Patentes Patéticas (nº. 100) (não, péra…)

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Telefone celular (ou telemóvel para os lusos): OK. Tablet: OK. Carregadores de baterias: OK. Garrafinha de água: OK. Carteira: OK. Bolsos: não dá. Se você já enche seus bolsos (inclusive o do boné), como vai aindar por aí com sua parafernália tecnológica e manter-se on-line? Convenhamos, carregar celulares e tablets nas mãos não é confortável nem seguro. Pior, eles acabam ficando sujos e manchados. E podem até acabar arranhados. E, com duas mãos ocupadas (e talvez algumas sacolas), vai ser difícil se manter hidratado e postar aquela foto do gole d’água no Instagram. Como proceder?

Comprar uma bolsa ou mochila seria a resposta mais simples, mas não para Clerence Thomas. Ele prefere um cinto de utilidades (dois, aliás) e recomenda o seu Neck wrap/brace for holding items and belt article holder for same [Envoltório de pescoço/cinta para segurar itens e artigo de cinta de suporte para o mesmo], que o mesmo descreve de modo redundantemente bem claro: Continue lendo…

A eugenia “não é o suficiente”

O ano 2100 verá a eugenia universalmente estabelecida. Nas eras passadas, a lei que governa a sobrevivência do mais ajustado capinou, grosso modo, as descendências menos desejáveis. O novo sentimento de pena dos homens passou a interferir com as operações brutas da natureza. Como resultado, nós continuamos a manter vivos e a reproduzir os inaptos. O único método compatível com nossas noções de civilização e raça é prevenir a procriação dos inaptos pela esterilização e orientação deliberada do instinto de acasalamento. Diversos países europeus e alguns estados da União Americana esterilizam os criminosos e os insanos. Isso não é o suficiente. A tendência de opinião entre os eugenistas é que nós deveríamos tornar o casamento mais difícil. Certamente ninguém que seja desejável como progenitor deveria receber permissão para produzir sua progenitura. Dentro de um século não mais parecerá boa ideia a uma pessoa normal juntar-se com uma pessoa eugenicamente inapta da mesma forma que [ocorre com a ideia de] se casar com um criminoso habitual.

Este é um trecho de um artigo cheio de previsões futuristicas publicado na revista americana Liberty em sua edição de 9 de fevereiro de 1935. Quem seria o autor de prognóstico tão sombrio? Adolf Hitler? Errado! É Nikola Tesla (1856-1943).

Isso mesmo, o gênio injustiçado por Thomas Edison e recém-aclamado como “o maior geek que já existiu” também tinha algumas ideias detestáveis. Como nota Matt Novak em artigo no Paleofuture, Tesla vem sendo canonizado como mártir geek. É verdade que há alguma justiça na redescoberta de Tesla, mas ele não era um santo ou super-herói. Era um homem e também teve seus defeitos. Destes, a crença na eugenia é o menos perdoável no mundo de hoje.

A seu favor, os defensores de Tesla poderiam argumentar que ele não foi o único. De fato, muitos foram os que se deixaram levar pela (aparente) lógica racional do darwinismo social — apenas para citar alguns: Winston Churchill (1874-1965), H.G. Wells (1866-1946), George Bernard Shaw (1856-1950), John Maynard Keynes (1883-1946) e Linus Pauling (1901-1994).

Só que uma ideia racional nem sempre é a mais correta e os eugenistas se equivocaram gravemente ao aplicar (ou tentar aplicar) deliberadamente uma lei biológica no mundo social e cultural. Os resultados são bem conhecidos (e não estamos falando apenas da “solução final” nazifascista). Como indica Tesla, houve práticas eugênicas até nos Estados Unidos, com a esterilização forçada de criminosos (na crença ingênua de que isso e apenas isso eliminaria o crime). A criminalidade continuou e continua a existir nos EUA — sendo que, na época, foi até turbinada por outra medida de purificação social, a proibição do consumo de álcool.

Isso significa que Tesla não mereça os museus e outras homenagens que estão sendo feitas por seus admiradores? Claro que merece, mas é importante que seus fãs não se tornem cegamente fanáticos, renegando os defeitos e os equívocos de Tesla. E que aprendam que mesmo o maior gênio de seu tempo pode deixar-se seduzir por dúbias teorias pseudocientíficas.

Ninguém é perfeito.

Linhas de expressão cartesianamente corretas

Dadas suficientes variáveis, é possível plotar qualquer coisa num plano cartesiano. Círculos, triângulos, órbitas planetárias e até pessoas. O único problema é que, pra ser matematicamente preciso, você teria que encontrar e resolver as equações certas antes de sair por aí desenhando entre os eixos x e y.

Ou talvez baste apenas fazer uma boa busca no Wolfram Alpha. Mais que um mecanismo de busca, o W|A é um verdadeiro processador online — e para demonstrar seu poder de computação, ele é capaz de plotar algumas person curves. As person curves são retratos de diversas personalidades da cultura pop, da ciência e da política. Além da plotagem, o Wolfram Alpha também apresenta os cálculos por trás de cada imagem.

Há, por exemplo, a PSY curve  psy curve

e sua respectiva equação paramétrica:

psy equation

Apresentada aqui parcialmente, é claro.

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Patentes Patéticas (nº. 78)

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Além de usar óculos, uma maneira de parecer inteligente (ou até mesmo sensual) é mascar a ponta da haste de seus óculos enquanto se olha para o nada com um ar de quem está tendo um pensamento profundo ou buscando inspiração (mas na verdade não se vê quase nada). Enquanto pensava nisso, mascando as ponteiras de seus óculos, Adam S. Halbridge chegou a uma ideia: porque não adoçar esse ato de pensamento óptico-ruminativo? Para ter aparência ainda mais genial, ele patenteou seu Flavored boots for eyeglasses [Ponteiras flavorizada para óculos]: Continue lendo…

A vida, o Universo e tudo mais — na ponta da língua


A expressão “tá na ponta da língua” pode tornar-se bastante literal em um futuro próximo. Graças ao cruzamento de engenharia genética e ciência da computação, será possível armazenar tudo o que você quiser na ponta da sua língua — ou melhor, no DNA da ponta da sua língua. Nos laboratórios, DNA como mídia de armazenamento não é exatamente uma novidade. Mas o recente feito de um bioengenheiro e de um geneticista de Harvard é de cair o queixo. Continue lendo…

Patentes Patéticas (nº. 72)

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É preciso ser meio masoquista para jogar certos games. Vez após vez você tem que morrer antes de aprender a passar daquela fase complicada. Daí, aparece outra mais complicada ainda e lá vai você outra vez… Skinner explica. Mas se Skinner quisesse criar algo para afastar os gamers dos jogos, ele faria algo como o Electrostatically enhanced game [Jogo eletrostaticamente aprimorado]: Continue lendo…

‘Párachoques’ protegem óculos para basquetebol (1941)

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‘Parachoques’ agora permitem que os jogadores de basquetebol que usam óculos possam desfrutar do esporte. Uma proteção de plástico transparente e inquebrável, cortada na altura da ponte sobre o nariz, cerca completamente as lentes e protege-as do risco de serem retiradas ou quebradas caso sejam atingidas. Sustentado por alças, o acessório é mantido à distância da face por almofadas resistentes apoiadas na testa e nas têmporas e não atrapalha a visão. A ilustração mostra Dick Dikeman, jogador colegial de Detroit, Mich[igan]. — Popular Science, abril de 1941

Não deve ter dado certo por falta de público. Nerd ou não, quem usa óculos sempre foi deixado de fora dos jogos de basquete. Mas talvez fosse útil para os nerds na defesa contra os valentões. Ou não.

via Modern Mechanix.

Os 10 Mandamentos do Papa-Léguas

 

  1. 1. O Papa-Léguas não pode ferir o Coyote, exceto pelo “beep-beep!”
  2. 2. Nenhuma força externa pode lesar o Coyote — apenas a sua própria inépcia ou os defeitos dos produtos Acme.
  3. 3. O Coyote poderia parar a qualquer momento — se ele não fosse um fanático. (Lembre-se: “Um fanático é alguém que redobra seu esforço quando se esquece de seu objetivo” — George Santayana)
  4. 4. Nunca, jamais diálogo algum, exceto “beep-beep!”
  5. 5. O Papa-Léguas deve ficar na estrada — de outro modo, logicamente, ele não poderia ser chamado de road runner.
  6. 6. Todas as ações devem ser confinadas ao ambiente natural dos dois personagens — o deserto do sudoeste americano.
  7. 7. Todos os materiais, ferramentas, armas ou utensílios mecânicos devem ser obtidos da Acme Corporation.
  8. 8. Sempre que possível, faça da gravidade o pior inimigo do Coyote.
  9. 9. O Coyote é sempre mais humilhado do que ferido por seus fracassos.

“Os cartoons Road Runner and Coyote são reconhecidos e aceitos por todo o mundo.” — escreve o diretor e criador de Wile E. Coyote, Chuck Jones em seu livro de memórias, Chuck Amuck (1999) — “Talvez a falta de diálogo seja uma razão. Se você quer rir, pode fazê-lo a qualquer tempo, seja em Dinamarquês, Francês, Japonês, Urdu, Navajo, Esquimó, Português ou Hindi. ‘Beep-Beep!’ é o Esperanto da comédia.”

O décimo mandamento, que Mr. Jones talvez tenha esquecido de citar, deve ser esse: “Ao introduzir a trama, não se esqueça de sempre (re)apresentar os personagens com os nomes populares acompanhados de uma pseudocientífica nomenclatura binomial em latim macarrônico.”

Crime eletrônico, castigo eletrônico

Quando John e Margaret Vivian declararam falência em 1992, não esperavam que o NationsBank lhes mandasse uma notificação sobre uma dívida que já havia sido quitada. O banco pediu desculpas e disse que um computador havia cometido um erro ao gerar a cobrança.

Seria um caso clássico de “ignore o aviso em caso de quitação”, mas o casal ainda recebeu uma segunda notificação. Quando receberam a terceira, os Vivians acharam que já era demais e processaram o banco. Como o banco insistia em culpar o computador, o juiz A. Jay Cristol decidiu punir a máquina. Segundo a sentença, fica

ORDENADO que o computador do NationsBank, envolvido em desobediência civil, seja multado em 50 megabytes de memória de disco rígido e 10 megabytes de memória de acesso aleatório [RAM]. O computador pode se livrar dessa condenação se cessar a produção e envio de documentos para Mr. e Mrs. Vivian.

Se não for resultado de ignorância informática, ainda comum nos meios judiciários, a sentença é no mínimo uma trollagem genial: o juiz lava as mãos e obriga sutilmente que o banco – em última análise responsável pela programação do computador –  dê um fim no spam.

É difícil dizer se a sentença foi cumprida ou mesmo se é tecnicamente viável. Por exemplo, quem aplicaria a “multa” sobre o cérebro eletrônico? O banco? Um técnico do Estado? Um agente policial? Mr. Cristol parece acreditar que um computador seria uma entidade consciente e se sentiria ameaçado com uma limitação de memória (que nos parece pequena hoje, mas era considerável na época). No fim das contas, o mais provável é que o banco (ou o computador) tenha recorrido da sentença.

Punido ou não, o caso do computador do NationsBanks ainda dá o que pensar: se um computador for capaz de cometer um crime de forma autônoma, como ele seria punido? Destruição física ou mudança de software? Aliás, faria sentido punir uma máquina? Em última análise, um computador, mesmo que se torne autônomo, é uma criação humana. Seus criadores ou programadores deveriam ser, no mínimo, considerados coniventes. Por outro lado, pode-se alegar que eles não teriam responsabilidade sobre atos de uma inteligência artificial, que estariam fora de seu controle. É o velho dilema de Frankenstein: o que fazer quando a criatura se volta contra o criador?

Patentes Patéticas (nº. 59)

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Douglas Adams pode ter sido o primeiro a chamar a atenção para as múltiplas utilidades da toalha, mas não foi o primeiro a levar a sério esse banal pedaço de tecido felpudo, encontrável em (quase) todo banheiro. Diversos inventores tentaram aperfeiçoar esse utensílio têxtil, úmido e às vezes bolorento aplicando-lhe utilidades extra-banho.

Foi difícil escolher uma única patente, mas decidimo-nos por uma que mantém a toalha o mais intacta possível, o que permitiria seus múltiplos usos em situações interestelares. É esse o caso do Convertible Towel Costume [Traje de Toalha Conversível], elegante ideia de Charlotte B. Dike: Continue lendo…

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