Publicado
17 de fev de 2013

Por mais patéticas que tenham sido, as 95 patentes apresentadas ao menos se esforçaram para tentar resolver algum problema de ordem prática (mas que geralmente já tinham soluções mais simples). Uma patente dedicada à confecção simplificada de mapas mais precisos pode parecer algo mais sério e mais útil. Esse seria o caso de Map (profile) of Earth’s continents and methods of manufacturing world maps [Mapa (perfil) dos continentes da Terra e métodos de manufatura de mapas-múndi]. Mas a seriedade e utilidade dessa patente acaba no fim do parágrafo-resumo: Continue lendo…
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9 de set de 2012

Monte Fuji a partir de Tóquio: icônico cone vulcânico fica a apenas 100km da capital nipônica.
O Japão é um país geologicamente desastrado: o arquipélago japonês situa-se sobre uma das áreas mais ativas do Círculo de Fogo do Pacífico, tem poucos recursos minerais e é assolado por milhares de terremotos todos os anos. Vez por outra há um tsunami devastador como o do ano passado. O que de pior poderia haver? Ah, é mesmo! Uma erupção do Monte Fuji.
O cone vulcânico mais perfeito do mundo não estoura há três séculos — a erupção mais recente foi em 1707-08. Mas isso não significa que o gigante japonês esteja adormecido. Muito pelo contrário: o tsunami-seguido-de-terremoto de 11 de março de 2011 pode levá-lo a uma nova explosão, com resultados potencialmente catastróficos. Continue lendo…
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3 de jul de 2012
Quando se trata de visualizar terremotos, mapas são sempre úteis — especialmente para saber onde eles ocorrem. Mas e quanto à dimensão temporal?
Juntando dados do ANSS (Advanced National Seismic System), do USGS (United States Geological Surveys) e da Universidade de Berkeley à imagens da NASA, John Nelson montou um mapa com todos os sismos registrados desde 1898. Cada ponto luminoso é um terremoto, ou melhor, o epicentro de um terremoto. Quanto mais brilhante, mais tremores há em determinada área. As magnitudes são separadas por cores e vão de 4 a 8 na escala Ritcher.

Uma pena que o infográfico (tamanho integral) de Mr. Nelson seja apenas estático e não interativo — seria muito mais interessante poder clicar em cada ponto, ampliá-lo e ter acesso aos dados sobre os terremotos representados. Ainda assim, além do pouco surpreendente acúmulo de ocorrências em torno do Pacífico, há informações interessantes. Como indica o gráfico no rodapé, os sismos mais frequentes foram os de 4 graus (74,45% dos registros). Apenas 0,01% tiveram grau 8 (ou mais). Note que há alguns tremores, ainda que de pequena magnitude, no território brasileiro — principalmente no Nordeste, que fica mais próximo do rift meso-atlântico.
[IDV Solutions via Scinerds]
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23 de mai de 2012
Por definição, um lago é um corpo de água que ocupa permanentemente uma depressão do relevo terrestre. Mas o Lago Merzbacher é uma exceção. Localizado numa das áreas mais inacessíveis das Montanhas Tian Shan, no leste do Quirguistão, não muito longe da fronteira com o Cazaquistão e a China, o Lago Merzbacher fica ao pé do glaciar Inylchek. É tão difícil chegar lá que o lago só foi descoberto em 1902, por Gotfrid Merzbacher (daí o nome), um alpinista-geógrafo alemão.

O isolado lago quirguiz não é lá muito grande: 4 km de extensão, 1 km de largura e até 70 metros de profundidade máxima, mas sua proximidade com a geleira é o que torna excepcional. A cada primavera, quando o lago congelado se torna líquido, suas águas cada vez mais quentes recebem pedaços da geleira vizinha. Um lago tomado por icebergs já seria por si só uma atração turística, mas isso não é tudo o que acontece por lá.
Dependendo da época em que você chega a Merzbacher — se é que você vai conseguir chegar lá —, pode não encontrar lago algum. Mas isso não significa que o seu GPS não funciona e que você esteja perdido ou que o verão local é inclemente a ponto de evaporar o lago inteiro. Também não é preciso culpar o aquecimento global, nem qualquer intervenção humana. O lago some por sua própria natureza.
O Lago Merzbacher é um tipo especial de lago, conhecido como lago proglacial. Isso significa que o lago é represado pela geleira. Há lagos proglaciais em todo o mundo e eles geralmente ou crescem com a retração do gelo ou simplesmente desaparecem junto com o glaciar. Exceção da exceção, o Merzbacher é um meio-termo: esvazia-se para se encher novamente logo depois.

Vão-se as águas, ficam os icebergs
O fenômeno pode parecer misterioso, mas provavelmente é assim: no verão o degelo continua e a água chega a subir até dois metros por dia. Depois de certo ponto, o lago enche tanto que a geleira inteira que o mantém flutua. Quando isso acontece, é como se fosse aberta a comporta de uma represa e o lago inteiro pode se esvaziar em apenas três dias, com suas águas correndo em direção ao Rio Inylchek. Depois que o lago esvazia, a geleira se reacomoda e bloqueia o vale glacial, reiniciando a cheia.

O velho dilema do copo d'água em proporções lacustres: meio cheio ou meio vazio?
Normalmente, esse ciclo de cheia e vazante costuma acontecer anualmente, mas já houve registro de ciclos semestrais ou de cheias que levaram dois anos até chegar ao ponto crítico. Dada a dificuldade de acessar o lago, ele foi pouco estudado até agora e a hipótese da represa de gelo móvel ainda não foi inteiramente confirmada.
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29 de jul de 2011
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Em 1976, uma foto de satélite da NASA, de número C-S11-32W071-03, revelou algo bastante incomum na densa floresta do sudeste do Peru: objetos piramidescos, alinhados em duas fileiras quase perfeitas. Seria aquele o esconderijo de incas-venusianos?
Aquilo, fosse o que fosse, tinha que ser nomeado. Afinal, não seria muito prático ficar usando “anomalia da foto C-S11-32W071-03” nas discussões. Os entusiastas dos mistérios sul-americanos chamaram-nas de pirâmides de Paratoari (ou pirâmides de Pantiacolla; os crentes, para variar, discordavam sobre os detalhes). Os céticos simplesmente se referiam àquilo como os “pontos”. Entretanto, como quase todas as febres dos anos 1970, esse mistério da selva peruana acabou esquecido por um bom tempo.
Foi somente em 1996 que Gregory Deyermenjian, explorador e psicólogo norte-americano decidiu montar uma expedição e descobrir de uma vez por todas o que eram (ou não eram) as “pirâmides”. Acompanhado dos peruanos Paulino Mamani, Dante Núñez del Prado, Fernando Neuenschwander, Ignacio Mamani e dois índios, Deyermenjian se embrenhou na selva peruana. Foram os primeiros a chegar naquele local. O americano já era um experiente explorador e encontrou diversas evidências de ocupação inca na área: petroglifos, estradas pavimentadas (a.k.a. peabirus) e plataformas. Mas nada das “pirâmides”.
Porém, em uma investigação mais minuciosa, Deyermenjian encontrou algo e percebeu que aquilo não poderia ter sido feito por mãos humanas (muito menos incas-venusianas). O que ele encontrou era nada menos que uma formação geológica natural, as serras de cume truncado de arenito (em inglês, sandstone truncated spur). São apenas falhas de origem glacial ou tectônica com a surpreendente e ilusória forma de uma pirâmide.
Mesmo com o mito das pirâmides de Paratoari detonado, o interesse sobre a área e uma possível cidade perdida ressurgiu em 2001. Naquele ano, o arqueólogo italiano Mario Polia alegou ter encontrado documentos nos arquivos dos jesuítas em Roma. Segundo Polia, um missionário relatava a existência de uma cidade inca conhecida como Paititi naquela área. Faltava apenas descobrir as evidências físicas. Um “forte” chegou a ser descoberto em 2007 mas, como as pirâmides, também não passava de uma extravagância geológica feita de arenito.
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20 de jun de 2011
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Em todo o mundo, muitos foram os que buscaram a Fonte da Juventude. Mas em Gubbio, uma pequena cidade medieval da Itália, não é difícil encontrar a Fonte da Loucura. Construída no século XVI, a Fontana de Bargello logo passou a ser chamada pelo povo de Fontana dei Matti [Fonte dos Malucos].
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| Até a fotografia enlouquece perto da Fontana dei Matti! (crédito: lucamoglia.it) |
Situada na região da Úmbria, Gubbio sempre teve fama de ser um lugar de gente excêntrica. A Fonte dos Loucos fica no centro velho da cidade e ainda é um ponto de encontro para moradores além de ter se tornado uma atração turística.
De acordo com a tradição local, é possível conseguir uma licença de “matto di Gubbio” [louco de Gubbio] após dar três voltas em redor da fonte e ser batizado com suas águas — mas o batismo só vale se for feito por um cidadão nativo. Com uma grana dá até para conseguir um título de cidadão honorário e, como bônus, um certificado de maluquice legítima.
O folclore por trás (ou em em torno) da fonte pode não ser tão maluco (ou turístico) quanto parece à primeira vista. Estudos geológicos da área de Gubbio mostraram que o solo da cidadezinha italiana é rico em irídio, metal altamente tóxico — o que poderia explicar a secular fama de loucura de seus habitantes.
Publicado
17 de ago de 2010
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litóclase
s.f. [do grego lithos, pedra e clastos, quebra] fratura que se forma naturalmente em rochas pela variação térmica; rachadura, fresta. “E mesmo ali, naquela litóclase árida, a vida brotava insistentemente.”
Publicado
24 de jun de 2010
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Em 28 de junho de 1911 um aerolito meteorito caiu na Terra, mais precisamente em Nakhla, no Egito. Um fazendeiro local chamado Mohammed Ali Effendi Hakim afirmou que um dos fragmentos da rocha espacial caiu sobre seu cachorro (o dele, não o seu).
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| Cuidado com seus pesos de papel. Eles podem ter sido aerolitos assassinos! |
Se isso for verdade, seria o primeiro caso de um animal morto por um aerolito meteorito. Mas é difícil comprovar a história. Não foi possível fazer uma autópsia — o cão, se é que existiu, foi vaporizado.
Publicado
15 de jun de 2010
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Em 8 de maio de 1902, Louis-August Cyparis foi preso após uma briga de bar. Por falta de vagas, o operário de 27 anos foi detido numa cela solitária e blindada no subsolo da cadeia de Saint Pierre, na Martinica. Ao chegar à cela, Cyparis percebeu um súbito escurecimento do céu — mas não por falta de iluminação na prisão.
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| Foi culpa do Pelé, e não do Edson, entende? |
Pouco depois, a cadeia foi varrida por um vento fervente e carregado de cinzas. Cyparis sofreu profundas queimaduras nas mãos, braços, pernas e costas. Ele passou quatro dias cuidando das feridas como pôde, até ser encontrado por uma equipe de resgate.
Naquela dia de maio de 1902, o Monte Pelée havia entrado em erupção, na maior tragédia vulcânica do século XX. Dos 28.000 habitantes de Saint Pierre, apenas três sobreviveram — e Louis-August Cyparis foi um deles.
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27 de fev de 2010
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O grande terremoto que atingiu hoje o Chile e pôs o litoral do Pacífico em alerta para possíveis tsunamis foi mais um passo do continente sul-americano sobre o Oceano Pacífico. Como já deve ter sido amplamente explicado na mídia, terremotos são causados por choques de grandes placas rochosas chamadas placas tectônicas. No caso do terremoto chileno foi um choque submarino entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-americana.
Na verdade as coisas não são tão simples assim. As placas não se chocam repentinamente, como se antes estivessem afastadas. As placas tectônicas, estão, na verdade em constante contato e sempre se movimentam. Tais movimentos são lentos, coisa da ordem de alguns centímetros por ano. Apesar de as placas serem muito grandes e pesadas, mesmo esses pequenos movimentos geram grandes tensões.
Embora sejam resistentes, as rochas não podem armazenar tais tensões além de certo ponto. Assim, depois de vários anos (ou séculos) de acúmulo, a tensão é liberada na forma de ondas sísmicas — e um terremoto acontece. Se a tensão é liberada sob o mar e tiver energia suficiente para deslocar grandes volumes de água, pode haver um maremoto (tsunami).
SE SABEMOS AS CAUSAS, POR QUE NÃO DÁ PARA PREVER UM TERREMOTO?
Um dos motivos é que o estudo dos terremotos é ainda uma ciência muito recente. Apenas no início do século 20 a teoria de tectônica de placas foi proposta. Mesmo assim, como a Geologia é uma das ciências mais conservadoras de todas, a teoria tectônica só veio a ser aceita consensualmente nos anos 70 — depois do último grande terremoto chileno, que atingiu Valparaíso em 1960 com estimados 9,5 graus de intensidade.
Temos, portanto, muito pouco estudo sobre as causas exatas dos terremotos. Não sabemos dizer qual é o limite de acúmulo da tensão tectônica. Mesmo que soubéssemos, seria muito difícil medi-lo e por dois motivos. Primeiro, as áreas de encontro de placas são, naturalmente, lugares de difícil acesso, ainda mais se estiverem debaixo d’água. Segundo, os movimentos diários são tão lentos e profundos que precisaríamos de sensores muito mais precisos do que os que já temos.
Outro motivo é que esses sensores teriam de ser capazes de lançar sinais rápidos e precisos mesmo nas condições extremas que há dezenas de quilômetros abaixo do solo ou do mar — altas temperaturas e grandes pressões. E nós ainda não temos condições tecnológicas de levar tais sensores a tamanhas profundidades. A maior profundidade alcançada pelo homem é um buraco de cerca de 10km situado na Rússia. Só que, dependendo da área, isso pode ser apenas 10% da espessura da crosta terrestre. Nós sequer arranhamos a superfície terrestre.
Enquanto não conhecermos exatamente o que se passa lá em baixo, nós não seremos capazes de fazer previsões precisas, mesmo que tenhamos explicações para as causas.