>Soneto ao Nada
>Poema de Richard Porson, publicado na edição de 4 de março de 1814 do Morning Chronicle:
Misterioso Nada! Como hei-de mostrar
Vosso infome, infundado, ilocável vazio?
Nem forma, nem cor, nem som, nem tamanho traz.
Nem palavras ou dedos podem expressar vosso vozerio.Mas embora não possamos vos comparar a algures,
Um milhar de coisas a vós podem se assemelhar.
E embora vós não estais com ninguém em nenhures,
Ainda assim, metade da Humanidade está a vos adorar.Quantos volumes vossa história contém!
Quantas cabeças perseguem vossos poderosos ímpetos!
Quantas mãos laboriosas apenas uma porção de vós retém!
Quantos corpos se ocupam apenas com vossos projetos!Os grandes, os orgulhosos, os vertiginosos, nada há-de dominar
E tudo — como meu soneto — em nada vai terminar.
>Literatura Médica
>
O lânguido estômago amaldiçoa até mesmo
A deliciosa gordura e todas as raças de óleo
Pois quanto mais oleoso, o alimento relaxa
Seu débil tônus. E a voraz linfa
(Doida para se incorporar em tudo que encontra)
Recatadamente ele mistura. E evita com escorregadias artimanhas
O cortejado abraço. Esse insolúvel óleo
Tão gentil, lento e lisonjeiro, em fluxos
De bile rançosa se esparrama: Quanto tumulto causa,
Quantos horrores levanta são nauseante para relatar.
Escolhei mantimentos enxutos, ó vós de jovial feitio!
>A última canção
>
Daisy, Daisy, give me your answer do,
I’m half crazy, all for the love of you.
It won’t be a stylish marriage–
I can’t afford a carriage–
But you’ll look sweet upon the seat
Of a bicycle built for two.
>Oração do Lobisomem
>
Segundo Sabine Baring-Gould, em seu Book of Werewolfes [Livro dos Licantropos] (1865), os versos que seguem são, segundo o folclore russo, uma invocação de lobisomens:
Aquele que deseja se tornar um oboroten, deve procurar na floresta uma árvore cortada. Deve apunhalá-la com uma pequena faca de cobre e andar ao redor da árvore, repetindo o seguinte encantamento:
No mar, no oceano, na ilha, em Bujan,No pasto vazio cintila a lua, sobre um rebanhoque repousa em um verde bosque, em um obscuro valeEm direção ao rebanho desvia-se um lobo desgrenhadoOs cornos do gado procuram suas brancas e afiadas presasMas o lobo não se volta para a florestaNem desce ao sobrio valeLua, lua, lua de chifres de ouroCega o voo das balas, parte as facas dos caçadoresQuebra a clava do pastorLança um medo pânico sobre todo o gadoSobre os homens, todas as coisas mais aterrorizantesQue eles não possam capturar o lobo cinza,Que eles não possam rasgar sua pele quente!Minha palavra é irresistível, mais irresistível que o sono,Mais comprometedora que a promessa de um herói!
Então ele pula três vezes sobre a árvore e corre para a floresta, transformado em um lobo.
>Silogismos de Carroll
>
Os silogismos a seguir são parte de um livro-texto de Lewis Carroll sobre lógica. Como Carroll era um cara à frente de seu tempo, eles mais se parecem com peças de arte surrealista do que exemplos sérios de lógica.
1. Bebês são ilógicos;
2. Quem é desprezado não pode controlar um crocodilo;
3. Pessoas ilógicas são desprezadas.
Portanto, Bebês não podem controlar crocodilos.
1. Nenhum poema interessante é impopular entre pessoas de bom-gosto;
2. Nenhuma poesia moderna é livre de afetações;
3. Todos os seus poemas são sobre bolhas de sabão;
4. Nenhuma poesia afetada é popular entre pessoas de bom-gosto;
5. Apenas um poema moderno poderia tratar de bolhas de sabão.
Portanto, todos os seus poemas são desinteressantes.
>Black Bart, o assaltante-poeta
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I’ve labored long and hard for bread,For honor and for riches,But on my corns too long you’ve tread
You fine-haired sons of bitches.[Eu laborei muito, dei duro pelo pão,
Pela honra e pelas riquezasMas nos meus calos vocês deram muito pisão,Seus almofadinhas filhos-da-mãe.]
Here I lay me down to sleep
To wait the coming morrow,
Perhaps success, perhaps defeat,
And everlasting sorrow.
Let come what will I’ll try it on,
My condition can’t be worse;
And if there’s money in that box
‘Tis munny in my purse.
[Aqui me deito para dormir
À espera da vindoura aurora:
Talvez sucesso, talvez derrota
E um sofrimento interminável.
Tentarei o que der e vier,
Minha condição não pode ser pior.
E se houver dinheiro naquela caixa
É dinheiro no meu bolso.]
Em 1883, Bowles foi ferido durante um assalto e, ao fugir, deixou seus óculos e um lenço com suas iniciais na cena do crime. Investigações do detetive James B. Hume (que, ironicamente, era parecidíssimo com Bart) acabaram resultando em sua prisão.
Quando Black Bart saiu da prisão em 1888, um repórter lhe perguntou se ele voltaria a roubar diligências. “Não, cavalheiro”, ele respondeu. “Eu abandonei o crime.” Outro repórter perguntou então se ele escreveria mais poesias. Bart apenas sorriu: “Meu filho, não me ouviste dizer que eu abandonei o crime?”
Entretanto, ninguém sabe ao certo que destino Charles Bowles tomou ao sair da cadeia. Seis meses depois de ser libertado, o corpo de um assaltante não-identificado foi encontrado perto de Virginia City, Nevada. Mas dado a fama que Black Bart alcançara, seu corpo teria sido reconhecido. Há quem diga que ele realmente se aposentou e mudou-se para Nova York, onde teria vivido em paz até morrer em 1917, aos 88 anos.
Mais informações no site-tributo a Black Bart [em inglês].
>Cruz na Porta da Tabacaria
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Não posso dizer se é verdade ou não (não encontrei nada sobre o tal Tom Klaes), mas assim que eu encontrei a estória a seguir, me lembrei imediatamente do poema de Álvaro de Campos:
O maior fumante da Europa morreu em Roterdã e deixou um testamento dos mais curiosos. Ele deixou expresso seu desejo de que todos os fumantes do país deveriam ser convidados para suas exéquias, e que eles fumariam durante todo o cortejo fúnebre. Ele pede que seu corpo seja posto em um caixão montado com madeira tirada de velhas caixas de charutos Havana. Aos seus pés, devem ser depositados tabaco, cigarro e fósforos. E o epitáfio que ele escolheu para ser posto sobre seu túmulo é o seguinte:
Aqui JazTOM KLAES,O Maior Fumante da EuropaEle bateu seu cachimbo4 de julho de 1872Chorado por sua família etodos os mercadores de tabacoESTRANHO, FUMAI POR ELE!– Charles Bombaugh, Facts and Fancies for the Curious From the Harvest-Fields of Literature [Fatos e Firulas para os Curiosos, dos Campos Cultivados da Literatura], 1905
>Ode ao… ao… sujeito cujo nome nunca me lembro
>
Uma vez — não importa quando,
Nem onde — Viveu um homem,
Um homem chamado — lembrando
agora isso me some.
Ele, bem, ele havia nascido
e vivia com afinco.
Sua idade — eu não sou preciso —
Era alguma coisa e cinco.
Ele viveu — por quanto tempo
Não consigo te dizer;
Mas um fato aparece sem contratempo:
Ele viveu até morrer.
Ele morreu, te digo
Você pode não acreditar,
Mas que ele está num jazigo
Isso eu não posso inventar
Ele teve um filho, juro!
Ouvi falar de uma mulher,
Talvez até outra, te asseguro
Mas, ó vida, não sei dizer!
Fosse ele rico
Ou fosse ele pobre
Ou gato ou rato ou mico
Não consigo dizer, não me cobre!
Não me lembro de seu nome
Nem como era sua aparência
Por favor, tenha paciência!
Vamos nos servir de seu renome.
E assim é que eu me perco
Falando desse homem desconhecido.
Eu derrubaria um cerco
Para salvar esse esquecido
Das sombras do esquecer
E achar alguma lei
Mas… Ah! eu não sei
O quem, o onde, o quando, o que — ou o porquê
MORAL:
Um epílogo vamos ter,
Uma moral devemos encontrar
Mas qual devia ser
Acaba de me escapar!
– William T. Dobson, Literary Frivolities, Fancies, Follies and Frolics [Frivolidades, Fantasias, Tolices e Firulas Literárias], 1880







É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídio pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.