[Contos Traduzidos] O Escrevinhador Quadridimensional

Na sala do professor de Física, Mr. Gault, há uma visita e um estagiário. A visita é o Dr. Pillbot, um psiquiatra interessado na questão da vida inteligente na quarta dimensão. O estagiário é o jovem Harper, um matemático discretamente ambicioso que sonha com um prêmio para quem resolver a misteriosa barreira de estresse enfrentada por arranha-céus com mais de 150 andares.

Enquanto o ranzinza e magrelo Prof. Gault e o baixinho e gorducho Dr. Pillbot discutem sobre a possibilidade de vida extradimensional e se ela seria de alguma forma acessível, Harper trabalha — ou melhor, finge que trabalha. Ele deveria estar revisando alguns cáculos para o Prof. Gault, mas em vez disso está escrevinhando aquilo que seu chefe considera um monte de “rabiscos absurdos”. Por outro lado, o Dr. Pillbot acredita que Harper deve ser um cara “iluminado”, com uma noção intuitiva da quarta dimensão e que merece ter sua mente meticulosamente estudada.

No canto da sala, há uma estátua maluca que Harper fez às escondidas com material de modelagem do Professor. O que pode acontecer quando seus rabiscos e seu modelo forem descobertos? Que mal pode haver em levantar um recorte de papel sobre uma bancada? Será possível que aqueles rabiscos chamem a atenção de um Ente Quadridimensional? Quais seriam as consequências desse contato?

Parte integrante da curtíssima obra — formada por apenas cinco contos — de um autor interessante porém obscuro chamado (ou conhecido como) Graph Waldayer, O Escrevinhador Quadridimensional é uma tradução do conto The 4-D Doodler, publicado originalmente na revista Comet Stories de julho de 1941.

Efeito Túnel

http://scienceblogs.com.br/hypercubic/files/2012/11/FileTunnelvision.jpg

Em 1975, o muralista americano Warren Edward Johnson — nome artístico Blue Sky — pintou Tunnelvision (acima) na parede do Federal Land Bank em Colúmbia, na Carolina do Sul. “A ideia para Tunnelvision veio em um sonho.”, explica o artista. “Eu acordei cedo em uma manhã e simplesmente esbocei-o. Eu já havia visto a parede, já havia sentado [diante dela] e a estudara por horas, à espera de ver algo diante dos meus olhos, mas nada aparecia. E numa manhã eu acordei e estava lá… Eis porque a chamo Tunnelvision. Porque era uma visão em um sonho.” Realmente, é de um efeito impressionante, mas deve funcionar melhor ao cair da noite. Ainda assim, há quem diga que diversos motoristas embriagados tentaram entrar no túnel de Blue Sky. Talvez o equívoco dos motoristas seja mais uma lenda urbana.

http://www.hans-peter-reuter.de/raum/ri/rit-2.htm

Não menos lendária é uma das obras da exposição de arte moderna documenta 6, realizada em Kassel, na Alemanha (então Ocidental) em 1977. Nela os visitantes encontravam um túnel completamente coberto de azulejos azuis que, segundo os guias, os levaria ao ar livre. Ávidos por uma experiência pós-moderna (ou por sair do recinto), os visitantes entravam pelo túnel e percorriam 14 metros antes de subir quatro degraus e… dar com a cara em um óleo-sobre-tela habilmente pintado pelo artista Hans Peter Reuter.

Complexo de Édipo 2.0

Ao passear com seu cachorro por uma floresta Jocasta Jones descobre um congelador que contém um homem. Ela o reaquece, ele acorda e se apresenta como Dum. Depois, ele mostra a Jocasta um livro com instruções para construir uma máquina do tempo e um congelador.

Jocasta e Dum acabam se apaixonando e têm um filho, Dee. Após crescer, o menino descobre aquele manual de instruções. Dee, então, constroi uma máquina do tempo e entra dentro dela, acompanhado do pai e levando o livro. Por motivos imprevistos, a jornada para o passado leva um longo tempo e, na falta de provisões, o jovem Dee é forçado a matar seu pai para comê-lo e sobreviver.

Tomado pela culpa, Dee chega ao seu destino e destroi a máquina do tempo. Ele muda seu nome para Dum, constroi um congelador e, com o livro, se mete lá dentro até ser encontrado por Jocasta.

Parece o mito edipiano em forma de ficção científica, mas é um artigo de filosofia publicado na revista Analysis em 1979. Nele, o então professor de filosofia Jonathan Harrison, da Universidade de Nottingham, pergunta: “É logicamente possível que Jocasta cometa um crime?”

Do ponto de vista dela, Dum entra em sua vida, eles têm um filho e depois de alguns anos tanto o marido quanto o filho desaparecem. Mas, para Dee, Jocasta se casa com seu próprio filho e dá à luz uma criança — que é o próprio Dee. Isso seria incesto? Freud explica?

Harrison, J. “Jocasta’s crime” ["O crime de Jocasta"], Analysis (1979) 39 (2): 65-66. doi: 10.1093/analys/39.2.65. (Disponível apenas para assinantes, mas há um pdf com o conto-artigo original no site do prof. Harrison)

>Profundidade Superficial (ou Superficialidade Profunda)

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Esfera de Ouro (e urna funerária) de Nikola Tesla

Quando você toca uma bola de ouro, toca a superfície de uma esfera e toca ouro. Parece razoável concluir que a superfície é feita de ouro. Mas o cientista da computação Antony Galton, da Universidade de Exeter, lembra que uma superfície é bidimensional e, não tendo espessura ou profundidade, não pode conter qualquer quantidade de ouro (ou qualquer outra coisa).
Então, o que acontece quando você põe o dedo em uma bola dourada? Não se pode dizer que você toca a camada mais exterior dos átomos de ouro, pois isso nos deixaria com duas superfícies (a da esfera e a da matéria que a forma). Por outro lado, não se pode afirmar que a superfície da esfera é uma coisa abstrata, sem existência física — muito menos quando se pode vê-la e pegá-la. Então, o que é uma superfície?
Como se esses questionamentos não fossem bastante superficialmente profundos (e idealmente esféricos), o filósofo e linguísta britânico J. L. Austin (1911-1960) ainda se perguntou: “Onde e o quê é exatamente a superfície de um gato?” Agora tente pensar na superfície de um gato arrepiado…

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