Os demônios de Berbiguier
Alexis-Vincent-Charles Berbiguier de Terre-Neuve du Thym vivia sendo aterrorizado por farfadets, uma espécie de equivalente francês dos goblins. Filho de uma família pequeno-nobreza, Berbiguier nasceu em Carpentras, no sul da França, em 1765. Ele entraria para a história da literatura francesa por sua bizarra autobiografia demonológica. Intitulada Les farfadets ou Tous les démons ne sont pas de l’autre monde [Os farfadets, ou Todos os demônios não são do outro mundo], a autobiografia de Berbiguier foi publicada em três volumes entre 1818 e 1820. A obra é magnificamente ilustrada com litografias desenhadas pelo próprio autor. Continue reading “Os demônios de Berbiguier” »
Triste Fim de um Homenzinho Verde
Entre as personagens que recentemente atraíram a atenção do público em Brighton estava uma original, ou que seria original, genericamente conhecida pelo apelativo de ‘green man’. Ele vestia pantalonas verdes, colete verde, gravata verde. E, embora suas orelhas, suas suíças, suas sobrancelhas e suas bochechas fossem empoadas, seu semblante, indubitavelmente por reflexo de suas vestimentas, também era verde. Seu cabriolé, sua maleta, suas luvas e seu látego — eram todos verdes. Com um lenço de seda verde em suas mãos, e um grande relógio com elos verdes na corrente presa aos verdes botões de seu verde casaco, ele desfilava diariamente em Steine.
Na manhã de hoje, às 6 horas, esse gentleman pulou da janela de seu aposento na quarta sul, saiu correndo pela rua até a beira do penhasco próximo e lançou-se sobre o precípio para a praia lá embaixo. Diversas pessoas imediatamente acorreram em sua assistência —ele sangrava na boca e nas orelhas — e carregaram-no de volta ao seu alojamento. A altura do abismo de onde ele se precipitou é de aproximados 20 pés [pouco mais de 6 metros] na perpendicular. Dado o procedimento geral do gentleman supra, supõe-se que ele é demente. Seu nome, pelo que soubemos, é Henry Cope e ele é relacionado a algumas famílias das mais altas distinções. — entrada para 25 de outubro no “The Annual Register” [“O Anuário”] de 1806.
O Selvagem de Hanover
Ele apareceu nos bosques perto da cidade alemã de Hamelin, perto de Hanover. Todo engrenhado e sujo, ele alimentava-se apenas de ervas e frutinhas, não dizia uma palavra e, embora aparentasse ter uns dez anos ou mais, andava de quatro. Ninguém sabia quem ele era nem exatamente de onde veio, mas ele acabou sendo chamado de Peter, o Garoto Selvagem de Hanover.
Documentado como um dos primeiros casos de crianças com comportamento animalesco, Peter não tardou a chamar a atenção de outro animal natural de Hanover — George I, rei da Inglaterra (1660-1727; regnabat 1714-1727). Intrigado com o caso, o rei hanoveriano meio que adotou o Wild Boy: o menino foi levado à sua corte e tratado como mascote. Depois de chegar à Inglaterra, Peter tornou-se uma celebridade-instantânea, inspirando sátiras de Johathan Swift (1667-1745) e Daniel Defoe (1660?-1731). Diz-se que, ao ser informado das condições sui generis daquele moleque que mais parecia um animal, Lineu (1707-1778) criou uma categoria especial de humanos — Juvenis Hanoveranus — só para enquadrar Peter no seu Systema Natura.
Na corte inglesa, o menino-fera foi posto sob tutela da Princesa Caroline (1683-1737; futura rainha consorte de George II). Apesar da real educação, ele nunca aprendeu a falar — o máximo que conseguiu foi repetir algumas palavras. Mesmo assim, as pessoas que o encontravam diziam que ele parecia entender o que os outros falavam.
A “adoção” de Peter pela família real também acendeu uma polêmica científica que, de certo modo, ainda persite: o que separa humanos de animais, especialmente de animais selvagens? É nature ou nurture, natureza ou nutrição [ambiental/cultural] que nos torna humanos? O debate ainda está aberto, mas o caso de Peter parece decorrer da natureza mesmo: recentes pesquisas indicam que ele seria portador da Síndrome de Pitt-Hopkins, uma deficiência genética que só foi descoberta em 1978.
Evidentemente, o Wild Boy não foi um boy para sempre. Após a morte de George I em 1727, a família real afastou-o da corte e colocou-o sob os cuidados de um fazendeiro em Hertfordshire. No verão de 1751, Peter desapareceu. Vários anúncios foram postos em jornais mas mesmo assim ele foi preso — e quase morreu no incêndio da cadeia onde estava. Depois disso, ele passou a viver com uma coleira de couro que trazia a seguinte inscrição: “Peter, o Homem Selvagem de Hanover. Quem quer que o traga a Mr. Fenn em Berkhamsted, Hertfordshire, será recompensado.”
Peter foi longevo para sua época e faleceu aos (estimados) 72 anos em 1785. Foi enterrado no cemitério de St. Mary’s Church, perto da porta principal da igreja. Na parede sul da nave do templo, há uma plaquinha com um pequeno perfil biográfico do falecido garoto selvagem. Um retrato de Peter ainda sobrevive em Londres, onde pode ser visto na parede leste da escadaria real do Kensington Palace. Outra relíquia, sua coleira de couro está na coleção da Berkhamsted Collegiate School.
O matemático lunático
Sendo um dos mais famosos matemáticos franceses de sua época, era natural que Jacques Hadamard (1865-1963) recebesse várias correspondências de aspirantes a matemáticos cheias de dúvidas ou de teorias malucas. Boa parte daquelas cartas geralmente era ignorada por Hadamard, até que ele recebeu uma prova brilhante de um tal André Bloch. Hadamard ficou tão fascinado pela elegância da prova que decidiu conhecer aquele sujeito e convidá-lo para um jantar. Uma vez que eles só mantinham contato através de cartas, Hadamard escreveu de volta para o endereço do remetente: 57, Grand Rue, Saint-Maurice. Em resposta, Bloch só informou que estava impossibilitado de sair, mas convidou o grande matemático a lhe fazer uma visita.
Foi só ao chegar ao endereço que Jacques Hadamard descobriu porque o brilhante colega não poderia sair: o que ficava na 57, Grand Rue, Saint-Maurice não era uma casa, mas um hospital. Ou melhor, um hospício, o Asilo de Lunáticos de Charenton. Apesar da imensa surpresa, Hadamard foi ao encontro de Bloch e em meio a uma longa conversa sobre temas matemáticos, ele conheceu a história do matemático lunático. Continue reading “O matemático lunático” »
>Patentes Patéticas (nº. 37)
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Você gostaria de ter um animal de estimação para passear, mas não quer saber de problemas como alimentação, carinho, espaço (e muito menos risco de mordidas)? Ou será que você é um troll incurável e deseja testar a sanidade mental de seus amigos com um “cachorro invisível”? Qualquer que seja a sua situação, Daniel J. Klees e Terri Shepherd já têm a solução: a “Guia Sonora”. Isso mesmo, o casal de Mundelin (Illinois), inventou uma coleira especialmente para
criar a ilusão de um animal de estimação imaginário, incluindo uma guia longa e oca, com uma empunhadura em uma extremidade e uma coleira adjacente ao outro fim. No interior da empunhadura, que é oca, está uma bateria e um circuito integrado para produzir uma pluralidade de sons animais. Também no interior da empunhadura há um botão liga/desliga e pelo menos um seletor para o circuito sonoro. Montado por dentro da coleira, na extremidade oposta da guia, está um micro-falante que é conectado através da guia oca ao circuito da empunhadura.
Há ainda dois apêndices, adicionados em 8 de outubro de 1996: o primeiro corrige a data do pedido do registro, de 29 de julho de 1995 para 29 de junho de 1995; o segundo muda o nome do dispositivo de “Guia Sonora” para “Inovadora Guia Sonora”. Pelo visto, Daniel Klees e Terri Shepherd gostavam de dar trabalho ao pessoal do Escritório de Patentes.
>Fontana dei Matti
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| Até a fotografia enlouquece perto da Fontana dei Matti! (crédito: lucamoglia.it) |
>Em uma palavra [51]
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criptoscopofilia
s.f. necessidade maníaca de olhar através das janelas desconhecidas. Por extensão, necessidade de invadir a privacidade alheia como forma de intimidação. [do grego cripto = obscuro, desconhecido + scopes = janela + filia = amor, afeto.] criptoscopófilo; criptoscopofílico, adj.
>O Peso do Nome: Einstein (parte 2)
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| Em sua última visita, Einstein tentou tocar violino para animar o filho. Foi recebido com indiferença. |
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| Eduard Einstein, já adulto. No início do tratamento, ele ainda podia passar alguns momentos com a mãe fora do hospital psiquiátrico |
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| Um raro momento: nos anos 1920, Albert ainda se esforçava para visitar os filhos (Hans à esq. e Eduard à dir.) |
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| Hans Albert Einstein: desde dos anos 80 um prêmio de engenharia hidráulica leva seu nome. |
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| Evelyn Einstein: mesmo adotada, a neta sentiu o peso do nome. |
>O Peso do Nome: Einstein (parte 1)
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| Eduard Einstein, a.k.a. “Tede” |
Nascido em 1910, Eduard Einstein era o filho caçula de Mileva Maric com o físico — e que físico! — Albert Einstein. Apelidado de “Tede” pela mãe, Eduard parecia ter um futuro brilhante e sempre se destacou na escola. Ele se dava bem com ambos os pais (seu irmão seis anos mais velho, Hans Albert, vivia às turras com o pai). Apesar disso, a vida da família Einstein nunca foi um mar de rosas.
| Foto do casamento: Mileva sonhava formar uma dupla imbatível com Eintein na ciência. Foi frustrada pela vida familiar. |
| Albert com a mulher e o primeiro filho (1907): A fama, a guerra e as constantes mudanças o tornaram ausente. |
| Mileva com os filhos: ela fugiu de Berlim um mês antes da Grande Guerra. Salvou a vida dos filhos, mas não o casamento. |
>Os Gigantes de Cardiff
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Durante a escavação de um poço em Cardiff, no interior de Nova York, em 1869, os operários fizeram uma descoberta sensacional: um homem de pedra com 10 pés [3 metros] de altura.
Era uma estátua antiga? Um gigante petrificado? A verdadeira origem era bastante mundana. O chamado “Gigante de Cardiff” havia sido esculpido em gesso e enterrado deliberadamente por um comerciante de Nova York, George Hull. Ele realmente fez um bom negócio: gastou 2.600 dólares para esculpir e enterrar a peça, que foi vendida por US$ 37.500 após ser “descoberta”.












É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídio pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.