Patentes patéticas (nº. 101)

Em todos esses anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso nos acontece: uma patente patética sem ilustração. Mas a ideia de Yong Zou e Qiang Zou é tão simples que realmente pode dispensar desenhos ridiculamente esquemáticos. Membros de um tal de Shandong Institute for Product Quality Supervision & Inspection, os dois Zou são os criadores oficiais de uma nova droga (em ambos os sentidos do termo): Ginkgo Biloba L. leaves cigarette ou cigarro de folhas de Gingko Biloba: Continue lendo…

Patentes Patéticas (nº. 56)

boobie flask

Bom drinks!

Você é uma linda garota que procura manter-se sempre hidratada mas está cansada de carregar garrafinhas de água mineral ou de isotônico para cima e para baixo? Em vez da cabeça, mulher, use os peitos! Pelo menos esse é o conselho que Tracy B. Shailer lhe daria. Natural de Fort Lauderdale, Flórida, Shailer é a inventora do genial Brassiere Having Integrated Inflatable Bladders for the Holding of Comestible Liquids [Sutiã Equipado com Bolsas Infláveis e Integradas para Armazenamento de Líquidos Comestíveis], formado por Continue lendo…

Árvore mais velha da Flórida morre de overdose

Senator tree

Dorgas? Larguei...

Ou quase isso, já que árvores milenares não usam drogas. Apelidada de Senator, a segunda árvore mais velha dos Estados Unidos e quinta do mundo foi acidentalmente queimada por uma usuária de drogas. Era tão velha — a árvore, não a manola — que já estava de pé quando os gregos destruíram Tróia, quando os Olmecas eram uma potência na América, quando Salomão sucedeu a Davi e quando Stonehenge estava sendo construída.  Com cerca de 3.500 anos de idade e 36 metros de altura, o maior exemplar de Taxodium ascendens do leste dos Estados Unidos foi talvez a árvore mais azarada do último século.

Até ser atingido por um tornado em 1925, o venerando vegetal tinha 50 metros de altura e era um ponto de referência apenas para os índios do local. Dois anos depois de ser semi-destruída, foi transformda em atração turística por motivos políticos. Em 1927, a área onde a árvore ficava foi comprada por Moses Overstreet, senador estadual da Flórida, e doada ao condado de Seminole para a formação de um parque — daí o apelido Senator. Em 1945, parte da cerca e da placa que a protegiam foram roubadas e nunca foram recuperdas.

Numa noite de janeiro último, o acidente fatal: Sara Barnes, de 26 anos, estava fumando metanfetamina com uma amiga em um buraco dentro da Senator quando resolveu acender uma fogueira para “enxergar melhor”. Obviamente, a fogueira saiu de controle e consumiu a árvore de dentro para fora.

Nada foi percebido até a manhã de 16 de janeiro, quando as chamas surgiram no topo da Senator. Os bombeiros do parque tentaram extinguir o incêndio, mas a grande árvore não resistiu ao próprio peso e desabou. Apenas um toco de no máximo 6 metros de altura sobrou e não se sabe se ainda está vivo. Mrs. Barnes foi presa em 28 de fevereiro e disse em depoimento que “não acredita ter queimado uma árvore mais velha que Jesus.” E você aí, achando que sua noitada de sexta pra sábado é que foi embaraçosa…

senator stump

...agora virei cinzas!

A flora fatal de Alnwick

these plants can kill

(Imagem: flickr/Jax60)

O que você faria com o jardim de um castelo inglês recém-herdado? Um jardim botânico, com estufas e plantas de todo o mundo seria um pouco clichê… Que tal soltar o lado negro da força e criar um jardim de venenos? Foi exatamente essa a ideia de Jane Percy.

Até 1995, Mrs. Percy era uma dona-de-casa relativamente comum e mãe de quatro filhos. Com a morte do irmão de seu marido, a família herdou seus títulos de nobreza. Como era a esposa do 12º. duque de Nothumberland, Mrs. Percy tornou-se duquesa da noite pro dia.

Ao inspecionar os jardins do recém-herdado Castelo de Alnwick, a nova duquesa  encontrou uma área bastante abandonada, mas já fora um belo jardim ornamental, que remontava aos tempos do primeiro duque, por volta de 1750. Ela decidiu restaurar o jardim, mas queria fazer algo diferente.

Inicialmente, o jardim seria dedicado às plantas medicinais usadas por velhos apotecários. No entanto, a duquesa mudou de ideia ao estudar a história desses tipos de jardim. Inspirada pelos Medici, que criavam venenos em um jardim de Pádua, ela passou a se interessar por vegetais venenosos e perigosos. E o que seria uma plantação de ervas medicinais tornou-se uma plantação de ervas malignas.

Atrás de grandes portões negros a duquesa-herbolária mantém uma flora fatal: Atropa belladonna (beladona), Strychnos nux-vomica (noz vômica, noz vomitória ou fava-de-santo-inácio), Conium maculatum (cicuta) e mais uma centena de plantas que causam a morte e/ou doenças.

keep off the cannabis

Ironia é ter que prender a maconha pra ninguém levar (Imagem: flickr/CrossDuck)

Além de venenos, também há dorgas, manolo! plantas que são consideradas perigosas por seus efeitos narcóticos, como tabaco, Papaver somniferum (ópio), Erythroxylum coca (folhas de coca, cocaína), Cannabis sativa (preciso explicar?), Arthemisia absinthium e cogumelos alucionógenos. As drogas ilegais são cultivadas com autorização especial.

Como há plantas que matam apenas por serem tocadas, os visitantes precisam ter muito cuidado. Como também há ervas que podem ser roubadas, a segurança precisa ser reforçada. É por isso que alguns exemplares são criados em jaulas e vigiados 24 horas por dia.

O jardim dos venenos foi inaugurado em 2005 e é apenas um dos diversos setores dos Alnwick Gardens. Outras atrações dos jardins incluem uma enorme casa-da-árvore e um labirinto vivo feito de bambu. Além de atrações mas banais como um museu de antiguidades, Alnwick é notável por ser o segundo maior castelo habitado da Inglaterra e por ter sido uma das locações usadas nas filmagens de Harry Potter.

>Patentes patéticas (nº. 30)

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Não é raro que algumas das maiores criações da mente humana sejam feitas sob efeitos de substâncias (lícitas ou não). Mas inventar sob efeito do álcool, por exemplo, pode ter resultados patéticos em vez de geniais.

O “cubo de gelo iluminado a bateria” do chinês Cheng Feng Liu é um desses casos. À primeira vista, um cubo de gelo brilhante deve parecer uma ideia genial para uns bons drink. Antes de fazer um brinde a Liu, veja a descrição:

Um iluminável (sic) cubo de gelo eletrônico, contendo um invólucro externo, uma unidade interna, LED, placa de circuito, bateria, tampa superior e cobertura da bateria. O invólucro externo tem uma forma natural de cubo de gelo, com lados ondulados. A unidade interna está ajustada com o invólucro e contém uma base, um suporte elevado e um iluminável cilindro translúcido fixado no suporte elevado. Uma câmara na unidade interna atravessa a base, o suporte elevado e o cilindro translúcido. O LED é ajustado ao cilindro translúcido e a placa de circuito fica debaixo do LED e a bateria debaixo da placa.

Até aí, Liu parece bastante sóbrio. Mais adiante, na explicação do conceito, essa sobriedade cai por terra: “[o] propósito dessa invenção é prover um cubo de gelo eletrônico e luminoso que é um substituto do cubo de gelo natural com [a] bateria substituível.” Bem, até onde se sabe, o gelo comum não necessita de pilhas, muito menos de troca de pilhas. No entanto, indo além da ambiguidade da frase anterior, Mr. Liu continua demonstrando seu alto teor alcoólico no texto da patente nº 6.966.666 (atentem para a infelicidade do número), emitida em 22 de novembro de 2005:
Frequentemente, em uma festa ou festival, uma atmosfera festiva é desejável, como o acendimento de velas ou lâmpadas de cor iluminadas. Ou às vezes as pessoas põem cubos de gelo em copos de vinho (WTF???), com o que obtêm um efeito decorativo bem como mantêm o vinho gelado. Mas o uso do cubo de gelo natural não é de baixo custo e o efeito decorativo é limitado.
Apesar da falta de sobriedade, Mr. Liu tem razão em um ponto: o uso de gelo comum não custa pouco. Afinal, antes de fazer gelo, é preciso comprar uma geladeira inteira, o que é uma ideia absurda! Mas se a beleza do gelo cinzento — mesmo quando ondulado — parece limitada, sempre há a opção de usar corantes (Tang, por exemplo).

>Patentes patéticas (nº. 27)

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Não é de hoje que os fumantes sofrem (e são incompreendidos), sendo levados a restrições de ordem social, como acender seu cigarrinho e relaxar apenas em áreas privadas ou em zonas para fumantes. Preocupado com essa “segregação” dos fumantes, o californiano Walter C. Netschert resolveu fazer algo para resolver o problema.

Já que largar o vício (que vício?) nem sempre é uma ideia agradável, Mr. Netschert criou um meio para acabar com o isolamento de quem fuma. Assim, em 25 de maio de 1988, ele entrou com pedido de patente para um “Chapéu para Fumantes”, descrito como
 

Um sistema de chapéu portátil que permite o fumo de produtos à base de tabaco sem afetar o ambiente e que inclui um chapéu para cobrir a cabeça do fumante, um ventilador integral para sugar o fluxo de ar ambiente (contaminado e não-contaminado) que passa pela face do fumante para o interior do cahpéu, um sistema de filtração, deionização e purificação para remoção dos produtos de combustão, como odores de fumaça e íons positivos do ar sugado do ambiente e um sistema de exaustão para expelir do chapéu o ar filtrado, deionizado e, opcionalmente, aromatizado.

Em resumo, Mr. Netschert criou um chapéu-trambolho (que mais parece uma cafeteira elétrica) para transformar a fumaça de cigarro em uma brisa de ar fresco — se necessário, pode até sair perfumado! Tão prático quanto colocar na cabeça um exaustor de fumaça, daqueles que se usavam sobre os fogões ou chapas! 
Segundo a patente — de número 4.858.627, emitida em 22 de agosto de 1989 —, o invento surgiu porque “enquanto o consumo de produtos de tabaco, como cigarros, tem sido bastante popular ao longo dos anos, um crescente número de não-fumantes consideram o aroma da fumaça do cigarro e a cinza produzida em consequência do fumo bastante inaceitáveis.”

Porém, o que deve ter parecido inaceitável para Mr. Netschert foi quando empresas e até o governo passaram a regulamentar o fumo, “limitando severamente o uso de produtos de tabaco e, em muitos casos, afetando diretamente os hábitos de trabalho, a eficiência e a potencial promoção e/ou contratação” dos “desafortunados fumantes típicos”. Parece que há alguma frustração de um fumante desempregado por trás do invento.

“Por causa das crescentes mudanças sociais de nossa sociedade”, prossegue o texto, quase em tom de manifesto tabagista-conservador, “há uma necessidade para um equipamento que coloque o fumante e o não-fumante em pé de igualdade. A presente invenção cumpre esse papel. Um sistema portátil em um chapéu é apresentado aqui para permitir o fumo de produtos de tabaco sem incomodar ou ameaçar os vizinhos não-fumantes.”

Interessante notar como o tempo todo a patente fala claramente que se destina aos usuários de cigarros de fumo ou tabaco, devidamente legalizados, não havendo nenhuma palavra sobre certo tipo de cigarro ilícito (ou defesa da socialização de seus usuários)…

>Beer House, a Casa de Cerveja

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John Milkovisch adorava cerveja. Mais que um simples bebedor, porém, ele era um amante fiel do líquido dourado (ou não…) produzido pelo Saccharomyces cerevisiae. Ele bebia um fardo de meia-dúzia de latinhas todos os dias — e depois guardava cada uma delas.

A barriga já diz tudo sobre Mr. Milkovisch

Apesar disso, ele também não era um colecionador fanático, daqueles que buscam as cervejas (e latas) mais raras ou estranhas do mundo. Ele simplesmente bebia e guardava aquilo que podia comprar. Aposentado no fim dos anos 1960, Milkovisch não queria se livrar de nenhuma latinha, mas sabia muito bem que não tinha espaço ilimitado para guardá-las.
Detalhe da cerca

No começo, Milkovisch revestiu as paredes externas e o topo da chaminé com suas latinhas. Obviamente ele continuava a beber e por isso teve buscar bons usos para as milhares de latas de cerveja que juntou. Com elas, ele fez móbiles, cercas, esculturas e cata-ventos. Os anéis foram usados para fazer cortinas.

Ao morrer, em 1988, John Milkovisch passou cerca de dezoito anos “encervejando” sua casa, sua cerca e até seu jardim com quase 39.000 latinhas.
“Algumas pessoas chamam isso de escultura”, disse Milkovich. “mas eu nunca tive que ir para uma escola caríssima para aprender essa loucura.”
 
Estudar Arte Moderna é para os fracos.
 
OBS: se você quiser visitar a Beer House (nem que seja pelo Google Maps), aqui está o endereço: 222 Malone, Houston, Texas, United States.

>O primeiro fumante

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O hábito de fumar tabaco nem sempre existiu — na verdade, nem é tão antigo: data do século XVI —, então é possível saber quem foi o primeiro fumante.
O tabaco foi levado à Europa em 1518 (ou 1523) pelos espanhóis que o descobriram na América. Por volta de 1559, o embaixador da França em Portugal, Jean Nicot (donde nicotina), enviou as primeiras amostras do que considerava uma planta medicinal para Paris. De lá, o fumo se espalhou pelo continente, mas era mascado ou moído e cheirado (rapé). Copiando os índios norte-americanos, Sir Walter Raleigh foi o primeiro a fumar tabaco em um cachimbo. Evidentemente, ele não foi muito compreendido:
O tabaco foi introduzido na Inglaterra por Sir Walter Raleigh. Por cuidado, ele manteve às escondidas o hábito de fumar, pois não pretendia ser copiado. Mas certo dia, durante profunda meditação e com um cachimbo na boca, ele chamou seu empregado, pedindo-lhe uma pequena caneca de cerveja. O servo, ao entrar em seu quarto, jogou toda a bebida na face de seu mestre e saiu correndo pelas escadas, gritando: “Fogo! Socorro! Sir Walter estudou até incediar sua cabeça! Ele solta fumaça pela boca e pelo nariz!”

— William Keddie [editor], Cyclopaedia of Literary and Scientific Anecdote, 1854
Em tempo: por incrível que pareça, o fumo chegou ao Japão antes de alcançar a França. Marinheiros portugueses levaram a planta para a terra do sol nascente em 1542.

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