Em uma palavra [146]

braquistócrona (bra.quis.tó.cro.na)
s.f. Fís.
curva que representa a trajetória pela qual um corpo, abandonado ao seu próprio peso, em um campo gravitacional constante e sem atrito, chega de um ponto a outro no mais breve intervalo de tempo. [do grego brachístos = o mais curto + chrónos = tempo]

Braquistócrona.

>O Cometa-Kamikaze

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A atração solar é irresistível. Especialmente quando você é um cometinha de 200 metros de diâmetro. Assim como uma mosca caindo numa armadilha luminosa, o Cometa Lovejoy (C/2011 W3) está se aproximando loucamente do Sol, onde deve ser destruído em meio a um clarão espetacular em algum momento entre os dias 15 (amanhã) e 16 (sexta).

O cometa-kamikaze pode se tornar tão brilhante quanto Jupiter ou Vênus quando for vaporizado. Infelizmente, a luz solar já é tão intensa que ofuscaria tal brilho efêmero. Felizmente, porém, temos observatórios solares no espaço e eles vão ter uma vista “de camarote” por nós. No domingo, o Lovejoy (não deixa de ser um nome sugestivo) entrou no campo de visão da sonda STEREO-B, da Nasa.

“Você pode ver claramente o cometa se aproximando diagonalmente através das imagens”, diz Karl Battams, do Naval Research Lab, que preparou a animação acima. “Durante a sequência de 16 horas, o brilho do cometa passa de magnitude +8 para aproximadamente +6,5.” Quanto menor a magnitude, mais brilhante e visível é um astro.

Logo, o cometa suicida ficará ainda mais brilhante. Segundo Battams, “Este cometa é um verdadeiro rala-sol e vai passar de raspão a cerca de 140.000 km (1,2 raio solar) acima da superfície solar em 15-16 de dezembro”. A uma distância tão próxima (pouco mais de um terço da distância Terra-Lua), o calor infernal da fornalha solar vai evaporar o núcleo de gelo, criando uma nuvem de vapor e poeira cometária que vai refletir bastante luz do Sol. O Observatório Solar e Heliosférico (SOHO) terá a melhor visão.

(via scinerds, via spaceweather)

Update (15/12, 21h30) — Seguem abaixo duas imagens: (I) da situação ao amanhecer do dia de hoje e (II), da trajetória prevista para o cometa  Lovejoy (C/2011 W3).

(I) Situação às 8:30 da manhã de hoje, Hora de Greenwich (6:30 da manhã em Brasília). O cometa é o borrão branco na parte inferior da imagem. O Sol (círculo branco no centro) foi ocultado para não ofuscar a imagem.
(II) Trajetória prevista para o cometa-kamikaze. O perigeu, ponto de maior atração em relação ao sol, está previsto para os 37 minutos e 15 segundos do dia 16/12, Hora de Greenwich (ou em pouco mais de uma hora, no momento em que escrevo isso).

Update, 16/12, 23h — Fomos surpreendidos novamente! O núcleo do cometa Lovejoy se mostrou muito mais duro do que pensávamos. Mesmo com uma grande perda de massa por evaporação, o cometa-kamikaze não se desvaneceu. Após o voo rasante sobre o Sol, continuou sua trajetória rumo às profundezas obscuras do Sistema Solar.

>Pegue o pombo! Pegue o Pombo!

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Em 17 de agosto de 1921, um pombo-correio pousou aos pés de um policial no Columbus Circle em Nova York. Presa à sua pata, vinha a seguinte mensagem:

Notificar Dan Singer, no Belleclaire Hotel. Estou perdido nas Montanhas Hoodoo, Parque de Yellowstone. Mande socorro, provisões e mulas para transporte. HELLER. 8-13-21.

Ao chegar ao Belleclaire Hotel, o policial não tardou a encontrar Daniel J. Singer, um corretor de seguros. Singer reconheceu o pombo e identificou o tal HELLER como Edmund H. Heller, um naturalista veterano que, junto com Theodore Rooselvelt, o havia acompanhado em uma viagem à África em 1909. Heller havia viajado recentemente para Yellowstone a fim de reunir material para uma série de palestras que apresentaria.
A história parecia tão dramática quanto piscosa (de pescador). Se o pássaro partiu do Wyoming no dia 13, então ele voou 3.000 quilômetros em cinco dias, o que seria extraordinário. Quando os repórteres souberam do caso e contataram o superintendente do Parque de Yellowstone, ele declarou: “Edmund Heller está aqui. Mas não há qualquer fundamento na afirmação de que ele está ou estaria perdido.”
Aparentemente, alguém falsificou a assinatura de Heller na nota, montando uma farsa para atrair publicidade para as palestras do naturalista. Uma investigação foi aberta por um mal-humorado delegado do distrito, que não viu graça nenhuma no caso. Ninguém foi preso, porém. O New York Times também fez suas investigações, mas divulgou que “No Belleclaire fomos informados de que Singer estava fora da cidade, mas havia negado qualquer responsabilidade e insistia que alguma pessoa do hotel perpetrou o golpe.”

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