mais estranha que a ficção. Na década de 1970, Shaver foi encontrado internado num hospício, pois sofria de esquizofrenia paranóide e era incapaz de discernir realidade de ficção. As cartas que relatava histórias parecidas eram ou de pessoas muito criativas, que levavam tudo na brincadeira ou, o que é mais provável, de pessoas como Shaver que se sentiram seguras o bastante para relatar seus inimigos imaginários. Mesmo internado, ele continuava afirmando a veracidade de suas histórias e dizia mais: certas rochas seriam livros escritos e ilustrados pelos Atlantes com métodos similares ao laser.
Shaver poderia ter sido um grande autor de Ficção Científica, mas sua imaginação foi longe demais.
Publicado
26 de ago de 2010
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Em 1875, a Associated Press deu destaque a um novo empreendimento que estava sendo aberto perto de Lacon, Illinois. Um prospecto convidava entusiasticamente sócios para novo negócio:
Gloriosa Oportunidade para Ficar Rico!!! – Estamos a iniciar um rancho de gatos em Lacon com 100.000 gatos. Cada gato vai dar uma média de 12 gatinhos por ano. A pele dos gatos serão vendidas a 30 centavos cada. Cem homens podem esfolar 5.000 gatos por dia. Nós aguardamos um lucro líquido diário de mais de $ 10.000,00. Agora, como vamos alimentar os gatos? Vamos abrir uma fazenda de ratos ao lado, com 1.000.000 de ratos. Os ratos se reproduzem 12 vezes mais rápido que os gatos, portanto vamos ter quatro ratos por dia para alimentar cada gato. Mas como vamos alimentar os ratos? Vamos alimentá-los com as carcaças dos gatos que foram esfolados. Agora vejam só! Vamos dar os ratos aos gatos e os gatos aos ratos e teremos peles de gato a troco de nada!
Embora seja um pouco cruel para os nossos padrões, realmente era muito tentador. Tanto que a AP não percebeu que se tratava de um trote criado por Willis Powell, o (entediado) correspondente local. Tratada como fato verídico, a história acabou repetida e republicada dezenas de vezes em toda a América durante mais de 65 anos — até que o National Press Club derrubou o mito em 1940.
Publicado
27 de jun de 2010
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Uma das curiosidades expostas há algum tempo em exibição pública seria o crânio de Oliver Cromwell. Um cavalheiro presente observou que aquela cabeça era pequena e não poderia ser de Cromwell, pois ele tinha uma cabeça muito grande. “Ah, eu sei disso”, disse, imperturbável, o exibidor, “mas veja, este era o crânio dele quando ele era um menino.”
– Ainsworth Rand Spofford et al., The Library of Wit and Humor, Prose and Poetry [Biblioteca de Graça e Humor, Prosa e Poesia], 1894
Publicado
26 de mai de 2010
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Prosper Mérimée tornou-se conhecido como o autor de Carmen, a novela que inspirou a famosa ópera de Bizet. Ele começou sua carreira como um escritor desconhecido na Paris da década de 20 — de 1820 —, época em que a literatura hispânica estava na moda entre os franceses. Já que ninguém ligava para ele, por que não ousar? Mérimée publicou Le Théâtre de Clara Gazul, uma falsa coletânea de peças teatrais supostamente escritas por uma atriz espanhola.
O truque funcionou muito bem: as peças foram bem recebidas e a carreira de Mérimée deslanchou. Mas algo intriga os fãs até hoje. Se Clara Gazul nunca existiu, quem é a bela espanhola retratada na folha de rosto do livro?
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| É uma cilada, Bizet! |
A dama não é uma dama coisa nenhuma! É o próprio Mérimée, travestido.
Publicado
29 de abr de 2010
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Quando o General Eisenhower tomou posse como presidente dos Estados Unidos em 1953, um grupo de Republicanos conservadores (o que é meio redundante) passou a afirmar que o recém-saído governo democrata, chefiado pelo Harry S Truman, havia roubado ouro dos depósitos de Fort Knox.
Convencido por seus correligionários, Eisenhower mandou contar o ouro. A recontagem mostrou que o tesouro americano tinha “apenas” 30.442.415.581,70 dólares em barras de ouro que valem mais do que dinheiro. Só que havia 10 dólares a menos do que o esperado.
Após conferir as contas, Georgia Clark, tesoureira do governo Truman, mandou um cheque de sua própria conta para cobrir o “rombo”.
Desde então, curiosamente, todos os dez tesoureiros que passaram pelo governo americano foram mulheres. Destas, seis eram latinas. Corrupção, portanto, não é uma questão de gênero, etnia ou cultura. É uma questão de falta de vergonha na cara mesmo.
Fosse no Brasil, o rombo seria muito maior e teria sido escondido por qualquer partido (de oposição ou de situação). Se fosse descoberto, abririam uma CPI que não daria em nada, o processo caducaria na Justiça (especial, diga-se de passagem), todos os envolvidos seriam eleitos novamente e, é claro, o dinheiro nunca seria devolvido.
Publicado
22 de fev de 2010
>Em quatro tempos:
Isso explica por que aquele seu técnico de eletrônica enrola tanto na hora de consertar o computador/TV/Celular/DVD.
Aliás, cadê os parafusinhos que eu tinha colocado aqui?
Publicado
12 de fev de 2010
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- Ceticismo pode ser divertido;
- Uma alegação paranormal é sempre um mistério a ser resolvido;
- Não importa o tamanho da loucura da alegação, alguém sempre vai acreditar nela;
- Ver não significa crer;
- Acreditar em alguma coisa não a torna verdadeira;
- Pessoas criam farsas por todos os motivos possíveis;
- Testemunhas e pesquisadores podem estar envolvidos na farsa;
- Falsários são geralmente motivados pelo dinheiro;
- Centenas de mistérios do mesmo tipo acabam sempre sendo falsos;
- Uma explicação baseada no mundo real é mais provável do que uma ideia sobrenatural.
Agora, para comprovar nossas lições, vamos ver um episódio de Scooby-Doo: O Dia das Bruxas de Scooby-Doo.
lista original de the BEattitude.