Patentes Patéticas (nº. 106)

Pessoas comuns carregam seus telefones celulares no bolso ou na bolsa. Se prefere ser clássico, você o leva naquele pequeno suporte de couro preso ao cinto. Se for mais ousado, talvez use um cinto (ou coleira) de utilidades. Mas e se você quiser ostentar e ainda ter estilo de super-herói? Não tema! Este é um trabalho para Marcus e Franco Caldana e seu Device for the quick and easy use of a small size cellular telephone [Dispositivo para uso rápido e simples de um telefone celular de tamanho pequeno], no qual Continue lendo…
Linhas de expressão cartesianamente corretas
Dadas suficientes variáveis, é possível plotar qualquer coisa num plano cartesiano. Círculos, triângulos, órbitas planetárias e até pessoas. O único problema é que, pra ser matematicamente preciso, você teria que encontrar e resolver as equações certas antes de sair por aí desenhando entre os eixos x e y.
Ou talvez baste apenas fazer uma boa busca no Wolfram Alpha. Mais que um mecanismo de busca, o W|A é um verdadeiro processador online — e para demonstrar seu poder de computação, ele é capaz de plotar algumas person curves. As person curves são retratos de diversas personalidades da cultura pop, da ciência e da política. Além da plotagem, o Wolfram Alpha também apresenta os cálculos por trás de cada imagem.
Há, por exemplo, a PSY curve 
e sua respectiva equação paramétrica:
As Premonições Probabilísticas de Gott

J. Richard Gott, um astrofísico de Princeton, estava visitando o Muro de Berlim em 1969. Durante o passeio, teve um insight e percebeu que sua visita acontecia num momento aleatório da existência do muro. Assim, pareceu-lhe razoável supor que havia 50% de chances que ele estivesse observando a Cortina de Ferro bem na metade de sua história. “Se eu estava no começo desse intervalo”, escreveu mais tarde na New Scientist “então um quarto da vida do muro já havia passado e faltavam ainda três quartos.”
“Por outro lado” — continua Gott — “se eu estivesse no fim desse intevalo, então três quartos já teriam passado, restando apenas um quarto para o futuro. Dessa maneira, calculei que havia 50% de chance de que o muro duraria de 1/3 a 3 vezes o tempo em que já existia.” Àquela altura, o muro tinha 8 anos de existência. Portanto, Gott considerou que havia 50% de chances de que ele permaneceria lá por mais de 2 anos e 2/3 (aprox. 2 anos e 8 meses) mas menos de 24 anos. O prazo máximo de 24 anos terminaria em 1993. O Muro, como todos sabem, caiu em 1989.
Depois de perceber o sucesso de seu raciocínio, Gott aplicou o mesmo princípio para estimar o tempo de vida da espécie humana. Em um artigo publicado na Nature — justamente em 1993 —, ele argumentava que havia 95% chances de que nossa espécie sobreviveria entre os próximos 5.100 a 7,8 milhões de anos.
A validade do método Gott de previsão — mais conhecido por Método Copérnico por partir do Princípio Copernicano de que não há nada de especial em um observador humano — ainda é matéria de debate entre físicos e filósofos. Ainda em 1993, Gott usou seu método para prever, em artigo publicado na New Yorker, a longevidade de 44 peças e musicais da Broadway — com 90% de acertos.
1000 dimensões e 1 história
Mil, milhar, milheiro… O que começou, despretenciosamente, há exatos 1986 dias como mais uma dimensão opinativa nesse mundão interrnético chega hoje à sua milésima publicação. Como muitos, nosso começo foi um humilde blogspot, em template bem básico, onde este que vos escreve tencionava compartilhar suas opiniões e o que mais considerasse interessante quando necessário.
Com o tempo, porém, o projeto meramente opinativo foi sendo deixado de lado. Por dois motivos: primeiro, blogs do gênero há aos milhares e um a mais um a menos não teria importância; segundo, mesmo me considerando um bom articulista (modéstia à parte), faltava-me disciplina e regularidade, além de tempo e paciência para aprender. Assim, passamos inicialmente para a replicação de conteúdo, principalmente por meio de traduções – em especial das tirinhas da série Cectic.
A princípio, foi um sucesso (ao menos para mim): eu tinha material suficiente para me impor uma regularidade e minhas traduções foram aprovadas pelo autor da série. Infelizmente, Cectic foi interrompida pelo autor. Mas havia ainda muito material em seus arquivos, de modo que continuei usando-a por algum tempo. No que essa série mais me ajudou foi na regularidade: comecei com publicações semanais, passei para três publicações por semana e, quando vi, já havia alcançado a meta da postagem diária.
A essa altura, já tinha alguns leitores e me preparava para entrar na faculdade de jornalismo. Tentei fazer um trabalho “jornalístico” cobrindo informalmente o Salão do Automóvel de São Paulo de 2008. Nisso, não tive muito sucesso. Percebi que meu público, embora fosse incipiente já me acompanhava por meus artigos sobre ciências e curiosidades. Mais seguro e experiente, passei a experimentar com mudanças de layout – que sempre foram positivas e ainda me levaram a aprender pelo menos o básico do básico de HTML e CSS.
Pela altura de nosso milésimo dia de vida – 21 de janeiro de 2010 – o hypercubic já estava consolidado. Meus estudos de jornalismo levaram-me a trabalhar com pautas e manter um planejamento mínimo para as publicações ao longo da semana. Na academia, fui apresentado ainda ao conceito de divulgação científica, que de certa forma já praticava (e que busquei aperfeiçoar desde então). Também dei início às minhas séries (ou, se preferir, seções fixas), a começar por Em uma palavra, inspirada por minha paixão lexicográfica. Depois vieram, mais ou menos pela ordem, Conflitos Esquecidos, Patentes Patéticas, O Peso do Nome… Eventualmente, os artigos opinativos ressurgiam, principalmente porque meu ateísmo começava a se consolidar.
Assim, já tinha então pelo menos uma ou duas centenas de leitores fieis e começavam enfim a surgir comentários. Passei então a investir em divulgação, submetendo postagens selecionadas para agregadores de blogs como o Ocioso e o Ueba. Já com bom conteúdo e postagens regulares não foi surpresa notar que às vezes apareciam até 600 visitantes por dia. Muitos acabaram explorando os arquivos e resolveram me acompanhar.
Não tardou a surgirem contatos na blogosfera científica: meu primeiro amigo por aqui foi o Luis Brudna (que na época tinha um blog chamado Glúon) e, por ele, consegui algum contato com o Kentaro Mori, do qual já era fã e leitor assíduo do Ceticismo Aberto e do 100 Nexos. Eles também passaram a me acompanhar.
E o ScienceBlogs Brasil? Quando ele surgiu, tive reações ambíguas. Estava na moda criar “condomínios de blogs” e muitos morriam logo depois de nascerem. Um condomínio de blogs de ciência me parecia fadado ao fracasso. Imaginava isso pelos meus próprios padrões de público relativamente escasso – bem, pelo menos na época eu achava que ter entre 200 e 300 acessos fosse um público limitado. O SBBr também me parecia apenas uma “versão brasileira” do ScienceBlogs gringo. Só que não, como se diz hoje. O 100 Nexos e o Massa Crítica, dentre os demais, mostraram-me que havia muito conteúdo original por aqui. No entanto, incomodava-me igualmente a preponderância de blogs de biológicas em detrimento das áreas de exatas e, principalmente, humanas.
Felizmente, isso também foi percebido pelo SBBr, que após se consolidar, procurou expandir o grupo de sciblings a partir do ano passado. Confesso que senti-me tentado a submeter meu material, mas não o fiz porque temia perder minha independência e ainda ter que pagar uma “taxa de condomínio”. A surpresa veio no fim de 2011 na forma de um convite pessoal do Kentaro: meu conteúdo era bom demais para ficar de fora do ScienceBlogs. Fiquei lisonjeado, mas ainda hesitei por uns dias. Observei então todo o processo de crescimento do hypercubic e dei-me conta de que vir para cá seria o próximo passo lógico.
Foi um novo sucesso, tanto que me levou, alguns meses depois, a uma nova surpresa: em abril, sem querer querendo, fui o vencedor do III Prêmio Bê Neviani. \o/
O meu maior prêmio, porém, foi ver que consegui manter minha regularidade mesmo tendo que trabalhar e estudar – e, junto com essa superação, ganhar centenas de leitores. Agradeço muito ao Kentaro, ao Brudna, ao Samir e à Sibele Fausto pelo apoio e confiança (e pelo prêmio, é claro). Os comentaristas, hoje, são muitos, mas gostaria de destacar o Igor Santos, o Takata e o rafinha.bianchin. Suas considerações (e principalmente suas respostas aos Enigmas) me divertem e me motivam muito.
E esse é o fim de nossa 1000ª. dimensão – rumo às 2000!
A vida, o Universo e tudo mais — na ponta da língua

A expressão “tá na ponta da língua” pode tornar-se bastante literal em um futuro próximo. Graças ao cruzamento de engenharia genética e ciência da computação, será possível armazenar tudo o que você quiser na ponta da sua língua — ou melhor, no DNA da ponta da sua língua. Nos laboratórios, DNA como mídia de armazenamento não é exatamente uma novidade. Mas o recente feito de um bioengenheiro e de um geneticista de Harvard é de cair o queixo. Continue lendo…
Prazer, Sr. Nonsense

Edward Lear, em auto-caricatura
Em uma estação ferroviária qualquer da Inglaterra oitocentista, um gentleman comentava que suas crianças estavam lendo o Book of Nonsense. Quem quer que tenha sido, o tal senhor insistia em afirmar que Edward Lear não existia e que Lord Derby é que havia escrito o livro de poemas absurdos. Então, eis que surge outro gentleman, que estava só ouvindo a conversa e
juntanto-se espontanemente à conversação, disse — “Isso é um senhor equívoco. Eu tenho razão em saber que Edward Lear, o pintor e escritor, escreveu e ilustrou o livro inteiro.” “E eu”, disse o Gentleman, “tenho boas razões para saber, Sir, que vós estais redondamente enganado. Não existe essa tal pessoa, esse tal Edward Lear.” “Mas”, disse eu, “ela existe — e eu sou o tal — eu escrevi o livro!” Então que todos explodiram em risos, evidentemente me considerando um doido ou um piadista. Foi aí que eu tirei meu chapéu e mostrei-o, com Edward Lear e o endereço estampados em grandes tipos — e também um de meus cartões e um lenço marcado. Em meio ao espanto que devorava aqueles indivíduos incultos, eu parti, deixando-os a ranger os dentes em tumulto.
Esse senhor que aparece do nada e afirma ser Edward Lear não era doido nem piadista; era o próprio. Continue lendo…
Ciência com as próprias mãos

Dr. Unger: ciência marota e 36.500 estralar de dedos para testar uma clássica teoria materna. (Foto de Karen Quincy Loberg)
Uma das características básicas da pesquisa científica é que experiências pessoais não são vistas como confiáveis. No entanto, há uma curiosa exceção que envolve artrite, estalar de dedos e uma vontade imensa de contrariar a mãe. Tudo começa com a mãe do médico californiano Donald L. Unger.
Como quase todas as mães, ela vivia dizendo que se o menino continuasse estralando os dedos constantemente, acabaria com artrite. Apaixonado por ciência desde cedo, Unger resolveu testar a sabedoria materna da forma mais cientificamente rigorosa que pôde. Como não podia ter um laboratório nem dois grupos para observar, usou as próprias mãos.
Durante 50 anos, o menino que se tornou médico alergista estralou os dedos da mão esquerda pelo menos duas vezes ao dia, totalizando mais de 36.500 estraladas. A mão direita foi mantida intocada, como controle. Quando o tempo do experimento se esgotou, Dr. Unger escreveu aos editores da Arthritis & Rheumatism para reportar um “estudo controlado, com um único participante.” A conclusão: depois de meio século, ele não encontrou artrite em nenhuma das mãos, nem qualquer outra diferença significativa entre elas. “Esse resultado”, escreveu o médico, “levanta a questão sobre se outras crenças parentais, e.g., a importância de comer espinafre, também são equivocadas.”
A experiência era excepcionalmente interessante, mas passaria pelo crivo científico da revisão pelos pares? O editores da Arthritis & Rheumatism pediram uma revisão de Robert L. Sweazey, que já havia publicado uma investigação pioneira sobre o assunto no Western Journal of Medicine. Sweazey disse que seu próprio estudo havia sido inspirado quando a avó do seu filho de 12 anos havia alertado o menino de que estalar os dedos lhe causaria artrite. Segundo Sweazey, “já se passaram agora 22 anos e ele continua a praticar frequente ED [Estalar de Dedos] sem qualquer manifestação de artrite.”
Depois de desbancar os conselhos maternos, Sweazey passou a pensar que, ao contrário do que creem as mães, estalar dos dedos pode até prevenir a osteoartrite. “A possível utilização de ED por provedores de auxílio à saúde como um tratamento preventivo doméstico, econômico e não-invasivo deveria merecer maior consideração.”, concluiu o revisor do inusitado estudo.
Embora tenha sido o segundo experimento sobre o tema, a experiência pessoal do Dr. Unger com as próprias mãos acabou sendo reconhecida e publicada: Does knuckle cracking lead to arthritis of the fingers? Unger DL. Arthritis Rheum. 1998 May;41(5):949-50. Dez anos depois da publicação de seu estudo, o esforço diligentemente científico não foi esquecido: ele foi o vencedor do Prêmio IgNobel de Medicina em 2009.
>Pé na tábua!
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Não importa se seu veículo foi ou não foi feito para correr: há certas situações em que o melhor a fazer é pisar fundo. Foi isso que Albert Gunter deve ter percebido em janeiro de 1953. Motorista de um ônibus double-decker tipicamente londrino (sim, aqueles ônibus vermelhos de dois andares), Mr. Gunter estava atravessando a Ponte de Londres quando “parecia que a rodovia diante de mim estava caindo”.
“Tudo aconteceu terrivelmente depressa”, disse ele à revista Time. “Eu percebi que a parte em que estávamos estava se levantando. Foi horripilante. Eu senti que nós devíamos seguir em frente ou poderíamos cair no rio. Então, eu acelerei.”
Mr. Gunter correu o máximo que pôde com o duplo busão até o topo da pista em ascensão e saltou até o outro braço da ponte, que ainda estava subindo um pouco mais lentamente, formando um desnível de 6 pés (1,82m). “Eu pensei que aquela [parte] já tinha começado a subir também”, explicou o audaz motorista.
Depois de um pouso que certamente não foi dos melhores, o ônibus quebrou a suspensão. Mr. Gunter quebrou uma das pernas e 12 dos 20 passageiros ficaram feridos. Mas Gunter não foi despedido pelo acidente. Pelo contrário: o motorista-voador ganhou um bônus de ₤10 no fim do mês.
>Igreja Fatiada
>
Dizem que a fé move montanhas. Mas a engenharia move igrejas:
Um dos mais incomuns feitos da engenharia em tempos recentes foi a moção da torre de 1814 toneladas de uma igreja em Detroit para abrir espaço para o alargamento de uma rua. A torre de pedra de 55 metros foi movida por sete homens sob os olhares de centenas de espectadores que seguravam o fôlego. Trabalhando sob a direção de Carl F. Henrichsen e Carl A. Johnson, veteranos motores de edifícios, os homens primeiro removeram uma secção de 8,2296m da igreja para que a fronte pudesse ser movida para trás o mesmo tanto. A porção frontal foi então levantada e colocada sobre calços. Polegada por polegada a estrutura foi empurrada através de força manual até encostar na parte posterior da igreja, quando os calços foram retirados e a fundação foi rapidamente cimentada. Devido ao risco de desequilíbrio e tombamento da torre, foi necessário eliminar todo o equipamento mecânico. — Modern Mechanix, Dezembro de 1936
>Michelangelo #LikeABoss
>
Às vezes, até um gênio como Michelangelo tem que lidar com a idiotice de um chefe:
Eu não posso omitir uma história um tanto infantil que Vasari conta sobre o David. Após ele ter sido colocado em seu pedestal diante do palácio, e enquanto o andaime ainda estava lá, Piero Soderini, que amava e admirava Michelangelo disse-lhe que achava que o nariz era muito largo. O escultor imediatamente correu escada acima até alcançar a altura dos ombros do gigante. Ele, então, pegou seu martelo, seu cinzel e, soprando um pouco de pó de mármore que levara na palma da mão, fingia trabalhar uma porção do nariz. Na verdade, ele o deixou como o havia encontrado. Mas Solderini, vendo o pó de mármore espalhado pelo ar, pensou que sua dica havia sido aceita. Assim, quando Michelangelo virou-se para ele lá de cima e disse “Veja só!”, Solderini respondeu gritando “Eu me sinto muito agradecido com isso. Você deu vida à estátua.” – John Addington Symonds, The Life of Michelangelo Buonarroti, 1893








É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídeo pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.