Publicado
20 de ago de 2011
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| Concepção artística de TrES-2b, o planeta mais rubro-negro conhecido |
Tente imaginar alguma coisa mais preta (ou negra ou afro-descendente) que carvão. Agora tente imaginar um planeta inteiro dessa cor. Foi exatamente isso que o telescópio espacial Kepler descobriu na semana passada.
Distante apenas 5 milhões de quilômetros de sua estrela-mãe, TrES-2 — e a 750 anos-luz da Terra —, o gigante gasoso chamado TrES-2b arde a cerca de 980ºC. Apesar disso, aquele mundo imenso e infernal aparentemente não reflete quase nenhuma luz que recebe.
David Kipping, líder da equipe que descobriu o planeta negão confirma: “é menos refetivo que o carvão ou mesmo a mais negra tinta acrílica — de longe o planeta mais obscuro já descoberto”. Kipping, astrônomo do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, em Cambridge, Massachussets dá uma ideia da aparência do TrES-2b: “Se pudéssemos vê-lo de perto, ele pareceria uma bola de gás quase preta, com uma tênue faixa vermelha brilhante — um verdadeiro exotismo entre os exoplanetas.”
Sombra da sombra
O planeta, evidentemente, não foi descoberto por observação direta. Mesmo orbitando ao redor da Terra e sendo projetado especialmente para buscar planetas extrassolares, o observatório Kepler encontrou esse planeta rubro-negro (mais para negro) através do método de trânsito. Quando um planeta passa diante de seu astro-rei, a luz de seu sol diminui, ainda que por frações minúsculas. Ou, se preferir, é mais ou menos um microeclipse estelar. Se o fenômeno se repete periodicamente e se a estrela reagir gravitacionalmente a esse movimento orbital, pode haver um planeta lá.
Mas, se não houve observação direta, como sabemos que esse planeta é tão escuro? Simples: um pouco antes de eclipsar seu sol, todo planeta passa por uma “fase crescente”, quando é capaz de refletir a luz que recebe. No caso desse planeta, a luminosidade refletida — chamada de albedo pelos atrônomos — era de aproximadamente de 6,5 partes por milhão (!) em relação ao brilho da estrela TrES-2. É o menor sinal fotométrico já registrado.
O Mistério Negro de TrES-2b
Parece título de ficção científica barata¹, mas é sério. Ninguém sabe ainda por que o TrES-2b é tão escuro. Os modelos de computador mais recentes indicavam que um Júpiter quente — um gigante gasoso que fica muito próximo de suas estrela — só poderia ser tão obscuro quanto Mercúrio, que reflete apenas 10% da luz que vem do Sol. Mas o TrES-2b é tão escuro que reflete apenas 1% da luz que vem de seu sol. É um albedo baixíssimo. O albedo da Terra varia de 37 a 39% (por causa das nuvens) e o de Jupiter é de 52%. Vênus é o planeta mais brilhante que conhecemos: reflete 90% da luz solar.
Se as medidas estiverem realmente corretas, porque o planeta é tão escuro? “Alguns têm proposto” — explica Kipping — “que essa escuridão pode ser causada por uma enorme abundância de sódio e óxido de titânio gasosos.”
Céus de titânio podem parecer fodásticos, mas essa hipótese não empolga o descobridor: “Mas é mais provável que haja algo exótico lá, algo que nunca pensamos antes. É este mistério que eu considero tão excitante sobre essa descoberta.” Ou talvez seja apenas uma combinação de mormaço e falta de filtro solar…
Enfim, como TrES-2b é um nome um tanto sem-graça para um planeta tão interessante, já há um apelido: Erebus, o deus grego da escuridão e consorte da deusa da noite, Nyx. Mas eu acho que um nome melhor (e menos eurocêntrico) seria Kuk (ou Keku²), o deus (ou deusa, por ser andrógino/a) da escuridão primordial na mitologia egípcia (foi mal por todos esses parênteses, mas é um vício pra mim).
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¹ Pensando bem, quase toda Ficção Científica é barata em termos literários. Mas eu adoro isso.
² Ou talvez não fosse uma ideia tão boa, já que depois de buraco negro, chamar um planeta negro de Keku só nos traria uma coisa: mais piadas infames.
Publicado
14 de ago de 2011
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Em 1858, William Ewart Gladstone percebeu algo peculiar em Homero: as cores relatadas em suas obras parecem estranhas demais. Tanto o gado quanto o mar, por exemplo, são descritos como tendo a cor do vinho. As ovelhas são “violetas”, o mel é “verde” e, embora seja descrito como estrelado, amplo, grande, de ferro e de cobre, o céu nunca é azul. Gladstone conjecturou que “o órgão da cor e suas impressões eram apenas parcialmente desenvolvidos entre os gregos do período homérico”.
É uma hipótese bastante interessante, mas é igualmente improvável — afinal, como provar que uma população, quiçá a humanidade inteira foi daltônica em certa época? William Gladstone (1809-1898) pode ter sido facilmente enganado pela noção da Terra jovem, i.e., a teoria de que o planeta (e tudo que nele existe) tem mais ou menos seis mil anos. Mesmo que não fosse criacionista, o futuro premiê do Reino Unido por quatro vezes deve ter pensado que os homens de poucos milênios atrás eram tão primitivos que mal distinguiriam as cores.
Dizer que todo mundo era cego para as cores no tempo de Homero era absurdo, mas vinte anos depois de Gladstone fazer sua conjectura, a teoria ainda persistia. Em 1878, o engenheiro e cientista William Pole (1814-1900) escreveu na Nature que
Seria um fato dos mais interessantes na fisiologia e na óptica se pudéssemos demonstrar, dessa forma, que o dicromatismo foi um estágio inicial da visão humana, a partir do qual a atual, mais perfeita e compreensiva capacidade tem sido gradualmente desenvolvida no curso de alguns milhares de anos.
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Odisseu (a.k.a. Ulisses) preso ao mastro para resistir ao canto das sereias. (vaso grego , circa 450 A.E.C.) |
A verdade talvez nunca venha a ser conhecida. Há diversos fatores possíveis para explicar a discrepância observada por Gladstone e Pole — do uso de drogas por Homero a erros persistentes e sobrepostos ao longo de séculos de cópias, transcrições e traduções.
A tradicional cegueira homérica, entretanto, seria uma explicação mais simples: sendo cego, Homero não tinha muita noção de mundo quando se tratava de cores e, assim, suas descrições cromáticas nos parecem descabidas por que sabemos que o mar é azul e que bois e mares não têm (ao menos normalmente) a mesma cor do vinho. Sem falar na possibilidade de licença poética. Afinal, por que não poderia haver uma dose de surrealismo em um poema da antiguidade? Ou será que o surrealismo só seria possível no século XX e os gregos antigos não tinham imaginação?
_-_Homer_and_his_Guide_(1874).jpg/409px-William-Adolphe_Bouguereau_(1825-1905)_-_Homer_and_his_Guide_(1874).jpg) |
Homero e seu guia. Pintura de William-Adolphe Bouguereau, 1874 |
Ou, se quisermos ser bem chatos (e talvez incrédulos demais), basta explicar que Homero sequer existiu: ele teria sido um personagem quase mítico inventado para ser apresentado como autor de poemas que já existiam há muito na Grécia Antiga e que teriam sido obras de criação coletiva. Sua cegueira, portanto, seria igualmente fictícia, criada apenas para reforçar o heroísmo do autor da Ilíada e da Odisséia. As discrepâncias de cores poderiam ser explicadas por essa hipótese. Mas então, por que esses erros sobreviveriam em uma obra que, ao longo dos séculos seria extensivamente estudada e revisada?
Por outro lado, a hipótese de que a cegueira de Homero tenha sido apenas cromática seria uma grande prova a favor da existência individual do autor grego. Como Pole ressalta no mesmo artigo na Nature, se pudessemos comprovar isso, nós teríamos “a mais forte prova possível, por evidência interna, da existência de um autor único, a quem se deve todos os poemas”.
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| O retorno de Odisseu. Pintura de Claude Lorrain, 1644 |
Publicado
20 de jul de 2011
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| Os animais embarcam na arca, gravura do holandês Maerten van Heemskerck, c. 1560 |
As primeiras edições da Encyclopedia Britannica estavam tão certas da realidade da Arca de Noé que, dentro do respectivo verbete, chegavam ao ponto de especular como os animais poderiam ter sido alimentados e acomodados em tal embarcação:
[O] Bispo Wilkins calcula que todos os animais carnívoros equivalem, em termos de volume de seus corpos e à sua alimentação, a 27 lobos; e todos os que restam a 280 cabeças de gado. Para aqueles, ele provê 1825 ovelhas e para estas, 109.500 cúbitos de feno. Tudo isso poderia ser facilmente contido nos dois primeiros andares e ainda haveria bastante espaço livre.
Essa especulação — não muito diferente das abordagens “sob condições ideais de temperatura e pressão” de certos problemas de Física do Ensino Médio — é encontrada na edição de 1797 da Britannica. Nos anos 1860, quando se deram conta de que uma arca não seria capaz de acomodar todas as espécies do mundo, os editores passaram a sugerir que o dilúvio não teria sido assim tão universal: apenas as partes da Terra sob ocupação do homem teriam sido inundadas.
Na edição de 1911, a história de Noé já era integralmente apresentada como um mito. Ironicamente, meio século mais tarde, a enciclopédia inglesa relatava até as “muitas engenhosas e curiosas teorias” que haviam sido publicadas a favor da Arca de Noé ao longo dos séculos.
Publicado
15 de jul de 2011
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Segundo Sabine Baring-Gould, em seu Book of Werewolfes [Livro dos Licantropos] (1865), os versos que seguem são, segundo o folclore russo, uma invocação de lobisomens:
Aquele que deseja se tornar um oboroten, deve procurar na floresta uma árvore cortada. Deve apunhalá-la com uma pequena faca de cobre e andar ao redor da árvore, repetindo o seguinte encantamento:
No mar, no oceano, na ilha, em Bujan,
No pasto vazio cintila a lua, sobre um rebanho
que repousa em um verde bosque, em um obscuro vale
Em direção ao rebanho desvia-se um lobo desgrenhado
Os cornos do gado procuram suas brancas e afiadas presas
Mas o lobo não se volta para a floresta
Nem desce ao sobrio vale
Lua, lua, lua de chifres de ouro
Cega o voo das balas, parte as facas dos caçadores
Quebra a clava do pastor
Lança um medo pânico sobre todo o gado
Sobre os homens, todas as coisas mais aterrorizantes
Que eles não possam capturar o lobo cinza,
Que eles não possam rasgar sua pele quente!
Minha palavra é irresistível, mais irresistível que o sono,
Mais comprometedora que a promessa de um herói!
Então ele pula três vezes sobre a árvore e corre para a floresta, transformado em um lobo.
Pensando bem, isso mais parece uma oração, não é mesmo? Pagã, talvez, mas ainda tem uma estrutura muito similar à uma oração: começa com um relato, aparece um problema e clama-se a uma divindade (nesse caso, a “lua de chifres de ouro”) uma proteção invencível e uma transformação mágica em troca de uma fidelidade igualmente invencível (“mais comprometedora que a promessa de um herói”). Amém.
Publicado
13 de jul de 2011
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Em 1658, o almirante francês Etienne de Flacourt (1607-1660) relatou uma curiosa lenda que descobrira entre os nativos de Madagascar. Eles contavam histórias sobre uma criatura estranha, do tamanho de um bezerro de dois anos, com uma cabeça redonda, pés de macaco, uma cauda curta, muito peluda e orelhas e face que pareciam humanas. Os madagascarenhos malgaxes a chamavam tretretretre.
Como o animal descrito nos contos dos nativos não se parecia com nada existente na fauna de Madagascar, os europeus consideraram o tretretretre como mais uma exótica crendice local. Porém, muito tempo depois, foram descobertos diversos fósseis do que seria uma explicação para o mito.
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Megaladapis m., em uma reconstituição de 1902: um lêmure de 1,5m e 50kg |
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Palaeopropithecus ingens: menor, mas com uma face mais “humana” |
Com um nome científico bem mais fácil de pronunciar, o Megaladapis madagascariensis foi descoberto em 1894. Era uma espécie de lêmure gigante que estaria extinto há milhares de anos. Mas agora os zoologistas pensam que o megalêmure teria vivido pelo menos até meados do século VI, quando os humanos ocuparam a ilha e extinguiram sua megafauna.
Outros, porém, afirmam que o Palaeopropithecus ingens, descoberto em 1899, seria a inspiração por trás da lenda. O Palaeopropithecus era um lêmure um pouco menor que o Megaladapis e com uma face mais “humana”.
Seja como for, tanto o Megaladapis quanto o Palaeopropithecus ainda existiam quando um deles ou ambos passaram ao folclore malgaxe como tretretretre. Há até quem diga que alguns poucos desses animais teriam sobrevivido até meados do século XVI ou XVII, o que faria de Flacourt testemunha (involuntária) do fim de uma espécie e do início de uma lenda.
Publicado
30 de jun de 2011
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Quando eu penso em um unicórnio, o que eu estou pensando não é certamente [em] nada. Se nada fosse, então quando eu penso em um grifo, eu também estaria pensando em nada e não haveria diferença entre pensar em um grifo e em um unicórnio. Mas certamente há uma diferença. E qual pode ser essa diferença exceto que em um caso o que eu estou pensando é em um unicórnio e em outro, um grifo? E se estou pensando em um unicórnio, então certamente deve haver um unicórnio, apesar do fato de que os unicórnios são irreais. Em outras palavras, embora em um sentido certamente não existam unicórnios — isto é, quando se afirma que haveria equivalente para afirmar que unicórnios são reais —, em outro pode ser que tais coisas existam. Pois, se não existissem, não poderíamos pensar neles. — G.E. Moore, Philosophical Studies [Estudos Filosóficos], 1922.
O mesmo vale para duendes, fadas, elfos, hobbits, sacis e mulas-sem-cabeça, discos voadores, santos e deuses — todos existem, mas apenas dentro da cabeça de seus criadores. “O Homo sapiens”, declarou a autora e editora americana Joyce Carol Oates, “é a única espécie que inventa símbolos que passa a revestir de paixão e autoridade. E depois esquece que símbolos são invenções.”
Publicado
28 de jun de 2011
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exparadisação
s.f., mitolog., relig. 1. a expulsação de Adão e Eva do Paraíso, na mitologia judaico-cristã. 2. por extensão, expulsão de qualquer ambiente considerado paradisíaco por seus habitantes. “A ação do homem sobre o meio-ambiente tem causado a exparadisação de animais silvestres e de povos nativos.” [neologismo formado por comparação com expatriação, a partir de ex- = prefixo com sentido de exterioridade + paradiso = paraíso + -ação] Exparadisar, v. expulsar do paraíso.
Ufa! Pelo que eu me lembre, esse é — até agora — o verbete mais longo da série
Em uma palavra.
Publicado
12 de fev de 2011
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Um excêntrico viajante pintou em uma grande rocha, numa das principais trilhas do Estado da Georgia, as palavras “Revolva-me”. Outros viajantes juntaram-se e lutaram para revirar a rocha. Por baixo dela, encontraram pintado “Agora vire-me de volta para que eu possa pegar outros”.
— H. Allen Smith, The Compleat [sic] Practical Joker [O Completo e Prático Brincalhão], 1953
Publicado
22 de jan de 2011
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Os Zuñi (ou Zuni) são uma dentre as diversas tribos de nativos norte-americanos; são nativos do Novo México e são parte dos chamados pueblos. Atualmente, existem 12 mil índios zuni e eles são notáveis por sua mitologia. De acordo com suas antigas lendas,
“os primeiros humanos vieram de quatro cavernas situadas no submundo, um lugar conhecido como Regiões Baixas. Naquele tempo, a superfície da Terra era um lugar assustador: estava coberta de água, era abalada por grandes terremotos e repleta de bestas predadoras.
Os Filhos do Sol, com pena dos humanos, secaram e solidificaram a Terra com suas flechas de luz. Ao tocar os animais, essas flechas os encolhiam e transformavam-nos em pedras. Os animais que conseguiram escapar são os ancestrais dos animais de hoje.”
É interessante notar como esse mito parece razoavelmente correto ao falar que a Terra primitiva era um lugar cheio de água (os oceanos eram maiores), com grandes terremotos e com grandes feras indomáveis (não necessariamente dinossauros; os primeiros homens deviam pensar o mesmo de todos os animais até que aprenderam a domesticar alguns). Além disso, diz o conto que os primeiros homens viveram em cavernas “no subsolo”.
Cabe perguntar se esses animais transformados em pedra não seriam fósseis descobertos por acaso. Se sim, aí é até provável que os dinossauros fossem aquelas “bestas predadoras”.
Mas o conto cai no erro de afirmar que o homem já existia antes dos animais modernos, no tempo de seus ancestrais.
Publicado
5 de mai de 2010
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| Montagem daquela peça escocesa feita em 1855 |
Num teatro, os atores não costumam se referir à Macbeth diretamente. Em vez do título, referem-se à obra de Shakespeare como “a peça escocesa”. É uma tradicional superstição teatral, baseada na crença de que, se os atores disserem Macbeth nos bastidores, as bruxas amaldiçoariam as montagens da peça com acidentes fatais. A tradição da “peça escocesa” começou logo após a primeira montagem, quando um ator teria sido esfaqueado com uma adaga de verdade confundida com uma cenográfica.
Para evitar possíveis desastres, qualquer um que diga o verdadeiro nome da peça num teatro deve sair, cuspir ou rodar três vezes, gritar um palavrão e ser convidado antes de entrar novamente.