Publicado
11 de jan de 2012
Publicado
9 de nov de 2011
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Em um testamento registrado em 1864, Peter e Hannah Armstrong deixaram como herança um pedaço de terra na Pensilvânia. Os herdeiros seriam ninguém menos que o Deus e seu filho:
Contendo quatro milhas quadradas [cerca de 10 km² ou pouco mais de 1.000 hectares] de terra, do qual nós reservamos cerca de seiscentos acres [uns 242 hectares] e do qual nós separamos o dito trato de terra antes ou até a redenção do mundo inteiro, como propriedade particular de Jesus, o Messias, incluindo-se todos os direitos singulares, liberdades, privilégios e benfeitorias quaisquer até agora pertencentes a nós. E nós cedemo-la, legamo-la e transmitimo-la ao dito Criador e Deus dos céus e da terra e a seu herdeiro, Jesus, o Messias, para seu uso e benefício próprio para sempre.
Talvez mais interessado nos tesouros do Vaticano, o Criador não deve ter se interessado muito por esse presente. O Todo-Poderoso jamais compareceu para tomar posse da propriedade e também deixou de pagar os respectivos impostos e taxas. Não tardou para que a divina propriedade fosse desapropriada pelo Estado e leiloada, voltando às mãos de um reles humano.
Vinte anos mais tarde, Charles Hastings também legou um pedaço de terra — dessa vez no Massachussets — “para o Senhor Jesus, o Regente Supremo do Universo”. Talvez sabendo do fracasso do casal Armstrong, Hastings entregou a propriedade a Cristo apenas em usufruto, reservando a seus herdeiros apenas o direito de agirem como agentes (ou meros caseiros) para “ocupar e ampliar, fazer reparos, pagar tributos e apólices de seguro, etc.” No fim das contas, nem essa precaução funcionou. Em 1897, os herdeiros de Mr. Hastings cansaram-se de ter que sustentar a divina propriedade e contestaram judicialmente o testamento, que acabou sendo anulado.
Publicado
1 de ago de 2011
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| Deus: um declínio |
Uma agência de pesquisas americana, a Public Policy Polling cansou-se de fazer sondagens populares sobre os políticos e, durante uma enquete sobre diversas figuras em evidência na mídia, finalmente fez a grande pergunta: “Se Deus existe, você aprova ou desaprova sua atuação?” Realizada entre 15 e 17 de julho, a pesquisa revelou que 52% dos 928 entrevistados aprovam a atuação de Deus. 40% estão indecisos e 8% o desaprovam. A margem de erro é 3,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Alguns aspectos do divino governo também foram pesquisados. Questionados sobre a performance de Deus na criação do Universo, 71% aprovam; 5% desaprovam e 24% não souberam opinar. Entretanto, quanto mais se aproximam do mundo humano, mais cai a aprovação para as ações de Deus: só 56% aprovam o modo como o Todo-Poderoso cuida do reino animal e apenas metade do público aprova a atuação do Criador quanto aos desastres naturais. Infelizmente, porém, não foram feitas perguntas sobre as ações de Deus diante de problemas que afetam diretamente os humanos, como fome, miséria, violência, guerras (inclusive as santas) e segunda-feiras. Sem surpresa, os jovens entre 18 e 29 anos são mais críticos com relação a Deus; os maiores de 65 são os que mais o aprovam.
Embora tenha sido feita apenas nos Estados Unidos (#ficaadica, Ibope!) podemos depreender o seguinte: 1) Dados similares no Brasil mostrariam que Lula — que teve amplo apoio dos evangélicos — aparentemente foi maior que Deus (se é que não continua sendo); 2) Na prática, pode-se concluir que quase metade do público (norte-americano), 48%, é ateu ou agnóstico.
Nunca antes na história deste universo o PC (Partido Celestial) esteve tão em baixa — ao menos nos Estados Unidos, onde o criacionismo ainda é divulgado em escolas a título de “ensinar a controvérsia”. Aparentemente, a tática não tem dado muito certo… Levando-se em conta a margem de erro e a popularidade divina em baixa na Europa e na Austrália já há algum tempo, a reeleição de Deus estaria ameaçada se o cargo-mor do Universo fosse eletivo. Felizmente, para ele e infelizmente para nós, seu governo é uma monarquia absolutista e autocrática (se existir, é claro).
Procurado pela nossa reportagem, Deus não se manifestou. Nem São Pedro, nem os anjos, nem o herdeiro hippie, Jesus Cristo. Seus relações-públicas na Terra, entre os quais estão o Papa, o Dalai Lama e o bispo Edir Macedo também não comentaram os resultados da pesquisa. Aos berros, o pastor ali da esquina disse que isso é tudo intriga da oposição e que pesquisa é “coisa do demo”. Ainda não há dados sobre a popularidade do líder da oposição, Satã, que também não concedeu entrevista. O relatório completo da pesquisa poder ser visto aqui — não, não naquele “aqui”, neste
“aqui”.
Publicado
7 de mar de 2011
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Que isso? Todo mundo sabe que o JC não salva…