Mais uma “sopa” criacionista

Embora tenham começado agora a tentar ameaçar a liberdade na internet, não é de hoje que políticos norte-americanos tentam impor suas crenças nas aulas de ciências. Um projeto de lei do senado de Oklahoma (SB 1742) é mais uma dentre as dezenas de leis anti-evolução que infestam os Estados Unidos. Se aprovada, a lei exigiria que o departamento estadual de educação promovesse o “pensamento crítico, a análise lógica e a discussão ampla e aberta de teorias científicas, incluindo, mas não se limitando a, evolução, a origem da vida, o aquecimento global e a clonagem humana.” A legislação também recomenda que professores “possam usar livros didáticos e materiais de ensino suplementares para ajudar os estudantes a entender, analisar, criticar e rever teorias científicas de modo objetivo.”

Parece bastante isento, não? Não há nenhuma citação nominal do criacionismo ou de seu equivalente pseudocientífico, o design inteligente. Então, qual é o problema? Há dois problemas na verdade. Continue lendo…

>A indústria ‘brasileira’ está com medinho

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Durante sua breve presidência, Fernando Collor declarou que nossos automóveis eram “umas carroças” e, com o objetivo de estimular o desenvolvimento e a queda nos preços, acabou com o protecionismo dado à “nossa” indústria automobilística e abriu as portas para a importação. Duas décadas se passaram. Apesar de alguns avanços — mais estéticos do que mecânicos —, nossos carros continuam defasados. Mesmo assim, as montadoras reclamam dos importados. Entre proteger uma indústria defasada e apoiar a concorrência do Mercosul e a pesquisa e o desenvolvimento, Dilma escolheu proteger os fabricantes estrangeiros de carroças.

Em duas décadas de competição ora mais ora menos justa com os importados, as indústrias automobilísticas que têm fábricas no Brasil pouco avançaram. Para ajudar ainda mais, o governo aumentou os impostos sobre os veículos ao longo dos últimos anos. Mesmo com uma “inflação controlada”, o preço do carro mais barato do mercado nacional — o Fiat Uno/Mille — mais do que dobrou, passando de R$ 11.116,00 em 1999 para mais de 23.220,00 hoje. Isso, claro, tratando-se de  um projeto com mais de 25 anos e de um modelo bem basicão — que saiu de linha na Europa em 1995!

Modernização Conservadora Em vez de se manter atualizada, com carros do mesmo nível dos importados (ou até se esforçando para produzir algo melhor), o que aconteceu com a indústria automotiva no Brasil foi justamente o contrário. O mesmo marasmo que vigorava na era pré-importação continuou e continuou e continuou. A ausência de importados foi o que permitiu, entre outros absurdos tecnológicos, que o brasileiro continuasse comprando carros com carburador até bem depois do fim da importação: em 1996, ainda comprava-se um Fusca carburado. Zero quilômetro.
Sem importações, o Opala manteve-se praticamente inalterado por quase um quarto de século. Independente do ano de fabricação, o Opala, fabricado de 1968 a 1992, era essencialmente o mesmo. A importação deveria ter melhorado esse cenário, mas não foi isso o que se viu. O Santana e o Vectra, carros teoricamente dirigidos a um público mais exigente, permaneceram na mesma por mais de uma década. O modelo da VW foi renovado em 1992 — quatro anos depois do modelo europeu — e se manteve intacto até uma discretíssima despedida em 2005. O da GM, que estreou sem qualquer defasagem em 1996, causando frisson no mercado, também permaneceu intocável até 2005. A indústria diz que nós amamos modelos longevos.
Talvez seja verdade, dado o conservadorismo tipicamente nacional. Mas será que mesmo um público como os consumidores iniciais de Santana e Vectra — gente capaz de viajar para o exterior, por exemplo — gostam de saber que estão comprando um modelo defasado em relação às matrizes europeias ou americanas? É óbvio que não. Um dos motivos que levou à maxidesvalorização do real em 1998 foi a crescente importação de veículos. Os importados compensavam muito mais.

Brasília em ponto-morto Como compensam agora. Novamente, a sociedade inteira corre o risco de uma séria crise econômica por que nem o governo nem as montadoras querem se mexer. Por seu lado, o governo sabe que a solução está no corte de gastos e redução de impostos. Isso foi claramente demonstrado quando o IPI reduzido transformou “tsunami em marolinha” após a crise de 2008. Se isso pôde ser feito em tempos de crise, por que não se mantém em época de recuperação?
Por que o governo não quer fazer sua parte reduzindo seus gastos e realmente punindo envolvidos em corrupção. Do corte de gasto de R$50 bilhões anunciado logo no início do governo Dilma, nenhum centavo iria pagar supersalários de deputados, senadores e ministros. Dilma não forçou nenhum dos três poderes a respeitar o teto do funcionalismo público. Vinte anos depois de Collor, os marajás continuam aí, livres leves e soltos. Em vez de excomungá-lo — ou até lutar para que ele fosse condenado pela Justiça — o PT acaba de readmitir com festa Delúbio Soares, o tesoureiro do mensalão. Graças às manobras de José Dirceu, o pseudo-Che Guevara.
Como naquele irônico comercial da Nissan (“o luxo todo é do dinheiro de vocês!”), a indústria automotiva — que de nacional nunca teve nada — usa orgulhosamente os lucros obtidos com produtos obsoletos aqui no Brasil para salvar sua pele lá fora. Como não há investimento nem incentivo para inovação por aqui, a qualquer sinal de concorrência, as montadoras correm pedir proteção ao papai (ou agora seria mamãe?) governo. Tá todo mundo com medinho de carros argentinos.
Entretanto, parece que ninguém teme os chinesinhos. Embora os preços sejam baixos, especialmente entre os “populares”, ninguém teme uma invasão chinesa exatamente por que o que está chegando da China é o mesmo que temos no Brasil.  Tanto lá quanto cá, o que se fabrica são modelos de baixa qualidade e pouco inovadores, que já saíram de linha há muito em seus mercados de origem. 
Isso quando não são carros pirateados. O Cherry QQ, por exemplo, que se vende como o mais barato do Brasil, é uma cópia descarada do Daewoo Matiz produzido entre 1998 e 2008 na Coréia do Sul e exportado para a Europa até 2004 (sob uma plétora de outros nomes e graças à balbúrdia chamada GM, o carrinho ainda é vendido pela Chevrolet em diversos países). O JAC J3, que é anunciado como “inesperado” tem um visual muito pouco surpreendente perto do Hyundai i30 (que, por sua vez, também é supervalorizado pela publicidade).

Que País é Este? Não bastasse tudo isso, o próprio Poder Executivo parece se esquecer que este país é uma República Federativa, uma união de Estados autônomos no plano interno. Mas na República Federativa do Brasil, os Estados simplesmente não têm o direito de reduzir seus próprios impostos para competir livremente entre si. Tal qual Lula (e até FHC), Dilma faz de tudo para evitar guerras fiscais entre os 27 Estados, mesmo sabendo que isso estimularia a competividade, descentralizaria a indústria (e não apenas a automobilística), gerando mais empregos e preços menores.  Apesar disso, deputados, senadores e governadores não parecem muito incomodados com o catastrófico gigantismo político-econômico do governo federal. Muito se fala em “pacto federativo”, mas ninguém defende um federalismo de facto.
Nós temos uma matriz energética que faz muito sucesso lá fora, mas tanto o governo como a indústria parecem achar que isso é o suficiente e que apenas carros flexíveis vão ajudar a salvar o planeta. Entretanto, mesmo com o petróleo pesado do Pré-Sal — excelente para a produção de óleo diesel — os econômicos carros a óleo continuam proibidos sob a desculpa de que atrapalhariam o transporte de cargas no país. Ninguém no governo deve ter percebido que  a competição entre carros e caminhões faria o preço do diesel cair naturalmente, sem precisar dos atuais subsídios estatais.
Embora haja subsídio para o álcool e até para o detestado óleo diesel, não há nenhum incentivo fiscal para fabricação, pesquisa e desenvolvimento de carros híbridos ou elétricos no Brasil — e em alguns Estados até os adorados carros flex pagam o mesmo imposto de veículos a gasolina, ainda que na prática só usem álcool. Sendo assim, apenas para falar em “populares”, Gol (já trintão), Palio e Ford Ka (com uma década e meia nas costas), que já deviam estar sendo substituídos, devem ter pelo menos mais uma década de vida.
Ninguém vai achar ruim mesmo, por que não existe consumidor exigente abaixo da linha do Equador.

>Uma mesquita não resolve nada

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Quase dez anos depois o solo que sustentava as Torres Gêmeas em Nova York continua deserto. O Marco Zero continua sendo um pólo atrativo para turistas e polemistas. Nada foi levantado lá até hoje por uma razão simples: não há consenso sobre o que construir no lugar do WTC. E as controvérsias e teorias conspiratórias que surgiram desde então voltam à tona com a proposta de construir uma mesquita perto dali — e a aprovação dada pelo presidente Obama.
Suspeitas e indecisão
Sempre houve aqueles que defendessem a reconstrução nos moldes originais ou os que desejavam um projeto novo para esquecer do antigo. Em meio a esses, havia quem defendesse, independente do projeto vencedor — houve vários concursos arquitetônicos — deveria haver no local algum ponto intocado, alguma ruína preservada, um memorial e/ou museu. Também havia defensores da criação de um parque ou de um centro de convenções internacional, um fórum para discutir os problemas do mundo (como se já não houvesse a ONU, ali mesmo, em NY).
Em meio a essa indecisão toda, não poderia faltar uma coisa tipicamente americana: o conspiracionismo. Surgiram diversas explicações sobre o que aconteceu na manhã de 11 de Setembro. Todas buscavam negar a participação, ao menos direta, de terroristas suicidas islâmicos. Teria sido coisa do governo americano, dos serviço secreto israelense, dos Illuminati, da “nova ordem mundial”, etc. O evento teria sido previsto por Nostradamus, mas curiosamente não houve nenhuma palavra, ou melhor, data dos maias, nem participação de forças alienígenas. Era só o que faltava para uma teoria de tudo em termos de conspiração.
Uma mesquita no sapato de Obama
Agora, todas essas controvérsias e suspeitas — além de outras mais recentes — voltam à tona após o Presidente Obama anunciar seu apoio à construção de uma mesquita e um centro cultural islâmico de 15 andares a duas quadras do terreno do World Trade Center. Para o New York Times, o novo empreendimento seria apenas um “monumento à tolerância”. Mas a obra pode não ser assim tão inofensiva e tolerante.

Sam Harris notou, num artigo no The Daily Beast, que “a construção da mesquita sobre as cinzas dessa atrocidade também será vista por muitos milhões de muçulmanos como uma vitória — e um sinal de que os valores liberais do Ocidente são sinônimos de decadência e covardice”.

Declaração favorável de Obama
pode trazer mais problemas do que ele imagina
Obama está claramente ignorando essa possível reação no mundo islâmico. Não podemos esquecer da mais forte evidência contra todas aquelas teorias conspiratórias: milhões de muçulmanos comemorando o maior ataque suicida da história como uma final de Copa do Mundo. Seria impossível haver tantas pessoas envolvidas numa conspiração que as incriminaria. 
Outra coisa que o presidente norte-americano parece ter esquecido deve ser a reação de seus próprios opositores. Foram levantadas fortes suspeitas, durante as eleições de 2008, de que ele seria  estrangeiro e muçulmano e teria, inclusive, ligações perigosas. O presidente negro pode ser muito popular no mundo, mas nem tanto nos EUA. Para muitos, Obama ainda não resolveu todos os problemas — a economia não se recuperou totalmente e muitos continuam sem emprego. Uma declaração favorável a um empreendimento tão polêmico às vésperas das eleições para o legislativas deve complicar ainda mais a vida de Barack Obama.
Um impasse paradoxal
Mas a questão que Harris levanta é: deve-se permitir tal empreendimento? Dado o contexto, há uma situação paradoxal: se for permitido, pode ser uma vitória para os extremistas; se não for permitido, pode haver sentimentos de perseguição e isso também pode levar a reações violentas. E, mais uma vez, tudo isso por causa de crenças religiosas e crentes que se recusam a mudar suas crenças.
Harris argumenta que a violência e o terrorismo são características intrínsecas do islamismo. Ele cita passagens do Corão que convencem seus fieis à guerra santa. Embora o livre-pensador americano generalize neste ponto, uma de suas críticas é muito válida: os muçulmanos moderados e tolerantes são indiferentes, apáticos, silenciosos.
O silêncio dos inocentes
Os moderados jamais se levantaram para defender aquilo que os extremistas odeiam — o secularismo, a separação entre Estado e Igreja, a liberdade de expressão e de culto, a livre crítica da fé e o respeito aos direitos humanos. 
Muito pelo contrário, eles se calam diante de questões como a emancipação femininas, a mutilação sexual de meninas e a perseguição aos homossexuais. Ou você já viu algum muçulmano comum vindo a público manifestar-se contra a pena de morte (apedrejamento ou enforcamento) por adultério ou homossexualismo que há no Irã? Algum grande líder islâmico censurou Ahmadinejad por negar o holocausto ou negar-se a dialogar sobre a questão nuclear?
Mesmo os não-muçulmanos buscam defender seus irmãos maometanos tirando-os da cena terrorista com teorias mirabolantes. Certamente muitos conspiracionistas são apenas teístas que não acreditam em pessoas capazes de matar estrangeiros do outro lado do mundo por que deus assim deseja.
Alguém tem que ceder
Nada fere mais a credibilidade de um credo religioso do que suas atitudes perante os outros. Seja entre judeus e cristãos, seja entre muçulmanos, se não há tolerância não há boas ações. O americano médio já percebeu que a guerra é um atoleiro sem vencedores. Mas e quanto ao islamita comum e sua jihad? Não é a mesma coisa?
Como conclui Harris, os muçulmanos americanos têm o direito de construir seus templos onde quiserem. Mas, como muçulmanos, deveriam estar mais preocupados em reformar suas crenças e em abraçar valores como os direitos humanos e a igualdade feminina.
Não vai ser uma nova mesquita que vai resolver os desentendimentos entre Ocidente e Oriente. Assim como na corrida nuclear, não há vitória possível: ambos os lados têm que ceder se quiserem sobreviver.

>Moedas na Pista

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Mais uma da série: “Por que isso nunca acontece comigo?”
Na semana passada um acidente milionário parou o trânsito na rodovia A114, perto de Foggia, no sul da Itália. Um caminhão que transportava 2 milhões de euros [cerca de R$ 4,4 milhões] em moedas (de € 1 e € 2) capotou, espalhando parte da carga na pista. O veículo que transportava as moedas bateu em outro carro e capotou após um dos pneus estourar.
caminhao620italiaMotoristas que passaram pelo local não perderam a oportunidade e arriscaram a vida para ajudar a limpar a rodovia e liberar o trânsito. De acordo com a imprensa italiana, os motoristas mais habilidosos conseguiram acumular até € 10 000 em moedas antes que a polícia chegasse ao local. O prejuízo foi estimado em 50 000 euros, mas pode ser até cinco vezes maior. O motorista do caminhão e o passageiro do carro atingido sofreram apenas ferimentos leves.

>Cala a boca, Galvão!

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by Mola

Os jogos do Brasil na Copa do Mundo ainda nem começaram, mas ele já está enchendo o saco. E o pessoal do twitter já está xingando. Muito. #CALA A BOCA GALVAO é o tópico mais comentado do momento no microblog. Felizmente, ninguém sabe quem (ou o quê) é Galvão lá fora. Então surgiram as mais incríveis explicaçãos pra inglês ver.

Aproveitando-se da ingenuidade (e ignorância) dos gringos, Cala-a-boca-galvão é, ao mesmo tempo, o próximo single da Lady Gaga — deixando os fãs perdidos — e campanha ecológica para salvar um raríssimo pássaro amazônico, o Silentium Galvanus. Veja:
Pode isso, Arnaldo?

Haja coração! Nunca antes na história deste planeta uma piada interna foi tão longe! Ainda tem muito tempo de jogo, mas vamos ver, amigo, por quanto tempo os gringos vão cair nessa. Isso é falta pra cartão.

>Socialismo do Século XXI?

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Hugo Chávez continua a fazer suas trapalhadas no governo da Venezuela. E tudo que ele consegue fazer é demonstrar que o seu Socialismo do Século XXI é só uma reprise dos piores episódios das políticas latino-americana e  mundial do século passado.

Hugo Chávez continua a envergonhar a América Latina com seu “Socialismo do Século XXI”. E é uma pena que muitos venezuelanos (e muitos líderes esquerdistas latinos) caiam nos truques do caudilho vermelho. Certamente, isso só é possível por que tais pessoas não devem ter estudado a História. Hugo Chávez é uma figura tão anacrônica, tão retrógrada que guarda semelhanças com os dois grandes ditadores do século passado: Adolf Hitler e Josef Stálin.
Como o führer alemão, Chávez é um militar frustrado, que vive procurando culpar os outros pelos problemas de seu governo. Tal como Stálin, Chávez é um líder paranóico, que acredita que a menor crítica já é um rumor de golpe de Estado. Chávez, enfim, é como todos os ditadores: um homem fraco e cínico. E sua política está, no mínimo, quarenta anos atrasada.
E, tendo aprendido as lições de Fidel e Mao, Chávez fecha redes de TV privadas — canais por assinatura, que não dependem de concessão pública — por que tais veículos negam-se a transmitir seus discursos longos e enfadonhos, exatamente à moda de Fidel. Em vez disso, tais canais insistiam em mostrar aquilo que Chávez mais teme e que não entra nos seus discursos: a Venezuela da vida real, a Venezuela com apagão e inflação.
Tinha que ser o Chávez mesmo!
A tal da Revolução Bolivariana, movida pelo Socialismo do Século XXI, comete todos os erros cometidos pelas ditaduras latino-americanas do século passado. Desestimula a iniciativa privada, espanta investidores estrangeiros, fecha mercados e controla preços para (tentar) controlar a inflação, desvaloriza a moeda para “proteger a indústria venezuelana”, o que por sua vez, dispara o custo de vida e afunda a economia.
E a cereja desse bolo de trapalhadas é o infame apagão que, como todo brasileiro sabe, não é causado por excesso de banhos ou por muleques jogando aquela coisa maligna chamada Playstation. É culpa do governo — um governo que, como todos os governos autocráticos e radicais, parece incapaz de reconhecer a realidade em que se encontra. E que, como uma autêntica ditadura, não quer que os venezuelanos abram os olhos, mesmo que eles já sintam a realidade na pele.
Chávez promete “aprofundar a revolução” em resposta aos protestos da oposição (que ainda existe, embora já não tenha poder político). Como já deu pra perceber, o Socialismo do Século XXI não é nada novo, então não é difícil prever os próximos movimentos de Chávez:
  • ditadura do proletariado (reeleição infinita de Hugo Chávez) OK;

  • censura à imprensa OK;
    bloqueio da internet (falta pedir uma ajudinha pra China — em troca de petróleo, é claro);

  • queima de livros e obras consideradas subversivas (na verdade obras realistas como A Revolução dos Bichos);

  • adoração do líder supremo, no caso, Hugo Chávez (falta só eliminar a oposição);

  • expropriação e estatização das propriedades rurais (com consequente queda na produção agrícola, o que forçaria a um aumento das importações para que a revolução não morra de fome);

  • planificação econômica (leia-se: incentivo à inovação burocrática e sufocamento da livre iniciativa econômica, técnica e científica);

  • expurgos de militares, perseguições, extermínios e campos de trabalhos forçados a todos os opositores e dissidentes, mesmo os suspeitos;

  • trabalho rural compulsivo para a burguesia urbana (aí é que a agricultura entra em colapso);

  • guerra patriótica (possivelmente contra a Guiana, que seria um alvo muito mais fácil do que uma Colômbia cheia de narco-guerrilheiros e bases americanas);

  • Se tudo der errado, é só culpar qualquer estrangeiro, de preferência os americanos (que eles invejam).

É realmente uma pena que a Venezuela, que já foi um dos poucos refúgios democráticos neste continente, esteja nas mãos de um caudilho vermelho. Quer dizer: Viva a democracia venezuelana! (por que se não, você vai pro paredón).
Tal como o Chaves, o Hugo também vive de reprises. A diferença é que os erros repetidos do Chávez não têm a menor graça, mesmo com a claque forçada dos venezuelanos chavistas.

>Fora-da-lei

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Para um ser que acima de tudo é — ou se diz ser — onibenivolente, Deus já se meteu em uma série de problemas legais. Nos dois últimos anos foram duas acusações e, como era de se esperar de alguém que também se diz ser onipresente, cada uma veio de um lado do mundo.

Em 2007, Ernie Chambers, deputado estadual do Estado de Nebraska (EUA), entrou com um processo contra a deidade sob a alegação de que Ele causou “irrestritas mortes, destruição e aterrorização de milhões e milhões dos habitantes da Terra”.

No ano seguinte, na Romênia, um prisioneiro recorreu judicialmente contra Deus por quebra de contrato. Segundo o detento, seu batismo era um contrato com Deus, mas o ser supremo teria rompido o acordo ao falhar em protegê-lo contra o mal.

Deus só não foi convocado a comparecer nos tribunais por formalidades técnicas. A ação do Sr. Chambers foi arquivada por que Deus não tem endereço (ou, pelo menos, não o informa em seu livro) e, portanto, não poderia ser notificado por um oficial de justiça. O caso romeno foi considerado fora da jurisdição da corte por que Deus não está registrado nem como pessoa física nem como pessoa jurídica.

Certamente, Deus deve ter procurado advogados com o Diabo.

>É Agora ou Nunca

>No início de dezembro, líderes de todo o mundo se encontram em Copenhague para buscar ações conjuntas e evitar o pior das mudanças climáticas. Mas o choque de interesses pode ser fatal para o encontro.

Copenhague, 7 de dezembro de 2009. Local e data marcados para o encontro que vai decidir os rumos e o destino de toda a humanidade. Entretanto, a COP-15 (15ª. Conferência entre as Partes sobre Mudanças Climáticas promovida pela ONU) pode sucumbir aos interesses econômicos e às divergências políticas.
Dentre os participantes há países pequenos e altamente vulneráveis, como as Ilhas Maldivas. Junto com Tonga e outras nações insulares, as Maldivas seriam as primeiras a desaparecer com a elevação do nível do mar causada pelo degelo das calotas polares. Por isso mesmo, esses países insulares estão desesperados e buscam convencer os demais. Para esses pequenos países cercados – e agora ameaçados – de água por todos os lados, a urgência das ações deve superar fatores políticos e econômicos. Os países árabes, que já sofrem com sua limitada oferta de água potável, também querem menos discursos e mais ações diretas e efetivas a partir de Copenhague.
Dentro desses países, porém, há um conflito de interesses muito claro: os que têm maior peso na política internacional, como a Arábia Saudita, a Líbia, a Argélia e o Irã são também produtores de petróleo que podem ter suas economias prejudicadas com metas de corte de CO2 mais duras. Também estão preocupados com suas economias os chamados emergentes, principalmente a China e a Índia.
Os chineses são conservadores e defendem a manutenção das metas estabelecidas em 1997 no Protocolo de Kyoto. Os indianos são mais radicais e alegam que os países desenvolvidos – que poluíram por mais tempo – devem ter metas mais rígidas e arcar com os maiores custos. Embora sejam grandes poluidores, China e Índia têm a seu favor o baixo índice de emissão per capita graças a dois fatores: populações que já superaram a barreira do bilhão de indivíduos e uma péssima distribuição de riqueza que permite que veículos tracionados por força animal ou mesmo humana convivam com enormes usinas elétricas movidas a carvão.

Yes? We? Can?

Outro grande poluidor, os Estados Unidos, pode melar a COP-15 com sua política interna. Mesmo com a sensibilidade de Obama em relação aos assuntos ambientais, o plano de metas para a redução das emissões americanas está emperrado no Senado. Há quem defenda a extensão das negociações na capital dinamarquesa em três ou até seis meses.
Outro motivo de preocupação para os líderes da COP-15 é que organizações não-governamentais de todo o mundo também vão a Copenhague, mas participam apenas como observadores. Suas propostas poderão ser apresentadas por escrito, mas não serão obrigatoriamente acatadas ou mesmo debatidas. A situação delicada da COP-15 alarmou as ONGs e os países mais frágeis, pois é sério o risco de esvaziamento da Convenção de Copenhague, mesmo com a presença de gente do naipe de Obama e Lula.
O presidente brasileiro, aliás, está fazendo um grande esforço internacional para salvar Copenhague. Ao lado de França, Inglaterra e países africanos, o Brasil defende que as metas voluntárias tenham força de lei. Apesar do descompasso entre o Ministério do Meio Ambiente de Carlos Minc e a Casa Civil da presidenciável Dilma Rousseff, o país conseguiu definir uma das maiores metas até agora: até 39% de redução de emissões até 2020. Um exemplo.

Tic, tac, tic…

Segundo estudos científicos divulgados no último IPCC (Painel Governamental de Mudanças Climáticas) em 2007, o máximo valor de CO2 na atmosfera para manter o clima sob algum controle é de 350ppm (partes por milhão). Entretanto, os dados colhidos indicam uma concentração que não só já passou do aceitável como continua subindo: 387ppm e crescendo a um ritmo de 2ppm por ano. Para reverter esse quadro, seria preciso diminuir, até 2020, as emissões de 25 a 40% do que eram em 1990.
Para pressionar a adoção de metas, ONGs, blogueiros e cidadãos do mundo inteiro uniram-se no movimento Tic, tic, tic, tic – hora de justiça climática. Como o próprio nome já indica, as ONGs acreditam que o tempo para agir está se esgotando – afinal, 2020 é logo ali – e desejam que haja uma divisão justa de responsabilidades, embora isso não deva ser desculpa para prolongar ou adiar a adoção de metas.
Ao contrário do que muita gente pensa, Copenhague não vai substituir Kyoto. Mas o protocolo firmado na cidade japonesa já está quase na data de validade. O acordo tomava 2012 como data-limite para a redução de emissões de gases estufa aos níveis de 1990. Grandes poluidores como China e Rússia levaram anos para ratificar o Protocolo de Kyoto. Os norte-americanos, sob o governo Bush, nem isso fizeram. Embora a 5ª. Conferência entre as Partes de Kyoto ocorra em paralelo à COP-15 em Copenhague, não há muito mais o que fazer em relação às metas protocolares por falta de tempo hábil para as mudanças.
A expectativa do mundo inteiro é que o mesmo não se repita com Copenhague. É agora ou nunca.

Para saber mais

  • COP-15.dk- site oficial do evento tem versões em 7 línguas, mas deixou o português de fora.
  • tictictictic.org – infos sobre o movimento, que já conta com a adesão de centenas de ONGs e mais de 9 milhões de pessoas do mundo todo. Participe!

>Um Preço Alto Demais a Pagar

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Lembranças de um tempo em que a Natureza ainda dominava o homem:

Em 1774, um navio perdido foi descoberto na região ártica coberto de gelo e neve. O descobridor foi o capitão de um navio baleeiro da Groenlândia chamado Warrens. Ele, ao subir a bordo do navio encontrado achou, em uma das cabines, o corpo de um homem perfeitamente preservado pelo frio glacial, com exceção de uma mancha de mofo esverdeado que apareceu em volta dos olhos e na testa. O cadáver estava sentado numa cadeira e ligeiramente afastado da mesa. Na mão direita, ainda havia uma caneta e em diante dela estava o diário de bordo. O morto estava escrevendo no momento em que faleceu. A última sentença completa do diário inacabado era a seguinte:


“11 de Novembro de 1762. Nós já estamos presos no gelo por dezassete dias. O fogo extinguiu-se ontem e nosso mestre tentou desde então reacendê-lo, mas sem sucesso. Sua esposa morreu hoje de manhã. Não há sinal de alívio”

O Capitão Warrens e seus homens retiram-se em solene silêncio e, ao entrar na cabine principal, encontraram numa cama o corpo de uma moça, com todo o seu frescor juvenil, em sua posição e sua atitude. Sentado no chão, com um pedaço de aço nas mãos, como que num último ato, o cadáver de um jovem homem. Nenhuma provisão ou combustível foi encontrado no navio fantasma.

The World of Wonders [O Mundo das Maravilhas], 1883

Agora os papéis se inverteram. Hoje um navio jamais desapareceria assim tão facilmente, mesmo em pleno deserto Ártico. Mas isso não aconteceria por causa dos nossos sistemas de comunicação — que pareceriam mágicos aos olhos de explorador do século XVIII. Nem por que temos, atualmente, possantes navios quebra-gelo.

Não.

Tal fato não deve se repetir pela simples falta de matéria-prima: gelo no Ártico. Sim, o Pólo Norte está derretendo. E em ritmo assustadoramente rápido. Nesta semana, cientistas ingleses divulgaram uma péssima previsão para o verão de 2019: será o primeiro verão com o degelo completo do Oceano Ártico. Resultado: temperaturas e mares em elevação.

Mas, pelo menos, poderemos navegar livre e seguramente da Inglaterra (ou do Canadá) até o Alasca (ou até a Rússia). Isso sem falar em estimadas reservas petrolíferas que teriam um valor ainda não calculado. O preço, porém, pode ser muito maior do que a morte de alguns intrépidos exploradores que um dia, num passado não tão distante, ficaram perdidos e presos no gélido deserto setentrional.

>Os Pobres Quintilionários

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Se você tem dificuldade para conseguir troco (ou para dar o troco), lembre-se da Hungria do pós-guerra e agradeça por não ter vivido no país dos magiares logo após a II Guerra Mundial. A moeda nacional, chamada Pengo, se desvalorizava tão velozmente que os preços dobravam a cada 15 horas.
varre-pengo

Você já viu um gari varrendo dinheiro da rua?

Para facilitar o troco, o governo acabou lançando uma nota de 100 quintilhões (10²³) pengos que equivalia a apenas 20 centavos de dólar. Com apenas seis notas era possível acumular 1 mol (6,0×10²³) de pengos — ou US$1,20.
Como sempre, as coisa poderiam piorar. E pioraram. Em julho de 1946, a inflação mensal conseguiu a proeza de alcançar uma taxa de 17 dígitos:…41.900.000.000.000.000%. Por incrível que pareça isso fez com que a soma de todas as notas em circulação na Hungria fosse igual a um milésimo de dólar.
Em meio ao desespero, o governo desistiu de tentar resolver a situação e fez o que os brasileiros conheceram muito bem até algum tempo atrás: trocar de moeda. A nova moeda foi chamada de forint. Para conseguir 1 forint, era necessário entregar a fabulosa soma de — preparem-se — 400.000.000.000.000.000.000.000.000.000 (400 octilhões ou 4,0×10³²) Pengo.
Mesmo assim, o forint (ou florim, como também é conhecida) ainda é uma das moedas mais “pobres” do mundo. Ao câmbio de hoje e segundo o Google,

1 forint da Hungria = 0,00953729548 reais

Assim, 100 forint seriam mais ou menos R$ 0,95.
O caso da Hungria no pós-guerra foi a maior hiperinflação de todos os tempos — mas o Zimbábue dos dias de hoje parece se esforçar para superar esse recorde. Como a Hungria não conseguia encaixar mais de 20 zeros em suas notas, a nota de 100 trilhões de dólares zimbabuanos (abaixo) detém o duvidoso recorde de exibir o maior número de zeros.

100_tri_zimb_dollar

Em tempo: o Banco Central do Zimbábue foi agraciado com o Prêmio Ignóbel de Matemática de 2009 por seus esforços para ensinar as pesssoas a lidar com uma ampla variedade de números grandes e pequenos: de 1 centavo ($0,01) aos 100 000 000 000 000 de dólares zimbabuanos.
Enquanto isso, a Hungria prepara-se para entrar na Zona do Euro.

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