Patentes patéticas (nº. 96)
Por mais patéticas que tenham sido, as 95 patentes apresentadas ao menos se esforçaram para tentar resolver algum problema de ordem prática (mas que geralmente já tinham soluções mais simples). Uma patente dedicada à confecção simplificada de mapas mais precisos pode parecer algo mais sério e mais útil. Esse seria o caso de Map (profile) of Earth’s continents and methods of manufacturing world maps [Mapa (perfil) dos continentes da Terra e métodos de manufatura de mapas-múndi]. Mas a seriedade e utilidade dessa patente acaba no fim do parágrafo-resumo: Continue lendo…
Amikejo, o quase-país do Esperanto
Quando se fala em (ou melhor, sobre) Esperanto, há sempre a objeção de que não é uma língua natural, que não tem uma cultura própria ou falantes nativos. Pois bem, o Esperanto quase foi a língua oficial de um pequeno país europeu.
Tudo começou muito antes do Dr. Zammenhoff. Ironicamente, a culpa é de Napoleão. Durante a reorganização do mapa europeu no período pós-napoleônico, uma fatia de 3,44 km² de terra ficou em litígio entre a Prússia e os Países-Baixos (nº. 3 no mapa acima; 4 é a atual Alemanha; 1 é a Holanda e 2, a Bélgica). A disputa arrastou-se silenciosamente por décadas e área ficou conhecida como Neutral Moresnet e virou uma terra de ninguém.
Já que a terra era de ninguém, que tal falar uma língua de ninguém ali? Em 1908, o imigrante e esperantista alemão Wilhelm Molly propôs transformar o minúsculo território de Neutral Moresnet no primeiro país esperantófono do mundo.
Os esperantistas mais entusiasmados logo batizaram o que seria o seu país de Amikejo (lit. “lugar dos amigos”) e compuseram um hino nacional (em esperanto, é claro). Até mesmo o Congresso Internacional Esperantista decidiu mudar sua sede de Haia para a nova “capital mundial” da língua internacional.
O que era para ser, não foi. A Alemanha não tardou em abocanhar aquele naco de terra durante a I Guerra Mundial. Após outro redesenho europeu — o Tratado de Versalhes —, a área acabou ficando com a Bélgica.
O destino da língua oficial de Amikejo não foi muito diferente (não que a Bélgica o tenha adotado): o Esperanto também é uma ideia não pegou. Mas talvez seja melhor que Amikejo não tenha se realizado. Não faria muito sentido que uma língua cujo objetivo era ser internacional se tornasse apenas mais uma língua nacional, de uma micronação.
Um século e meio de furacões, tornados, ciclones e tufões

Imagem: John Nelson/IDV Solutions
John Nelson cartografa novamente! Depois de mapear pouco mais de um século de terremotos, o gerente de cartografia da IDV Solutions voltou-se para os desastres atmosféricos. Com base em dados do antigo US Weather Bureau e da National Oceanic and Atmospheric Administration (atual agência meteorológica do governo norte-americano) registrados entre 1851 e 2010, Mr. Nelson usou suas cores brilhantes para revelar as trajetórias de furacões e tempestades tropicais que assolaram o planeta durante o último século e meio.
Desta vez, Nelson foi cartograficamente ousado e optou por uma projeção centrada no Pólo Sul. As vantagens são óbvias: as curvas das tempestades tornam-se claramente visíveis, bem como sua tendência de seguir de leste para oeste (ou, se preferir, em sentido anti-horário no mapa).
A frequência e intensidade dos fenômenos cresce a partir da década de 1940. Mas não tire conclusões precipitadas. Tal aumento deve-se antes ao aperfeiçoamento dos sistemas de detecção de furacões e similares. A partir dos anos 1970, por exemplo, há uma explosão no número de registros simplesmente porque o governo americano passou a “ver”, através de satélites, as tempestades tropicais e os tufões da Ásia.
O mais notável, porém, é a assimetria entre o hemisfério sul dos oceanos Pacífico e Atlântico e do oceano Índico. Praticamente metade do Pacífico sul é realmente pacífica (o que explica o batismo, já que Fernão de Magalhães entrou nesse oceano pelo sul). A única ocorrência no Atlântico sul foi o ciclone (ou furacão) que atingiu Santa Catarina em 2004.
O mapa em tamanho original (5000 x 3150 pixel) está aqui.
[via ouramazingplanet.com]
Todos os terremotos de pouco mais de um século
Quando se trata de visualizar terremotos, mapas são sempre úteis — especialmente para saber onde eles ocorrem. Mas e quanto à dimensão temporal?
Juntando dados do ANSS (Advanced National Seismic System), do USGS (United States Geological Surveys) e da Universidade de Berkeley à imagens da NASA, John Nelson montou um mapa com todos os sismos registrados desde 1898. Cada ponto luminoso é um terremoto, ou melhor, o epicentro de um terremoto. Quanto mais brilhante, mais tremores há em determinada área. As magnitudes são separadas por cores e vão de 4 a 8 na escala Ritcher.

Uma pena que o infográfico (tamanho integral) de Mr. Nelson seja apenas estático e não interativo — seria muito mais interessante poder clicar em cada ponto, ampliá-lo e ter acesso aos dados sobre os terremotos representados. Ainda assim, além do pouco surpreendente acúmulo de ocorrências em torno do Pacífico, há informações interessantes. Como indica o gráfico no rodapé, os sismos mais frequentes foram os de 4 graus (74,45% dos registros). Apenas 0,01% tiveram grau 8 (ou mais). Note que há alguns tremores, ainda que de pequena magnitude, no território brasileiro — principalmente no Nordeste, que fica mais próximo do rift meso-atlântico.
[IDV Solutions via Scinerds]
Música-Múndi
Em 2008, James Plankovic passou seis semanas lutando com suas pautas musicais. Seu objetivo era compor uma partitura para 37 instrumentos — flautas, pianos, metais e cordas. Isso por si só já parece uma tarefa complicada, mas o que Plankovic estava realmente tentando fazer era musicar um mapa-múndi.
“Cada massa de terra foi transformada em notação musical”, explica o compositor. “Notas, pausas, ligaturas e algumas expressões musicais como forte ou pianissimo foram reunidas de modo que, como resultado final, ao afastar-se da própria imagem, você veja as terras. Você vê uma parte do mundo.” O tal resultado está no video a seguir.
“A música é muito ativa”, diz o próprio Plankovic em um resumo da monumental porém brevissima obra. “Há alguns pontos fluidos e harmoniosos, e há áreas que são definitivamente impertinentes e discordantes. Isso reflete como o mundo é.”
O céu está caindo?
De certo modo, sim. As nuvens da atmosfera terrestre estão ficando mais baixas, segundo dados de um satélite da NASA. Mas antes de soar alarmes apocalíticos, é bom saber que isso pode ser uma boa notícia.
Cientistas da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, analisaram medições de altitudes de nuvens feitas entre março de 2000 e fevereiro de 2010 pela sonda Terra, da NASA. Recém-publicada na Geophysical Research Letters, a análise revela uma tendência de diminuição generalizada na altitude das nuvens. Ao longo da década pesquisada, a média global de altitude de nuvens caiu cerca de 1%, o que equivale a algo entre 30 e 40 metros de diferença. A redução foi causada principalmente pela ocorrência menos frequente de nuvens em altitudes muito altas.

El Nino/La Niña parecem reforçar as variações observadas. (Imagem: University of Auckland/NASA JPL-Caltech)
Líder da pesquisa, o professor Roger Davies afirma que, embora ainda seja muito pouco para ser uma tendência definitiva, a variação observada pode indicar que está acontecendo algo importante nos céus da Terra. Uma queda consistente na altitude das nuvens poderia ajudar o planeta a se resfriar mais facilmente, com possível redução dos efeitos do aquecimento global.
Ao contrário do derretimento das calotas polares (que reforça o aquecimento), esse seria um processo de feedback negativo: uma mudança causada pelo aquecimento global que enfraquece-o. “Não sabemos exatamente o quê causa a diminuição na altitude das nuvens”, diz Davies. “Mas deve ser por causa de uma mudança nos padrões de circulação que dificulta a formação de nuvens em grandes altitudes.”
A sonda Terra deve continuar recolhendo dados sobre o clima até o fim da década e pode confirmar a tendência de queda das nuvens.
Com informações da NASA.
>Alá é para lá [2]
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Em Tematangi a qibla¹ torna-se tão sensível quanto uma bússola perto de um campo magnético. Naquele pequeno atol, e em algumas ilhas mais próximas, dois seguidores de Maomé dificilmente oram alinhados na mesma direção e — talvez de modo bastante perigoso do ponto de vista doutrinário e teológico — cada um pode escolher para que lado se voltar. Não surpreende que não haja nehuma mesquita no local, habitado por apenas 57 pessoas.
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¹ qibla [direção em árabe]: a direção em que todo muçulmano se deve voltar quando faz cada uma de suas cinco orações diárias, isto é, com a face voltada para a Caaba, em Meca.
>Na esquina do mundo
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>Toma lá, dá cá
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>Mundo Multipolar
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O pólo norte não é o único. Tampouco o pólo sul. O planeta Terra tem, na verdade, quatro pólos em cada hemisfério. E causa uma bagunça…
| Mapa Magnético. Note que as linhas de força entram no Norte e saem do Sul |
Uma reversão nos Pólos Magnéticos faria com que estes se alinhassem com os Geomagnéticos. Evidentemente, mesmo ao ritmo apressadinho do PMN, uma reversão levaria séculos2. Nesse meio tempo (e se a rota de inversão começar mesmo pela Sibéria), teríamos o PNM em lugares bizarros tipo a Índia.
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1 Há ainda outras duas localidades chamada North Pole. Cada uma é mais cínica que a do Alasca: a primeira também é uma cidade e fica no interior do estado de Nova York, na latitude 44º. N.; a segunda situa-se em pleno Hemisfério Sul, mais precisamente na região de Marble Bay, na Austrália Ocidental. Para evitar maiores confusões, esses “Pólos” não entram em nossas contas polares.
OBS: Note-se abaixo que a dimensão textual política também foi escolhida por uma incessante busca do duplo sentido (Pegou? política = estudo dos polos).





É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídeo pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.