>“Alimentos no Ano 2000”

>

Em 1894, o Professor (e Químico-Orgânico) francês Marcelin Berthelot publicou um artigo com o título acima na McClure’s Magazine. Seriamente entusiasmado, ele previa um mundo no qual a Química substituiria integralmente a Agricultura como fonte de sustento alimentar dos seres humanos:

Campos de trigo e de milho estão para desaparecer da face da terra porque farinha e carne não serão mais criadas, mas fabricadas. Rebanhos de gado, de ovelhas e de suínos deixarão de ser criados poque o bife, a carne de carneiro e a de porco serão manufaturadas diretamente de seus elementos. Não há dúvidas de que frutas e flores continuarão a ser cultivadas, mas apenas como pequenas luxúrias decorativas e não mais como fontes necessárias de alimento e ornamentação. Não haverá, nos grandes trens aéreos do futuro, vagões de grãos ou gado, pois os elementos fundamentais dos alimentos existirão por toda parte, sem precisar de transporte. O carvão não será mais extraído do solo — com exceção, talvez de transformá-lo em pão ou carne. Os motores das grandes indústrias alimentícias serão movidos não por combustão artificial, mas pelo calor subjacente ao globo.

Em resumo, o que o Prof. Berthelot (1827-1907) previa era que hoje estaríamos nos alimentando de pílulas concentradas com proteínas, gorduras e carboidratos sintetizados em fábricas movidas a energia geotérmica!

Pode parecer mera loucura (ou um clichê futurista bastante desgastado), mas havia um verdadeiro zeitgeist em torno de comidas em pílulas no fim do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. O jornal Homestead (de Des Moines, Iowa), por exemplo, anunciava em sua edição de 29 de março de 1895 que “até um homem tão puramente prático como Edison tem se dedicado a profecias sobre um tempo no porvir no qual a agricultura inexistirá; quando o beefsteak do futuro será produto da química em lugar do produtor de gado.”
Além do medo provocado pelo mathusianismo (a expectativa de que logo a população humana se tornaria maior do que a agricultura poderia suportar), a crença num futuro de comida sintética pode ter vindo de fontes feministas. Em 1893, a feminista vegetariana e ativista política Mary Elisabeth Lease (1853-1933) já defendia que alimentos originados de laboratórios seriam benéficos tanto às mulheres quanto aos animais. De modo um tanto romântico, porém, ela previa que, por volta de 1993, os abatedouros e frigoríficos  seriam convertidos em “conservatórios e campos floridos”.
Em um livro bem mais recente, publicado em 2006, Warren Belasco analisa os medos e esperanças da virada de século passada. Eis um excerto de Meals to Come: A History of Future Food [Refeições do Porvir: Uma História do Futuro da Comida]:
Similarmente, em 1893 o primeiro Secretário [Ministro] de Agricultura dos EUA, Jeremiah Rusk, previa que avanços na agricultura tradicional poderiam aumentar seis vezes a produção — talvez o bastante para alimentar até um bilhão de americanos por volta de 1990.
A afirmativa de Rusk era parte de uma série de colunas de jornal publicadas nacionalmente com o intuito de transmitir o imenso espírito cornucópico da Exposição Mundial de Chicago de 1893. A maioria dos 74 especialistas consultados pela série assumiam confidentemente que tecnologias mais modernas  variando entre a mais convencional seleção de sementes e a favorita da ficção-científica, a refeição-numa-pílula — poderiam facilmente alimentar os 150 milhões de americanos esperados para 1993 (número real: 256 milhões).
Ironicamente, porém, o século XX veria uma pílula que libertaria as mulheres e revolucionaria o modo de vida de toda a sociedade. Mas, como todo mundo sabe, essa pílula não tem fins alimentícios…

>Auto-atendimento bancário (1938)

>

Se você acha que a sociedade moderna já é excessivamente sedentária e dependente dos automóveis, a coisa poderia ser bem pior se essa ideia de “auto-atendimento” tivesse decolado:

Banco oferece serviço drive-in
Para responder às necessidades e à conveniência de seus clientes motorizados, o Security-First National Bank de Los Angeles construiu uma agência drive-in. Neste banco, o cliente entra com seu carro através de uma pista especial, ao longo da qual há janelas onde ele pode completar suas transações. Após encerrá-las, o cliente retira-se através de uma saída especial. — Modern Mechanix, Setembro de 1938
Se uma fila de banco já é ruim, imagine uma fila de banco com centenas de metros de comprimento queimando gasolina…

>“Os combustíveis do futuro” (1889)

>

Com a perspectiva de o carvão se tornar tão raro quanto o próprio dodô, o mundo, dizem-nos os cientistas, poderá vir a olhar com complacência a falha de nossas reservas de carbono ordinário. Os gases e óleos naturais [petróleos] do mundo irão abastecer a raça humana com material combustível por incontáveis eras — esta é, pelo menos, a opinião daqueles que estão mais bem-informados sobre o assunto. — Glasgow Herald, citado no suplemento nº. 717 da Scientific American, 28 de setembro de 1889
E, como sempre, os otimistas “mais bem-informados” se mostraram errados. O então recém-inventado automóvel e o aeroplano então em gestação devorariam (quase) todas aquelas reservas de petróleo e gás suficientes para “incontáveis eras” em pouco mais de um século.  O carvão, porém, continua firme e forte — e, embora não seja muito ecológica, a versão vegetal é renovável.

>O futuro, segundo uma cabeça falante (1987)

>

A matéria de capa da OMNI Magazine — então uma importante revista americana de ciência e ficção científica — no distante mês de janeiro de 1987 era um tanto clichê: “14 great minds predict the future” [14 grandes mentes preveem o futuro]. A OMNI perguntou a pessoas que então eram importantes, nos mais diferentes campos, o que a humanidade podia aguardar para 2007. Houve, previsivelmente, previsões sobre um pouco de tudo: da paz no Oriente Médio à TV em 3D.

Hoje, uma das mais interessantes, por seu tom pessimista e por seu tremendo equívoco tecnológico é a que foi feita por David Byrne. Ao olhar para sua bola de cristal e escrever sobre o futuro da arte, da televisão e do pop, o vocalista e compositor do Talking Heads viu um futuro um tanto conservador, no qual os computadores nunca seriam capazes de auxiliar artistas em seu processo criativo. Um excerto da sua previsão para a OMNI é o que segue:

David Byrne, vocalista, Talking Heads
Eu não acho que os computadores terão qualquer efeito importante nas artes em 2007. Quando se trata de artes, eles são apenas grandes ou pequenas calculadoras. E se eles não podem “pensar”, isto é tudo que sempre serão. Eles podem ajudar pessoas criativas com a organização de seus livros, mas eles não vão ajudar no processo criativo.
A revolução do vídeo, porém, terá algum verdadeiro impacto nas artes dos próximos 20 anos. Aliás, já teve. Por que o tempo de atenção das pessoas está se tornando cada vez menor e mais ficção e drama serão feitos pela televisão, que é um meio perfeito para isso. Mas eu não acho que qualquer coisa será extinta; os livros continuarão lá; tudo encontrará seu lugar.
Canais para a arte, no mercado e na televisão, vão se espalhar e se multiplicar. Até mesmo as três grandes redes de TV [aberta dos EUA: ABC, CBS e NBC] vão apresentar uma programação mais especializada para atrair grupos de interesse específicos. As redes serão libertadas da necessidade de tentar agradar todo mundo, o que elas fazem agora e inevitavelmente acabam com uma atração tão estúpida que não agrada a ninguém. Obviamente, essa multiplicação de canais irá beneficiar as artes.
Eu não acho que veremos a arte participativa que tantas pessoas preveem. Alguns usarão novos equipamentos para fazer arte, mas serão as mesmas pessoas que estariam fazendo arte de alguma forma. E eu ainda penso definitivamente que o público em geral estará interessado na arte que um dia foi considerada avant-garde.
Evidentemente, nem tudo o que Byrne disse sobre 2007 saiu errado. Seu parágrafo sobre a revolução do vídeo e da acomodação entre novas e velhas mídias mostrou-se bastante correto nos vinte anos que o seguiram. A fragmentação das audiências na TV também está basicamente correta, embora isso tenha acontecido mais na TV por assinatura (ou por causa dela) do que nas redes abertas, sejam elas grandes ou pequenas. Seu maior erro, porém, foi sua desconfiança em relação aos computadores enquanto ferramentas criativas — mas talvez ele não pudesse prever o impacto da então nascente rede mundial de computadores e da emergência de uma cultura globalizada e virtual que veio de brinde, com seus memes, seus videos no YouTube e suas redes sociais.

>Patentes Patéticas (nº. 17)

>

Cuidado! Frágil!
Mumificação é algo tão 4.000 a.C., tão mainstream… Mas graças a Joseph Karwowski, agora você pode morrer de modo muito mais moderno, com estilo e, diferentemente das múmias, ficar lindo por toda a eternidade*. Em 1903, Karwowski patenteou um “método de preservação dos mortos” brilhante. Como a criogenia, o método é caro e lento, mas indolor. Trata-se de revestir e isolar hermeticamente o falecido em um bloco de vidro transparente. 
Perfeito para quem tem medo não apenas de morrer, mas de ser enterrado, cremado (e ter suas cinzas cheiradas por alguém) ou congelado num caixão criogênico. Não tem muito espaço para dividir com um cadáver envidraçado? Sem problemas, segundo a patente: “Na Fig. 3, eu apresentei apenas a cabeça do corpo inserida no interior do bloco de vidro transparente. É evidente que apenas a cabeça pode ser preservada dessa maneira, se assim for preferido.” 
Pelo menos serve como um bom peso de papel. Pois crânios são tão mainstream como pesos de papel…
________________________
*A eternidade do produto/serviço só é garantida até aquele seu distante e desastrado descendente de 10 anos encontrar alguma forma de quebrar seu sarcófago cristalino. Não se esqueça de deserdá-lo por isso.

>Patentes Patéticas (nº 06)

>

Em 1949 — muito antes de se falar em economia de energia, energias alternativas ou carros híbridos —, J. D. Stokes teve uma ideia sensacional: por que desperdiçar energia com um carro e uma máquina de lavar quando é possível acoplar uma lavadora em uma das rodas?

Para lavar roupas em suas calotas, adicione água e sabão por uma abertura (nº. 48, segundo a figura) e dirija em baixa velocidade. Para secar, basta repetir o ciclo (ou o percurso), preferencialmente em velocidade maior. Se a capacidade da calota-lavadora lhe parece pequena, lembre-se de que você pode multiplicá-la por quatro e lavar as roupas da família inteira.
Na patente, Stokes afirmava que sua invenção seria útil para “campistas, aqueles que vivem em trailers e outros viajantes.” Também poderia ser altamente recomendável para quem não tem espaço em casa para um varal ou uma máquina de lavar — ou então para assassinos, que podem fugir rapidamente e livrar-se das roupas ensanguentadas en route.
A não ser, é claro, que as calotas sejam roubadas. Afinal, uma peça multiuso certamente valeria muito mais que um disco de plástico.

>50 Anos-Lesma

>yuriearth_iss_900

A ausência do homem no espaço é sinal de que desperdiçamos uma chance enorme de evoluir. Garantir a autodestruição é sempre mais fácil, seguro e barato do que adaptar-se aos novos tempos.
Há meio século, Yuri Gagarin foi o primeiro a chegar aonde nenhum homem jamais estivera — o Espaço Sideral. Parecia ser o início de uma nova era, há muito imaginada pelos autores de ficção científica. Essa seria a nova Era das Grandes Navegações, que agora se desenrolariam no vasto profundo Oceano Cósmico. Mas ao contrário do louvor camoniano, “se mais espaço houvera, lá não chegara.”
Pois cinquenta anos depois do primeiro homem no espaço, colônias de férias na Lua, cidades em Marte e mineradores no Cinturão de Asteróides ainda são fantasias distantes da realidade. Viagens espaciais são hoje algo tão excepcional que ainda nos lembramos do nome do primeiro viajante (compare com as viagens de trem, por exemplo. Alguém ainda se lembra do primeiro passageiro?)



gagarin
Yuri Gagarin: se a exploração espacial fosse
bem-sucedida, ele não deveria ser lembrado.
Onde foi que erramos? O que foi que nos faltou? Jovens ousados, cheios de espírito explorador e desafiador certamente não devem ter faltado nesses cinquenta anos. Tampouco houve falta de foguetes capazes de levá-los com segurança à Lua e, possivelmente, a Marte e trazê-los de volta. Então faltou o quê? Ousadia? Arrojo? — Amarelamos?
Faltou dinheiro. Money, grana, bufunfa, casacalho, moeda mesmo. Só isso. E esse dinheiro não faltou por que estivemos resolvendo nossas próprias bagunças — como pobreza e miséria — antes de sair de casa. Pelo contrário, o planeta está mais bagunçado do que nunca. E pra onde foi todo aquele dinheiro?
Segundo dados do Center for Defense Information, 13,1 trilhões de dólares foram gastos apenas nos Estados Unidos entre 1948 e 1991. A média anual era de US$ 298 bilhões. Parece razoável crer que os russos gastaram a mesma quantia, se não mais. Trilhões de dólares — sem contar milhares de vidas humanas — foram desperdiçados pela paranóia dos políticos e dos militares americanos e soviéticos, que controlaram este mundo durante grande parte das últimas décadas.
Para comparação, a NASA custa apenas uns 8,3 bilhões de dólares por ano. Esse é o orçamento médio desde a fundação da agência espacial americana, em 1958, o custo total somaria US$ 440 bilhões, o que representa 3,3% do total desperdiçado pelos americanos durante a Guerra Fria. Parece razoável estimar que o mesmo é válido para o programa espacial soviético/russo. Portanto, EUA e URSS gastaram até 26 trilhões de dólares para garantir a destruição mútua. Para explorar o espaço, coisa que poderia (e deveria) ser feita em cooperação internacional, a estimativa para ambos soma pouco mais de 1 trilhão.
dr_strangelove_bombdrop
Montar a humanidade em bombas atômicas:
para políticos e militares, é divertido. E barato.
Era de ouro em anos de chumbo Cinquenta anos de progresso e coexistência pacífica, de erradicação da fome  e das doenças mais graves e de expedições espaciais cooperativas foram simplesmente transformados numa era sombria, cheia de medo, desconfianças, ódios e enormes dívidas. Líderes políticos e militares conseguiram uma façanha alquímica: transmutaram uma era de ouro em anos de chumbo. Após se armarem com milhares de ogivas nucleares e mísseis intercontinentais, russos e americanos perceberam que seus esforços foram tão bem-sucedidos que se tornaram inúteis. O poder de destruição criado foi tamanho que, felizmente, nenhum dos lados apertou o botão que traria a vitória e a derrota definitivas. Mas o preço foi alto.
A bomba que explode agora é outra: é a fissão incontrolável de seis — sete — bilhões de seres humanos vivendo no mesmo planeta, em condições não apenas cada vez mais desiguais, mas cada vez piores. US$ 30 bilhões por ano evitariam uma crise global de fome; mas o mundo ainda prefere desperdiçar mais de US$1 trilhão por ano com gastos militares. Se realmente houvesse inimigos externos, essa quantia seria justificável. Mas não é.
Gastos militares no mundo
Orçamento militar mundial: de volta aos níveis da Guerra Fria. Os milicos não sofreram com a crise.
De ambos os lados da antiga Cortina de Ferro, a exploração de recursos naturais (e até mesmo as tentativas de controle do clima) foi abusiva a ponto de desequilibrar um sistema planetário inteiro. Em grande parte, a responsável por tudo isso foi justamente aquela geração que sonhava em mudar o mundo com paz e amor. Esteve mais para sexo, drogas e rock’n’roll do que para verdadeira contestação e mudanças. As gerações atuais — inclusive a deste autor —, com seu consumismo quase autista, também não são muito melhores. Em vez de colônias de férias na Lua, nos trancamos em condomínios fechados ou subimos o morro (mas ainda nos perguntamos sobre nossos carros voadores).
iss_sts119
Estação Espacial Internacional: nem estação, nem espacial nem internacional.
A passo de lesma É por tudo isso que não temos razões para comemorar o primeiro jubileu da Era Espacial. A exploração da Terra vai bem, mas estamos a passo de lesma em termos de exploração extraterrestre. Nesse momento os homens mais distantes do planeta Terra estão a apenas 340km acima do solo, numa estação orbital (não espacial e bem pouco internacional). A missão mais longa, em 2006-2007 durou 215 dias, ainda menos que um ano. Com pouca gente passando tão pouco tempo “fora” e em algo tão próximo da Terra, é difícil acreditar que algum dia nos adaptaremos ao ambiente espacial.
Porém, nosso maior empecilho para mandar uma dúzia de pessoas, de diversas nações, para Marte (ou mesmo para a Lua) continua meramente econômico. Todos os recursos econômicos e humanos que poderiam ser usados para manter astronautas por todo o Sistema Solar foram desperdiçados na criação, construção e manutenção de meios para nos autodestruir. O desperdício foi tamanho que é impossível recuperá-lo. Afinal, não podemos vender ogivas, mísseis e submarinos nucleares para fabricar naves espaciais. Pelo visto, não se pode nem desmontá-los e aproveitá-los como propulsão atômica.
spaceodyssey
Dave ficaria abismado. Por não existir.
Estamos abismados Chegamos à beira do precipício da autodestruição. Perdemos muita coisa, mas parece que relutamos em dar meia-volta e seguir um caminho mais seguro e promissor. Em vez de começar a navegar em direção às estrelas, continuamos a correr em volta das mesmas estradas de terra batida. Nossas divergências políticas, econômicas, étnicas, sociais, culturais, religiosas e até mesmo sexuais nos parecem mais importantes que tirar bilhões de pessoas da miséria e, ao mesmo tempo, modificar profundamente nosso modelo de civilização a fim de nos salvar. Já nos salvamos uma vez e podemos fazê-lo novamente.
Ainda evitamos todos os desafios mais sérios como evitamos a imponderabilidade do espaço. É realmente mais barato e mais seguro enviar emissários robóticos a Marte. Mas fazer isso ao longo de quarenta anos é tão barato e tão seguro quanto fabricar uma dúzia de robôs em vez de educar, alimentar, dar abrigo, transporte e saúde a uma centena de operários (ou seriam desempregados?) e suas famílias pelo mesmo período.
Nossa ausência no espaço é apenas um reflexo de nossa ausência dentro da sociedade. O mais irônico de tudo isso é notar como fomos generosos em financiar a criação de meios para nos autodestruir, para aprofundar nossas diferenças. Agora temos que ser austeros e cortar os “gastos” dos quais pode depender a nossa própria sobrevivência. Podemos cometer verdadeiros genocídios sociais, mas se (ao menos no papel) os orçamentos estiverem bem, não há qualquer problema nisso. Como as estrelas, somos apenas números mesmo.

>Porra, McFly!

>

Lembre-se, se você viajar até o futuro e tiver uma sensação de déjà vu, nunca tente evitar isso — Nunca! Os resultados podem ser desastrosos:

“Book’em Danno!”

>Multifuncional para a cozinha (1952)

>

Anúncio encontrado na edição de setembro de 1952 da Collier’s Magazine (via Modern Mechanix):

general_fridge

Naquela época, os anúncios de eletrodomésticos se limitavam apenas a descrever o produto e nem de longe ofendiam sua inteligência com frases de efeito apelativas.
COZINHE e LAVE em seu REFRIGERADOR!
Cozinha completa em 5 pés quadrados [meio metro quadrado??]. Combina refrigerador, pia, três bocas de gás, e gaveta para panelas. Disponível com queimadores elétricos, 220 ou 110V. Também sem pia. 5 anos de garantia.
General Air Conditioning Corp.
Vendas e serviços para todo o país
Para detalhes, onde comprar, escreva: 4530 E. Dunham St. • Los Angeles 23, Calif. Escritório em Chicago: Dept. 6, 323 W. Polk Street
Estranho como algo tão genial simplesmente não pegou. O fato é que as cozinhas americanas sempre tiveram espaço de sobra e pouco depois o microondas e os restaurantes fast-food praticamente matariam o fogão em muitos lares — mas ainda não criaram um combo micro/pia/geladeira que sirva de brinde no McDonald’s…

Enfim, se o anúncio acima tivesse sido feito hoje, não seria difícil vê-lo insistentemente repetido nos canais Shoptime da vida. Realizem:
[Locutor em tom indignado. Imagens de uma quitinete minúscula] Você vive morrendo de fome numa quitinete tão apertada que faz seu mp3 parecer um jukebox?
[Imagens de um universiótario pobre] Você é um cara inteligente, mas que passa fome por que não consegue montar uma cozinha digna? Seus problemas acabaram! Apresentamos  [explosão de entusiasmo] a nossa sensacional Geladeira Multifuncional General 3000: para [demonstrações com as louras trigêmeas] refrigerar, cozinhar e lavar nos menores espaços!
É muito mais simples e mais segura que um forno de microondas  — sem radiação [imagem de um microondas sujo e “contaminado” atormentando a vida de uma loura], sem botões confusos [imagem da loura-burra perdida com os botões], e sem manuais de instrução que ninguém lê! [a outra loura rasgando alegremente os manuais de instrução].
Peça agora a sua Geladeira Multifuncional General 3000 [corta para a clássica tela azul com o telefone 0800 e preço, mas só com as parcelas e as bandeiras do cartão de crédito] Condições especiais para bixos burros e outros pé-rapados.
[Para convencer, nada melhor do que brindes apresentados entusiasticamente pelo locutor, mas com letrinhas minúsculas e velozes no rodapé da tela]
[Locutor, com imagens de um botijão simplesmente brilhante e que parece pequeno] E você ainda leva um compacto botijão de gás inteiramente de grátis! [Letreiro ilegível: “Inteiramente grátis e vazio, é claro.”]
[Imagens repetidas das louras trigêmeas] Peça agora e nós ainda vamos lhe enviar um maravilhoso kit de trigêmeas louras para fazer todo o serviço! [Letreiro ainda mais ilegível e fugaz: “devem ser usadas apenas para tarefas de culinários. Não nos responsabilizamos por eventuais defeitos estéticos. Não aceitamos devoluções”]

>A Incrível Memória do Pinóquio Mecânico

>

Em 1928, o Instituto Franklin, na Filadélfia, recebeu uma curiosa doação. Era um autômato muito engenhoso, mas de origem e autoria desconhecidas. Movido por molas e guiado por uma série de engrenagens, o homenzinho mecânico era capaz de desenhar sete figuras diferentes e escrever versinhos em inglês e francês. Mas o pequeno menino de lata estava severamente danificado, pois fora encontrado entre os escombros de uma casa incendiada —  e impropriamente vestido como uma boneca.

automaton
Meca-pinóquio
Quem havia criado uma máquina tão sofisticada? A resposta foi dada pelo próprio autômato. Por incrível que pareça, o ele havia sido construído em 1805 e seu inventor só foi descoberto por que teve o cuidado de ensinar sua criação a assinar em seu lugar. 
  automaton_sketch_picture_shipautomaton_sketch_poem_1
Após ser restaurado, o mecanismo fez alguns desenhos, como o navio à esquerda. Depois de literalmente travar e ser “reiniciado”, ele escreveu uma quadrinha em francês (à direita) e assinou o seguinte: Ecrit par L’Automate de Maillardet. ["Escrito pelo Autômato de Maillardet"]. Estava descoberto o Gepeto: era o mecânico e relojoeiro suíço (perdoem a redundância) Henri Maillardet (1745-?). O “pinóquio mecânico” foi restaurado novamente em 2007 e, portanto, ainda funciona. E não mente:
Apesar de toda a possibilidade de posteriores desenvolvimentos tecnológicos que nos parecem óbvios hoje em dia, os autômatos mecânicos não passavam de curiosidades nos salões das cortes européias nos séculos XVIII e XIX. O autômato de Maillardet, por exemplo, com seus desenhos e seus versinhos ainda é considerado como o sistema mecânico de armazenamento de dados mais sofisticado que existe.
Se tal sistema de “memória” primitivo tivesse sido usado numa máquina de Babbage e programado por uma Ada Lovelace, onde é que a computação mecânica oitocentista chegaria? É difícil dizer, mas é uma possibilidade fascinante. De qualquer modo, parece improvável que qualquer computador moderno continue funcionando (quase) sem problemas daqui a dois séculos. Vamos ver se o Tio Gates ou o São Jobs serão lembrados por suas máquinas…

Categorias

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM