>Patentes patéticas (nº. 26)
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“Unicórnios não existem, então vou inventá-los, patenteá-los e ganhar arco-íris de dinheiro! Mwahahahaha!” Deve ter sido essa a ideia que passou pela cabeça de Timothy G. Zell no começo dos anos 1980, quando ele criou um “procedimento cirúrgico” para fazer unicórnios a partir de vacas, antílopes, carneiros ou bodes através do transplante dos botões dos chifres.
No pedido de patente — registrada em 14 de julho de 1982 e emitida em 7 de fevereiro de 1984, sob nº. 4.429.685 — Mr. Zell reconhece que está apenas aperfeiçoando os trabalhos de W. Franklin Dove, um biólogo da Universidade do Maine. Aparentemente, o Dr. Dove dedicou-se durante a década de 1930 a basicamente o mesmo objetivo. Em 1936, o biólogo publicou um artigo na Scientific Monthly com o maravilhoso título de “Artificial Production of the Fabulous Unicorn” [“Produção Artificial do Fabuloso Unicórnio”]¹. Ui!
O aperfeiçoamento de Mr. Zell consiste na antecipação do transplante dos botões de chifre (itens 15 e 16, na ilustração acima), antes que eles estejam soldados ao crânio. Ele ressalta que deseja criar um unicórnio “com uma maior capacidade mental e grandes capacidades físicas” através do posicionamento do chifre sobre a glândula pineal (nº. 24).
Em linguagem que parece obscura demais para uma patente, Zell alega que “Os testes indicaram que a transposição dos chifres do animal para formar um unicórnio com um único chifre (sic) sendo posicionado sobre a glândula pineal resultaram em um animal mais inteligente e mais controlável.”
Na época, Zell (1942- ) era um psicólogo que se tornou um famoso autor ocultista nos Estados Unidos e se apresentava como Oberon Zell-Ravenheart em diversos programas de rádio e TV. Além de inventar unicórnios, ele foi co-fundador da Church of All Words [Igreja de Todos os Mundos] e defensor do Neopaganismo. Depois de seu invento, ele não ficaria rico, mas acabaria se apresentando em circos com Lancelot, um bode que ele apresentava como unicórnio.
Em 2008, médicos encontraram um tumor do tamanho de uma bola de golfe em seu cólon (!!!). Ironicamente, Zell foi curado não por seus unicórnios ou por sua mágica (ou pelo transplante de um chifre sobre sua glândula pineal), mas por uma combinação de cirurgia e quimioterapia. Atualmente, ele ainda dá palestras e mantém uma página na internet, onde se define como “um moderno homem da Renascença”.
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¹ Segundo o texto da patente, a referência é a seguinte: W. Franklin Dove, Artific. Production of the Fabulous Unicorn, Scientific Monthly, v. 42, pp. 431-466
>Oração do Lobisomem
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Segundo Sabine Baring-Gould, em seu Book of Werewolfes [Livro dos Licantropos] (1865), os versos que seguem são, segundo o folclore russo, uma invocação de lobisomens:
Aquele que deseja se tornar um oboroten, deve procurar na floresta uma árvore cortada. Deve apunhalá-la com uma pequena faca de cobre e andar ao redor da árvore, repetindo o seguinte encantamento:
No mar, no oceano, na ilha, em Bujan,No pasto vazio cintila a lua, sobre um rebanhoque repousa em um verde bosque, em um obscuro valeEm direção ao rebanho desvia-se um lobo desgrenhadoOs cornos do gado procuram suas brancas e afiadas presasMas o lobo não se volta para a florestaNem desce ao sobrio valeLua, lua, lua de chifres de ouroCega o voo das balas, parte as facas dos caçadoresQuebra a clava do pastorLança um medo pânico sobre todo o gadoSobre os homens, todas as coisas mais aterrorizantesQue eles não possam capturar o lobo cinza,Que eles não possam rasgar sua pele quente!Minha palavra é irresistível, mais irresistível que o sono,Mais comprometedora que a promessa de um herói!
Então ele pula três vezes sobre a árvore e corre para a floresta, transformado em um lobo.
Pensando bem, isso mais parece uma oração, não é mesmo? Pagã, talvez, mas ainda tem uma estrutura muito similar à uma oração: começa com um relato, aparece um problema e clama-se a uma divindade (nesse caso, a “lua de chifres de ouro”) uma proteção invencível e uma transformação mágica em troca de uma fidelidade igualmente invencível (“mais comprometedora que a promessa de um herói”). Amém.





É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídio pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.