Como colonizar a galáxia, em 16 lições

1. Criação de aeronaves-foguetes com asas
2. Aumento progressivo da velocidade e altitude dessas aeronaves
3. Produção de verdadeiros foguetes, sem asas
4. Capacidade de pousar na superfície do mar
5. Alcançar a velocidade de escape (cerca de 8 km/s) e lançar o primeiro voo em órbita da Terra
6. Ampliar a duração dos voos de foguetes no espaço
7. Uso experimental de plantas para produzir uma atmosfera artificial em espaçonaves
8. Uso de trajes espaciais pressurizados para atividades no exterior de espaçonaves
9. Construção de estufas orbitais para plantas
10. Construção de grandes hábitats orbitais ao redor da Terra
11. Uso de radiação solar para produção de alimentos, aquecimento das moradias espaciais e para transporte através do Sistema Solar
12. Colonização do Cinturão de Asteroides
13. Colonização de todo o Sistema Solar
14. Conquista da perfeição individual e social
15. Após a superpopulação do Sistema Solar, colonizar a Via Láctea
16. Quando o Sol começar a morrer, as pessoas que permanecerem no Sistema Solar mudam-se para outros sois.

Pioneiro da astronáutica e da exploração espacial antes mesmo da criação de foguetes, o russo Konstantin Tsiolkovski publicou esse roteiro para a colonização do espaço em 1926. Conscientemente ou não, até agora seguimos seus conselhos. Já cumprimos, meio que toscamente, 7 dos primeiros passos — o uso de plantas como fonte de oxigênio ainda não foi alcançado. As cinco primeiras etapas foram cumpridas com grande rapidez, mas logo empacamos no passo 6, aumentar a duração das missões espaciais, que tem sido cumprido de modo excessivamente cauteloso e parece bastante atrasado.

A exploração dos asteróides, anunciada recentemente pela empresa Planetary Resources pode ser um negócio precipitado. De acordo com Tsiolkovski, esse seria o 12º. passo e deveria ser tentado apenas depois de conseguir sucesso a construção de diversas estações espaciais, de prolongadas permanências no espaço — talvez anos — e do uso da energia solar para sustentar todos os sistemas de sobrevivência fora da Terra. Nada disso foi conseguido e pode ser que o programa da Planetary Resources falhe por não seguir o roteiro de vovô Tsiolkovski.

>Festinha Intertemporal

>ttclogo-final

Se por acaso você for o feliz inventor de uma máquina do tempo, mas não sabe como (ou quando) testá-la, uma boa ideia seria voltar no (ou a) tempo para participar da Convenção de Viajantes do Tempo do MIT. As coordenadas do evento são as seguintes: sábado, 7 de maio de 2005, em 42.360007° N, 71.087870° W.
Não se esqueça de provar que você é alguém vindo do futuro. Apareça com algo que ainda não existia naquela época, como a cura para a Aids, a solução para a pobreza global ou um reator de fusão a frio.
Se isso tudo for muito complicado para você ou se não houver muito espaço na sua máquina do tempo, leve algo pequeno e até então impensável, como um iPhone com músicas da Lady Gaga.
Segundo o site do evento,
a convenção foi um meio sucesso. Infelizmente, não tivemos viajantes temporais confirmados entre nós. Mas muitos viajantes do tempo podem ter comparecido incógnitos para evitar as intermináveis perguntas sobre o futuro. Tivemos grandes palestras, bandas incríveis e até um DeLorean. Sentimos muito ter que recusar visitantes, mas havia restrições de capacidade no Morss Hall. Agradecemos às dezenas de pessoas que nos auxiliaram.
Espere! E se o(s) viajante(s) temporal(is) estivesse(m) entre aquelas pessoas que não puderam entrar por falta de espaço??

>Uma injeção de esperança

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Novamente, surge uma esperança. Na sua edição de hoje, a revista Science publica dois artigos sobre a identificação de anticorpos que combatem o HIV. Os artigos são assinados por cientistas do Centro de Pesquisas de Vacinas (VRC) do NIH (National Institute of Health; Instituto Nacional de Saúde do Governo americano). Essas proteínas são raríssimas e complexas, mas podem ser base para a criação de uma vacina terapêutica nos próximos anos.
Há dois tipos de sistemas imunológicos no corpo humano: o inato e o adaptativo. O inato é natural da pessoa e reage de forma genérica a antígenos muito comuns, como proteínas e açúcares estranhos ao corpo. O sistema adaptativo, como o próprio nome indica, pode se adaptar para reconhecer novos agentes estranhos. Geralmente, as vacinas trabalham no sistema adaptativo, que é “treinado” com elementos atenuados.
Envelopes de resistência
Até agora, as pesquisas estavam voltadas para células do sistema adaptativo, como os linfócitos T CD4+ e T CD8+. Essas células também são capazes de matar células infectadas por HIV, mas apenas após um longo período que pode variar de dias a meses após a infecção. Esse tempo de resposta pode fortalecer a infecção a ponto de torná-la vitalícia. Isso acontece por que o sistema adaptativo só pode se defender de ataques que estejam ocorrendo.
O sistema inato é uma linha de defesa mais primária, que baseia-se no reconhecimento imediato de antígenos como proteínas e açúcares que não são produzidos pelo organismo. O sistema inato pode até impedir a infecção — e, como agora se sabe, o HIV não é uma exceção. Mas há uma série de fatores que dificultam essa abordagem mais imediata. Um dos motivos que dificultam a exposição do HIV ao sistema inato é a facilidade com que o vírus é barrado fisicamente. Outro motivo é que o vírus, uma vez infiltrado no organismo, começa a infectar justamente as células que são capazes de matá-lo — os linfócitos T.
Pesquisas já apontaram diversos anticorpos capazes de neutralizar o vírus da aids. Mas a maioria deles se liga ao vírus através de pequenos “envelopes” na capa externa do HIV. Entretanto, assim que se estabelece a infecção, o HIV desenvolve uma estratégia de resistência simples, enchendo esses envelopes com glicanos ou açúcares e isso impede os anticorpos de alcançar o calcanhar-de-Aquiles do vírus.
O que falta, portanto, é um anticorpo capaz de uma ligação muito forte com um ponto exposto da superfície do vírus e que não possa ser bloqueado facilmente.
“Controladores de Elite”
Os cientistas do NIH decidiram então observar os anticorpos presentes no sangue de pessoas com boa capacidade de controlar infecções por HIV. Chamadas de “controladores de elite”, essas pessoas não eram estudados por que suas respostas ao HIV pareciam vir do sistema adaptativo.
Através de técnicas sofisticadas de engenharia reversa, os pesquisadores identificaram três proteínas altamente neutralizadoras. Elas foram chamadas de VRC01, VRC02 e VRC03. Também foram isoladas os linfócitos B que produzem essas proteínas.
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gp120: estrutura usada pelo HIV para invadir células pode ser um ponto fraco
Os dois primeiros anticorpos têm estruturas muito semelhantes e ligam-se à Glicoproteína Transmembrana gp120, a mais externa do HIV. A gp120 é uma proteína em forma de “couve” usada pelo HIV para invadir a maioria das células, inclusive as CD4+ e CD8+. O VRC01 e o VRC02 ligam-se a essa proteína de atracamento em um ponto muito exposto e que não pode ser bloqueado pelo vírus com a adição de açúcares.
Os dois anticorpos neutralizaram 91% das 190 cepas de HIV testadas pelo grupo de pesquisadores. Entre essas cepas, encontram-se a maioria das variedades do vírus da aids presentes no mundo e praticamente todas as que são capazes de transmissão sexual — 80% dos novos casos são resultado de contaminação por via sexual.
1 chance em 1 milhão
VRC01 e VRC02 ocorrem naturalmente, mas são produzidos por um tipo muito raro de linfócito B, chamado de célula B memória-específica RSC3. Essas células imunológicas são tão raras que das 25 milhões que foram analisadas pela equipe apenas 29 RSC3 foram encontradas. Em muitos casos, as proteínas encontradas eram imaturas ou precisariam passar por uma série de combinações para ser transformadas em VRC01 ou VRC02.
A raridade dos anticorpos encontrados pode ser um obstáculo para a produção de vacinas. Ainda não se sabe como estimular a produção desses anticorpos até a concentração necessária para impedir a infecção.
Uma possível solução seria projetar novas proteínas que também sejam capazes de bloquear o mesmo ponto fraco do HIV. Essas proteínas artificiais poderiam ser usadas em vacinas terapêuticas, para “ensinar” organismos infectados a combater o HIV. Outra possibilidade é que a descoberta ajude a explicar como os macacos conseguem controlar a infecção pelo SIV, o equivalente símio do HIV.

>Contos Traduzidos — "O Dólar de John Jones"

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Já faz um bom tempo que eu falei por aqui sobre um estranho escritor chamado Harry Stephen Keeler. Na ocasião, eu havia prometido traduzir e publicar um dos contos dele. Pois bem, como o conto já estava traduzido há um bom tempo, agora é hora de publicá-lo.
Um dos primeiros trabalhos de Keeler, O dólar de John Jones foi publicado originalmente na Amazing Stories em abril de 1927, o que também o torna um dos mais antigos contos de Ficção Científica moderna. O conto começa com um simples depósito de um dólar em uma conta poupança — mas as consequências desse modesto investimento acabam mudando completamente o rumo da história humana. A seguir, o texto completo do conto, enriquecido com notas de tradução.

O Dólar de John Jones

Curiosamente, hoje uma moeda de 1 dólar da década de 1920 vale mais de US$ 80,00 entre os colecionadores. Isso já é bem mais do que Keeler havia calculado para a poupança de John Jones em 2021.
Em breve devo publicar mais contos que já traduzi.

>Ninguém deu ouvidos ao Bismarck

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Pior é que ele acertou duas vezes: uma na Primeira Guerra Mundial (1914-18); outra na Guerra da Iugoslávia (1991-99). Não duvidem se ele acertar de novo…

>Tacada Certeira

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Em 1892, J. McCullough escreveu um pequeno livro chamado Golf in the Year 2000 [Golfe no Ano 2000]. No livro — que tem um quê de ficção científica da Era Vitoriana — um homem adormece profundamente e acorda num futuro tecnologicamente avançado. A obra de McCullough foi largamente ignorada em sua época e só foi redescoberta às vésperas da virada do Milênio, quando aquele mundo do futuro havia chegado.
Em relação ao próprio golfe, McCollough errou bem feio — ele pensava que teríamos clubes de golfe com placares automáticos, carrinhos sem motorista e jaquetas que gritam “Fore!”. Mas o mundo extra-golfe teve uma previsão surpreendentemente precisa:

  • Liberação feminina;
  • Conversão do sistema monetário britânico para a base decimal;
  • Relógios digitais;
  • Trens-bala;
  • Televisão.

Essas previsões não foram feitas literalmente; não havia palavra para “televisão” ou “relógios digitais” numa época em que nem o rádio existia. E a liberação feminina, longe de ser sinal de tendências liberais, é motivada por machismo: só é permitida para que as mulheres trabalhem enquanto os homens jogam (cada vez mais) golfe.
Mais irônico ainda é que ele só tenha “acertado” previsões secundárias. Isso nos faz pensar: Quantos livros ignorados pela crítica e pelo público e despretensiosos em relação ao futuro não estarão certos?

>Sempre cabe mais um?

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Anotem em suas agendas mais uma data para o fim do mundo (já que 2012 deve falhar mesmo). O último dia será 13 de novembro de 2026. Pelo menos essa é a previsão que foi feita pelo austríaco Heinz von Förster, um dos pioneiros da ciência cibernética.
A previsão foi publicada numa edição de 1960 da conceituada revista Science. Segundo os cálculos, naquela data a população humana alcançaria o infinito.
Ele podia estar brincando, mas…

Mas havia um fundo de verdade nessa história. Até hoje, o crescimento populacional não foi seriamente inibido em qualquer sociedade humana. Nossas sociedades adaptaram-se, criaram tecnologias para sustentar as crescentes multidões, de onde saem cada vez mais cientistas, que criam cada vez mais avanços tecnoloógicos e assim por diante.
A equação de Förster conta com dados de 25 fontes e cobria o período entre o (suposto) nascimento de Jesus e 1958. Ele previra que o intervalo de tempo que a população leva para dobrar estava caindo cada vez mais, se aproximaria de zero e o intervalo se tornaria nulo em 2026. Suas previsões foram razoavelmente acuradas, mas apenas até 1973.
Evidentemente, o cientista austríaco desprezou possíveis catástrofes naturais de grande magnitude, desconsiderou a fome e a miséria dos países subdesenvolvidos e, mesmo no auge da Guerra Fria, descartou qualquer possibilidade de uma guerra nuclear (o que, em parte, pode ser considerado um acerto). Förster também não poderia imaginar o impacto de epidemias como o ebola, as pandemias de gripe e, principalmente, a aids e seus 25 milhões de mortos.
Além de tudo isso, o austríaco esqueceu-se de um detalhe importante: a pressão ambiental sempre limita o crescimento populacional a um valor máximo. Em alguns casos — como o das bactérias e formigas, por exemplo — o tamanho da população capaz de viver em equilíbrio pode parecer monumental, mas nem de longe se aproxima do infinito. Se isso já ocorre com criaturas simples e pequenas, por que o efeito sobre seres humanos complexos e com um comportamento muitas vezes predativo poderia ser desprezado?
Förster errou — e foi um erro grosseiro — por que prendeu-se apenas aos aspectos matemáticos da demografia; ele levou o malthusianismo às últimas consequências, mas não levou em conta dados sociais, econômicos e, principalmente, ambientais. Ainda assim, o erro hiperbólico de Förster serve como um forte argumento contra aqueles que não se importam com o controle demográfico e desprezam o planejamento familiar — muitas vezes embasados em razões religiosas.

>Próximas Atrações

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O século 21 será bastante agitado e de grande importância histórica se os autores de ficcção científica se mostrarem corretos. Eis algumas previsões:
2015 – Marty McFly e Doc Brown chegam de uma viagem no tempo após terem partido de 1985. (De Volta para o Futuro II).
2022 – Nova York torna-se hiperpovoada, com 40 milhões de habitantes (Soylent Green)
2035 – A Humanidade vive em grandes cidades subterrâneas (Shape of Things to Come, de H. G. Wells)

2050 – A Novilíngua substituiu totalmente a Anticlíngua (1984, de George Orwell)
2052 – Nova York lança ao espaço uma bola gigante de lixo e sucata. Especialistas alertam que a bola pode retornar à Terra algum dia, mas suas previsões são consideradas “depressivas” e são ignorados. (Futurama)
2053 – Começa a III Guerra Mundial (Star Trek)
2062 – Os Flintstones aparecem após um defeito na máquina do tempo construída por Elroy Jetson. (Os Jetsons encontram os Flintstones)
2063 – Primeiro contato com os Vulcans (Star Trek)
2084 – A dança é proibida; Flash, Strobe, Laser e Pyro escapam para a base alfa da Lua para dançar em paz. (dancemania)
Ah, e no fim deste século, o Super-Homem vai deixar a Terra. É melhor correr se quiser garantir um autógrafo.

>É Agora ou Nunca

>No início de dezembro, líderes de todo o mundo se encontram em Copenhague para buscar ações conjuntas e evitar o pior das mudanças climáticas. Mas o choque de interesses pode ser fatal para o encontro.

Copenhague, 7 de dezembro de 2009. Local e data marcados para o encontro que vai decidir os rumos e o destino de toda a humanidade. Entretanto, a COP-15 (15ª. Conferência entre as Partes sobre Mudanças Climáticas promovida pela ONU) pode sucumbir aos interesses econômicos e às divergências políticas.
Dentre os participantes há países pequenos e altamente vulneráveis, como as Ilhas Maldivas. Junto com Tonga e outras nações insulares, as Maldivas seriam as primeiras a desaparecer com a elevação do nível do mar causada pelo degelo das calotas polares. Por isso mesmo, esses países insulares estão desesperados e buscam convencer os demais. Para esses pequenos países cercados – e agora ameaçados – de água por todos os lados, a urgência das ações deve superar fatores políticos e econômicos. Os países árabes, que já sofrem com sua limitada oferta de água potável, também querem menos discursos e mais ações diretas e efetivas a partir de Copenhague.
Dentro desses países, porém, há um conflito de interesses muito claro: os que têm maior peso na política internacional, como a Arábia Saudita, a Líbia, a Argélia e o Irã são também produtores de petróleo que podem ter suas economias prejudicadas com metas de corte de CO2 mais duras. Também estão preocupados com suas economias os chamados emergentes, principalmente a China e a Índia.
Os chineses são conservadores e defendem a manutenção das metas estabelecidas em 1997 no Protocolo de Kyoto. Os indianos são mais radicais e alegam que os países desenvolvidos – que poluíram por mais tempo – devem ter metas mais rígidas e arcar com os maiores custos. Embora sejam grandes poluidores, China e Índia têm a seu favor o baixo índice de emissão per capita graças a dois fatores: populações que já superaram a barreira do bilhão de indivíduos e uma péssima distribuição de riqueza que permite que veículos tracionados por força animal ou mesmo humana convivam com enormes usinas elétricas movidas a carvão.

Yes? We? Can?

Outro grande poluidor, os Estados Unidos, pode melar a COP-15 com sua política interna. Mesmo com a sensibilidade de Obama em relação aos assuntos ambientais, o plano de metas para a redução das emissões americanas está emperrado no Senado. Há quem defenda a extensão das negociações na capital dinamarquesa em três ou até seis meses.
Outro motivo de preocupação para os líderes da COP-15 é que organizações não-governamentais de todo o mundo também vão a Copenhague, mas participam apenas como observadores. Suas propostas poderão ser apresentadas por escrito, mas não serão obrigatoriamente acatadas ou mesmo debatidas. A situação delicada da COP-15 alarmou as ONGs e os países mais frágeis, pois é sério o risco de esvaziamento da Convenção de Copenhague, mesmo com a presença de gente do naipe de Obama e Lula.
O presidente brasileiro, aliás, está fazendo um grande esforço internacional para salvar Copenhague. Ao lado de França, Inglaterra e países africanos, o Brasil defende que as metas voluntárias tenham força de lei. Apesar do descompasso entre o Ministério do Meio Ambiente de Carlos Minc e a Casa Civil da presidenciável Dilma Rousseff, o país conseguiu definir uma das maiores metas até agora: até 39% de redução de emissões até 2020. Um exemplo.

Tic, tac, tic…

Segundo estudos científicos divulgados no último IPCC (Painel Governamental de Mudanças Climáticas) em 2007, o máximo valor de CO2 na atmosfera para manter o clima sob algum controle é de 350ppm (partes por milhão). Entretanto, os dados colhidos indicam uma concentração que não só já passou do aceitável como continua subindo: 387ppm e crescendo a um ritmo de 2ppm por ano. Para reverter esse quadro, seria preciso diminuir, até 2020, as emissões de 25 a 40% do que eram em 1990.
Para pressionar a adoção de metas, ONGs, blogueiros e cidadãos do mundo inteiro uniram-se no movimento Tic, tic, tic, tic – hora de justiça climática. Como o próprio nome já indica, as ONGs acreditam que o tempo para agir está se esgotando – afinal, 2020 é logo ali – e desejam que haja uma divisão justa de responsabilidades, embora isso não deva ser desculpa para prolongar ou adiar a adoção de metas.
Ao contrário do que muita gente pensa, Copenhague não vai substituir Kyoto. Mas o protocolo firmado na cidade japonesa já está quase na data de validade. O acordo tomava 2012 como data-limite para a redução de emissões de gases estufa aos níveis de 1990. Grandes poluidores como China e Rússia levaram anos para ratificar o Protocolo de Kyoto. Os norte-americanos, sob o governo Bush, nem isso fizeram. Embora a 5ª. Conferência entre as Partes de Kyoto ocorra em paralelo à COP-15 em Copenhague, não há muito mais o que fazer em relação às metas protocolares por falta de tempo hábil para as mudanças.
A expectativa do mundo inteiro é que o mesmo não se repita com Copenhague. É agora ou nunca.

Para saber mais

  • COP-15.dk- site oficial do evento tem versões em 7 línguas, mas deixou o português de fora.
  • tictictictic.org – infos sobre o movimento, que já conta com a adesão de centenas de ONGs e mais de 9 milhões de pessoas do mundo todo. Participe!

>1907: O Crime não existirá em 2007

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Como se sabe, uma das melhores coisas de viver no futuro é não ter que se preocupar com nenhum tipo de crime.
Na edição de 17 de março de 1907, o Washington Post republicou um artigo do Chicago Tribune entitulado “How Our Progeny Will Live One Hundred Years From Now” [Como nossa progênie viverá daqui a cem anos]. Um trecho, onde se imagina um mundo onde o crime é extremamente raro, é apresentado a seguir.

O CRIME NÃO MAIS EXISTIRÁ
A repressão do crime se dará largamente através de medidas preventivas. Com avanços nos métodos de investigação, as chances de fuga em qualquer caso serão imensamente diminuídas. Os inocentes serão raramente acusados e a punição dos culpados será em um reformatório de caráter. Naquele tempo, os estudos da ciência mental terão grandes avanços e uma grande fonte do crime será eliminada porque homens e mulheres com problemas mentais que levam ao crime serão absolutamente prevenidos da propagação de sua raça.

Esse negócio de prevenção de fugas me lembrou do filme Minority Report, que se passa em 2054 (!). Já a proibição de casamentos de desequilibrados mentais cheira a eugenia, coisa típica da primeira metade do século passado.

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