>Oração do Lobisomem

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Segundo Sabine Baring-Gould, em seu Book of Werewolfes [Livro dos Licantropos] (1865), os versos que seguem são, segundo o folclore russo, uma invocação de lobisomens:

Aquele que deseja se tornar um oboroten, deve procurar na floresta uma árvore cortada. Deve apunhalá-la com uma pequena faca de cobre e andar ao redor da árvore, repetindo o seguinte encantamento:

No mar, no oceano, na ilha, em Bujan,
No pasto vazio cintila a lua, sobre um rebanho
que repousa em um verde bosque, em um obscuro vale
Em direção ao rebanho desvia-se um lobo desgrenhado
Os cornos do gado procuram suas brancas e afiadas presas
Mas o lobo não se volta para a floresta
Nem desce ao sobrio vale
Lua, lua, lua de chifres de ouro
Cega o voo das balas, parte as facas dos caçadores
Quebra a clava do pastor
Lança um medo pânico sobre todo o gado
Sobre os homens, todas as coisas mais aterrorizantes
Que eles não possam capturar o lobo cinza,
Que eles não possam rasgar sua pele quente!
Minha palavra é irresistível, mais irresistível que o sono,
Mais comprometedora que a promessa de um herói!

Então ele pula três vezes sobre a árvore e corre para a floresta, transformado em um lobo.
Pensando bem, isso mais parece uma oração, não é mesmo? Pagã, talvez, mas ainda tem uma estrutura muito similar à uma oração: começa com um relato, aparece um problema e clama-se a uma divindade (nesse caso, a “lua de chifres de ouro”) uma proteção invencível e uma transformação mágica em troca de uma fidelidade igualmente invencível (“mais comprometedora que a promessa de um herói”). Amém.

>Mito da Criação dos Zuñi

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Os Zuñi (ou Zuni) são uma dentre as diversas tribos de nativos norte-americanos; são nativos do Novo México e são parte dos chamados pueblos. Atualmente, existem 12 mil índios zuni e eles são notáveis por sua mitologia. De acordo com suas antigas lendas,

“os primeiros humanos vieram de quatro cavernas situadas no submundo, um lugar conhecido como Regiões Baixas. Naquele tempo, a superfície da Terra era um lugar assustador: estava coberta de água, era abalada por grandes terremotos e repleta de bestas predadoras.
Os Filhos do Sol, com pena dos humanos, secaram e solidificaram a Terra com suas flechas de luz. Ao tocar os animais, essas flechas os encolhiam e transformavam-nos em pedras. Os animais que conseguiram escapar são os ancestrais dos animais de hoje.”
É interessante notar como esse mito parece razoavelmente correto ao falar que a Terra primitiva era um lugar cheio de água (os oceanos eram maiores), com grandes terremotos e com grandes feras indomáveis (não necessariamente dinossauros; os primeiros homens deviam pensar o mesmo de todos os animais até que aprenderam a domesticar alguns). Além disso, diz o conto que os primeiros homens viveram em cavernas “no subsolo”.
Cabe perguntar se esses animais transformados em pedra não seriam fósseis descobertos por acaso. Se sim, aí é até provável que os dinossauros fossem aquelas “bestas predadoras”.
Mas o conto cai no erro de afirmar que o homem já existia antes dos animais modernos, no tempo de seus ancestrais.

>Como surgiram as ervas medicinais

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(conto folclórico dos índios norte-americanos)
Há muito, muito tempo atrás, homens e animais viviam juntos em paz e harmonia. Mas as coisas começaram a mudar quando algumas pessoas gananciosas passaram a caçar apenas para vender a carne e as peles. Isto levou a população animal a diminuir e trouxe grande preocupação aos bichos.
O grande urso branco decidiu, então, formar um conselho com os animais para que decidissem como deveriam se defender e se vingar. Houve muita discussão, mas nenhum consenso. Então, a mais velha e sábia mosca ofereceu uma proposta: “Deixe-nos chamar os espíritos” — disse ela — “Nós pediremos a eles que mandem grandes dores às pessoas e nós vamos carregar as doenças”.
Não demorou muito e uma grande epidemia se espalhou por todas as aldeias dos povos nativos, atacando tanto os homens bons quanto os maus. Mas os animais queriam punir apenas as pessoas más e ficaram muito tristes ao saber que as pessoas boas também estavam sofrendo. Então, se reuniram em outro conselho para decidir o que deveria ser feito.
As pequenas ervas trouxeram uma solução: elas prometeram curar os doentes. Então, os espíritos dos sonhos foram enviados aos xamãs para guiá-los até as ervas medicinais. E assim surgiu a medicina e a cura para os nativos norte-americanos.

>Hurakan, o deus dos furacões

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No período arcaico, Hurakan era o deus Maia dos ventos e das tempestades. Ele é o porta-voz da ira dos deuses ao trazer as enchentes. Também era considerado um deus criador numa lenda muito antiga que se perdeu na poeira dos tempos. Ele flutuava sobre a enchente primordial repetindo incessantemente a palavra “Terra” até que o mundo sólido emergiu dos mares. Quando os deuses perderam a paciência com os seres humanos, Hurakan mandou um grande dilúvio para destruir os homens. Seu nome deu origem às palavras Huracan em espanhol e Hurricane em inglês e também é, indiretamente, a raiz da nossa palavra Furacão.

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