LHC joga a toalha na caça às dimensões extras
Depois de ter sido nocauteado por uma simples migalha de pão, era de se esperar que o bilionário LHC tivesse encontrado ao menos alguma sombra de evidência de dimensões desconhecidas. Agora, em dois artigos publicados na Physical Review Letters, os responsáveis pelo detector CMS do LHC admitem que o gigantesco acelerador situado na fonteira franco-suíça pode não servir como portal. Continue reading “LHC joga a toalha na caça às dimensões extras” »
A Aposta de Feynman-Weisskopf
Quando Richard Feynman foi laureado com o Prêmio Nobel de Física em 1965, um de seus amigos ficou preocupado com seu futuro. Victor Weisskopf, que era diretor do CERN, sabia de duas coisas: (1) Feynman detestava trabalhos administrativos e (2) esse era o destino de muitos cientistas após o auge da carreira, numa espécie de aposentadoria (voluntária ou não). Por isso, Weisskopf fez Feynman assinar, diante de testemunhas, os termos da seguinte aposta:
Mr. FEYNMAN irá pagar a soma de DEZ DÓLARES a Mr. WEISSKOPF se, a qualquer tempo durante os próximos DEZ ANOS (i.e., antes do DIA TRINTA E UM DE DEZEMBRO de MIL NOVECENTOS E SETENTA E CINCO), o referido Mr. FEYNMAN vier a ocupar uma “posição responsável.”
Para os propósitos da APOSTA supra, a expressão “posição responsável” deverá ser interpretada como significando uma posição que, por razões de sua natureza, obriga o detentor a emitir instruções a outras pessoas sobre a execução de certos atos, não obstante o fato de que o detentor não tenha qualquer entendimento daquilo que ele esteja instruindo as ditas pessoas a cumprir.
Feynman — que dizia que administração é uma “doença ocupacional” — leu e concordou com os termos da aposta. Vencido o prazo estipulado, e verificando-se que Mr. Feynman não se tornou um administrador, ele ganhou os 10 dólares de Mr. Weisskopf em 1976.
O Paradoxo do Chá
Você já tomou chá feito com folhas (e não com saquinhos)? Se sim, você já notou como as folhas de chá têm um estranho comportamento enquanto você as mexe com uma colher na água quente? Em caso negativo, da próxima vez que for fazer seu chá, use folhas e observe: elas tendem a migrar para o centro e para o fundo da xícara, ao contrário do que seria de se esperar quando se tem uma força centrífuga espiral. Não está claro desde quando o fenômeno é conhecido (nem se foi notado por Lewis Carroll), mas ele foi solucionado por ninguém menos que Albert Einstein em 1926.
Mas não é preciso ser um gênio para entender o fenômeno. Todo mundo sabe que agitar o líquido na xícara o faz girar dentro dela. Para que se mantenha essa trajetória curvada, uma força centrípeta (para dentro) é necessária. Isso se dá através de um gradiente de pressão externo (pressão maior fora do que dentro).
Entretanto, perto do fundo da xícara e das bordas, o líquido sofre os efeitos da fricção. Não importa quão lisa pareça a sua xícara, ela sempre vai ter algum atrito com a água do chá. Nesse ponto, a força centrífuga (para fora) enfraquece, pois a velocidade do líquido cai e o gradiente de pressão torna-se predominante.![]()
Porém, graças à força centrífuga é que a pressão é maior ao longo da borda do que no centro da xícara. Se o líquido como um todo rotacionasse como um corpo sólido, a força centrípeta anularia a centrífuga e não haveria qualquer movimento quer para dentro quer para fora. (E você bebe porque é líquido; se fosse sólido, comê-lo-ia).
No fundo da xícara, a rotação também é mais lenta. Portanto, o gradiente de pressão cria um fluxo para dentro. Na superfície, o líquido move-se como o vemos: para fora. É esse fluxo secundário que faz as folhas agruparem-se no centro, depois em cima, nas bordas, e perto do fundo. Como as folhas são pesadas demais para ficar na superfície, elas tendem a ficar no meio.
>Um empurrãozinho gravitacional
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| Modelo de variação gravitacional na superfície da Terra. Quanto maior (e mais vermelha) a deformação, maior a gravidade. |
Em qualquer experimento bem conduzido, relógios sincronizados são essenciais para uma marcação precisa do tempo. Se esses relógios não estiverem bem ajustados, mas forem usados para cálculos de velocidade, o resultado pode ser errado. O problema básico com os dados do OPERA, argumenta Contaldi, é que os relógios usados para medir a velocidade dos neutrinos não estavam adequadamente sincronizados.
Os relógios usados no experimento eram sincronizados via GPS. No entanto, segundo o crítico italiano, isso não é suficientemente preciso. Pode haver discrepancias porque a gravidade em diferentes lugares da superfície da Terra não é constante. A gravidade no local onde fica o CERN — na fronteira franco-suíça e não muito longe dos Alpes — e de onde os neutrinos saíram é ligeiramente maior do que a gravidade de onde fica o detector OPERA — no centro da Itália. Consequentemente, o tempo poderia parecer passar mais lentamente no CERN para quem estivesse no OPERA. Desconsiderar essa diferença, segundo Contaldi, significa que “a medição resultante da velocidade do neutrino diferente de c não é apenas pouco surpreendente, mas deveria ser esperada nesse contexto.”
Evidentemente, os cientistas do OPERA ainda não se deram por vencidos e dizem que Contaldi não descreve exatamente os meios pelos quais o grupo sincronizou seus instrumentos. Mas o OPERA aceitou o desafio e pretende revisar seu artigo para esclarecer este ponto. É uma briga das boas. Como toda boa ciência.
(via discoverynews via tumblr)
>Físico Felino
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Quando terminou de datilografar o manuscrito (peraí, não seria datilografar a datilografia?) de um artigo, o físico J. H. Hetherington percebeu que havia cometido um pequeno deslize estilístico. Tudo estava escrito na primeira pessoa do plural. O problema é que, muito apropriadamente, a revista Physical Review Letters não aceita papers de um único autor redigidos com nós — nem mesmo em casos de plural de modéstia.
>Prêmio Nobel de Publicidade
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>A Física está "amolecendo"?
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| Einstein e Lévi-Strauss: quem teve mais espírito científico? |
John Horgan levantou uma intrigante questão epistemológica no site da Scientific American: A Física teórica está se tornando uma ciência mais soft que a Antropologia?
| John Horgan: ele acha que o pessoal das exatas está teorizando demais |
antropologistas reúnem dados — pela observação de caçadores na floresta amazônica, pela escavação de um assentamento neolítico na Jordânia, pelo datamento por radiocarbono de um maxilar de Ardipitecus encontrado na Etiópia — e tentam compreender o que tudo isso quer dizer. Esse ato envolve muita interpretação, imaginação e, portanto, subjetividade, resultando em teorias altamente especulativas [...] Mas mesmo a mais hermenêutica antropologia ainda se ocupa de coisas reais: primatas de verdade em lugares de verdade.
| Sheldon Cooper, protagonista de The Big Bang Theory, é o arquétipo do Físico Teórico. |
>Espetáculo do crescimento
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Suponha que em uma única noite todas as dimensões do universo tornem-se mil vezes maiores. O mundo vai continuar bastante similar a si mesmo, se nós dermos à palavra similar o sentido que ela tem no terceiro livro de Euclides. O que antes tinha um metro de comprimento, agora medirá um quilômetro, e o que tinha um milímetro terá um metro. A cama na qual eu dormi e meu próprio corpo terão crescido na mesma proporção. Quando eu acordar na manhã seguinte, qual será a minha expressão diante de tamanha transformação? Bem, eu não devo notar absolutamente nada. A mais exata medida será incapaz de revelar qualquer coisa dessa tremenda mudança, pois as fitas métricas que eu uso terão variado na mesma e exata proporção dos objetos que eu tentar medir.— Henri Poincaré, Science and Method, 1908.
>Faster-than-light
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A luz cruza o espaço com a prodigiosa velocidade de 6.000 léguas por segundo. (La Science Populaire, Abril de 1881)
Um erro tipográfico caiu em nosso último número e é importante corrigi-lo: a velocidade da luz é de 76.000 léguas por hora — não 6.000. (LSP, Maio de 1881)
Uma nota corrigindo um erro apareceu em nosso número 68 indicava que a velocidade da luz é de 76.000 léguas por hora. Nossos leitores corrigiram esse novo erro: a velocidade da luz é aproximadamente 76.000 léguas por segundo. (LSP, Junho de 1881)
>Pergunta Eternamente Inquietante
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Em que unidade se mede o fluxo do tempo? Segundos por — o quê??





É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídio pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.