Os demônios de Berbiguier
Alexis-Vincent-Charles Berbiguier de Terre-Neuve du Thym vivia sendo aterrorizado por farfadets, uma espécie de equivalente francês dos goblins. Filho de uma família pequeno-nobreza, Berbiguier nasceu em Carpentras, no sul da França, em 1765. Ele entraria para a história da literatura francesa por sua bizarra autobiografia demonológica. Intitulada Les farfadets ou Tous les démons ne sont pas de l’autre monde [Os farfadets, ou Todos os demônios não são do outro mundo], a autobiografia de Berbiguier foi publicada em três volumes entre 1818 e 1820. A obra é magnificamente ilustrada com litografias desenhadas pelo próprio autor. Continue reading “Os demônios de Berbiguier” »
Contos Traduzidos — “Os Artefatos de Issahar”
Não deve ser difícil escrever uma história sobre um astronauta solitário e perdido ou criar um mistério arqueológico. Mas juntar os dois enredos banais em um conto com densidade psicológica é algo mais complicado. Um autor obscuro, Jesse Bone, conseguiu o feito e o resultado é Os Artefatos de Issahar. Publicado originalmente em 1960 na Amazing Science Fiction Stories, esse conto é o que sobrou do diário de um biólogo-espaçonauta que acaba naufragando em um planeta desconhecido, porém surpreendentemente acolhedor e aparentemente sem vida.
Mas como era de se esperar em um planeta onde um ser humano pode sobreviver, a ausência de vida está apenas nas aparências. Ou será que o suposto ser vivo ameaçador não seria uma criação da mente de alguém “incomensuravelmente perdido”? O que quer que seja, aquilo que foi escrito na tentativa desesperada de aliviar uma paranoia crescente acaba se transformando na maior relíquia arqueológica para os seres daquele planeta misterioso. Sem saber, nosso anônimo astronauta acaba se tornando um deus.
>Big Brother Rodoviário
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Aquele carro vermelho virando à esquerda é muito suspeito! (esta legenda vermelha alinhada à esquerda também!)
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- Dirigir alternadamente em altas e baixas velocidades [claro que é suspeito: não faz o menor sentido diminuir de velocidade se as condições da pista ou o trânsito mudam...];
- Passar num cruzamento movimentado durante a luz amarela intencionalmente, para desorientar ou causar um acidente fatal [também muito suspeito: o camarada pode ser daltônico ou estar a caminho de um hospital. E fugir de um assalto sempre levanta suspeitas];
- Dobrar a esquina em alta velocidade e parar repentinamente logo em seguida [evitar um atropelamento não é algo muito americano];
- Sair do carro e soltá-lo na contramão de uma ladeira de mão única [abandonar um carro sem freios é coisa de comuna!];
- Entrar em uma rua residencial escura, à noite, com as luzes apagadas [o cúmulo da suspeita! É um comportamento totalmente anti-americano. Mas a rua escura não é culpa nossa, pois o governo não pode forçar a companhia elétrica — um empreendimento particular — a manter a rede em ordem];
- Dirigir até uma área rural, atravessar campos por um longo tempo e se encontrar com outro carro [também muito suspeito: se perder é coisa de forasteiro];
- Esperar até o último minuto no sinal e depois cortar à esquerda do tráfego [mas cortar à direita é um ato de amor à pátria!];
- Parar em todos os postos de gasolina, sair, andar em volta do carro, sempre olhando e depois ir embora [camarada, esse seu disfarce de motorista cansado para deixar de consumir não nos convence. Estamos de olho!].




É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídio pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.