Contraproposta

Em 1744, após fazer um convite para que os nativos americanos mandassem alguns jovens índios para estudar em suas faculdades numa espécie de intercâmbio, o College of William & Mary, da Colônia de Virgínia, recebeu a seguinte resposta:

Nós sabemos que vós estimais altamente o tipo de educação que ensinam nesses Colleges e que a Manutenção de nossos jovens Homens, junto a vós, vos seria bastante cara. Nós estamos convencidos, portanto, que vosso objetivo é fazer-nos o Bem com vossa Proposta e nós vos agradecemos ternamente. Mas vós, que sois sábios, deveis saber que diferentes Nações têm diferentes Concepções das Coisas. E vós não deveis, portanto, considerar erradas nossas Ideias desse tipo de Educação por não serem iguais às vossas. Nós já tivemos alguma Experiência com ela: Muitos de nossos jovens foram antigamente levados aos Colleges das Províncias Nortistas. Eles receberam instruções em todas as suas Ciências, mas quando retornaram a nós, eles eram maus Corredores, ignorantes de todos os meios de se viver nas Florestas, incapazes de suportar o Frio ou a Fome, nada sabiam sobre como construir uma Cabana ou capturar um Veado ou matar um Inimigo; falavam nossa língua imperfeitamente e, portanto, não estavam preparados para ser Caçadores, Guerreiros ou Conselheiros. Eles eram totalmente bons em nada. Nós, porém, agradecemos vossa gentil Oferta, apesar de não aceitarmo-na. E, para demonstrar nosso Senso de gratidão, se os Gentlemen de Virgínia nos mandarem uma Dúzia de seus Filhos, nós tomaremos grande Cuidado de sua Educação, instruindo-os todos em tudo que conhecemos e fazendo deles Homens.

Mais de dois séculos e meio (e três revoluções científicas) depois, ainda há americanos para os quais os universitários são “totalmente bons em nada”. E esses americanos críticos das universidades não são exatamente nativos — há até (pré-)candidato a presidente que considera os colleges inúteis.

>Algumas coisas nunca mudam

>Eis uma descoberta arqueológica sensacional (para não dizer fofa):

Este é um pedaço de casca de bétula com algumas incrições. Foi localizado na Rússia em 1951 e data do século XII. Não é nenhum documento histórico importante, mas, para estudantes de todo mundo tem um valor sentimental inestimável. Ou pelo menos deveria ter. 
Trata-se de uma das primeiras lições de escrita de um menino de 6 anos chamado Onfim. Mas seu valor não está naquelas letras (para nós estranhas) ainda inseguras e improvisadas e sim naquelas figuras humanas rabiscadas no meio do fragmento.

O menino Onfim não foi o primeiro, nem o único garoto a ficar desenhando entediado durante uma aula. Quase um milênio depois, nós ainda somos capazes de entendê-lo perfeitamente pois continuamos a fazer a mesma coisa…

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