[Enigma] Lógica Cafeinada

Edouard Manet: "Au Café Guerbois", litografia, 1869

Num restaurante, seis lógicos estão reunidos para um jantar. Após a refeição, é lógico que um garçom se aproxima da mesa e pergunta: “Vocês todos querem café?”

Lógico nº. 1: “Eu não sei.”
Lógico nº. 2: “Eu não sei.”
Lógico nº. 3: “Eu não sei.”
Lógico nº. 4: “Eu não sei.”
Lógico nº. 5: “Eu não sei.”
Lógico nº. 6: “Não.”

Quem recebe o café? Justifique sua resposta.

Dobro ou metade?

Mais um curioso paradoxo divisado pelo matemágico Raymond Smullyan. Considere dois inteiros positivos, x e y. Um é o dobro do outro, mas não sabemos qual é. Assim, conclui-se que:

  • Se x é maior que y, segue-se que x = 2y e a diferença entre x e y é igual a y. Por outro lado, se y é o maior valor, então x = 0,5y e a diferença entre as incógnitas é expressa por y – 0,5y = 0,5y. Como y é maior que 0,5y, podemos dizer genericamente que, se x > y, a diferença de x e y é maior do que a diferença de y e x, se y > x.
  • Se d é a diferença entre x e y, isso é o mesmo que dizer que d tem o mesmo valor do menor número. Assim, geralmente, o excesso de x em relação a y, se x > y, é igual ao excesso de y em relação a x, se y > x.

As duas conclusões possíveis estão em clara contradição. Qual é o problema?

[Enigma] Numa velocidade…

trestleC

A pé, um homem já percorreu 4/7 de uma estreita ponte ferroviária quando percebe que um trem se aproxima. Para sair do caminho, ele tem duas opções: correr em direção ao trem ou no sentido oposto à composição. Independente da escolha, ele consegue chegar a um local seguro e não é atropelado.

Aí vem a pergunta: se ele corre a 20km/h, qual é a velocidade do trem?

Homer vs. Pascal

via LOLgod.

>Em uma palavra [77]

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ipsedixitismo (ip.se.di.xi.tis.mo [ksi])
s.m. Retór. argumento dogmático ou arbitrário, normalmente baseado em algum argumento de autoridade. Ip.se.di.xi.tis.ta, adj. aquele que recorre ao ipsedixitismo; pessoa muito dogmática. [do latim ipse dixit, ele-mesmo disse]
Segundo Cícero (De Rerum Natura, I, 5) , o uso da frase remonta aos pitagóricos, para os quais a autoridade de Pitágoras era “ainda maior que a razão”. Durante a Idade Média, o uso do ipse dixit também foi comum, mas a referência passou a ser Aristóteles.

>Profundidade Superficial (ou Superficialidade Profunda)

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Esfera de Ouro (e urna funerária) de Nikola Tesla

Quando você toca uma bola de ouro, toca a superfície de uma esfera e toca ouro. Parece razoável concluir que a superfície é feita de ouro. Mas o cientista da computação Antony Galton, da Universidade de Exeter, lembra que uma superfície é bidimensional e, não tendo espessura ou profundidade, não pode conter qualquer quantidade de ouro (ou qualquer outra coisa).
Então, o que acontece quando você põe o dedo em uma bola dourada? Não se pode dizer que você toca a camada mais exterior dos átomos de ouro, pois isso nos deixaria com duas superfícies (a da esfera e a da matéria que a forma). Por outro lado, não se pode afirmar que a superfície da esfera é uma coisa abstrata, sem existência física — muito menos quando se pode vê-la e pegá-la. Então, o que é uma superfície?
Como se esses questionamentos não fossem bastante superficialmente profundos (e idealmente esféricos), o filósofo e linguísta britânico J. L. Austin (1911-1960) ainda se perguntou: “Onde e o quê é exatamente a superfície de um gato?” Agora tente pensar na superfície de um gato arrepiado…

>Dr. Filmer, o advogado das bruxas

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Tortura e execução de uma “bruxa”. Gravura de autoria desconhecida.
De um certo Filmer, advogado de defesa de bruxas na Inglaterra, diz-se que ele fez a engenhosa defesa que segue. Suas clientes foram acusadas, como de costume, de serem cúmplices [accessory] do demônio. Sob a commom law não pode haver cúmplice a não ser que haja um líder [principal] e nenhum cúmplice pode ser condenado a não ser que o líder seja condenado. Pois se o líder for absolvido, não há culpa principal [principal guilty] e assim não pode haver culpa por associação [accessory guilty]. Consequentemente, até que o líder seja condenado, os cúmplices não podem ser julgados.

Tomando vantagem dessa situação legal, Filmer arguiu que suas clientes não poderiam ir a julgamento até que seu suposto líder fosse julgado e condenado. E como isso poderia ser feito? Somente de acordo com a lei do país. Em primeiro lugar, como o demônio poderia ser intimado? O oficial de justiça encarregado seria obrigado ou ir até o diabo e intimá-lo pessoalmente ou, se isso não for possível, a deixar uma cópia da intimação por escrito no local de residência do demandado. Embora os amigos e admiradores do oficial de justiça possam aconselhá-lo a cumprir sua obrigação de ambas as formas de vez em quando, a aplicação prática de tal conselho seria uma impossibilidade [neste caso]. Ainda assim, supondo que o demandado fosse adequadamente intimado, ele teria direito a um julgamento por um júri formado pelos seus pares [por seus iguais; peers no original]. Mas Sua Majestade Satânica não tem pares ou, mesmo que tivesse, eles certamente o julgariam de forma conivente e certamente acabariam por absolvê-lo. Portanto, quaisquer que sejam as condições, como poderiam ser julgadas as suas cúmplices? — H. C. Shurtleff, “The Grotesque in Law” [“O Grotesco no Direito”], artigo publicado na American Law Review [Revista Americana de Direito], Janeiro-Fevereiro de 1920

[Nota: Tive algumas dificuldades na tradução do relato “grotesco” acima. Não tanto pelo absurdo da situação em si, mas pelas diferenças — principalmente de jargão — entre o sistema legal britânico e o nosso. Por isso, deixei o original de alguns termos que me causaram dúvidas entre colchetes. Se alguém puder confirmar que essa tradução é adequada ou puder apontar alguma melhoria ou correção, por favor manifeste-se através de comentário. Grato.]

>Um Paradoxo Linear

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Quase sempre, os paradoxos são paradoxais exatamente por apresentar uma certa circularidade auto-referencial (cf. o famoso Dilema de Tostines). O quase é porque o conjunto das sentenças abaixo forma o que seu descobridor, Stephen Yablo, chama de paradoxo linear (e não apenas graficamente):

Todas as sentenças abaixo dessa são falsas.
Todas as sentenças abaixo dessa são falsas.
Todas as sentenças abaixo dessa são falsas.
Todas as sentenças abaixo dessa são falsas.
Todas as sentenças abaixo dessa são falsas.
Todas as sentenças abaixo dessa são falsas.
Todas as sentenças abaixo dessa são falsas.
Todas as sentenças abaixo dessa são falsas.
Todas as sentenças abaixo dessa são falsas.

ad infinitum

Apresentado por Yablo em 1993, esse arranjo consegue ser paradoxal sem ser circular, isto é, sem conter auto-referência. As sentenças não podem ser todas falsas, pois isso tornaria verdadeira a primeira delas, causando uma contradição. Por outro lado, nenhuma delas pode ser verdadeira, pois uma única afirmativa verdadeira teria que ser seguida por uma infinidade de sentenças falsas, e a falsidade de qualquer uma delas implica a verdade daquela que seguem.

Em outras palavras, suponha que em algum lugar dessa sequência infinita de “Todas as sentenças abaixo dessa são falsas.” haja uma enésima sentença que seja verdadeira. Disso decorrem duas coisas:

  • (a) a enésima-primeira sentença é falsa e 
  • (b) qualquer sentença que esteja além da enésima-primeira é falsa também. 

Só que, segundo (b), o que a enésima-primeira sentença diz —  que todas as sentenças que estão abaixo dela são falsas — é verdadeiro e, portanto, ao contrário do que se conclui por (a), a enésima-primeira sentença é verdadeira. Portanto, qualquer sentença dada na sequência é falsa. Mas as sentenças subsequentes a qualquer sentença dada são todas falsas, o que valida a verdade da sentença dada como verdadeira.

>Twaintadas #05: Medo da morte

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“…bilhões e bilhões de anos…” #saganfeelings

>O Paradoxo de São Petersburgo

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Vamos jogar um joguinho bastante simples. Você lança uma moeda e se sair cara, eu te dou R$ 1,00. Se sair cara de novo, eu te pago R$ 2,00 e se o resultado se repetir novamente, eu dobro o valor para 4 reais, depois 8 e assim por diante. Quando sair coroa, o jogo acaba e você pode ficar com o que já ganhou.
Mas como eu não sou bobo de assumir o risco de te dar um real à toa, eu cobro ingressos dos jogadores. Porém, qual seria um valor justo para cobrir meus custos? Surpreendentemente, parece que eu deveria cobrar uma quantidade infinita de dinheiro. Acontece que a cada novo lance, sua chance de sucesso é 1/2, mas seu possível prêmio dobra. Assim, o prêmio total que você pode esperar — a soma dos prêmios multiplicados pela chance de serem ganhos — é infinito:

P = (1/2 × 1) + (1/4 × 2) + (1/8 × 4) + … = ∞

Nicholas Bernoulli (1695-1726) foi o primeiro a descrever esse problema em 1713, junto com o primo Daniel Bernoulli (1700-1782). Em 1724, quando Nicholas passou uma temporada em São Petersburgo, apresentou o problema ao czar Pedro, o Grande (1672-1725), que o batizou com o nome da capital de seu império. 
Uma possível solução é que esse jogo ignora a psicologia humana e a condição social dos jogadores. Nós estamos considerando apenas o valor monetário do prêmio como algo maior do que o valor que a vitória tem para nós. E ouro vale mais para um miserável sem-teto do que para um bilionário.

Uma vez que acumulamos certa soma, o apelo para obter uma riqueza maior começa a diminuir. Mesmo que não percamos nada, as chances de ganhar são cada vez menores e assim vamos parando de arriscar. A não ser, é claro, que você seja desses que pensam que quanto mais dinheiro melhor, mesmo que não possa (ou nem queira) gastá-lo.

“Os matemáticos”, segundo Gabriel Cramer (1704-1752), “estimam o dinheiro em relação à sua quantidade e os homens de bom-senso em proporção ao uso que podem fazer dele.”

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