Patentes Patéticas (nº. 90)

http://www.google.com/patents/US1633978

Bigodes. Vez por outra esse tufo de pêlos que cresce sobre o lábio superior de indivíduos do sexo masculino após a puberdade volta à moda por razões obscuras. Mas quando a moda volta, costuma vir como enxurrada: de uma maneira ou de outra, todo mundo adota esse meme piloso — até quem não tem ou não pode ter bigodes, como moças e crianças (algumas mulheres são uma exceção notável).

Qualquer que seja o motivo para cultivar esse adereço facial, você certamente encontrará pequenos incômodos. Um dos principais problemas é que um bom bigode é como uma planta e necessita de uma poda precisa de vez em quando. Para solucionar esse problema, Pierre Leon Martin Victor Calmels inventou e patenteou um Apparatus for the cut of the mustache [Aparelho para o corte do bigode]: Continue lendo…

>Os EUA derrotariam Roma?

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Essa boa pergunta começou como uma experiência de pensamento no Reddit.com quando um usuário chamado The_Quiet_Earth postou a seguinte questão: “Eu poderia destruir o Império Romano inteiro durante o reinado de Augusto [circa 23 A.E.C.] se eu viajasse no tempo com um moderno batalhão de infantaria da Marinha dos Estados Unidos ou uma MEU?” Pouco depois, o usuário fez alguns esclarecimentos e apresentou um cenário mais preciso:

Digamos que a gente volte no tempo com uma MEU [Marine Expeditionary Unit ou Unidade Expedicionária de Fuzileiros-Navais]… poderíamos destruir todas as legiões de Augusto?
Estaríamos contra mais ou menos 330.000 homens, uma vez que cada legião era composta por 11.000 homens. Esses homens eram tipicamente equipados com armaduras para os braços e o tronco, feitas de metal e como armas eles usavam espadas, lanças, arcos e outros implementos de apunhalamento. Nós também encontraríamos armas de cerco como catapultas e toscas armas incendiárias.
Nós teríamos um total de cerca de 2.000 membros, do qual metade participaria de operações de ataque terrestre. Nós poderíamos usar nossos veículos mecanizados (60 Humvees, 16 veículos blindados, etc), mas não poderíamos usar nosso reforço aéreo. Aeronaves seriam apenas para transporte.
Nós teríamos médicos conosco, além de moderno equipamento médico e drogas, mas não teríamos mais uma linha de suprimento mágica através do tempo (nós tínhamos, mas os timelords desprezaram-nas, infelizmente!) que nos alimentaria com toda a munição, equipamento e sustento que precisaríamos para sobreviver. Nós teríamos que prosseguir com as coisas que trouxemos conosco.
Assim, seríamos nós vitoriosos?
A pergunta, obviamente, causou um frenesi de discussões e argumentações. Outro usuário, James Erwin escreveu um conto, Rome Sweet Rome, imaginando como as batalhas se desenrolariam sob tais condições.  Não demorou muito para se formar uma comunidade em torno do conto, de onde surgiram diversos traillers no Youtube baseados na história de James Erwin. A coisa foi tão louca que a Warner Bros. já comprou os direitos cinematográficos sobre o conto (Erwin deve desenvolver o conto em um livro, a ser publicado até o fim do ano que vem). 
Agora, porém, são os historiadores profissionais que estão se debruçando sobre essa questão. Expert sobre o Exército Romano, o historiador Adrian Goldsworthy foi entrevistado pela Popular Mechanics. Eis o que ele pensa sobre esse cenário:

Obviamente, haveria uma diferença brutal de poder de fogo. A armadura romana seria não só inútil contra um rifle — muito menos contra um lança-granadas ou uma metralhadora .50 —, ela provavelmente distorceria os projéteis, tornando as feridas mais profundas.

Mas Mr. Goldsworthy lembra que há um porém:

No curto prazo e em campo aberto, a infantaria moderna poderia massacrar qualquer soldado da antiguidade com um risco mínimo  de baixas. Mas você não poderia sustentar essa infantaria moderna. Assim, com todas essas armas e veículos você poderia fazer uma aparição breve, dramática e até mesmo devastadora, mas que rapidamente se tornaria inútil. Provavelmente em questão de dias… Os marines são os melhores guerreiros já treinados. Mas eles não podem lutar contra uma onda interminável de soldados. Ninguém pode.

Essa limitação logístico-temporal acabaria com qualquer poder moderno. Os veículos não tardariam a ficar sem combustíveis (ainda mais sendo beberrões como são os veículos militares). As munições também se esgotariam rapidamente. Por outro lado, nossos soldados do século XXI certamente poderiam se virar em termos de alimentação. Só que, sem qualquer poder de fogo, nossos dois mil homens seriam inúteis contra as 30 legiões de Augusto, ainda que conseguissem destruir algumas delas enquanto tivessem poder de fogo. No entanto, todas essa legiões não estariam reunidas na Itália — ou, provavelmente, não deveriam estar —, o que obrigaria a uma caçada através de toda a Europa e Oriente Médio para aniquilá-las.

>Os Gigantes de Cardiff

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Durante a escavação de um poço em Cardiff, no interior de Nova York, em 1869, os operários fizeram uma descoberta sensacional: um homem de pedra com 10 pés [3 metros] de altura.

Era uma estátua antiga? Um gigante petrificado? A verdadeira origem era bastante mundana. O chamado “Gigante de Cardiff” havia sido esculpido em gesso e enterrado deliberadamente por um comerciante de Nova York, George Hull. Ele realmente fez um bom negócio: gastou 2.600 dólares para esculpir e enterrar a peça, que foi vendida por US$ 37.500 após ser “descoberta”.

Mas a histeria do mercado não parava. P.T. Barnum, dono do então maior circo do mundo, ofereceu US$ 60.000 para alugar o gigante por três meses. Para ganhar ainda mais, Hull fez uma réplica, que apresentou como autêntica, declarando a peça original como o que era: falsa. Ao saber do caso, o expositor David Hannum teria dito a frase “A cada minuto nasce um otário.” Ironicamente, hoje a frase é creditada a P.T. Barnum, mas ele é que era o otário nessa história toda.
Apesar do hype (ou como todo hype), o truque não durou muito. Um ano mais tarde, as duas estátuas foram consideradas falsas após um exame. Mas a primeira delas ainda vive: está até hoje exposta em um museu de Cooperstown, NY.

>Encontrado o primeiro projeto da Apple

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Está com um visual bem clean e tem uma tela plana, mas ainda falta hype.

>O peso do nome: Edison (parte 1)

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Thomas A. Edison Jr., a.k.a. Dash (Traço). O apelido telegráfico foi dado pelo pai.

Thomas Alva Edison Junior nunca teve paz na vida.

Nascido em 1876, ele era filho do mais famoso inventor do mundo e todo mundo esperava que ele seguisse os passos do pai. Apelidado pelo pai de “Dash” (traço; sua irmã mais velha, Marion, era “Dot”, ponto), ele teve uma primeira infância bastante idílica, embora sempre tenha passado mais tempo com a mãe, Mary. Arrasado pela morte da mãe quando tinha sete anos, Thomas Jr. e sua irmã pouco podiam fazer com o pai, um homem emocionalmente distante, para quem o laboratório era o lar. Junior passou o resto de sua infância em um internato onde, segundo relatos, ele se mostraria um mau aluno. Quando Edison-Pai se casou novamente em 1886 e a família se mudou para Glenmont, Nova Jersey, Mina (a segunda esposa), tentou formar laços afetivos com as crianças, mas Junior acabou se afastando da nova família. O fato de sua madrasta ser apenas um pouco mais velha que ele pode ter dificultado a situação, que se tornou insuportável.

Contrariando os conselhos paternos, “Dash” abandonou os estudos aos 17 anos e não se formou. Herdeiro do nome Edison, ele estava determinado a tornar-se um grande inventor e superar o pai. O velho Edison deu-lhe um trabalho em seu laboratório de West Orange. Mas o garoto mostrou-se muito inquieto e foi parar nas minas que o pai possuía em Ogden, NJ. Numa carta para a madrasta de 1897, Junior escrevia: “Eu provavelmente nunca vou ser capaz de agradá-lo e tenho medo do que não está em mim. Mas eu nunca desistirei tentando… Eu tenho muitas ideias próprias, as quais às vezes, diria até que em todas as ocasiões, eu gostaria de perguntar ou falar sobre elas com ele, mas eles nunca me deixam abrir a boca.”
Após deixar seu trabalho na mineradora — que não durou muito —, o rapaz partiu para Nova York, onde tornou-se o centro das atenções após uma matéria em um jornal, onde era apresentado como “Edison Jr, o Mago”. O artigo apresentava uma suposta lista das criações do jovem Edison e sugeria que ele “está desenvolvendo uma formidável rivalidade com seu ilustre pai em seu próprio campo.”. Porém, o autor da reportagem não deve ter feito muitas pesquisas sobre a situação de Thomas Jr. e acreditou totalmente em suas afirmações sobre invenções. Todo esse hype acabou levando “Dash” a trabalhar em uma exposição em Madison Square Garden, onde fazia propaganda de si mesmo, de suas ambiciosas ideias e dos novos aparatos elétricos: tomava chá de uma chaleira elétrica e comia biscoitos feitos em um “forno eletricamente aquecido”. Porém, após o fim da exibição, o ingênuo Thomas Jr. caiu sob a influência de inúmeros oportunistas, charlatães  e especuladores que queriam apenas tirar vantagem de seu nome famoso.
Certificado de Acionista da Edison Steel and Iron Process Company. Até o embaixador
dinamarquês investiu na empresa e, como todo mundo, perdeu dinheiro.
Uma nova empresa de metalurgia, a Edison Junior Steel and Iron Process Company [Companhia de Processamento de Ferro e Aço Edison Junior], foi rapidamente formada. Aos vinte anos, Junior era o acionista principal. O verdadeiro Thomas Edison ficou irado com a exploração em cima de seu nome e pediu que o filho parasse. Thomas Jr. respondeu que iria “continuar do jeito que estou fazendo”. Ele também acusou o pai de atrapalhar seus planos e até mesmo disse que “Se meu nome fosse Smith, eu seria um homem rico hoje.” Em 1899, o casamento secreto de Junior com a atriz Mary Touhey foi outro escândalo que abalou ainda mais a relação entre “Dash” e Edison. Não se sabe como foi a lua-de-mel, mas o casamento durou pouco. Junior parece ter feito isso apenas de birra, mas até sua ex-mulher também se aproveitou dele: ela, que morreria sete anos mais tarde, continuou usando o sobrenome Edison mesmo após o divórcio. A essa altura, Thomas Jr. estava quebrado. Todas as empresas fundadas por ele ou com investimentos dele evaporaram. Após fazer uma montanha de dívidas e soltar uma frota de cheques voadores, ele teve de fugir de Nova York para não ser preso por endividamento. O promissor menino-mago agora era motivo de piada.
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Thomas A. Edison Sr.: o Mago de Menlo Park não foi um bom pai.
Como Edison Sênior reclamaria mais tarde, “A cabeça do meu filho está agora tão bagunçada que eu não posso fazer absolutamente nada por ele. Ele está sendo usado por indivíduos mórbidos e vorazes, que estão apenas atrás dos próprios interesses! Eu nunca consegui fazê-lo ir para a escola ou trabalhar no Laboratório! Ele é, portanto, absolutamente iletrado, cientificamente ou de qualquer outro modo!” Mesmo assim, o nome Edison ainda tornava Thomas Jr. um produto desejável. A Edison Chemichal Company [Companhia Química Edison], que estava sendo processada pelo Edison Sr. por uso indevido da marca, contratou o garoto para conseguir legitimidade. Após mudar de nome para “Thomas A. Edison Junior Chemical Company”, e colocá-lo como vice-presidente, a empresa ampliou seu catálogo de ofertas dúbias com as invenções de “Dash”. O “Vitalizador Magno-elétrico” de Junior era anunciado como cura para a paralisia, o reumatismo, a ataxia locomotora e “outros males incuráveis”. Também eram vendido os “Wizard’s Ink Tablets [tabletes de tinta d'O Mago]”. As propagandas usavam ostensivamente o nome de Edison: a linha de produtos da Chemical Company saía do “jovem cérebro de Thomas Edison Junior” e cada lançamento era a “última descoberta do Edison”.
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Thomas Edison, o pai, estava perdendo as estribeiras com seu garoto-problema. Ele escreveu para o filho pedindo o fim de qualquer associação com aquela companhia. Em 1902, em troca de uma mesada, Junior cedeu e concordou em “desistir de todos os direitos futuros sobre o nome Edison para fins de obter lucro.” O velho Edison estava livre para processar as diversas empresas “Edison Junior” que infestavam o mercado. Como ele disse em uma entrevista em 1904, “Eu vou proteger meu nome mesmo que isso me custe cada dólar que eu tenho.” Os advogados processaram a Edison Junior Chemical Company pelo uso do nome Edison e da marca Wizard. No processo, os advogados de Edison Sr. justificaram a ação dizendo que a empresa estava enganando consumidores, fazendo-os crer que os produtos piratas eram do próprio Edison. O pai chegou até mesmo a fazer uma declaração juramentada, dizendo que Edison Jr. não era inventor, não tinha ocupação fixa e era “incapaz de fazer qualquer invenção de mérito.”

>Arte Crítica e os Críticos de Arte

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Será que um artista pode fundar uma escola de arte mesmo sem querer? Em 1924, irritado com a falta de discernimento dos críticos de arte diante de todo aquele hype modernista, o escritor e jornalista norte-americano Paul Jordan-Smith (1885-1971) convenceu-se de que “os críticos louvariam qualquer coisa ininteligível.”
Para provar que estava certo, ele criou o que poderia ser chamado de uma meta-obra-de-arte-crítica. Paul, que jamais havia pintado na vida, pegou umas tintas velhas, uma brocha, uma tela com defeito e, “em poucos minutos espalhei os traços crus de uma selvagem assimétrica segurando o que deveria ser uma estrela-do-mar, mas que saiu como uma casca de banana.” Depois, ele mudou seu penteado, apresentou-se como Pavel Jerdanowitch e mostrou a obra “Exaltation” a um grupo de artistas de Nova York. Pavel dizia fazer parte de uma nova escola, chamada Dessombracionismo.

“Exaltation” (1924): Estrela-do-mar FAIL é hype WIN.

Os críticos adoraram o estilo de Jerdanowitch e acabaram fazendo o que Jordan-Smith menos queria: criaram um hype em cima dele.  O pintor polonês (ou checo? ninguém nem se importou em saber quem era o cara) foi considerado um visionário e o dessombracionismo era uma revolução.

“Jerdanowitch”, ou melhor, Jordan-Smith, expôs a pintura na galeria do Waldorf Astoria. Durante os dois anos seguintes, ele apareceu com pinturas cada vez mais fora do comum, exibidas em Chicago, Boston e Buffalo (a cidade, não o animal), comentadas e elogiadas até nos jornais de arte de Paris:

Um explorador de espírito inquieto, ele [Jerdanowitch] não se contenta com os caminhos pisados. Ele fez alguns belos retratos, depois alguns trabalhos muito estranhos, simbólicos e originais: Exaltation, Illumination, Admiration. Suas composições bastante pessoais, onde o artista representa coisas pela simbolização de sentimentos de seu próprio ponto de vista, o que o põe entre os melhores artistas do avant-garde com uma fórmula que exclui qualquer banalidade.

— L’Art Contemporain: Livre d’Or [A Arte Contemporânea: O Livro de Ouro] (Éditions De La Revue du Vrai et du Beau, Paris, 1927), pp 85-86

Ele acabou confessando a verdade em uma entrevista para o Los Angeles Times em 1927. E parece que o autor estava certo em sua crítica aos críticos. Mesmo depois de revelar a identidade de Jerdanowtch, Paul Jordan-Smith disse que “a maioria dos críticos da América insistia que, como eu já era um escritor e tinha noção de organização, eu tinha uma habilidade artística, mas era ou ignorante ou arrogante demais para admitir”. Depois de enganados, os críticos é que foram ignorantes e arrogantes demais para admitir.

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Em tempo: desde 2006, o Dessombracionismo (ou seria neodissombracionismo?) voltou às telas de pintura em um concurso anual que leva o nome de Pavel Jerdanowitch, mas homenageia Paul Jordan-Smith. Ele deve estar se revirando no túmulo com uma homenagem tão hype.

>4G EPIC FAIL!

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4G FAIL!
Em tempo: o tio Steve Jobs não vai fazer um recall (isso não seria cool). Agora, ele vai dar uma de camelô e vender “capinhas” para sanar o problema. Aliás, qual a diferença entre o Jobs e um camelô? Nenhuma: ambos usam só jeans e camiseta e ambos são a única garantia de seus produtos. 
Mesmo assim, ele não acha que seus clientes foram prejudicados. Eles compraram (e “ainda acham que é a melhor coisa do mundo”) por que quiseram, não por causa do hype criado pelo Appleísmo, que vive endeusando o próprio São Jobs. Eu começo a achar que esse iPhone aí foi projetado com Windows Vista.

>Cala a boca, Galvão!

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by Mola

Os jogos do Brasil na Copa do Mundo ainda nem começaram, mas ele já está enchendo o saco. E o pessoal do twitter já está xingando. Muito. #CALA A BOCA GALVAO é o tópico mais comentado do momento no microblog. Felizmente, ninguém sabe quem (ou o quê) é Galvão lá fora. Então surgiram as mais incríveis explicaçãos pra inglês ver.

Aproveitando-se da ingenuidade (e ignorância) dos gringos, Cala-a-boca-galvão é, ao mesmo tempo, o próximo single da Lady Gaga — deixando os fãs perdidos — e campanha ecológica para salvar um raríssimo pássaro amazônico, o Silentium Galvanus. Veja:
Pode isso, Arnaldo?

Haja coração! Nunca antes na história deste planeta uma piada interna foi tão longe! Ainda tem muito tempo de jogo, mas vamos ver, amigo, por quanto tempo os gringos vão cair nessa. Isso é falta pra cartão.

>O iPad e a Caretice de Steve Jobs

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book of jobsE eis que surge agora esse tal de iPad, que não passa de um iPhone enorme e que mais parece uma versão especial do telefone para gente idosa e portadores de hipermetropia grave — será que o Steve Jobs, o mago do design elegante, está ficando gagá?

O lançamento do tão aguardado iPad, pela Apple, está dando o que falar nos Estados Unidos. Numa comparação ligeira — embora talvez seja injusta —, pode-se dizer que o iPad está para Apple assim como Windows Vista está para Microsoft. Houve muito hype — esse mal do século — em cima desses produtos e, exatamente por isso, ambos foram decepcionantes. Mas o caso do iPad parece ser pior.
Enquanto o Vista parecia ser uma tentativa desesperada de renovar a imagem da empresa do Tio Bill, o iPad tinha tudo para coroar uma década de ouro para a Apple. A empresa de Steve Jobs sempre teve uma imagem mais cool e não apenas pelo design. Desde o começo a Apple foi revolucionária, mas parece que à medida que o Santo Jobs envelhecia, a empresa também ficava mais velha — o que significa dizer reacionária. Ninguém deu muita atenção a isso enquanto Jobs e a Apple eram livres, por assim dizer. Enquanto você poderia abastecer seu iPod sem recorrer ao iTunes.
JOBS TRAIU O MOVIMENTO, VÉIO!
Mas Jobs abriu mão da cultura libertária da web, coisa em que ele próprio foi um pioneiro, para tentar salvar (e, indiretamente, controlar) a indústria fonográfica com o iTunes. Aí veio o iPhone e, apesar do design literalmente brilhante, a Apple fez de tudo para mantê-lo sob seu estrito controle. Primeiro vendeu-o como aparelho bloqueado de apenas uma operadora, a AT&T.
I Mandamento
A marca da maçã não tardou a perceber o erro épico que cometeu, mas em vez de soltar ainda mais o iPhone, prendeu-o da mesma forma que fez com o iPod e criou uma loja de aplicativos que só vende o que agrada ao Steve Jobs. Sem falar que o novo aparelho, apesar de ser “revolucionário”, não funcionava em sistema 3G. O iPhone foi um lançamento precipitado, assim como o Vista. Só que como é muito mais difícil conseguir um hardware — o iPhone — do que um software — o Vista — todo mundo desceu a lenha na Microsoft e fechou os olhos diante das mancadas da Apple.
 II Mandamento
E mesmo em meio às críticas por causa da App Store — a loja de aplicativos —, surgiu outro hype, talvez mais intenso do que o iPhone: a Apple iria lançar um tablet, um computador portátil sem teclado, com tela sensível ao toque. Não tardaram a surgir imagens projeções do que seria nada mais do que um Macbook sem teclado. E era de se esperar que fosse assim. Mas o tio Jobs não poderia controlar o uso de aplicativos num produto desses. Ele teria que aturar alguns usuários que rodariam sistemas como o Google Android ou, blasfêmia das blasfêmias, Windows em seu querido, genial e perfeito tablet
III Mandamento
Então, tudo o que a Apple fez foi seguir religiosamente as ordens de Jobs. E eis que surge agora esse tal de iPad, que não passa de um iPhone enorme e que mais parece uma versão especial do telefone para gente idosa e portadores de hipermetropia grave — será que o Steve Jobs, o mago do design elegante, está ficando gagá? Misteriosamente, o iPad não roda flash — o tio Jobs não deve gostar do Youtube e dos similares pornôs — e misteriosamente não tem nenhum USB, apesar do tamanho. O iPad não teria problemas se fosse lançado depois do fim do flash, que teve a morte anunciada com a chegada do HTML5 até 2012. Inexplicável, porém, é a ausência de USB, um tipo de entrada e saída que, como o nome já diz, é universal e não deve sumir tão cedo. Mas a Apple e o Tio Jobs parecem ser incapazes de resistir a tanto hype, ou melhor, puxa-saquismo.
IV Mandamento
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BÔNUS: A seguir, a tradução de uma ótima crítica feita ao Steve Jobs e seu iPad pelo jornal inglês Financial Times. Jonathan Zittrain, professor da Harvard Law School, demonstra como se deu o retrocesso da Apple e de Jobs. E como o centralismo um tanto autocrático da Apple pode ser perigoso.
Uma luta pela liberdade no coração da Apple
Em 1977, aos 21 anos de idade, Steve Jobs revelou algo que o mundo ainda não tinha visto: um computador pessoal pronto para ser programado. Após ligar a máquina, os orgulhosos proprietários do Apple II se encontravam com um intermitente cursor à espera de instruções.
O Apple II era um bom recomeço, um dispositivo feito — corajosamente — sem nenhum objetivo especial em mente. E, apesar do cursor, você não precisaria saber como escrever programas. Em vez disso, com o apertar de poucas teclas você poderia executar software adquirido de qualquer um em qualquer lugar. O Apple II era generativo, fecundo. Após o lançamento, a Apple não tinha ideia do que iria acontecer depois, o que significa que o que acontecesse não estaria limitado pelas intuições de Mr. Jobs. Em dois anos, Dan Bricklin e Bob Frankston lançaram o VisiCalc, a primeira planilha digital, que funcionava no Apple II. Subitamente, empresas do mundo inteiro desejavam máquinas que até então só eram vendidas a aficcionados. Apples II sumiam das prateleiras. E a companhia teve que fazer uma pesquisa para descobrir o motivo.
Trinta anos depois a Apple nos deu o iPhone. Era fácil de usar, elegante e cool — e havia um monte de aplicações “fora da caixa”. Mas a companhia silenciosamente demoliu um aspecto fundamental, um aspecto assinalado pela queda do “Computer” do nome Apple Computer: o iPhone não poderia ser programado por outsiders. “Nós definimos tudo o que está no telefone”, disse Mr. Jobs. “Você não quer que seu fone seja como um PC. A última coisa que você quer é ter três apps carregados no seu fone e daí você faz uma chamada e ele não funciona mais.”
A abertura sobre a qual a Apple contruíra seu império original foi completamente revertida — mas seu espírito continuou vivo entre os usuários. Hackers competiam para “quebrar” o iPhone, executando novos apps apesar do desejo da Apple de mantê-lo fechado. A Apple ameaçou bloquear qualquer aparelho que tivesse sido quebrado, mas depois pareceu curvar-se: um ano depois do lançamento do iPhone, veio a App Store [Loja de Aplicativos]. Agora os outsiders poderiam escrever software pro iPhone, abrindo as cortinas para um novo ciclo de revolucionários VisiCalcs — para não falar das dezenas de milhares de apps simples, como o iPhone Harmonica ou o malfadado I Am Rich que, por US$ 999,99, exibia a imagem de uma gema preciosa, só para mostrar que o dono do iPhone poderia pagar pelo software.
Mas a App Store tem uma armadilha: os desenvolvedores de aplicativos e os softwares devem ser aprovados pela Apple. Se a Apple não gosta do novo aplicativo, qualquer que seja a razão, já era. O I Am Rich foi retirado da Store depois de ser ridicularizado pela imprensa. Outro app, o Freedom Time, nem chegou a ser posto à venda. Ele contava os dias para o fim da presidência de George W. Bush e foi considerado politicamente sensível. Um leitor de e-mail foi negado por que poderia concorrer com o app Mail da própria Apple. Imaginem se a Microsoft do Bill Gates tivesse decretado que nenhum editor de textos além do Word poderia ser rodado no Windows. A Microsoft perdeu uma longa disputa judicial de uma década por apresentar um comportamento muito menos proprietário.
Apesar de convidar gente de fora para escrever software, o iPhone ainda continua fortemente acorrentado ao seu vendedor — assim como o Kindle é controlado pela Amazon. O 1984 de George Orwell foi retroativamente extraído de Kindles do mundo todo depois que a Amazon ficou ansiosa por ter vendido o livro sem permissão.
Para ser justo, muitos apps rejeitados não vão fazer falta (Só oito gastadores compraram o I Am Rich antes dele desaparecer). E os usuários podem ser protegidos de softwares danosos de fontes suspeitas. Mas pense: a world wide web começou como — e continua a ser — um app. Suas primeiras versões foram escritas por Tim Barners-Lee, um cientista da computação britânico que não tinha ligação alguma com fábricas de software ou de hardware. Qual seria o valor da Wikipédia, diante de uma necessária aprovação, quando ela exibia apenas sete artigos e esperava dubiamente que o público se encarregasse de fazer todo o resto? Quão ameaçado estaria a publiação de conteúdo de par a par [peer to peer] que permite a troca de dados entre usuários do iPhone? Nós sabemos a resposta: ameaçados o bastante para que eles persuadissem a Apple a excluir aplicativos do tipo da App Store.
É tentador pensar que um pouco de software externo é melhor que nada. Mas o que é válido para um único aparelho pode ser ruim para o ecossistema. O modelo híbrido do iPhone, de softwares externos sob controle centralizado já está indo além do smartphone. Este é o sentido do iPad. Ele poderia ser feito como um pequeno Apple Macintosh — aberto a qualquer software externo — ou como um grande iPhone, sob controle da Apple. E a Apple escolheu a última possibilidade. Ligue um teclado a ele e você poderia substituir um PC — com um monte de novos apps, mas só aqueles que a Apple considera válidos.
Se a Apple é a gurdiã dos usos para o aparelho, governos do mundo só precisam bater à porta de um escritório em Cupertino, Califórnia — o QG da Apple — para exigir mudanças nos códigos ou nos conteúdos. Usuários não têm mais posse ou controle sobre os aplicativos que executam — eles meramente os alugam minuto a minuto.
A esperança está numa combinação mais balanceada de sistemas abertos e fechados, como o que é seguido pelo tradicional Apple Mac — ou por telefones baseados no sistema operacional Android da Open Handset Alliance, um consórcio de empresas de hardware, software e telecomunicações. O Android Market seria a contraparte da Apple Store mas, nesse caso, usuários também são livres para sair dos trilhos e instalar os códigos que quiserem. O Android é como um canário na mina de carvão digital[*]. Se seu modelo mais aberto sobreviver, as pessoas usariam apps suspeitos e descobririam que não podem mais fazer ligações?
Mr. Jobs lançou-nos na era do computador pessoal e agora está tentando nos retirar. Nós devíamos procurar preservar nossas liberdades, mesmo que os aparelhos que tenhamos tornem-se mais atraentes e fáceis de usar.

[* Nota do Tradutor: os mineiros ingleses costumavam levar canários para as minas de carvão não só para fins de companhia, mas por que os canários alertavam-lhes quando havia algo estranho na mina, algum perigo. Daí a expressão “canário numa mina de carvão” para designar algo que é sinal de uma coisa despercebida]

>Orçamento de "Avatar"

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Eu não ia comentar sobre Pocahontas Smurf Avatar depois de tanto bafafá. Mas não resisti. Eis a divisão orçamentária do primeiro hype de 2010:

Em azul, para combinar com aqueles smurfs crescidos
Mais de 300 milhões de dólares pra fazer smurfs crescer? O James Cameron gosta de torrar fortunas com histórias bobinhas. Ou vocês não se lembram do nauseante Titanic?

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