John Steele, o herói azarado

Monument_to_John_Steele

Imagine-se como um soldado americano sendo lançado de paraquedas na França na madrugada anterior ao Dia D. Agora imagine que, em vez de cair a oeste de uma cidadezinha normanda, você desce diretamente sobre a pracinha principal, que está cheia de militares alemães. Pra piorar, seu paraquedas acaba se enroscando na torre da igreja, te deixando pendurado lá em cima, bem à vista dos tedescos. Seria difícil acreditar que, depois de tudo isso, você ainda acabaria virando um monumento.

Mas, por incrível que pareça, foi justamente essa sequência de FAILS que transformou o paraquedista americano John Steele em herói para a população de Sainte-Mère-Église. Junto com outros soldados de dois dos três batalhões da 82ª. Divisão Aerotransportada, Steele foi lançado por engano sobre aquela cidadezinha após um bombardeio realizado na noite anterior ao Dia D.

Em situações como essa, paraquedistas são alvos fáceis. A sorte de Steele mudou quando, depois de ser ferido no tiroteiro anti-aéreo e sobreviver, ele ficou preso pelo páraquedas na torre da igreja. Notando que seus companheiros ou já chegavam mortos ao solo ou eram mortos após o pouso, Steele resolveu se fingir de morto. Seus ferimentos ajudaram em sua encenação estratégica.

O truque funcionou, mas não muito. Duas horas depois, Steele foi descoberto e, como estava vivo, foi feito prisioneiro. Só que o truque dos alemães também não funcionou por muito tempo. Mesmo ferido, Steele escapou e conseguiu encontrar as tropas do terceiro batalhão de paraquedistas, a essa altura reorganizados no 505º. Regimento de Infantaria Paraquedista e pousados no lugar certo. Steele voltou à vila com seus companheiros e ajudou-os a capturar St.-Mère-Église, num ataque que matou 11 alemães e capturou outros 30. Mais tarde, o paraquedista azarão foi recompensado com uma Estrela de Bronze e uma Purple Heart.

Após a guerra, Steele continuou visitando anualmente a cidadezinha que ajudou a libertar. Foi feito cidadão honorário e deu seu nome à uma taverna situada naquela praça, onde sua memória é mantida através de fotos e cartas. Há uma estátua de Steele pendurada com um paraquedas na torre da igreja onde ele teve a (in)felicidade de ficar enroscado. Num dos vitrais reconstruídos, dois paraquedistas cercam a Virgem Maria — um deles é o próprio John Steele, que faleceu em 1969, de câncer, poucas semanas antes do 25º. aniversário do Dia D.

>Carta em Branco

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Quando se trata de correspondências em tempos de guerra, censura é algo quase natural. Só que o censor nem sempre é alguém de patente superior ou do serviço secreto. Esta carta de William Kyzer, combatente da II Guerra Mundial, é um exemplo disso:

Querido Pai e Carmilita,

Eu estou OK. Os dias voam aqui em

Bem, pode acontecer mais cedo ou mais tarde. Estou rezando por isso. Escreva logo. Não há nada como uma carta do lar. Aqui em

Amor,
Bill

PS – Eles podem censurar essa carta.

Sessenta anos mais tarde após o fim da II Guerra, a correspondência que Kyzer escreveu para a família foi publicada assim mesmo no livro Behind the Lines [Atrás das Linhas], de Andrew Carroll. Carroll explica que nesse caso, a censura foi causada pela preguiça do missivista: “De fato, a correspondência de Kyzer não foi editada de maneira nenhuma. Ele simplesmente detestava escrever cartas e na verdade apenas redigia umas poucas palavras no começo e no fim, de modo que sua família acreditasse que os censores é que seriam os responsáveis por cortar o resto.”

>Fim da Linha

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Em 12 de junho de 1940, um homem correu até a plataforma da estação ferroviária de Dingle, na Irlanda, e perguntou a alguns operários quando o partiria o próximo trem para Tralee. Os trabalhadores olharam para o desconhecido por um tempo até que um deles disse: “O último trem que partiu para Tralee saiu há 14 anos. Acho que pode levar uns 14 até que o próximo trem saia.”
Duas horas mais tarde, o homem apressado e perdido encontrava-se numa cadeia não muito longe dali. Após identificá-lo como Walter Simon, a polícia irlandesa descobriu que ele era um espião alemão que desembarcara de um U-Boat em Dingle Bay algumas horas antes. A carreira de Simon foi a mais curta da história da espionagem. É o fim da linha!

>Vista Grossa

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Não é de hoje que o governo norte-americano faz vista grossa a uma ameaça de ataque em seu próprio território para entrar em uma guerra. Em 7 de janeiro de 1941, exatos 11 meses antes do ataque japonês a Pearl Harbor, o embaixador Joseph Clark, mandou o seguinte telegrama para o Departamento de Estado:

Um membro da Embaixada foi informado por —– meu colega que em muitos quartéis, inclusive em um japonês, ele ouviu que um massivo ataque-surpresa em Pearl Harbor estaria sendo planejado pelas forças militares japonesas em caso de “problema” entre o Japão e os Estados Unidos. Tal ataque envolveria o uso de todas as instalações militares japonesas.

Washington não fez nada, pois o governo de Franklin Roosevelt sabia que somente um ataque direto convenceria a opinião pública norte-americana a se envolver na II Guerra Mundial. Ironicamente, sessenta anos depois os Republicanos — que faziam oposição a Roosevelt e defendiam a postura isolacionista — usaram do mesmo artifício diante das crescentes ameaças de ataques terroristas islâmicos nos EUA. Em 2001, eram os Republicanos que queriam uma guerra.

Uma guerra errada, como se viu (duas, na verdade). Bin Laden pode ter sido extremamente estúpido em abandonar a vida de playboy de petrodólares por um fundamentalismo religioso odiento. Mas ele não se tornou um simples guerrilheiro; foi um gênio por se esconder no Paquistão. Por outra ironia do destino, os militares americanos caíram na própria armadilha que criaram na Guerra Fria. Eles jamais ousaram atacar o Paquistão, por que ainda acreditavam em um antigo aliado na luta contra o comunismo seria confiável. Ainda mais um aliado com um arsenal nuclear. Assim, se Washington tivesse lutado pelo desmantelamento completo do arsenal nuclear em todo o mundo — Israel inclusive — nos anos 90, pegar o terrorista número 1 teria sido bem mais fácil (e barato, pois dez anos de uma guerra infrutífera ajudaram e muito a botar a economia americana de joelhos).

Ficou bem claro agora que os Estados Unidos desmantelaram o sistema errado quando Moscou caiu. A CIA pós-soviética já não era a mesma: acomodou-se com a suposta postura de única superpotência e abriu mão de infiltrados e clássicas estratégias de espionagem em favor de equipamento high tech. Quando os alertas sobre o 11 de setembro surgiram já era tarde e, como se viu, foram ignorados por uma mistura estúpida de conservadorismo político-econômico e fundamentalismo religioso.

>Kamikases tropicais

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Em fevereiro de 1945, o 14º. Exército Britânico havia cercado um exército japonês perto de um mangue na Ilha de Ramree, no sul da Birmânia. No pântano havia milhares de crocodilos-de-água-salgada, cada um com mais de 4,5 m de comprimento. Então, na noite do dia 19, entre render-se ou lançar-se ao pântano infestado de crocodilos, os japoneses escolheram escolheram a última opção:

Foi a noite mais terrível que qualquer membro da tropa [de fuzileiros navais] jamais experimentou. Os sons de tiros de rifle no breu do pântano, que eram pontuados pelos gritos de homens feridos e esmagados pelas mandíbulas dos grandes répteis, e o horrível ruído dos crocodilos agonizantes formavam uma cacofonia infernal, que raramente se repetiria na Terra. Ao amanhecer, os urubus chegaram para limpar o que os crocodilos deixaram. [...] Dos cerca de 1.000 soldados japoneses que entraram nos pântanos de Ramree, apenas uns 20 foram encontrados vivos.

Esse é o relato do naturalista Bruce Wright. Se ele for verdadeiro, o massacre dos japoneses teria sido o pior ataque de crocodilos da História — quiçá o mais mortífero ataque de animais selvagens já registrado.  

>Verdades Goebbelianas

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GOEBBELS
Goebbels: apesar de poderoso, o número 2 da Alemanha Nazi nunca deve ter ido ao dentista.
“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, costumava dizer  Joseph Goebbels (1901-1945), o poderoso ministro da Propaganda da Alemanha Nazista. Muita gente se lembra dessa frase, mas — com exceção das publicidades antijudaicas e anticomunistas — pouco se lembra dos absurdos que a propaganda nazista apresentava como verdade:


GALINHAS-DE-RAcA-PURA
A galinha ariana é a da esquerda, evidentemente.
Nós requeremos que cada galinha ponha de 130 a 140 ovos por ano. Esse aumento não pode ser alcançado através das galinhas bastardas (não-Arianas), que agora são a população das granjas germânicas. Abatam essas indesejáveis e substituam-nas. — Agência de Notícias do Partido Nazista, 3 de abril de 1937.
Chega a nos parecer que a nota acima pode ter servido de inspiração para Revolução dos Bichos, de George Orwell, onde as galinhas são as primeiras a se rebelar (e a serem perseguidas e mortas) durante a tirania suína que substituiu a dominação humana. Mas vamos ver o que pensavam os nazistas sobre a saúde:
Respirar apropriadamente é um meio de adquirir mentalidade heroica nacional. A arte da respiração era uma antiga característica do verdadeiro Arianismo e [era] conhecida por todos os líderes Arianos. — Weltpolitische Rundschau [Observações da Política Mundial], Berlim, (s/d).
A tal “arte da respiração” ligada ao “verdadeiro Arianismo” só pode ser (o/a) yoga, milenar técnica de controle respiratório desenvolvida pelos hindus. Os arianos (ou árias) existiram de fato e foram os primeiros habitantes do planalto iraniano. Foram eles que habitaram a Índia e parte da Europa (donde se origina a família linguística indo-europeia, antigamente chamada de ariana). Entretanto, os propagandistas nazis distorceram a História e, como hindus pareciam menos “viris” que vikings, os arianos acabaram sendo identificados com os nórdicos. Mas foi uma distorção histórica pequena perto dessa:
shakespeare
zu sein oder nicht Deutsch ist, das ist die Frage”
Considerável número de pessoas [...] descrevem o clássico autor alemão, Shakespeare, como pertencente à literatura inglesa por que — acidentalmente nascido em Stratford-on-Avon —, ele foi forçado pelas autoridades daquele país a escrever em inglês. — Deutscher Weckruf und Beobachter [Observadores e Despertadores Alemães], jornal da comunidade alemã de NY; citado pela revista The American Mercury (Julho de 1940).
Por fim, além dos judeus, dos ciganos, dos homossexuais, dos comunistas, dos russos e dos eslavos, os nazistas também eram xenófobos em relação a certos animais. Mas alguns animais, porém, eram mais iguais que os outros:
O coelho, é certo, não é um animal germânico, dada a sua dolorosa timidez. É um imigrante que aproveita os privilégios de um convidado. Quanto ao leão, vemos nele características indisputavelmente germânicas. Assim, poderíamos considerá-lo um alemão no estrangeiro. — Gen. Erich Ludendorff em Am Quell Deutscher Kraft [Na Fonte do Vigor Alemão].
coelho errado
Ops, Coelho errado!
rabbit
Tivessem os alemães vencido, é bem provável que essas (e outras) afirmações fossem consideradas como a mais pura verdade pelos livros de História e Ciências das escolas de todo o mundo. Afinal, a História é sempre (re)escrita pelos vencedores.

>Conflitos Esquecidos [8] — As Batalhas de Khalkhin Gol

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As Batalhas de Khalkhin Gol, também chamadas de Incidente de Nomonhan pelos japoneses, foram uma série de escaramuças entre mongóis — apoiados por forças soviéticas — e o exército de Manchukuo, um Estado-fantoche formado pelo Império do Japão na Manchúria. As batalhas ocorreram entre 11 de maio e 16 de setembro de 1939. Embora tenham ocorrido longe do teatro europeu e tenham começado bem antes da II Guerra, as escaramuças em Khalkhin Gol (Rio Khalkha) mudaram o rumo da História. Por isso mesmo, Khalkhin Gol começa a ser considerada pelos historiadores como as primeiras batalhas da II Guerra.

O conflito naquela região começou por razões territoriais. Os japoneses e os manchus afirmavam que a fronteira entre Manchukuo e a República Popular da Mongólia era o Rio Khalkha. Já os mongóis e os soviéticos sustentavam que a fronteira era uma linha que passava a 16 quilômetros do rio, ao leste da vila de Nomonhan.
Embora o gabinete japonês tivesse reforçado as posições na fronteira com a Mongólia, as forças do Exército estacionadas na Manchúria estavam distantes das ilhas japonesas, dificultando as comunicações. Assim, forças armadas nipo-chinesas agiram de modo autônomo e invadiram o território mongol sem pedir a aprovação de Tóquio.
Trocando farpas
Tudo começou em 11 de maio de 1939, quase quatro meses antes da invasão da Polônia, quando uma unidade de cavalaria mongol, com cerca de 70 homens (algumas fontes citam 90 cavaleiros), entrou no território em litígio em busca de forragem para seus cavalos. No mesmo dia, a cavalaria manchu atacou os mongóis, obrigando-os a recuar para posições situadas antes do rio Khalkha. Dois dias mais tarde, os mongóis receberam reforços e retomaram suas posições anteriores. Em menor número, os manchus foram incapazes de desalojar os mongóis novamente.
No dia 14, forças japonesas, sob liderança de Yaozo Azuma, fizeram um reconhecimento da área e os mongóis se retiraram. Alguns dias mais tarde, tropas soviéticas e mongóis retornaram à zona em disputa e foram novamente desalojadas. Os dois lados ficaram assim, atacando e batendo em retirada quase que diariamente, até que no dia 28 as forças soviéticas cercaram as Azuma e destruíram-no. 97 homens foram mortos e 33 se feriram. Foram as primeiras baixas da II Guerra.
À Espera de Reforços
Depois disso, ambos os lados passaram um mês reunindo forças no território em disputa. Em 5 de junho, forças soviéticas blindadas e motorizadas chegaram junto com o comandante Georgy Zhukov. Pouco depois, a Força Aérea Soviética chegou à área de combate. Enquanto isso, os japoneses reuniam 30.000 homens e também traziam suas brigadas aéreas. O primeiro ataque aéreo foi lançado pelos japoneses em 27 de junho, destruindo uma base aérea soviética em Tamsak-Bulak, na Mongólia. A essa altura, notícias do conflito já haviam chegado a Tóquio. Para evitar uma escalada de violência que poderia atrair mais forças soviéticas, o Exército Imperial Japonês proibiu novos ataques aéreos.
Durante todo o mês de Junho, as escaramuças continuaram, com ataques em pequena escala que firmaram posições soviéticas. No fim do mês, o General Michitaro Komatsubara recebeu permissão para “expulsar os invasores”. Os japoneses chegaram a planejar um assalto duplo, para pinçar o Exército Vermelho, mas Zhukov percebeu a tática e respondeu com 450 tanques e carros armados. Embora a infantaria tenha dado pouco apoio, os soviéticos conseguiram virar o jogo, atacando os japoneses em três frentes. Correndo o risco de perder as linhas de abastecimento num território distante e isolado, os japoneses foram forçados a recuar em 5 de julho.
“Sou japa e não desisto nunca!” 
Em julho, Zhukov reforçou a linha de suprimentos com uma frota de 2.600 caminhões. Enquanto isso, os japoneses penavam para obter recursos por falta de transporte motorizado. Mesmo assim, dois regimentos de infantaria japoneses lançaram um ataque contra a ponte Kawatama em 23 de julho. O ataque teve algum progresso a princípio e foi muito agressivo: mais da metade da munição prevista para dois dias foi consumida em poucas horas. Apesar disso, os japoneses não conseguiram quebrar a linha de defesa mongol-soviética. A batalha encaminhava-se para um empate.
Os japoneses decidiram se reagrupar novamente e planejavam um terceiro ataque para o dia 24 de agosto. Ao saber da situação na Europa, onde as negociações entre Franceses, Britânicos e Soviéticos se complicara, deixando a Polônia à beira de um ataque alemão, Zhukov decidiu adiantar-se aos nipônicos e planejou uma ofensiva para 20 de agosto.
Zhukov planejando a ofensiva final
Às 5h45 da manhã do dia 20, mais de 550 caças e bombardeios iniciaram o ataque, na primeira ofensiva da história da Força Aérea Soviética. Em seguida, cerca de 50.000 soldados soviéticos e mongóis cruzaram rapidamente o Khalkhin Gol, atacando as tropas de elite japonesas com apoio com três divisões de infantaria, uma de artilharia e uma brigada de tanques, além do apoio aéreo.
O ataque foi tão rápido que “furou” os japoneses. O Exército Imperial reagiu de forma desesperada, usando até espadas enquanto os soviéticos voltavam, atacando-os pela retaguarda. Em 25 de agosto, os japoneses foram completamente cercados; tentaram contra-atacar nos dois dias seguintes, mas falharam. No dia 31, os restos da 23a. Divisão de Infantaria japonesa jaziam dentro de território incontestavelmente soviético.
Mudando o rumo da História
O Gal. Komatsubara, comandante japonês, não aceitava o resultado e preparava mais uma contra-ofensiva. Seus esforços foram abortados pela assinatura de um cessar-fogo em Moscou. O sucesso de Zhukov no Extremo Oriente mudou a situação na Europa. No dia 23, Ribbentropp foi recebido em Moscou e no dia seguinte era assinado um “pacto de não-agressão” entre a Rússia e a Alemanha. Hitler invadiu a Polônia em 1º. de setembro. Livre de qualquer preocupação com um front oriental, Stalin pode prosseguir com a ocupação da Polônia.
Com a derrota japonesa no Extremo Oriente, Tóquio desistiu de enfrentar os soviéticos e de tentar estabelecer uma ligação terrestre com a Alemanha através da divisão da Rússia. Os planos de expansionismo territorial na Sibéria — fonte de recursos minerais importantes, como ferro e carvão —, sustentados pelo Exército Imperial, foram cancelados.
Zhukov: o homem mais condecorado da URSS.
Em vez disso, ganhou peso a estratégia da Marinha, de expandir o Japão através da ocupação do Pacífico e das Índias Orientais (onde havia petróleo e borracha). Isso levou o Japão a atacar Pearl Harbor, no Havaí, forçando a entrada dos americanos e mudando o rumo da II Guerra. A URSS manteria uma paz com o Japão até as últimas semanas da guerra, em agosto de 1945. Khalkhin Gol foi a primeira vitória de Georgy Zhukov, que até então era um desafeto de Stalin. Zhukov foi fundamental na defesa de Moscou e na ofensiva que decidiu a Batalha de Stalingrado, tornando-se o maior herói de guerra soviético e o militar mais condecorado da história da URSS.
Por sua vez, os japoneses não aprenderam com os erros na Sibéria. Eles sempre subestimavam a capacidade de reação dos inimigos (os soviéticos de 1939 não eram os russos de 1905) e enfatizavam ações individuais de soldados como forma de contornar a inferioridade numérica. Isso culminaria nas ações camicases, que embora fossem bastante assustadoras e imprevisíveis, não foram capazes de deter o avanço americano — muito menos os bombardeios atômicos.

>Para um sorriso radiante…

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Doramad: para um sorriso radioativo.
Antigamente, até meados do século passado, acreditava-se que a exposição à radiação era benéfica à saúde. Vários produtos radioativos poderiam ser encontrados nas farmácias — até pastas de dentes. Uma das mais famosas e mais longevas foi a marca alemã Doramad, produzida até 1945. A Doramad continha pequenas quantidade de tório, na forma de hidróxido de tório. Eis uma amostra da propaganda da Doramad:
Sua radioatividade aumenta as defesas dos dentes e das gengivas. As células são carregadas com nova energia vital. As bactérias aniquiladas por seu efeito destrutivo. Isso explica a excelente profilaxia e cura de doenças gengivais. O esmalte dentário é gentilmente polido e torna-se branco e brilhante. Uma espuma maravilhosa e um novo, agradável, suave e refrescante sabor.
Além da Doramad, a mesma fabricante ainda oferecia outro “sabor” radioativo: a Radiogen continha rádio. Rezam as lendas que espiões americanos teriam descoberto a importação de tório para a Alemanha durante a ocupação da França. Ao investigar o destino da carga, eles não encontraram os laboratórios da Bomba-A alemã —  em vez disso, acharam a fábrica da Doramad.
doramad
Kit Doramad: O estado da escova — ainda de madeira, em contraste com um “moderno”
dentifrício radioativo — não é muito animador.

>Sulzbach, o artilheiro

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Um episódio ocorrido nas trincheiras alemãs em agosto de 1915 foi recordado pelo artilheiro Herbert Sulzbach vinte anos depois em suas memórias, With the German Guns: Four Years on the Western Front 1914-1918 [Com as Armas Alemãs: Quatro Anos no Front Ocidental]:
Numa das noites de verão seguintes, de céu estrelado, um chapa Landwehr [gíria para Guarda Austríaco], decente, subiu de repente e disse ao 2º. Ten[ente]. Reinhardt: “Sir, é só aquele francezinho que está lá, cantando de novo, maravilhosamente.” Nós nos colocamos para fora de nossa esburacada trincheira e, incrivelmente, havia uma maravilhosa voz de tenor cantando noite afora uma ária do Rigoletto. A companhia inteira estava parada na trincheira, ouvindo o “inimigo”. Quando ele acabou, aplaudimos tão alto que o bom francês deve certamente ter ouvido e tenho certeza de que ele deve ter sido tocado da mesma maneira que nós fomos por sua maravilhosa canção.
Não se sabe quem era o francês que cantava o Rigoletto em plena trincheira nem qual fim ele teve.

Herbert Sulzbach nasceu em Frankfurt, na Alemanha, em 1894. Serviu no exército alemão durante toda a Primeira Guerra Mundial. Incrivelmente, nunca se feriu e foi condecorado com duas “Cruz de Ferro“. Apesar de sua bravura e do sucesso de seu livro de memórias, foi obrigado a fugir da Alemanha em 1937, após ter sua cidadania cassada por ser judeu. 

Herbert passou a viver na Inglaterra. Após escapar ileso aos bombardeios de Londres, alistou-se no Exército Britânico e foi responsável por reeducar prisioneiros de guerra alemães. Foi trambém condecorado com medalhas pelos ingleses. Após a Guerra, Sulzbach naturalizou-se inglês em 1947. Em 1952, sua cidadania original foi restituída e ele voltou a ser cidadão alemão, mas continuou a viver em Londres, onde trabalhou como intérprete na Embaixada Alemã. Herbert Sulzabach morreu aos 91 anos de idade em 1985.

>Conflitos Esquecidos [4] — Operação Flocos de Milho

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Mesmo alguns aspectos do maior e mais lembrado de todos os conflitos acabam sendo esquecidos. Ainda mais se forem operações secretas. A Operação Flocos de Milho (Operation Cornflakes) foi uma ação de guerra psicológica realizada entre 1944 e 1945. O objetivo da ação era entregar cartas com propaganda anti-nazista através do próprio serviço postal alemão (Deutsche Reichspost).
A operação era simples: trens do serviço postal eram bombardeados. Em seguida, malas postais com cartas devidamente endereçadas e seladas — mas contendo propaganda anti-nazista — eram lançadas de aviões e espalhadas entre os destroços. Esperava-se que o serviço postal misturasse as cartas reais com as falsas e entregasse ambas corretamente.
Futsches-Reich-Briefmarke-UK 
As cartas traziam cópias de Das Neue Deutschland (A Nova Alemanha), panfleto  de proganda aliado escrito em alemão. Além disso, alguns dos selos usados também eram falsos. Eles eram muito parecidos com o selo-padrão, que trazia a efígie de Adolf Hitler. Um olhar mais atento, porém, revelava que a efígie do Führer era um crânio semi-exposto. E em lugar da inscrição “Deutsches Reich” [Império Alemão], lia-se “Futsches Reich” [Império em Colapso].
A primeira missão da Operação Flocos de Milho ocorreu em 5 de Fevereiro de 1945 e foi um sucesso. Um trem postal foi bombardeado a caminho de Linz, na Áutria. Malas postais com cerca de 3800 cartas falsas foram plantadas nos destroços. Todas foram recolhidas e entregues pelo Deutsche Reichspost.

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