Patentes Patéticas (nº. 107)

Ser filho único deve ser uma coisa triste. Você pode até ter os brinquedos que quiser e não precisar dividi-los com ninguém, mas há brinquedos que só têm graça quando são compartilhados. Pior ainda: há pais que preferem criar forever-alones desde criancinha a deixar seus pimpolhos correr o risco de, por exemplo, cair da gangorra do parquinho. Se isso parece exagero, é porque você ainda não conhece a Solo-operable seesaw [Gangorra solo-operável] inventada por Dale e Michael Boudreaux: Continue lendo…

Patentes Patéticas (nº. 89)

http://www.google.com/patents/US4173016Timidez é um problema muito sério, mas soluções não faltam. Carlisle H. Dickson pode até ter sido um tímido bastante introvertido, mas o caso dele deve ter sido o mais sério de todos. Ispo facto, Dickson é o criador do Interpersonal-introduction signalling system [Sistema de sinalização e apresentação interpessoal]: Continue lendo…

Patentes Patéticas (nº. 86)

http://www.google.com/patents/US6387064

Arranje solas ocas, cânulas e uma mão de borracha. Parece uma daquelas ideias malucas que sempre aparecem no final de Kenan & Kel, mas não é. Quem teve a ideia de juntar essas coisas (e patenteá-la) foi Brent Gunnon. Sua invenção é o Foot pump powered neck massaging device [Dispositivo massageador de pescoço movido a bomba pedal], formado por Continue lendo…

>Patentes Patéticas (nº 13)

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Essa é para você, que é um sujeito multi-tarefas: tomar banho é um saco, não é mesmo? Ou pra você que tem um saco de dormir mas nunca o usou por que ninguém te convida pra acampar…
Enfim, se você realmente não quer perder tempo debaixo do chuveiro ou na banheira, é melhor usar esse “simples, econômico e portátil aparato de banho sanitário”, patenteado em 1913. Basta encher seu saco de banho (ou de dormir, se ele for impermeável) com água e sabão, entrar e puxar a cordinha para fechá-lo. Durante seu banho, você pode tomar um ônibus, fazer as compras, compor uma elegia, dormir — ou simplesmente navegar na internet.
Dica: “Alternando agachar e levantar dentro do saco ou rolando com o mesmo sobre uma cama ou o chão [...] o líquido na referida bolsa [...] pode simular as ondas do mar e assim prover gratificação ao banhista.” #senteamaresia

>Patentes Patéticas (nº 07)

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Pelo visto Kate Perry foi modelo para desenhos de patentes antes da fama…

Deloris Gray Wood nunca deve ter sido beijada. Essa é a melhor explicação que eu tenho para a invenção que ela registrou em 1998, o “escudo para beijar” (patente nº. 5727565, de 17 de março de 1998):

É um costume quando beijamos entrar em contato com os lábios de outra pessoa e, em certas culturas, beijar também as bochechas. Dessa forma, os germes podem ser transmitidos de uma pessoa a outra. Um dos aspectos dessa invenção é que, caso um beijo seja necessário ou apropriado, a pessoa possa se proteger dos germes presentes na saliva ou outras secreções que possam ser transmitidas pelo beijo.

Ou talvez Ms. Gray Wood seja extremamente feia paranóica. Independente disso, ela foi bastante visionária: também há uma versão com “um pequeno bolso para acomodar a língua de uma das pessoas e permitir o beijo de língua.” (fig. 3, abaixo). A invenção de Wood ainda pode ser usada, segundo a patente, por “um político que beija bebês”. Não sabemos se a proteção é politicamente correta ou não — até agora, nem o político mais “Caco Antibes” adotou a geringonça.

>Em uma palavra [52]

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monopsônia
subst. fem. uma situação de mercado na qual há apenas um comprador e diversos fornecedores; o oposto de monopólio. [do grego mono = um, único + opsonia = compra de comida]

>Patentes Patéticas (nº 05)

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Aloha! Quer surfar em terra firme, mas acha skate too mainstream? O “aparato gerador de ondas” patenteado por Rick Hilgert em 1995 é a solução dos seus problemas, brother
Uma centrífuga horizontal gigante — oito metros de diâmetro — cria “uma simulação contínua de onda do tipo oceânico que permitirá a prática de body-surfing, boogie-boarding e/ou surfboarding.” É issaí: tu literalmente entra num tubo perfeito a qualquer hora do dia e sem sair do quarto! (tubarões não inclusos)
Depois que tu enjoar do teu secret point — como aconteceu com aquela bicicleta ergonômica aí do lado —, sua mãe ainda pode usar o mesmo equipamento para ganhar uma grana lavando a roupa da vizinhança inteira… Não é um barato?

>"Tá na mesa, pessoal!!"

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Lord [Francis Henry] Egerton [1756-1829] é um homem de poucos amigos e desses, poucos foram os que chegaram a entrar em sua sala de jantar. Entretanto, sua mesa está sempre posta com uma dúzia de pratos. Quem, então, são seus privilegiados convivas? Nada menos que uma dúzia de seus cães favoritos, que, sentados gravemente em suas cadeiras, cada um com um gurdanapo à volta do pescoço, tomam parte diariamente do jantar do lorde, com um servo pronto a atender as vontades do senhor.
— John Timbs, English Eccentrics and Eccentricities [Excêntricos e Excentricidades Ingleses], 1875

Eu juro que lembrei da TV Colosso quando encontrei isso… #anos90

>Fim-de-semana

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Sad, but true

>Forever Alone Jurídico

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Em 1985, Oreste Lodi, então com 61 anos, encontrou uma nova maneira de levantar seus próprios fundos (financeiramente falando): ele entrou com um processo contra si mesmo. No processo aberto na Corte Superior de Shasta County, Califórnia, Lodi apontou-se como parte acionada e como parte acionante. Como o acionado não respondeu à denúncia, houve um julgamento incomum: Lodi v. Lodi. O caso foi resumido da seguinte forma (em inglês):


In a complaint styled “Action to Quiet Title Equity,” plaintiff named himself as defendant. The pleading alleged that defendant was the beneficiary of a charitable trust, the estate of which would revert to plaintiff, as “reversioner,” on notice.

Plaintiff attached as exhibit A to his complaint a copy of his birth certificate, which he asserted was the “certificate of power of appointment and conveyance” transferring reversioner’s estate to the charitable trust. Plaintiff went on to allege that for 61 years (since plaintiff/defendant was born), defendant has controlled the estate, that plaintiff has notified defendant of the termination of the trust, and requested an order that plaintiff was absolutely entitled to possession of the estate, and terminating all claims against the estate by any and all persons “claiming” under defendant.

When defendant/beneficiary failed to answer, plaintiff/reversioner had a clerk’s default entered and thereafter requested entry of a default judgment. At the hearing on the entry of a default judgment, the trial court denied the request to enter judgment and dismissed the complaint.
(Superior Court of Shasta County, No. 82350, William R. Lund, Jr., Judge.)

Também em inglês, um estudo sobre o processo Lodi v. Lodi pode ser visto aqui (em pdf).
Em português claro: o Sr. Oreste Lodi alegou que, ao nascer, todos os seus bens teriam sido transferidos para um fundo de caridade que teria duração de 61 anos e seria administrado por ninguém menos que Oreste Lodi.
O que o espertalhão decidiu fazer foi executar judicialmente o tutor dos seus bens (ele-mesmo), pedindo a devolução de suas propriedades. Mais tarde, estudiosos de Direito notaram que o caso é absurdo não por uma questão de lógica simples, mas porque:  a) o documento apresentado (a certidão de nascimento) não tinha qualquer valor jurídico no caso de uma cobrança judicial de uma dívida; e b) mesmo que a certidão tivesse alguma importância no caso, Lodi não apenas anulava  um fundo de caridade, (na verdade inexistente) mas também pedia, implicitamente, a anulação de seu nascimento!
Quando a corte local desistiu do caso, Lodi ainda recorreu ao Terceiro Distrito de Apelações, preenchendo fichas como ambas as partes do processo. Infelizmente, a corte de apelações considerou o caso Lodi “uma denúncia frívola e bêbada”.
EPIC WIN ou EPIC FAIL?
Depois, o Lodi-réu passou a exigir que apenas o Lodi-requerente pagasse as custas do processo. Embora tenha considerado o caso todo como absurdo, o tribunal foi bem espertinho ao determinar o que fazer com os custos do processo:
Nós consideramos que o requerente/réu/beneficiário deveria receber as custas de seu processo para que possa se recupar de si mesmo. No entanto, nós acreditamos que a igualdade seria melhor servida requerendo que cada parte custeie seus próprios custos do processo.
Ou seja: o tribunal não reconheceu a diferença entre as partes para julgar a ação, mas considerou válida a cobrança dos custos para duas entidades distintas!
forever alone face
Porém, nem tudo ficou #FFFFFFFFFUUUUUUUU…. A astúcia de Lodi foi reconhecida pelo tribunal: “Esse resultado não pode ser injusto para Mr. Lodi.”, dizia o processo. “Embora seja verdade que, como demandante e recorrente, ele perca, é igualmente verdadeiro que, como réu e respondente, ele ganha! É difícil imaginar uma aplicação mais imparcial da justiça.”

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