Patentes Patéticas (nº. 82)

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Quanto mais antiga uma patente, mais provável que ela seja de algo realmente útil. Afinal, muita coisa ainda não havia sido inventada e, portanto, podia ser registrada — só que isso inclui muitas patentes patéticas. O pioneiro dessa série deve ter sido Hezekiah L. Thistle, com sua Saddle for Removing the Sick and for Other Purposes [Sela para remoção dos doentes e outros propósitos], que consiste em uma Continue lendo…

Anjos Cadentes

Um acidente assustador ocorreu na Sexta-Feira última [30 de abril] na igreja de Madeleine, em Bruges [na Bélgica]. Um dos párocos, durante uma missa, foi subitamente lançado ao solo pela cabeça de mármore de um menino Jesus que desprendeu-se de seu corpo [o da figura] e caiu em sua testa [a do padre]. Uma severa ferida e uma fratura craniana foram as consequências para o infeliz clérigo que, após resistir a grande agonia, faleceu ontem. — ‘Times’, segunda-feira, 3 de maio de 1847

Esse tipo de acidente não deve ter sido incomum num continente cheio de igrejas seculares ricamente decoradas como a Europa. Quatro décadas mais tarde, o mesmo Times reportava detalhadamente um caso em solo inglês:

Um extraordinário e fatal acidente ocorreu esta manhã na igreja da paróquia Católica de Kildare. Enquando o Reverendíssimo Dr. J. B. Kavanagh, P.P., estava diante do altar, com o cálice em mãos para levantá-lo ao fim da missa das 7 da manhã e se preparava para descer do altar para recitar o Rosário e a Ladainha da sagrada Virgem, a figura de mármore de um querubim sobre o altar caiu e acertou-o com grande força na cabeça. Ele caiu de costas, murmurou as palavras “Meu Deus” duas vezes e então perdeu os sentidos. Um grito de horror e angústia elevou-se entre a congregação que testemunhou o acidente. Algumas pessoas correram para assisti-lo, enquanto outras buscavam auxílio médico. Os Drs. Watson, Dillon e Chaplin logo se apresentaram e o Dr. Kavanagh foi posto em uma padiola e tranferido para o convento adjacente, onde, sem recobrar a consciência, faleceu em seguida. — ‘Times’, quarta-feira, 6 de outubro de 1886

Estrela é flagrada durante o jantar

Não, não estamos falando de uma estrela de cinema ou da TV. Não viramos o Ego ou o TV Fama. Mas você já deve ter ouvido falar que, um dia, daqui uns quatro meses bilhões de anos, um inchado e avermelhado Sol engolirá o nosso planeta. De certa forma, os cientistas acabam de ver isso — não no Sistema Solar, é claro.

Em trabalho recém-publicado no Astrophysical Journal Letters, uma equipe de astrônomos dos Estados Unidos, Espanha e Polônia afirmam ter descoberto que um planeta foi “engolido” enquanto estudavam a química de sua estrela-mãe. Um dos co-autores — Alex Wolszczan, da Pennsylvania State University — já é famoso no meio astronômico por ter liderado a equipe que descobriu o primeiro planeta extrassolar em 1992.

Durante as observações feitas entre 12 de janeiro de 2005 e 5 de março deste ano, no telescópio Hobby Eberly do McDonald Observatory, no Texas, os pesquisadores notaram que a estrela BD+48 740 devia ter acabado de jantar. No menu, um planeta com 1,6 massa de Júpiter. Sendo uma gigande vermelha em processo de envelhecimento, já se esperava que BD+48 740 estivesse em regime de engorda.

Concepção artístca do jantar estelar: petisco era um planeta pouco maior que Júpiter. [imagem: BBC]

O que ninguém esperava era pegá-la no flagra. Como explica Eva Villaver, da Universidad Autonoma de Madrid, em declaração à BBC, “capturar um planeta no ato de ser devorado por uma estrela é um feito quase improvável, dada a relativa rapidez do processo. Mas a ocorrência de tal colisão pode ser deduzida pela maneira como afeta a química estelar.”

Foi exatamente assim, por uma evidência química que, mesmo sem chegar a vê-lo, os cientistas descobriram que o planeta já havia sido servido (muito bem-pessado, talvez). Quando percebeu que BD+48 740 tinha uma concentração incomum de lítio — elemento que é rapidamente consumido pelas estrelas e, portanto, raro em sua composição —, a equipe passou a pensar que a estrela estava digerindo um de seus planetas. Também há outro planeta no sistema BD+48 740, situado a uns 1813 anos-luz, na direção da constelação de Perseu.

Esse sobrevivente foi tão afetado pelo cataclisma que serviu como testemunha que comprova a hipótese de uma estrela “fominha”. “De fato”, explica Andrzej Niedzielski, da Universidade Nicolaus Copernicus, em Torun, Polônia, “a órbita do planeta de BD+48 740 é a mais eliptica detectada até agora”. Essa órbita incomum não teria se formado naturalmente, mas seria consequência da desestabilização do sistema causada pelo crescimento da estrela e a consequente absorção de um planeta mais interno. Aliás, o planeta sobrevivente poderia ter sido lançado nessa nova órbita pela súbita liberação de energia causada por um “arroto” estelar. Comer um filho e arrotar diante de outro — que deselegante por parte de uma estrela-mãe!

M. Adamów et al. BD+48 740—Li Overabundant Giant Star with a Planet: A Case of Recent Engulfment? 2012 ApJ 754 L15. Artigo completo disponível em arXiv:1206.4938.

Patentes Patéticas (nº. 62)

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Você quer ser sustentável até depois de morto? Já pensou em ser cremado? A cremação seria a última coisa em que um ambientalista ferrenho pensaria, mas pode ser a melhor opção disponível — contanto que seja sustentada por energia renovável. Pensando nisso já nos anos 1980, Kenneth H. Gardner inventou seu Cremation Apparatus and Method [Método e Aparato de Cremação], sistema no qual Continue lendo…

Vida após a Morte

Reiss relata a morte de uma mulher que foi enterrada apressadamente enquanto seu marido estava longe. Ao retornar, ele pediu a exumação de seu corpo [dela] e, ao abrir do caixão, o choro de uma criança foi ouvido. O infante havia evidentemente nascido postmortem. Ele acabou sendo conhecido pelo nome de “Fils de la terre” [Filho da terra]. Willoughby menciona a curiosa ocorrência na qual ouviu-se um murmúrio do caixão de uma mulher durante seu apressado sepultamento. Uma de seus vizinhas retornou ao túmulo, colocou seu ouvido rente ao solo e estava certa de ouvir um ruído de respiração. Um soldado que a acompanhava confirmou sua história e, juntos, eles foram atrás de um clérigo e de um juiz, implorando a abertura da cova. Quando o férretro foi aberto, encontrou-se uma criança recém-nascida, que havia descido para os joelhos [da mãe]. Em Derbyshire, ainda hoje, pode-se encontrar no registro paroquial: “Em Abril, aos 20 [dias], 1650, foi sepultada Emme, esposa de Thomas Toplace, a qual foi encontrada com uma criança nascida após ela estar duas horas na sepultura.” – George Milbry Gould e Walter Lytle Pyle, Anomalies and Curiosities of Medicine [Anomalias e Curiosidades da Medicina], 1896

E assim nascem os bebês-zumbi…

Sagan relembra Asimov

Há exatos 20 anos, Isaac Asimov saía de cena. Filho de russos emigrados para os Estados Unidos, e com um nome que sempre teve cara de pseudônimo para os americanos, Asimov começou sua brilhante carreira de escritor no que para muitos, especialmente para seus fãs, é a idade de ouro da Ficção Científica: os anos 40 e 50 [do século XX]. Ao longo do quase meio século que se seguiu, Asimov escreveu sobre praticamente tudo — da Bíblia aos robôs. Na ocasião da morte de Asimov, em 1992, Carl Sagan, cientista e outro grande divulgador científico, escreveu o seguinte artigo para a Skeptical Inquirer: Continue lendo…

Patentes Patéticas (nº. 42)

caixão reutilizávelVocê já deve ter ouvido falar de caixões biodegradáveis, mas caixões reutilizáveis não seriam melhores? Harry J. Fash, inventor dessa inovação funerária, acha que sim. Ao contrário do que pode parecer, tal ideia não é exatamente “verde”. Morador de Chalfont, Pensilvânia, Mr. Fash provavelmente deve ser um agente funerário visionário. Eis o resumo de uma patente que deveria ser banal, mas é minuciosa, e tem mais de trinta figuras (!!) e trinta páginas: Continue lendo…

Herdeiros por telefone

Qual a melhor utilidade para uma lista telefônica hoje em dia? Escorar o pé da mesa bamba? Servir de peso de papel? Fonte de papel reciclável? Aparentemente, listas telefônicas também podem ser usadas para redistribuir renda. Foi exatamente assim que um excêntrico aristocrata português resolveu usar uma lista telefônica para se despedir da vida.

Em vez de legar sua herança para hospitais, instituições de caridade ou alguma ONG, Luís Carlos de Noronha Cabral da Câmara resolveu partilhar seus bens entre 70 pessoas escolhidas ao acaso em uma lista telefônica de Lisboa. Parece piada, ou pior, um golpe, mas não é nem uma coisa nem outra.

Um dos poucos aristocratas excêntricos de Portugal, o Sr. Cabral da Câmara era um solteirão sem filhos que faleceu em 2001, aos 42 anos. Apesar da nobreza, Luis Carlos era um filho ilegítimo e tinha poucos amigos. Por isso mesmo, treze anos antes de morrer, ele já havia registrado em cartório um testamento com uma lista de números que ele escolheu aleatoreamente diante de duas testemunhas.

Na época, muita gente se surpreendeu não pela excentricidade do testamento, mas pelo testamento em si. Como os brasileiros, os portugueses abominam tanto a morte que não têm o hábito de registrar testamentos.

Entre os bens legados, havia um apartamento de 12 quartos no centro de Lisboa, uma casa na cidade histórica de Guimarães, um carro, um par de motocicletas e 25 mil euros em dinheiro. Pode parecer pouco para cada herdeiro telefônico — especialmente agora que Portugal está em crise. Mas se o Sr. Cabral da Câmara não tivesse indicado herdeiros, sua fortuna acabaria nas mãos do governo português.

>As Torres do Silêncio

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A Torre do Silêncio de Yazd, no Irã (imagem: indigoprime)
Na tradição zoroastriana, assim que um corpo deixa de viver, ele pode ser imediatamente invadido por demônios e tornado impuro. Para prevenir essa possessão póstuma, os seguidores de Zoroastro purificavam os corpos de seus mortos expondo-os aos elementos no topo das dakhmas, torres construídas sobre os platôs do deserto.

Segundo a tradição — que remonta a mais de 3000 anos — os corpos dos falecidos, devidamente despidos, eram abandonados no topo das torres formando três círculos concêntricos. Os homens ficavam na circunferência mais externa; as mulheres no círculo intermediário e as crianças formavam o anel interno. Os cadáveres eram abandonados até serem desintegrados naturalmente ou despedaçados pelas aves de rapina do deserto.

Após esse processo de purificação, os ossos eram retirados e guardados em ossuários localizados no interior das torres ou dentro delas. Monumentos fúnebres dos zoroastrianos, essas torres-ossuários existiam em grande parte do sul da Ásia — foram descobertas dakhmas dos séculos IV e V antes da era comum nas proximidades de Mumbai, na Índia.

Mas as mais famosas dessas torres eram conhecidas como Torres do Silêncio. Situadas em Yazd,  no Irã, elas continuaram a ser usadas até o começo dos anos 1970. Mas a crescente urbanização deixou as dakhmas incomodamente próximas dos limites urbanos de muitas cidades, obrigando o governo iraniano a proibir o milenar ritual fúnebre. 

Aos poucos mazdeístas que ainda restam no mundo (cerca de 120 mil), sobrou apenas a opção de cremar seus mortos. Embora não sejam mais usadas cerimonialmente, as Torres do Silêncio continuam a ser uma grande atração do deserto iraniano.

>Twaintadas #05: Medo da morte

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“…bilhões e bilhões de anos…” #saganfeelings

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