Patentes Patéticas (nº. 58)
Vai querer o quê? Sorvete quente? Você já deve ter ouvido essa piadinha velha, mas você nunca deve ter ouvido falar de Chad Budreau. Se dependesse dele, seria melhor tomar um sorvetinho morno. Ou quase isso. É de Budreau a ideia para um Heated Ice Cream Scoop Apparatus [Aparelho Pegador de Sorvete Aquecido]. Ou simplesmente: Continue reading “Patentes Patéticas (nº. 58)” »
Patentes Patéticas (nº. 56)
Você é uma linda garota que procura manter-se sempre hidratada mas está cansada de carregar garrafinhas de água mineral ou de isotônico para cima e para baixo? Em vez da cabeça, mulher, use os peitos! Pelo menos esse é o conselho que Tracy B. Shailer lhe daria. Natural de Fort Lauderdale, Flórida, Shailer é a inventora do genial Brassiere Having Integrated Inflatable Bladders for the Holding of Comestible Liquids [Sutiã Equipado com Bolsas Infláveis e Integradas para Armazenamento de Líquidos Comestíveis], formado por Continue reading “Patentes Patéticas (nº. 56)” »
Patentes Patéticas (nº. 51)
Modificar o comportamento de alguém é algo complicado, que leva tempo. Comportamento, tempo… Comportamento, tempo… Percebendo essa tênue correlação, Neil W. Decker (de Eagle, Idaho) inventou o que considera a maneira mais efetiva, prática e barata de mudar qualquer comportamento de qualquer pessoa – o “Behavior Modification Wristwatch” ou “Relógio de Modificação de Comportamento”:
Um relógio de modificação de comportamento (10) apresentado tem um corpo (11) modelado em forma de um octógono, inclui uma face pintada de vermelho e com a palavra “stop” pintada nela para lembrar um sinal de trânsito e, assim, servir como constante lembrete consciente e inconsciente para que o(a) usuário(a) pare com seu comportamento destrutivo. O relógio (10) inclui três mostradores digitais: um mostrador de relógio (16), para apresentação de funções cronológicas normais, como a hora do dia, a data, o dia da semana, a hora do alarme, etc; um mostrador de contagem (17) para exibição e contagem do tempo decorrido em dias, horas e minutos desde que o indivíduo abandonou o comportamento destrutivo; e um mostrador alfa[bético] multi-caracter (18) para exibição de palavras ou frases de reforçamento positivo após certos períodos de tempo. O relógio (10) também inclui um alarme audível (34) para gerar um sinal auditivo responsivo tanto para o alarme de tempo comum quanto para a mudança do mostrador de reforçamento positivo (18) de uma frase para outra para chamar a atenção do usuário e facilitar a experimentação de um senso de cumprimento do dever.
Quem já estudou o básico de teorias psicológicas é capaz de perceber facilmente, através dos termos “reforçamento positivo” e “sinal responsivo”, que o relógio modificador de comportamento de Decker é uma invenção essencialmente behaviorista.
Entre as justificativas apresentadas em 28 de dezembro de 1992 no que se tornaria a patente 5.285.430 em 8 de fevereiro de 1994, Mr. Decker diz que as pessoas sempre foram atormentadas com comportamentos fisica, emocional ou moralmente destrutivos. Entre os exemplos citados, há os comportamentos de alcoolismo, drogadição, tabagismo, abuso físico, sobrealimentação, preguiça, jogatina, xingamentos, discriminação, abusos emocionais e “certo comportamento sexual” — este último, embora não especificado, poderia ser o homossexualismo já que abusos sexuais aparentemente entrariam na categoria de abusos físicos.
Decker ainda relata a crescente popularidade de programas de controle de tais comportamentos, como dietas ou terapias (não fica claro se ele considera inúteis apenas as terapias científicas ou apenas as pseudocientíficas ou ambas). No entanto, ele afirma que “embora uma pessoa em particular tenha um desejo relativamente intenso de abandonar um comportamento destrutivo”, os meios para isso “podem ser realmente contraproducentes”, já que “diferentes pessoas reagem a diferentes estímulos.”
Ironicamente, porém, Mr. Decker oferece justamente uma solução universal, um relógio-alarme-panaceia cujos únicos estímulos para todos os comportamentos que se propõe a resolver são uma meia dúzia de frases ou palavras de auto-ajuda apresentadas de hora em hora e um ridículo mostrador em forma de placa de trânsito. Ainda que as frases ou palavras possam ser modificadas de acordo com o caso, não deve ser muito efetivo.
O sistema de contagem de tempo passado desde que o usuário abandona um hábito pode ser mais poderoso, mas não é lá muito prático. Se você está tentando parar de fumar, por exemplo, tem que lançar esse cronômetro especial assim que toma a decisão. Se tiver uma recaída, o relógio evidentemente não vai parar a contagem sozinho — será necessário zerar a contagem e começar tudo de novo. Obviamente, isso é mais frustrante do que recompensador.
Além tudo isso, o uso puro e simples de um relógio já pode ser uma fonte de estresse e até mesmo de alguns dos “comportamentos destrutivos” – como o fumo ou os xingamentos ou a preguiça. Quanto às frases motivacionais, uma apresentação mais artística (e sem alarmes irritantes) — como os cartazes da série Keep Calm and Carry On — deve ser mais barata, divertida e bonita do que um relógio que grita “pare!” a toda hora.
Patentes Patéticas (nº. 49)
Ladrões de carro fugindo da polícia em alta velocidade são a base de jogos como Need for Speed: Most Wanted e GTA e de filmes como Bullitt e 60 segundos. Embora seja perigoso na vida real, o roubo de carros pelo método hit and run [bater e correr] é praticamente um patrimônio cultural norte-americano (ou, pelo menos, californiano). Mas isso não significa que todos os americanos adoram perseguições na vida real.
Por isso mesmo, diversas invenções foram criadas ao longo das últimas décadas para tentar frear os fugitivos à força (e atrapalhar a audiência dos plantões televisivos a la Datena). No entanto, nenhuma dessas estratégias patenteadas conseguiu superar a redundância digna de comédia policial do “Método para parar um carro roubado sem uma caçada em alta velocidade, utilizando um código de barras”, o qual seria Continue reading “Patentes Patéticas (nº. 49)” »
Patentes patéticas (nº. 46)
Você precisa (ou prefere) usar sapatos/tênis/sapatênis mesmo debaixo de um sol escaldante? Ou é daqueles que mesmo no inverno você sente frio nos pés calçados? Em vez de sair por aí de chinelos ou sandálias, você ainda se pergunta como não inventaram um sistema de climatização para calçados fechados? Certamente, você ainda não conhece o “Gravity powered shoe air conditioner” [“Condicionador de ar para calçados movido a gravidade”]:
Um sistema de resfriamento, ou aquecimento, do tipo compressor-expansor incorporado na sola de um calçado e movido pelas recíprocas pressões de gravidade que ocorrem durante o caminhar com um calçado. O sistema de resfriamento funciona através de uma câmara-fole compressora e uma câmara-fole expansora separada. As paredes móveis do expansor e do compressor são colocadas opostas entre si e transmitem forças vetoras mutuamente opostas. Uma parte móvel do calcanhar no fundo do calçado transmite o movimento para as paredes móveis do compressor e do expansor sempre que a pessoa, calçada, pise no calcanhar. Isso expande o expansor e comprime o compressor. Uma rede de serpentinas de troca de calor, contendo um líquido de baixo ponto de ebulição, comunica-se com o expansor e funciona como absorvente de calor [e] evaporador. Outra rede de serpentinas de troca de calor comunica-se com a câmara de compressão e funciona como gerador de calor [e] condensador. Dependendo das localizações das redes do evaporador e do condensador, o calçado pode servir como refrigerador ou aquecedor do pé.
Você ganha um exclusivo sistema de resfriamento/aquecimento e o sistema de amortecimento vem de brinde! É um ótimo negócio! E, convenhamos, um par de radiadores no calcanhar é muito mais foda do que um par de luzinhas divertidas, porém inúteis. Falando sério, esse sistema de troca de calor simples e sem motores, pilhas ou baterias, movido pelos passos foi inventado em 1993 por Israel Siegel, de Miami Beach, Flórida. O “condicionador de pés” de Mr. Siegel parece genial, mas tudo o que ele deve ter feito foi observar o sistema de resfriamento de uma geladeira e trocar o compressor elétrico por um sistema de foles movido a patadas.
Porém, o invento registrado na patente 5.375.430, de 27 de dezembro de 1994, não deve ser lá muito prático — não, pelo menos, nas ilhas de calor urbanas. É verdade que pés se aquecem facilmente em um calçado fechado, mas também é verdade que, principalmente no verão, o chão se aquece com ainda mais facilidade. Sendo assim, a troca de calor entre o interior de um tênis fervente (quiçá fedido) e um chão ainda mais quente não deve ser muito efetiva. Durante o verão, talvez você consiga aquecer seus pés em lugar de resfriá-los. É provável que até seus mini-radiadores acabem fervendo. E o sistema só funciona enquanto você se movimenta — mas evidentemente você não é nenhum maratonista. Convenhamos, você pareceria muito idiota se ficasse dando passos sem sair do lugar usando um par de radiadores fumegantes no calcanhar enquanto espera o ônibus naquele ponto lotado, mormacento e sem cobertura. Mas pelo menos você estaria queimando calorias…
Patentes Patéticas (nº. 42)
Você já deve ter ouvido falar de caixões biodegradáveis, mas caixões reutilizáveis não seriam melhores? Harry J. Fash, inventor dessa inovação funerária, acha que sim. Ao contrário do que pode parecer, tal ideia não é exatamente “verde”. Morador de Chalfont, Pensilvânia, Mr. Fash provavelmente deve ser um agente funerário visionário. Eis o resumo de uma patente que deveria ser banal, mas é minuciosa, e tem mais de trinta figuras (!!) e trinta páginas: Continue reading “Patentes Patéticas (nº. 42)” »
A outra caixa de Skinner
Após o nascimento de sua segunda filha, Deborah, em 1944, o psicólogo behaviorista B.F. Skinner (1904-1990) teve o que para uns foi sua ideia mais brilhante e para outros, a mais infame. Para aliviar a barra de sua esposa, Yvonne, Skinner desenvolveu um inovador dispositivo para cuidadados infantis (isso cheira a patente patética, mas não é).
Originalmente batizada de aircrib ou air-crib (lit. aeroberço), a invenção de Skinner era uma caixa com controles de temperatura e umidade e um painel de vidro na qual o bebê — sem qualquer fralda ou lençol — poderia ser posto por algumas horas para dormir. Em suma, era um chiqueirinho (ou cercadinho) high-tech e com ar-condicionado. O objetivo era permitir grande liberdade de movimento para o bebê e encorajar-lhe a independência literalmente desde o berço. O colchão havia sido especialmente projetado para ser facilmente removível e lavável. Como era de se esperar, D. Yvonne ficou interessada e acabou atuando como co-inventora. Durante boa parte de seus primeiros anos, Deborah Skinner passaria a maior parte de suas horas de sono no aeroberço. Mas ao contrário de relatos posteriores, ela não foi “criada numa caixa”. Continue reading “A outra caixa de Skinner” »
Patentes Patéticas (nº. 38)
Ah, o Natal!… Aquela época do ano em que os pais correm aos shoppings para comprar presentes aos filhos enquanto esses acreditam (ou fingem acreditar) que estão sendo recompensados após um ano de bom comportamento pelo Papai Noel. Ainda há pessoas que realmente acreditam no espírito do Natal. Thomas Cane, de San Rafael, na Califórnia deve ser um desses. Em 19 de agosto de 1994, ele entrou com um pedido de patente para um “Detetor de Papai Noel”: Continue reading “Patentes Patéticas (nº. 38)” »
>Patentes Patéticas (nº. 35)
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Deve ter sido mais ou menos esse o raciocínio que passou pela cabeça de Richard B. Hartman, de Issaquah, Washington no fim dos anos 1990. Com um problema tão simples a resolver, Mr. Hartman não tardou a ver a solução tipicamente americana: Casquinhas de Sorvete Motorizadas. Ou, segundo o resumo da patente 5.971.829:
Um inovador receptáculo de alimentação para suportar, rotacionar e esculpir uma porção de sorvete ou alimento similarmente maleável durante seu consumo. Compõe-se de: uma caixa portátil, um copo rotável sustentado pela caixa portátil e adaptado para receber e conter uma porção de sorvete ou produto alimentício de consistencia similar e um mecanismo de tração na caixa portátil para imprimir rotação sobre o copo e servir rotacionalmente o seu conteúdo contra a língua estendida de uma pessoa.
porque o ato de comer um cone de sorvete tem sido tradicionalmente efetuado pela sustentação de uma porção de sorvete geralmente estacionária na mão de alguém em relação aos contínuos movimentos de lamber com a língua. O apelo de um dispositivo que basicamente reverte esse procedimento — isto é, que continuamente move o sorvete enquanto a língua é mantida em uma posição relativamente estacionária — tem sido largamente ignorado.
um copo giratório portátil e motorizado provê uma divertida alternativa aos métodos tradicionais de comer tais alimentos e expande o ato típico de tomar uma casquinha de sorvete a ponto de incluir numerosas e divertidas possibilidades, incluindo a escultura e modelagem de canais com a língua para formar formas e padrões interessantes na superfície externa da porção de sorvete.





É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídio pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.