Publicado
2 de dez de 2011
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A
IUPAC anunciou ontem que os elementos 114 (
Ununquadium) e 116 (
Ununhexium) podem ganhar nomes definitivos até o fim do ano. Resultado da colaboração entre o Laboratório Flerov de Reações Nucleares, na Rússia e o Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, os novos elementos — descobertos no fim dos anos 1990 e confirmados na década seguinte — deverão ser batizados segundo um acordo de cavalheiros: os russos devem dar nome ao 114 e os americanos vão nomear o 116.
Segundo a série Periodic Videos (em inglês), o elemento 114 deverá homenagear Georgy Nikolayevich Flyorov (em russo: Гео́ргий Никола́евич Флёров, 1913-1990), físico nuclear soviético e fundador do Laboratório que leva seu nome, onde o Ununquadium foi descoberto em 1999. No entanto, dada a dificuldade de transcrição de nomes próprios do russo para línguas ocidentais, ainda não se sabe ao certo como será formado o nome. O mais provável é que seja Flerovium [símbolo: Fl] (Fleróvio, em português) derivado de Flerov, uma forma latinizada de Flyorov.
Embora também tenha sido descoberto no laboratório russo, o elemento 116 deve homenagear o laboratório norte-americano. Seria chamado Livermorium [símbolo: Lv] (ou Livermório). Há controvérsias, porém. Embora o recém-divulgado comunicado da IUPAC afaste essa possibilidade, em março deste ano fontes da imprensa russa disseram que o elemento 116 também seria batizado pelos russos e ganharia o nome de Moscovium [Mo?] (já que o Laboratório Flerov fica no oblast — ou distrito — de Moscou).
Pessoalmente, porém, os dois nomes, se confirmados, me decepcionam. Parecem grandes novidades, mas na verdade são repetitivos. Bastante repetitivos.
O Fleróvio é mais uma homenagem a um laboratório que vem monopolizando a descoberta de elementos nas últimas décadas. Foram descobertos no Laboratório Flerov: o Rutherfórdio (1964), o Nobélio (1966), o Dúbnio (1968), o Seabórgio (1976 e sem dúvida um dos piores nomes da tabela); o Bóhrio (1976; não confundir com Boro) e os caçulas 114/Fleróvio(?) (1999), 116/Livermório/Moscóvio(?) (2001), 113 (2004), 115 (2004), 118 (2006) e 117 (2010). Mas com todo respeito ao cientista nuclear soviético, Moscóvio me soa muito melhor que Fleróvio (ou seria Flyoróvio?). A situação do Livermório também não é muito melhor: o laboratório nacional americano já foi homenageado com um elemento, o Laurêncio.
Na verdade, eu bem que gostaria de ver escritores de ficção científica e/ou cientistas populares sendo homenageados. Se os russos quisessem, poderiam batizar o 114 de Asimovium, Asimóvio [As], em homenagem a Isaac Asimov, que embora tenha sido criado nos Estados Unidos era de origem russa (e foi bioquímico no início da carreira). Os americanos, por sua vez, poderiam por o nome de Carl Sagan no elemento 116: Saganium, Sagânio [Sa]. Seria bem geek, pelo menos.
Publicado
22 de set de 2011
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Um novo estudo recém-publicado na seção de astrofísica do arXiv.org indica, com base em simulações virtuais, que Jupiter, Saturno, Urano e Netuno podem não ter sido os únicos gigantes gasosos de nosso sistema solar. De acordo com David Nesvorny, do Colorado’s Southwest Research Institute, nosso atual sistema planetário nunca poderia ter se formado sem a existência de um quinto planeta. Até o momento, esse planeta primitivo e hipotético ainda não tem nome.
Em um trabalho para determinar como o sistema solar foi formado, Nesvorny conduziu uma série de 6.000 simulações em computadores. Ao trabalhar apenas com os quatro planetas gigantes, as simulações indicavam que eles seriam muito grandes e acabariam se destruindo mutuamente. Em outras simulações, onde foram aglomerados em um supergigante, os planetas rochosos, como Vênus e Marte é que acabavam sendo desagregados. De acordo com esses resultados, a atual estrutura do sistema solar teria uma probabilidade muito baixa de ocorrência se tivesse começado apenas com os quatro planetas rechosos e os quatro gasosos que conhecemos e observamos hoje (e que talvez algum dia visitemos pessoalmente).
Após essas simulações, Nesvorny decidiu adicionar um quinto planeta gigante ao grupo. Com a adição desse grande planeta, os resultados mostraram um aumento significativo nas chances de formação do sistema solar como o conhecemos.
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| Gráfico indica a ejeção do 5º. planeta gasoso (linha rosa) |
As simulações mais bem-sucedidas mostram que Jupiter, Saturno, Urano, Netuno e o quinto planeta — de natureza semelhante à de Netuno ou Urano — começaram todos a orbitar muito próximos entre si, a uma distância de 15 unidades astronômicas (1 UA é a distância da Terra ao Sol, i.e., 149 milhões de quilômetros). Os planetas mais leves foram sendo “empurrados” para fora por influência de Jupiter e Saturno. Então, em algum momento, um encontro bem próximo com Jupiter expulsa esse misterioso quinto planeta do sistema solar.
A seguir, o resumo do artigo:
Resumo
Recentes estudos da formação do sistema solar sugerem que os planetas gigantes formaram-se no disco protoplanetário e depois migraram para alcançar órbitas ressonantes, com todos os planetas dentro de 15 UA do Sol. Após a dispersão do disco de gás, Urano e Netuno foram provavelmente espalhados pelos gigantes de gás, aproximando-se de suas órbitas atuais e dispersando o disco transplanetário de planetisimais, cujos restos sobreviveram até hoje nessa região conhecida como cinturão de Kuiper. Aqui nós realizamos integrações N-corporais da fase de espalhamento entre os planetas gigantes em uma tentativa de determinar quais estados iniciais são plausíveis. Nós descobrimos que as simulações dinâmicas que começam com um sistema ressonante de quatro planetas gigantes tem uma baixa taxa de sucesso em adequar-se às presentes órbitas dos planetas gigantes, além de várias outras restrições (e.g., sobrevivência dos planetas terrestres). A evolução dinâmica é tipicamente bastante violenta se Jupiter e Saturno começam numa ressonância de 3:2 e leva a sistemas finais com menos de quatro planetas. Diversos estados iniciais implicam em uma possibilidade relativamente grande de sucesso de adequar-se às restrições. Alguns dos melhores resultados em termos estatísticos foram obtidos através da suposição de que o sistema solar tinha, inicialmente, cinco planetas gigantes, com mais um gigante de gás, de massa comparável à de Urano e Netuno, que foi ejetado para o espaço interestelar por Jupiter. Essa possibilidade parece concebível à luz da recente descoberta de grande número de planetas que flutuam livremente no espaço interestelar, o que indica que a ejeção de planetas deve ser comum.
Publicado
20 de ago de 2011
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| Concepção artística de TrES-2b, o planeta mais rubro-negro conhecido |
Tente imaginar alguma coisa mais preta (ou negra ou afro-descendente) que carvão. Agora tente imaginar um planeta inteiro dessa cor. Foi exatamente isso que o telescópio espacial Kepler descobriu na semana passada.
Distante apenas 5 milhões de quilômetros de sua estrela-mãe, TrES-2 — e a 750 anos-luz da Terra —, o gigante gasoso chamado TrES-2b arde a cerca de 980ºC. Apesar disso, aquele mundo imenso e infernal aparentemente não reflete quase nenhuma luz que recebe.
David Kipping, líder da equipe que descobriu o planeta negão confirma: “é menos refetivo que o carvão ou mesmo a mais negra tinta acrílica — de longe o planeta mais obscuro já descoberto”. Kipping, astrônomo do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, em Cambridge, Massachussets dá uma ideia da aparência do TrES-2b: “Se pudéssemos vê-lo de perto, ele pareceria uma bola de gás quase preta, com uma tênue faixa vermelha brilhante — um verdadeiro exotismo entre os exoplanetas.”
Sombra da sombra
O planeta, evidentemente, não foi descoberto por observação direta. Mesmo orbitando ao redor da Terra e sendo projetado especialmente para buscar planetas extrassolares, o observatório Kepler encontrou esse planeta rubro-negro (mais para negro) através do método de trânsito. Quando um planeta passa diante de seu astro-rei, a luz de seu sol diminui, ainda que por frações minúsculas. Ou, se preferir, é mais ou menos um microeclipse estelar. Se o fenômeno se repete periodicamente e se a estrela reagir gravitacionalmente a esse movimento orbital, pode haver um planeta lá.
Mas, se não houve observação direta, como sabemos que esse planeta é tão escuro? Simples: um pouco antes de eclipsar seu sol, todo planeta passa por uma “fase crescente”, quando é capaz de refletir a luz que recebe. No caso desse planeta, a luminosidade refletida — chamada de albedo pelos atrônomos — era de aproximadamente de 6,5 partes por milhão (!) em relação ao brilho da estrela TrES-2. É o menor sinal fotométrico já registrado.
O Mistério Negro de TrES-2b
Parece título de ficção científica barata¹, mas é sério. Ninguém sabe ainda por que o TrES-2b é tão escuro. Os modelos de computador mais recentes indicavam que um Júpiter quente — um gigante gasoso que fica muito próximo de suas estrela — só poderia ser tão obscuro quanto Mercúrio, que reflete apenas 10% da luz que vem do Sol. Mas o TrES-2b é tão escuro que reflete apenas 1% da luz que vem de seu sol. É um albedo baixíssimo. O albedo da Terra varia de 37 a 39% (por causa das nuvens) e o de Jupiter é de 52%. Vênus é o planeta mais brilhante que conhecemos: reflete 90% da luz solar.
Se as medidas estiverem realmente corretas, porque o planeta é tão escuro? “Alguns têm proposto” — explica Kipping — “que essa escuridão pode ser causada por uma enorme abundância de sódio e óxido de titânio gasosos.”
Céus de titânio podem parecer fodásticos, mas essa hipótese não empolga o descobridor: “Mas é mais provável que haja algo exótico lá, algo que nunca pensamos antes. É este mistério que eu considero tão excitante sobre essa descoberta.” Ou talvez seja apenas uma combinação de mormaço e falta de filtro solar…
Enfim, como TrES-2b é um nome um tanto sem-graça para um planeta tão interessante, já há um apelido: Erebus, o deus grego da escuridão e consorte da deusa da noite, Nyx. Mas eu acho que um nome melhor (e menos eurocêntrico) seria Kuk (ou Keku²), o deus (ou deusa, por ser andrógino/a) da escuridão primordial na mitologia egípcia (foi mal por todos esses parênteses, mas é um vício pra mim).
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¹ Pensando bem, quase toda Ficção Científica é barata em termos literários. Mas eu adoro isso.
² Ou talvez não fosse uma ideia tão boa, já que depois de buraco negro, chamar um planeta negro de Keku só nos traria uma coisa: mais piadas infames.
Publicado
2 de mai de 2011
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Não é de hoje que o governo norte-americano faz vista grossa a uma ameaça de ataque em seu próprio território para entrar em uma guerra. Em 7 de janeiro de 1941, exatos 11 meses antes do ataque japonês a Pearl Harbor, o embaixador Joseph Clark, mandou o seguinte telegrama para o Departamento de Estado:
Um membro da Embaixada foi informado por —– meu colega que em muitos quartéis, inclusive em um japonês, ele ouviu que um massivo ataque-surpresa em Pearl Harbor estaria sendo planejado pelas forças militares japonesas em caso de “problema” entre o Japão e os Estados Unidos. Tal ataque envolveria o uso de todas as instalações militares japonesas.
Washington não fez nada, pois o governo de Franklin Roosevelt sabia que somente um ataque direto convenceria a opinião pública norte-americana a se envolver na II Guerra Mundial. Ironicamente, sessenta anos depois os Republicanos — que faziam oposição a Roosevelt e defendiam a postura isolacionista — usaram do mesmo artifício diante das crescentes ameaças de ataques terroristas islâmicos nos EUA. Em 2001, eram os Republicanos que queriam uma guerra.

Uma guerra errada, como se viu (duas, na verdade). Bin Laden pode ter sido extremamente estúpido em abandonar a vida de playboy de petrodólares por um fundamentalismo religioso odiento. Mas ele não se tornou um simples guerrilheiro; foi um gênio por se esconder no Paquistão. Por outra ironia do destino, os militares americanos caíram na própria armadilha que criaram na Guerra Fria. Eles jamais ousaram atacar o Paquistão, por que ainda acreditavam em um antigo aliado na luta contra o comunismo seria confiável. Ainda mais um aliado com um arsenal nuclear. Assim, se Washington tivesse lutado pelo desmantelamento completo do arsenal nuclear em todo o mundo — Israel inclusive — nos anos 90, pegar o terrorista número 1 teria sido bem mais fácil (e barato, pois dez anos de uma guerra infrutífera ajudaram e muito a botar a economia americana de joelhos).
Ficou bem claro agora que os Estados Unidos desmantelaram o sistema errado quando Moscou caiu. A CIA pós-soviética já não era a mesma: acomodou-se com a suposta postura de única superpotência e abriu mão de infiltrados e clássicas estratégias de espionagem em favor de equipamento high tech. Quando os alertas sobre o 11 de setembro surgiram já era tarde e, como se viu, foram ignorados por uma mistura estúpida de conservadorismo político-econômico e fundamentalismo religioso.
Publicado
1 de mai de 2011
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Uma jovem de vinte anos, moradora de Lake Cherokee, Texas, foi condenada a prisão perpétua por sua participação em um crime que chocou o Estado, famoso por seu fervor cristão: o assassinato de sua própria filha de treze meses de idade. Jesseca Carson foi condenada por unanimidade pelo júri que a julgou pelo assassinato de Amora Carson. O companheiro de Jesseca, Blaine Milam também já foi condenado à pena capital por espancar Amora com um martelo até matá-la. Embora Blaine tenha perpetrado os golpes de martelo, Jesseca foi condenada como mentora intelectual do assassinato da filha. O casal afirmava que aquilo era um “exorcismo”.
Em uma apresentação chocante diante do juri, a promotora Lisa Tenner descreveu Carson como “a mulher que sacrificou sua filha para um monstro.” Membros do júri chegaram a passar mal quando as fotos do corpo esmagado de Amora foram apresentadas como provas. Alguns até comentaram que podem ter sido traumatizados pela apresentação. A defesa procurou atenuar a participação de Jesseca, apresentando-a como alguém que foi dominada pelo namorado violento, que a teria convencido de que a filha estava possuída por um demônio. Por algum motivo ainda não esclarecido, Carson e Milam decidiram que Amora estava possessa e precisava do “exorcismo”.
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Apenas alguém cego pelo fanatismo veria algo diabólico nessa garotinha |
Em dezembro de 2008, a menina de treze meses foi brutalmente agredida com um martelo e outras ferramentas. Além disso, havia diversas marcas de mordidas pelo corpo de Amora. Segundo a investigação, as mordidas foram feitas enquanto Milam “gritava o nome de Jesus” para expulsar os demônios. Quando a filha morreu, Carson e Milam deixaram o corpo no chão do quarto e foram a uma loja de penhores, onde tentariam obter dinheiro para pagar um exorcista profissional (possivelmente para incriminá-lo). A polícia foi chamada e encontrou o corpo de Amora tão irreconhecível que, segundo um policial, “não podíamos dizer quantos golpes ela havia recebido. E havia mais de 20 mordidas pelo corpo dela.” Durante a investigação, Milam e Carson mudaram frequentemente seus depoimentos. Vencida pelo cansaço dos interrogatórios, Jesseca acabou confessando a verdade, mas insistiu na necessidade do ritual.
Blaine Milam já havia sido condenado por atentado violento ao pudor de uma menina de 14 anos, mas acabaou liberado. Sua condicional o proibia de ter qualquer contato com crianças fora de sua família. Por diversas vezes, a polícia teria sido chamada pelos vizinhos após denúncias de violência doméstica. Amigos de Jesseca Carson afirmaram que ela se tornou bastante reclusa durante os meses anteriores ao crime.
Publicado
5 de set de 2010
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Esquecendo-se de que a Guerra Fria já acabou e tentando mostrar que há disputa política numa eleição marcada pelo continuísmo, PT e PSDB agem de forma imatura e apelam para o jogo da arapongagem mútua.
Os recentes escândalos de arapongagem que envolvem os dois principais concorrentes à presidência da República mostram como a política brasileira continua atrasada. PT e PSDB travam uma verdadeira Guerra Fria nos bastidores. Mas diante das câmeras dizem que tudo deve ser investigado e que os responsáveis serão punidos. Entretanto, os responsáveis pelos mensalões — cada lado com o seu — jamais foram julgados e muito menos punidos. Marcos Valério, José Dirceu (PT) e Eduardo Azeredo (PSDB), entre outros, continuam livres, leves e soltos, graças ao corporativismo político que domina os bastidores (e que, ironicamente, une os dois partidos antagonistas). Mais de cinco anos se passaram e a desculpa já é velha: os acusados têm amplo direito à defesa e foram simplesmente pré-julgados.
Enquanto em 2002, a eleição de Lula foi louvada como uma demonstração da maturidade política da Nova República, a sucessão do ex-líder metalúrgico aparece como um claro retrocesso político. Tanto Dilma quanto Serra tentam se apresentar como continuadores de políticas sociais que, embora bem sucedidas do ponto de vista quantitativo não resultaram em avanços qualitativos. A situação da educação pública está aí para prová-lo. Nem o PT nem o PSDB têm bons planos para essa área crucial. Ambos insistem em focar no ensino técnico, mas ignoram solenemente os problemas da educação básica. Por quê? Por que investir em ensino básico é projeto de longo prazo. Nem Dilma nem Serra têm maturidade política para assumir tal projeto. Ambos apresentam-se da mesma forma: como administradores bem-sucedidos, não como estadistas com visão de futuro.
E, ainda que nominalmente seja da “oposição”, Serra faz de tudo para convencer que não vai destruir o que deu certo no governo Lula. Com uma campanha tão baixa nos bastidores — e jogando contra a “máquina federal” que o próprio Lula vivia criticando, mas agora usa a seu favor — essa imagem de “Serra Paz e Amor” simplesmente não cola. Os erros absurdos na TV, o “como” e a pseudofavela (menos convincente que as das novelas da Globo) só pioraram a situação. Aí, bateu o desespero no PSDB.
Dilma, por sua vez, não passa de um produto de marketing. Foi escolhida a dedo não por ter qualidades políticas ou mesmo administrativas, mas por ser mulher. Afinal, ela só chegou à Casa Civil após o afastamento de José Dirceu. Desde então, sua imagem de admistradora foi construída tendo em vista as eleições deste ano — com um eleitorado majoritariamente feminino. Exatamente por ser uma candidatura artificial e imposta, o PT ainda não confia em Dilma. Aí, bateu o desespero no PT.
Desesperados, ambos partem para a arapongagem mútua. A esperança é que enquanto tucanos e petistas brincam de gato e rato à moda da Guerra Fria, a população abra os olhos. Não estamos tendo uma eleição democrática; estamos nos encaminhando para um plebiscito branco.
Nada contra a manutenção de um partido no poder por mais de dois ciclos presidenciais. Isso também acontece nos Estados Unidos, onde há ciclos alternados, às vezes com décadas de duração, de Republicanos e Democratas na Casa Branca. O problema está nos métodos usados para manter o Palácio do Planalto: cooptação e chantagem eleitoral através de programas sociais; censura de parte da imprensa e até de humoristas (que só foi suspensa por que já estava passando dos limites e isso poderia afastar parte do eleitorado); e, por fim, espionagem suja.
Se a maturidade democrática brasileira está viva, para quê tudo isso? Se a maturidade está sob ameaça, como parece estar agora, é hora de dar um recado a quem quer ameaçá-la em nome da simples luta do poder pelo poder. Esqueça as forças políticas que ainda não superaram a queda do Muro de Berlim. Está na hora de fazer política de acordo com o século XXI.
Publicado
11 de ago de 2010
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Ou: como transformar uma má notícia em algo bom.
Publicado
25 de jul de 2010
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A principal entidade islâmica da Indonésia, o Conselho dos Ulemás, anunciou nesta semana que cometeu um erro em março afirmando que a cidade sagrada de Meca estava a oeste do país.
Isso levou os fieis da maior nação islâmica do país [sic] a orar durante meses virados para o lado errado -olhando em direção à África, não a Meca.
O conselho pediu aos fiéis que mudem de direção em suas preces diárias.
Outro clérigo importante disse que os indonésios não precisam ficar preocupados, pois o erro de cálculo não afeta a habilidade de Alá de ouvir as orações.
Notem que nenhum ulemá reconheceu sua condição humana, admitiu o erro e pediu desculpas. Implicitamente, porém, eles deixaram claro uma heresia na qual todo “infiel” ocidental crê: não faz diferença para onde você ora. Não surpreende que um erro tão grande tenha acontecido. Afinal, líderes religiosos são sempre as pessoas mais desorientadas da sociedade.
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| Garoto issshperto! |
Quando é importante voltar-se para certa direção geográfica, eles não sabem ao certo onde fica e, em vez de admitir isso humildemente, de estudar e encontrar respostas (ou de simplesmente usar o Google), eles apontam uma direção qualquer — e o rebanho vira-se para lá cegamente, certo de que o líder é infalível (e de que suas cinco orações diárias serão ouvidas). Se eles mal sabem se orientar no sentido físico e concreto da palavra, como podem orientar a vida das pessoas? Que autoridade os ulemás têm, por exemplo, para declarar as mulheres como seres de segunda categoria ou a poligamia como algo aceitável (mas apenas para homens)?
Outras perguntas que todo muçulmano capaz de pensar deveria se fazer depois dessa lição de fé: Se é assim mesmo, se não fez muita diferença orar para o lado errado durante alguns meses, por que não se pode orar para qualquer lado sempre? Por que é que agora os clérigos muçulmanos pedem que seus fiéis mudem de direção na hora de rezar? Se Alá pode ouvir orações de qualquer lugar, por que raios os muçulmanos têm sempre que se voltar para Meca como se a cidade sagrada do mundo islâmico fosse apenas um microfone?
Publicado
21 de jul de 2010
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| Nervuras em plantas: estruturas podem ter funções similares às de um sistema nervoso |
Novas pesquisas mostram que plantas podem transmitir informações “de folha a folha de uma forma muito similar ao nosso sistema nervoso”. Um artigo na
BBC News chegou a dizer que plantas “podem pensar e lembrar.” Ainda segundo o artigo, as plantas podem usar “informação contida na luz para imunizar-se contra patógenos sazonais.”
Plantas não podem pensar ou lembrar. É tentador usar essa descrição para explicar como as plantas funcionam. Elas não têm um sistema nervoso central, muito menos células nervosas. No entanto, como a maioria dos organismos, os vegetais podem sentir o mundo ao seu redor e reagir de forma adequada. De fato, plantas são capazes de reações muito sofisticadas aos olhos comuns, mas que os botânicos já conhecem há séculos.
A matéria da BBC News é baseada em um estudo a ser publicado em The Plant Cell. Um dos autores, Stanislaw Karpinski, da Universidade de Ciências da Vida de Varsóvia apresentou a pesquisa recentemente, no Congresso anual da Sociedade de Biologia Experimental em Praga. Portanto, como a experiência ainda não foi replicada, é cedo para afirmar se as conclusões de Karpinski estão corretos.
Segundo a matéria, o estudo indica que a estimulação de uma célula de folha com luz desencadeia uma cascata de eventos eletroquímicos que poderia se espalhar pela planta inteira. A cascata eletroquímica propagar-se-ia através de células do revestimento vascular (bundle-sheath cells) da mesma forma que impulsos elétricos se espalham através de células nervosas do sistema nervoso dos animais. As bundle-sheath cells fazem parte da estrutura das nervuras das folhas. Os pesquisadores descobriram que essas reações continuam por muitas horas, até mesmo depois de escurecer. Isso, dizem eles, seria um indício de memória.
Entretanto, isso é o mesmo que dizer que a água tem memória simplesmente por que continua a ondular por algum tempo após a pedra nela jogada afundar. A analogia não se aplica, mas o estudo ainda é muito interessante, pois acrescenta muito ao pouco que se sabe sobre estímulos elétricos em vegetais.
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A. thaliana: plantinha foi primeiro vegetal a ter o genoma decodificado |
Embora não tenham nervos, células vegetais são capazes de gerar sinais elétricos. Na verdade, todas as células vivas têm propriedades elétricas. As células usam membranas para se separar do mundo exterior. A maioria das moléculas só consiga passar pela membrana através de poros e canais, mas algumas muito pequenas podem atravessá-la quase que livremente. Dessas moléculas “livres”, as mais comuns são os íons, partículas eletricamente carregadas. Íons de sódio, de potássio, de cloro e de cálcio podem se acumular dentro ou fora de uma célula. Essa diferença de concentração cria potenciais elétricos, que podem ser transformados em sinais. Até agora, os cientistas se perguntava para quê as plantas usavam seus sinais elétricos.
Apesar do excesso de entusiasmo por parte dos autores, o estudo de Karpinski descobriu algo muito interessante: as plantas podem usar estímulos luminosos não apenas para se alimentar, mas também para reforçar suas defesas. No estudo, os pesquisadores infectaram folhas de Arabidopsis thaliana com uma bactéria patogênica em diferentes condições de luz. Algumas plantas — que são parentes da mostarda — foram infectadas uma hora antes de uma forte dose de luz azul, vermelha ou branca, enquanto outras foram infectadas uma, oito ou até 24 horas após a exposição à luz. As plantinhas tratadas com luz antes da infecção demonstraram mais resistência do que as plantas que não receberam iluminação.
Para Karpinski, a explicação é simples: as plantas absorvem mais luz do que precisam, mas não desperdiçam a energia luminosa que recebem a mais. O cientista polonês diz que plantas convertem a energia que sobra em calor e atividades eletroquímicas que podem desencadear processos biológicos como os do sistema de defesa. Ele até mesmo acredita que os vegetais podem usar essa habilidade para combater agentes patogênicos sazonais. Isso significa que as plantas seriam capazes de lidar com vírus e bactérias que aparecem apenas em certas épocas do ano, quando, por exemplo, a luz do sol seria mais (verão) ou menos (inverno) intensa.
Mas apesar da descoberta, ainda não se sabe como funciona esse tipo de defesa, nem como as plantas “relacionam” luz à possível presença de patógenos. Mesmo assim, o novo fenômeno deve em breve aparecer em uma lista de truques inteligentes que as plantas conseguem fazer — que já inclui fototrofismo (crescimento guiado pela luz) e gravitropismo (crescimento guiado pela gravidade).
Ainda não dá pra dizer que plantas são seres inteligentes e conscientes. Elas podem vegetar, podem não ter memória nem consciência, mas isso não significa que não sejam espertas.
Publicado
12 de jul de 2010
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Mais uma da série: “Por que isso nunca acontece comigo?”
Na semana passada um acidente milionário parou o trânsito na rodovia A114, perto de Foggia, no sul da Itália. Um caminhão que transportava 2 milhões de euros [cerca de R$ 4,4 milhões] em moedas (de € 1 e € 2) capotou, espalhando parte da carga na pista. O veículo que transportava as moedas bateu em outro carro e capotou após um dos pneus estourar.

Motoristas que passaram pelo local não perderam a oportunidade e arriscaram a vida para ajudar a limpar a rodovia e liberar o trânsito. De acordo com a imprensa italiana, os motoristas mais habilidosos conseguiram acumular até € 10 000 em moedas antes que a polícia chegasse ao local. O prejuízo foi estimado em 50 000 euros, mas pode ser até cinco vezes maior. O motorista do caminhão e o passageiro do carro atingido sofreram apenas ferimentos leves.