Em uma palavra [142]

ecdisíasta (ec.di.sí.as.ta)
s.c.2.g.
que ou aquele que, por profissão ou prazer, despe-se de maneira provocativa e sensual, geralmente diante de uma plateia; praticante de striptease, stripper [neologismo de raiz classicista, formado por H. L. Mencken em 1940 a partir do grego ekdusis; em inglês, ecdysiast. cf. com écdise]

Em uma palavra [139]

sage (sa.ge)
adj. 2g. (em desuso)
aquele que sabe muito, sábio, sapiente; aquele que vive sem as ambições e as inquietações que perturbam a existência do homem comum; filósofo, mentor, mestre; prudente; virtuoso. sagez ou sageza, s.f. qualidade do caráter sage. [do francês sage = prudente ou razoável; compare com o inglês wise]

Ao contrário do que possa parecer, não há relação com sagaz, que vem do latim sagax, sagacis e é sinônimo de “astúcia” ou “perspicácia”. O termo francês sage, por sua vez, tem parentesco com o  latim vulgar *sapius, que nos deu “sábio”.

Em uma palavra [138]

loquete (lo.quê.te)
s.m.
cadeado, ferrolho, trava. [do francês loquet, deriv. do antigo francês loc e este do germânico loc. Cp. com o inglês lock]

Em uma palavra [128]

cromulente (cro.mu.len.te)
neolog. adj. razoável, aceitável, adequado; excelente; legítimo ou autêntico. [do inglês cromulent, neologismo humorístico criado por David X. Cohen, roteirista d'Os Simpsons]

Acompanhado de outro neologismo de efeito cômico — embiggens, lit. engrandecer, mas que seria algo como aumentaçar —, cromulente estreou em um diálogo de “Lisa, the iconoclast” (episódio 16 da 7ª. temporada) de Os Simpsons:

Mrs. Krabappel: Embiggens? I never heard that word before moving to Springfield.
Ms. Hoover: I don’t know why, it’s a perfectly cromulent word.

Em uma palavra [120]

exclarrogação (ex.clar.ro.ga.ção)
sf., neolog., Tipog. sinal gráfico (‽) criado pelo publicitário norte-americano Martin K. Speckter em 1962 e que une os pontos de interrogação e exclamação em um único caractere; é usado para exprimir espanto ou surpresa (em lugar de ?! ou !?), mas nunca teve muita aceitação por ser pouco legível em tamanhos pequenos. [adaptação do inglês interrobang, fusão de interrogation (mark) e bang, gíria tipográfica para exclamação]

Em uma palavra [96]

morósofo (mo.ró.so.fo)
s.m. 1. um sábio idiota: alguém de educação pobre com eventuais iluminações filosóficas. 2. pejorativamente é um pseudo-filósofo, um filósofo pedante. Morosofia, s.f. espécie de loucura tranquila e lúcida. Morosofada, s.f. neolog. o “insight” filosófico de um morosofo; cf. filosofada. [do grego moros = tolo, néscio, louco + sophos = sábio, prudente]

BÔNUS: O insulto inglês moron – estúpido, retardado – vem da mesma raiz grega e originalmente era um termo técnico que significava “retardo mental brando” em psicologia.

OBSERVAÇÃO: Não estou certo quanto à pronúncia. Não sei se é /morósofo/ (como filósofo) ou /morôsofo/ (como moroso, palavra com a qual não há nenhum parentesco etimológico).

UPDATE (23/03): Como bem lembrou o Roberto nos comentários, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) registra a forma Morósofo. O post foi corrigido para incluir o acento.

Inglês Impronunciável

Se você está tentando aprender inglês, é bom saber que há algumas palavrinhas que enrolam a língua até dos falantes nativos. A mais longa palavra em inglês com uma única vogal é strengths [subst: pontos fortes ou verbo: ele/a força]. Em compensação, a palavra inglesa que mais vogais tem é queueing [subst: enfileiramento; fileira; verbo: gerúndio de queue, enfileirar, formar fila]. E o mais comprido monossílabo na língua de Shakespeare é squirreled [passado do verbo to squirrel que pode ser tanto “esconder algo como um esquilo enconde nozes” ou “mover-se erratica e confusamente, como um esquilo”].

>Em uma palavra [80]

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écdise (éc.di.se)
s.f. a troca de pele pela qual passam alguns insetos, crustáceos ou cobras. [do grego ekdusis, através do inglês ecdysis]

>Estados Unidos: singular ou plural?

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É uma velha dúvida que nos atormenta na hora de escrever sobre a Grande República do Norte: “Estados Unidos é um país” ou “Estados Unidos são um país”? Aparentemente, a dúvida também tem atormentado os estado-unidenses ao longo de sua História. 
Na redação dos primeiros documentos após a Independência, os Pais Fundadores tendiam a usar o plural. Em 1783, por exemplo, John Adams escreveu: “The United States are another object of debate” [“Os Estados Unidos são outro assunto de debate”]. Mais de meio século mais tarde, a 13ª. Emenda proclamava que a escravidão não existirá “no interior dos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito às suas jurisdições.” Ou, no original: “within the United States, or any place subject to their jurisdiction.”
Apesar da tradição histórica do plural, muitos argumentam que o resultado da Guerra Civil — iniciada, ironicamente, pela 13ª. Emenda — estabeleceu uma unificação em sentido moderno nos Estados Unidos. Isto é, na denominação da república norte-americana, a ênfase passou a ser mais a União (com sua singularidade) do que os Estados (com sua pluralidade). 
Como não há nada equivalente a uma Academia Americana de Letras, a questão nunca foi oficialmente resolvida (Até há uma American Academy of Arts and Letters. Entretanto, tal academia é muito mais um clube honorário do que uma autoridade normativa). Vários escritores consagrados e jornalistas já usavam o singular antes da guerra ou continuaram usando o plural após o conflito. O poeta e jornalista William Cullen Bryan (1794-1878), por exemplo, baniu o uso do singular no New York Evening Post em 1870. Ambrose Bierce (1842-1913?) ainda pressionava pelo uso do plural em 1909.
Lentamente, porém, a imprensa foi se fechando em torno do singular. Isso se deu tanto pela ausência de flexão de artigos na língua inglesa — especialmente do artigo definido, the — quanto por razões políticas. Em 1887, um escritor declarou ao Washington Post que “a guerra havia resolvido para sempre a questão gramatical. [...] A rendição de Mr. Davis e do Gen. Lee significou uma transição do plural para o singular.” Oito anos mais tarde, o New York Times observava que “A rebelião tornou as ideias de direito e de soberania dos Estados bastante desagradável às pessoas leais e resultou na correspondente proeminência e popularidade da ideia de nacionalidade.” O diplomata John W. Foster (1836-1917), em artigo numa edição do NYT de 1901, confirmou que “desde a guerra civil, a tendência tem se inclinado para esse uso”, isto é, o singular.
Em português, ambas as formas são aceitas, mas em diferentes contextos. Quando há artigo, usa-se o plural: “Os Estados Unidos são um país da América do Norte.” Sem artigo, usa-se o singular: “Estados Unidos é um país da América do Norte.”

>Em uma palavra [73]

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paragonar / parangonar
1. v. Comparar coisas ou pessoas buscando observar semelhanças ou diferenças entre elas; assemelhar; cotejar; fazer paralelo entre. 2. Artes Gráficas. Alinhar o texto a ser impresso de um ou de ambos os lados. 
|| paragão, s.m. comparação, semelhança, paralelo; por extensão, modelo. var. parangona e parágono [do italiano paragonare; cf. com o inglês paragon = modelo exemplar; padrão superior, de mesma etimologia]

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