Patentes Patéticas (n°. 98)

bicicleta eólica

Pedalar é uma opção de transporte ecologicamente correta, mas cansativa. Sempre há a possibilidade de dar uma mão na roda da bicicleta, mas as alternativas para facilitar o uso das magrelas não são lá muito sustentáveis: ou são pequenos motores de combustão, movidos a combustíveis fósseis ou são baterias que movem motores elétricos. Esta parece mais eco-friendly, mas aí você se lembra que as baterias estão cheias de metais tóxicos e que a eletricidade para carregá-las nem sempre é gerada de forma sustentável. Você quer pedalar, mas sem fazer muito esforço. Como proceder?

Use a energia dos ventos. É a sugestão do canadense James C. Hayes, criador da “Wind-assisted bicycle” [“Bicicleta com auxílio eólico”]: Continue lendo…

Patentes Patéticas (nº. 95)

 parto centrífugo

A senhora está grávida, mas acha que não tem forças para botar seu filho no mundo? Apesar disso, a senhora não quer passar por uma cesariana? Acha o fórceps muito invasivo? Que tal usar uma combinação de força centrífuga e gravidade para por fim à gravidez? Parece uma ideia radicalmente absurda, mas já faz meio século que um casal nova-iorquino inventou um Apparatus for facilitating the birth of a child by centrifugal force [Aparelho para facilitar o nascimento de uma criança por força centrífuga], cujo principal objetivo é Continue lendo…

O primeiro telespectador e a primeira TV

Entrada no diário do jornalista britânico Sydney Moseley, datada de 1º. de agosto de 1928:

[...] Encontrei um jovem pálido de nome Bartlett que é secretário da nova Baird Television Company. Televisão! Ansioso para ver o que é que é [...] Ele me convidou para acompanhá-lo até Long Acre onde a nova invenção está instalada. Agora isso é alguma coisa! Televisão!

Conheci John Logie Baird [1888-1946], um homem charmoso — um tímido escocês come-quieto. Ele poderia passar por modelo da imagem que um colegial tem de um inventor: cabelos desarrumados, modesto, sonhador, distraído. Não obstante, sagaz. Sentamo-nos e proseamos. Ele contou-me que está passando maus bocados com os zombeteiros e os céticos — incluindo os da BBC e de parte da imprensa — que tentam ridicularizar e matar a invenção da televisão em seu berço. Perguntei-lhe se ele me permitiria ver o que ele realmente havia conseguido. Bem, ele teria que se arriscar à minha censura — ou ao meu louvor! Se eu fosse convencido, batalharia por ele. Passamos um tempo juntos e consegui testar sua notável alegação.

[Mais tarde] Vi televisão! O parceiro de Baird — irlandês alto, de boa aparência, mas bastante temperamental, o Capitão Oliver George Hutchinson — foi agradável, mas estava bastante nervoso em arriscar-se comigo. Ele estava terrivelmente ansioso e eu devia ser impressionado. Gostei desse par, especialmente do Baird e decidi dar o meu apoio [...] Acredito que realmente temos o que é chamado de televisão. E assim, [sou] mais um na briga!

Baird já vinha trabalhando em seu televisor desde 1924. De certa forma, Moseley conseguiu ganhar a briga: foi graças à influência de seus artigos bastante otimistas sobre a nova tecnologia (aliado a uma boa dose de pressão política) que a hesitante BBC entrou no desenvolvimento da TV em 1929. Mas então, o que deu errado? Porque não tivemos TV em massa antes dos anos 1950 (ou até mais tarde, em muitos países)? Continue lendo…

Patentes Patéticas (nº. 65)

http://www.google.com/patents/US634887

No finzinho do século XIX, as bicicletas estavam em alta e Samuel G. Goss, de Chicago, achou que só faltava ter música para os passeios se tornarem mais agradáveis. Como ainda não havia rádio nem gramofones portáteis — muito menos mp3-players —, a única solução que Goss encontrou foi tranformar as próprias bikes em instrumentos musicais: Continue lendo…

Patentes Patéticas (nº. 55)

pogomotor

Qual o resultado do cruzamento de uma britadeira com um pogo stick? Um pogo stick motorizado! Parece piada, mas vários inventores já pensaram nisso. Portanto, se você já pensou em ficar rico com uma máquina de pular mecanizada, é melhor desistir.

Originalmente, o pogo stick motorizado foi inventado por Richard J. Mays, de Tacoma, Washington. Ele trabalhou seriamente nisso no fim da década de 1940 e desenvolveu o Mechanical Jump Stick [Bastão de Salto Mecânico] Continue lendo…

Patentes Patéticas (nº. 44)

limpador horizontal

Quando a americana Mary Anderson (1866-1953) inventou o limpador de para-brisas em 1903, recebeu muitas críticas. A principal delas argumentava que os movimentos pendulares dos limpadores eram incômodos e poderiam até hipnotizar os motoristas. Apesar disso, mais de meio século se passaria até que alguém tentasse fazer algo melhor. No fim dos anos 1950, os engenheiros Béla Barényi (1907-1997) e Karl Wilfert (1907-1976), de Stuttgart, na Alemanha, criaram um limpador de para-brisas com varredura linear que foi simplesmente chamado de “Limpadores de para-brisas para veículos motorizados” e cujo objetivo era: Continue lendo…

>Rodando e rodando!

>

Suponha que tenhamos um círculo pequeno rolando no interior de um círculo maior, com o dobro do diâmetro do menor, conforme a ilustração acima. Se seguirmos a trajetória descrita por um ponto do círculo menor, qual  entidade geométrica será desenhada?
Não seja preguiçoso! Tente resolver o problema antes de ver a resposta a seguir. Dica: esse problema teve uma aplicação prática que revolucionou o século XIX.

Surpresa! A trajetória formada por um ponto do círculo menor à medida que ele gira no interior do maior é uma linha reta!
Este princípio é o ancestral geométrico das ferrovias! Rival de James Watt, o inventor inglês Matthew Murray (1765-1826) usou esse princípio em 1802 pra criar um “motor hipocicloidal” no qual um pistão a vapor move uma roda, gerando uma potência de cerca de 5HP. 
Motor hipocicloidal (modelo).
Uma década mais tarde, ele fabricou o motor de pistão duplo usado na Salamanca, a primeira locomotiva comercialmente viável. Infelizmente, os dois exemplares da locomotiva de Murray explodiram, matando seus maquinistas e alguns observadores. 
Salamanca (1812)
Após o fracasso no ramo ferroviário, Murray decidiu voltar-se para a motorização naval. Teve sucesso, ainda que de uma maneira bastante torta: seus projetos foram patenteados como se fossem criação própria por Francis B. Odgen, um cliente norte-americano. Ironicamente, a patente de Odgen também acabou sendo pirateada. Na prática, os motores de Murray foram os primeiros a ser usados nos clássicos vapores com roda de pá do rio Mississipi. 

>Patentes Patéticas (nº. 35)

>

Ah, com o verão que está chegando uma casquinha de sorvete é uma boa pedida, não é mesmo? Mas, vamos combinar: as casquinhas de sorvete são uma droga! Precisamos ficar girando-as o tempo todo para evitar que o sorvete derreta e se esparrame, sujando (e cansando) a mão do consumidor.

Deve ter sido mais ou menos esse o raciocínio que passou pela cabeça de Richard B. Hartman, de Issaquah, Washington no fim dos anos 1990. Com um problema tão simples a resolver, Mr. Hartman não tardou a ver a solução tipicamente americana: Casquinhas de Sorvete Motorizadas. Ou, segundo o resumo da patente 5.971.829:

Um inovador receptáculo de alimentação para suportar, rotacionar e esculpir uma porção de sorvete ou alimento similarmente maleável durante seu consumo. Compõe-se de: uma caixa portátil, um copo rotável sustentado pela caixa portátil e adaptado para receber e conter uma porção de sorvete ou produto alimentício de consistencia similar e um mecanismo de tração na caixa portátil para imprimir rotação sobre o copo e servir rotacionalmente o seu conteúdo contra a língua estendida de uma pessoa.

Em outras palavras: chega de ficar se virando e melando para tomar sorvete! Basta apenas por a língua pra fora! Ainda segundo a patente, emitida em 26 de outubro de 1999, a ideia surgiu
porque o ato de comer um cone de sorvete tem sido tradicionalmente efetuado pela sustentação de uma porção de sorvete geralmente estacionária na mão de alguém em relação aos contínuos movimentos de lamber com a língua. O apelo de um dispositivo que basicamente reverte esse procedimento — isto é, que continuamente move o sorvete enquanto a língua é mantida em uma posição relativamente estacionária — tem sido largamente ignorado.

Isso, por si só, já parece tornar a invenção de Mr. Hartman revolucionária (e talvez até relativística!). Prosseguindo em sua argumentação a favor da casquinha automatizada, ele afirma que “tal dispositivo é imensamente divertido, amplia o prazer natural [...] de comer sorvete e alimentos similarmente maleáveis, aperfeiçoando a experiencia de ingerir tais alimentos tanto para crianças quanto para jovens adultos.” Além disso, a casquinha giratória pode ser um grande estímulo artístico para o consumidor de sorvete, pois
um copo giratório portátil e motorizado provê uma divertida alternativa aos métodos tradicionais de comer tais alimentos e expande o ato típico de tomar uma casquinha de sorvete a ponto de incluir numerosas e divertidas possibilidades, incluindo a escultura e modelagem de canais com a língua para formar formas e padrões interessantes na superfície externa da porção de sorvete.

Como se simplesmente se lambuzar de sorvete já não fosse divertido o bastante…

>Patentes patéticas (nº. 34)

>

Já em 1930 havia gente bastante preocupada com atropelamentos a ponto de pensar em soluções práticas (ou não). Heinrich Karl, de Jersey City, New Jersey, é um exemplo desse tipo de pessoa: ele inventou um complexo mecanismo para impedir ou minimizar os efeitos de um atropelamento. O sistema, totalmente mecânico, “sentiria” o choque com um pedestre, pararia o veículo e ainda teria a gentileza de lançar um lençol no solo para que “as roupas [da vítima] não sejam sujas.”

A geringonça anti-atropelo era tão imensamente complicada que a patente tinha oito páginas para descrever o sistema ilustrado em outras duas páginas — normalmente as patente têm só quatro ou cinco páginas. Até o título completo da patente nº. 1.865.014 é enorme: Dispositivo Automático para Veículos Sem-Cavalos para Proteção dos Pedestres e do Próprio Veículo. Um resumo simplificado é apresentado em partes do primeiro parágrafo (que soma quase 40 linhas) da patente, emitida em 28 de junho de 1932:

[...] Mais particularmente, este dispositivo inclui meios para prevenir o pedestre [...] de ser atropelado pelas rodas do dito automóvel ou caminhão, etc, [...] de tal maneira que a pessoa que for atingida não apenas cairá sobre o dito lençol [...] mas sua queda será amortecida pelo lençol, o qual não se apoiará diretamente no solo, previnindo assim ferimentos na dita pessoa. [...] Meios similares também são empregados na traseira do automóvel, etc, para proteger pessoas e o automóvel quando ele se move para trás. [...]

Entretanto, bem mais adiante, Mr. Karl via nessa complicação toda uma virtude e não um defeito:
O fato de que será necessária uma certa quantidade de trabalho e alguma perda de tempo para repor as diversas partes em suas posições normais após a ocorrência de uma colisão é uma razão para que o motorista do veículo seja mais cauteloso ao dirigir seu carro ou caminhão, etc, o que por sua vez diminuiria o alto número de acidentes decorrentes de colisões entre pessoas ou veículos.

Essa ideia pode parecer bastante lógica, mas é bom lembrarmos que um sistema de air-bag (que é muito mais simples) também demanda bastante perda de tempo e dinheiro após o uso — e mesmo assim, atropelamentos continuam ocorrendo. Pois na maior parte das vezes o defeito encontra-se entre o volante e o assento do banco dianteiro esquerdo (ou direito, em alguns casos).

Categorias

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM