O pesquisador-artista
David S. Goodsell é um professor-associado de Biologia Molecular no Scripps Research Institute em La Jolla, Califórnia. David S. Goodsell é um artista que cria belas pinturas inspirado pelos mecanismos intracelulares. Os Goodsell não são homônimos. O pesquisador e o artista são a mesma e única pessoa. Goodsell cria suas obras a partir de seus experimentos científicos. Ele faz isso como forma de divulgar a biologia celular e molecular, facilitando — e embelezando — suas imagens.
O cientista-artista usa “uma combinação de desenho à mão e ilustrações de computação gráfica para revelar o mundo invisível das moléculas no interior das células.” As imagens científicas são obtidas através de cristalografia com raios-x. Já as obras de arte são pinturas ou aquarelas baseadas nos modelos criados por computador a partir das imagens cristalográficas. Veja algumas dessas obras que unem arte e ciência: Continue reading “O pesquisador-artista” »
LHC joga a toalha na caça às dimensões extras
Depois de ter sido nocauteado por uma simples migalha de pão, era de se esperar que o bilionário LHC tivesse encontrado ao menos alguma sombra de evidência de dimensões desconhecidas. Agora, em dois artigos publicados na Physical Review Letters, os responsáveis pelo detector CMS do LHC admitem que o gigantesco acelerador situado na fonteira franco-suíça pode não servir como portal. Continue reading “LHC joga a toalha na caça às dimensões extras” »
Ciência com as próprias mãos

Dr. Unger: ciência marota e 36.500 estralar de dedos para testar uma clássica teoria materna. (Foto de Karen Quincy Loberg)
Uma das características básicas da pesquisa científica é que experiências pessoais não são vistas como confiáveis. No entanto, há uma curiosa exceção que envolve artrite, estalar de dedos e uma vontade imensa de contrariar a mãe. Tudo começa com a mãe do médico californiano Donald L. Unger.
Como quase todas as mães, ela vivia dizendo que se o menino continuasse estralando os dedos constantemente, acabaria com artrite. Apaixonado por ciência desde cedo, Unger resolveu testar a sabedoria materna da forma mais cientificamente rigorosa que pôde. Como não podia ter um laboratório nem dois grupos para observar, usou as próprias mãos.
Durante 50 anos, o menino que se tornou médico alergista estralou os dedos da mão esquerda pelo menos duas vezes ao dia, totalizando mais de 36.500 estraladas. A mão direita foi mantida intocada, como controle. Quando o tempo do experimento se esgotou, Dr. Unger escreveu aos editores da Arthritis & Rheumatism para reportar um “estudo controlado, com um único participante.” A conclusão: depois de meio século, ele não encontrou artrite em nenhuma das mãos, nem qualquer outra diferença significativa entre elas. “Esse resultado”, escreveu o médico, “levanta a questão sobre se outras crenças parentais, e.g., a importância de comer espinafre, também são equivocadas.”
A experiência era excepcionalmente interessante, mas passaria pelo crivo científico da revisão pelos pares? O editores da Arthritis & Rheumatism pediram uma revisão de Robert L. Sweazey, que já havia publicado uma investigação pioneira sobre o assunto no Western Journal of Medicine. Sweazey disse que seu próprio estudo havia sido inspirado quando a avó do seu filho de 12 anos havia alertado o menino de que estalar os dedos lhe causaria artrite. Segundo Sweazey, “já se passaram agora 22 anos e ele continua a praticar frequente ED [Estalar de Dedos] sem qualquer manifestação de artrite.”
Depois de desbancar os conselhos maternos, Sweazey passou a pensar que, ao contrário do que creem as mães, estalar dos dedos pode até prevenir a osteoartrite. “A possível utilização de ED por provedores de auxílio à saúde como um tratamento preventivo doméstico, econômico e não-invasivo deveria merecer maior consideração.”, concluiu o revisor do inusitado estudo.
Embora tenha sido o segundo experimento sobre o tema, a experiência pessoal do Dr. Unger com as próprias mãos acabou sendo reconhecida e publicada: Does knuckle cracking lead to arthritis of the fingers? Unger DL. Arthritis Rheum. 1998 May;41(5):949-50. Dez anos depois da publicação de seu estudo, o esforço diligentemente científico não foi esquecido: ele foi o vencedor do Prêmio IgNobel de Medicina em 2009.
A Galáxia-Esmeralda
Galáxias são imensas jóias formadas por bilhões e bilhões de estrelas e sistemas solares que geralmente orbitam em torno de um ponto central, que costuma abrigar um grande buraco-negro. Por isso mesmo, essas jóias cósmicas quase sempre têm uma forma visivelmente redonda, espiral, discoide, oval ou globular. Ou seja, de coisas que giram. Como exceção, há as galáxias irregulares.
Mas LEDA 074886 é a exceção das exceções — tem uma forma retangular com os cantos arredondados, como uma esmeralda. “É uma dessas coisas que te faz sorrir porque não deveria existir ou, pelo menos, você não espera que exista”, disse o Professor-Associado Allister Graham da Swinburne University of Technology (SUT), na Austrália.
Nesta imagem em cores falsas, os pesquisadores ressaltam o disco de estrelas jovens que se formou no centro da galáxia. (crédito: Dr. Lee Spitler, Swinburne University of Technology, Australia)
A gema galáctica não só era inesperada, como foi descoberta totalmente por acaso. Coordenada pelo astrofísico australiano Prof. Graham, uma equipe internacional — formada por pesquisadores australianos, suíços, finlandeses e alemães — encontrou a LEDA 074886 em uma grande imagem do telescópio japonês Subaru enquanto buscava galáxias globulares em torno da galáxia gigante NGC 1407. A princípio o que chamou a atenção dos astrônomos não foi o formato e sim a pequenez da LEDA 074886, que tem 50 vezes menos estrelas que a Via-Láctea. Situada na direção da constelação Eridanus, a 70 milhões de anos-luz da Terra, é uma galáxia-anã.
No paper sobre a descoberta, Graham et. al. tentam explicar a forma da “galáxia-esmeralda”, expressão que usam para descrevê-la. Uma das explicações é que essa galáxia-anã teria rotação cilindríca mas está alinhada de tal forma que só vemos sua face lateral, o que parece retangular.
No entanto, a hipótese mais provável, segundo o artigo, é que esse incomum formato retangular se deve a um processo de colisão entre duas galáxias (uma esferoide e uma discóide ou ambas discóides). Duncan Forbes, co-autor australiano, explica: “Uma possibilidade é que a galáxia tenha se formado a partir da colisão de duas galáxias espirais. Enquanto as estrelas pré-existentes nas galáxias iniciais foram lançadas em largas órbitas que criaram a forma de esmeralda, o gás afundou para o plano mediano, onde se condensou para formar novas estrelas e o disco que nós observamos.”
O que estamos vendo, portanto, é apenas uma parte de um longo e caótico processo de reorganização das estrelas (e planetas?) envolvidos. Depois de alguns milhões (ou bilhões) de anos de convulsão, a galáxia-esmeralda deve começar a mostrar uma aparência mais familiar.
Planetas Forever Alone
Quando os gregos antigos olhavam para o céu noturno, puderam perceber facilmente que nem tudo era fixo. Havia alguns astros estranhos, que não só se moviam, como se movimentavam erraticamente. A tais astros, os gregos deram o nome de planetas — πλανήτης [planétes] em grego, significa errante, andarilho. Com o tempo, porém, ficou claro que aqueles não eram meros andarilhos astrais. Com seus movimentos quase regulares, os planetas passaram a ser vistos como representações dos deuses — daí sua nomenclatura mitológica.
Ao longo do tempo, a disparidade da denominação de planeta foi se tornando cada vez maior. Como poderíamos continuar a chamar de “errantes” astros que, como descobrimos, nada têm de erráticos, pois são outros mundos com órbitas perfeitamente previsíveis e calculáveis? Descobrimos centenas de planetas fora do sistema solar e eles também não são nada erráticos. Mas quem disse que planetas só podem existir à sombra, ou melhor, à luz de um sol? Continue reading “Planetas Forever Alone” »
O céu está caindo?
De certo modo, sim. As nuvens da atmosfera terrestre estão ficando mais baixas, segundo dados de um satélite da NASA. Mas antes de soar alarmes apocalíticos, é bom saber que isso pode ser uma boa notícia.
Cientistas da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, analisaram medições de altitudes de nuvens feitas entre março de 2000 e fevereiro de 2010 pela sonda Terra, da NASA. Recém-publicada na Geophysical Research Letters, a análise revela uma tendência de diminuição generalizada na altitude das nuvens. Ao longo da década pesquisada, a média global de altitude de nuvens caiu cerca de 1%, o que equivale a algo entre 30 e 40 metros de diferença. A redução foi causada principalmente pela ocorrência menos frequente de nuvens em altitudes muito altas.

El Nino/La Niña parecem reforçar as variações observadas. (Imagem: University of Auckland/NASA JPL-Caltech)
Líder da pesquisa, o professor Roger Davies afirma que, embora ainda seja muito pouco para ser uma tendência definitiva, a variação observada pode indicar que está acontecendo algo importante nos céus da Terra. Uma queda consistente na altitude das nuvens poderia ajudar o planeta a se resfriar mais facilmente, com possível redução dos efeitos do aquecimento global.
Ao contrário do derretimento das calotas polares (que reforça o aquecimento), esse seria um processo de feedback negativo: uma mudança causada pelo aquecimento global que enfraquece-o. “Não sabemos exatamente o quê causa a diminuição na altitude das nuvens”, diz Davies. “Mas deve ser por causa de uma mudança nos padrões de circulação que dificulta a formação de nuvens em grandes altitudes.”
A sonda Terra deve continuar recolhendo dados sobre o clima até o fim da década e pode confirmar a tendência de queda das nuvens.
Com informações da NASA.
George Hale e seu Laboratório
No campo propriamente científico, sua descoberta de intensos campos magnéticos nas manchas solares o tornou a primeira pessoa a detectar um campo magnético extraterrestre. Hale também é lembrado como inventor do espectro-heliógrafo, um instrumento que permite aos astrônomos fazer observações detalhadas da química solar através de fotografias feitas em um único comprimento de onda.
Seu feito mais épico, porém, foi o planejamento e a fundação de três grandes observatórios. Ao construir o Yerkes Observatory em Winsconsin (em 1897) e os Observatórios de Monte Wilson (1904-08) e Monte Palomar (1928-48), na Califórnia, Hale conseguiu a façanha de construir o maior telescópio do planeta — três vezes seguidas. Só por isso, Hale é considerado pelos americanos como o responsável pelo surgimento da astrofísica moderna na América.
Após aposentar-se como diretor do Observatório de Monte Wilson, Hale encomendou a construção desse seu laboratório pessoal em Pasadena. Ele faleceu em 1938, aos 69 anos, mas importantes descobertas continuaram a ser feitas em seu laboratório pessoal, que foi legado ao Observatório de Monte Wilson.
Atualmente, o Laboratório Solar de Hale é um Monumento Histórico Nacional e sede do Mount Wilson Institute. Hale tornou-se também o nome de duas crateras (uma na Lua e outra em Marte) e do Ciclo Hale, o período de 22 anos de variação nas manchas solares.
>O Cometa-Kamikaze
>
O cometa-kamikaze pode se tornar tão brilhante quanto Jupiter ou Vênus quando for vaporizado. Infelizmente, a luz solar já é tão intensa que ofuscaria tal brilho efêmero. Felizmente, porém, temos observatórios solares no espaço e eles vão ter uma vista “de camarote” por nós. No domingo, o Lovejoy (não deixa de ser um nome sugestivo) entrou no campo de visão da sonda STEREO-B, da Nasa.
“Você pode ver claramente o cometa se aproximando diagonalmente através das imagens”, diz Karl Battams, do Naval Research Lab, que preparou a animação acima. “Durante a sequência de 16 horas, o brilho do cometa passa de magnitude +8 para aproximadamente +6,5.” Quanto menor a magnitude, mais brilhante e visível é um astro.
Logo, o cometa suicida ficará ainda mais brilhante. Segundo Battams, “Este cometa é um verdadeiro rala-sol e vai passar de raspão a cerca de 140.000 km (1,2 raio solar) acima da superfície solar em 15-16 de dezembro”. A uma distância tão próxima (pouco mais de um terço da distância Terra-Lua), o calor infernal da fornalha solar vai evaporar o núcleo de gelo, criando uma nuvem de vapor e poeira cometária que vai refletir bastante luz do Sol. O Observatório Solar e Heliosférico (SOHO) terá a melhor visão.
Update (15/12, 21h30) — Seguem abaixo duas imagens: (I) da situação ao amanhecer do dia de hoje e (II), da trajetória prevista para o cometa Lovejoy (C/2011 W3).
Update, 16/12, 23h — Fomos surpreendidos novamente! O núcleo do cometa Lovejoy se mostrou muito mais duro do que pensávamos. Mesmo com uma grande perda de massa por evaporação, o cometa-kamikaze não se desvaneceu. Após o voo rasante sobre o Sol, continuou sua trajetória rumo às profundezas obscuras do Sistema Solar.
>Nomeados mais dois elementos químicos
>
Segundo a série Periodic Videos (em inglês), o elemento 114 deverá homenagear Georgy Nikolayevich Flyorov (em russo: Гео́ргий Никола́евич Флёров, 1913-1990), físico nuclear soviético e fundador do Laboratório que leva seu nome, onde o Ununquadium foi descoberto em 1999. No entanto, dada a dificuldade de transcrição de nomes próprios do russo para línguas ocidentais, ainda não se sabe ao certo como será formado o nome. O mais provável é que seja Flerovium [símbolo: Fl] (Fleróvio, em português) derivado de Flerov, uma forma latinizada de Flyorov.
Embora também tenha sido descoberto no laboratório russo, o elemento 116 deve homenagear o laboratório norte-americano. Seria chamado Livermorium [símbolo: Lv] (ou Livermório). Há controvérsias, porém. Embora o recém-divulgado comunicado da IUPAC afaste essa possibilidade, em março deste ano fontes da imprensa russa disseram que o elemento 116 também seria batizado pelos russos e ganharia o nome de Moscovium [Mo?] (já que o Laboratório Flerov fica no oblast — ou distrito — de Moscou).
>Um empurrãozinho gravitacional
>
![]() |
| Modelo de variação gravitacional na superfície da Terra. Quanto maior (e mais vermelha) a deformação, maior a gravidade. |
Em qualquer experimento bem conduzido, relógios sincronizados são essenciais para uma marcação precisa do tempo. Se esses relógios não estiverem bem ajustados, mas forem usados para cálculos de velocidade, o resultado pode ser errado. O problema básico com os dados do OPERA, argumenta Contaldi, é que os relógios usados para medir a velocidade dos neutrinos não estavam adequadamente sincronizados.
Os relógios usados no experimento eram sincronizados via GPS. No entanto, segundo o crítico italiano, isso não é suficientemente preciso. Pode haver discrepancias porque a gravidade em diferentes lugares da superfície da Terra não é constante. A gravidade no local onde fica o CERN — na fronteira franco-suíça e não muito longe dos Alpes — e de onde os neutrinos saíram é ligeiramente maior do que a gravidade de onde fica o detector OPERA — no centro da Itália. Consequentemente, o tempo poderia parecer passar mais lentamente no CERN para quem estivesse no OPERA. Desconsiderar essa diferença, segundo Contaldi, significa que “a medição resultante da velocidade do neutrino diferente de c não é apenas pouco surpreendente, mas deveria ser esperada nesse contexto.”
Evidentemente, os cientistas do OPERA ainda não se deram por vencidos e dizem que Contaldi não descreve exatamente os meios pelos quais o grupo sincronizou seus instrumentos. Mas o OPERA aceitou o desafio e pretende revisar seu artigo para esclarecer este ponto. É uma briga das boas. Como toda boa ciência.
(via discoverynews via tumblr)












É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídio pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.