Patentes Patéticas (nº. 52)

antena hiperlumínica

Você se sente frustrado pelos delays dos sinais de satélite? Acha que os grandes atrasos nas comunicações interplanetárias é que são o verdadeiro impedimento à conquista do espaço? Uma solução seria transmitir sinais a uma velocidade maior do que a da luz. Mas se você acha que não existe tecnologia para isso, não conhece a Hyper-light-speed antenna. Trata-se de Continue reading “Patentes Patéticas (nº. 52)” »

Há um signo do crime?

Em Chatham-Kent, Ontário, Canadá, a polícia divulgou uma estatística no mínimo curiosa ao encerrar 2011: das 1986 pessoas detidas ao longo do ano, 203 eram arianas. Essa foi a primeira vez (quiçá a primeira vez no mundo) que a autoridade policial local fez uma lista com base nos signos do zodíaco.

Em segundo lugar, vieram os librianos com 189 criminosos. Virginianos vêm em terceiro, com 183 detidos. A seguir, pela ordem, vêm Leão (177), Peixes (169), Escorpião (166), Capricórnio (166), Gêmeos (159), Câncer (147), Touro (146) e Aquário (142). Sagitário teve o menor índice de criminalidade, com 139 presos. A polícia de Chatham-Kent informou também que não perguntou aos detidos sobre seus signos. Tudo foi classificado de acordo com uma planilha no Excel.

O responsável pela pesquisa é Michael Pearce. Ele também é o porta-voz da polícia e pelo visto não deve trabalhar muito — Chatham-Kent é apenas a 34ª. cidade mais violenta do Canadá segundo uma pesquisa recente. Segundo o National Post, Mr. Pearce diz que “não está extraindo qualquer conclusão disso”. Ou seja, não é um estudo sério. E nem deveria ser, dados os critérios vagos e o pequeno universo “pesquisado”.

Apesar disso, a astróloga do jornal canadense, Georgia Nicols, vê algum sentido nos números apresentados. Ela diz que “áries é o signo do guerreiro” e que “domina os militares. Arianos pulam de cabeça e adoram aventuras.” Arianos seriam agressivos, impulsivos e egoístas segundo a tradição astrológica.

Por outro lado, os sagitarianos (que tradicionalmente são considerados grosseiros, atirados e irresponsáveis) teriam apenas sorte: “eles não são pegos, eles são lisos”, segundo a astróloga. Mrs. Nicols não explica, porém, porque a quantidade de escorpianos (23/10-21/11) e capricornianos (22/12-21/01) presos é idêntica. Talvez porque isso solape a noção astrológica de que pessoas nascidas em épocas diferentes são diferentes.

Obviamente, a lista não convence do ponto de vista científico. Como ressaltou o professor de criminologia Anthony Dobb, da Universidade de Toronto, não faz sentido que pessoas nascidas em certa época do ano sejam mais criminosas (ou mais detidas) do que outras. O próprio Pearce reconheceu que “ano que vem a lista será completamente diferente, a não ser que as mesmas pessoas sejam presas”.

>Patentes patéticas (nº. 26)

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“Unicórnios não existem, então vou inventá-los, patenteá-los e ganhar arco-íris de dinheiro! Mwahahahaha!” Deve ter sido essa a ideia que passou pela cabeça de Timothy G. Zell no começo dos anos 1980, quando ele criou um “procedimento cirúrgico” para fazer unicórnios a partir de vacas, antílopes, carneiros ou bodes através do transplante dos botões dos chifres.
No pedido de patente — registrada em 14 de julho de 1982 e emitida em 7 de fevereiro de 1984, sob nº. 4.429.685 — Mr. Zell reconhece que está apenas aperfeiçoando os trabalhos de W. Franklin Dove, um biólogo da Universidade do Maine. Aparentemente, o Dr. Dove dedicou-se durante a década de 1930 a basicamente o mesmo objetivo. Em 1936, o biólogo publicou um artigo na Scientific Monthly com o maravilhoso título de “Artificial Production of the Fabulous Unicorn” [“Produção Artificial do Fabuloso Unicórnio”]¹. Ui!
O aperfeiçoamento de Mr. Zell consiste na antecipação do transplante dos botões de chifre (itens 15 e 16, na ilustração acima), antes que eles estejam soldados ao crânio. Ele ressalta que deseja criar um unicórnio “com uma maior capacidade mental e grandes capacidades físicas” através do posicionamento do chifre sobre a glândula pineal (nº. 24). 
Em linguagem que parece obscura demais para uma patente, Zell alega que “Os testes indicaram que a transposição dos chifres do animal para formar um unicórnio com um único chifre (sic) sendo posicionado sobre a glândula pineal resultaram em um animal mais inteligente e mais controlável.”
Na época, Zell (1942- ) era um psicólogo que se tornou um famoso autor ocultista nos Estados Unidos e se apresentava como Oberon Zell-Ravenheart em diversos programas de rádio e TV. Além de inventar unicórnios, ele foi co-fundador da Church of All Words [Igreja de Todos os Mundos] e defensor do Neopaganismo. Depois de seu invento, ele não ficaria rico, mas acabaria se apresentando em circos com Lancelot, um bode que ele apresentava como unicórnio.

Em 2008, médicos encontraram um tumor do tamanho de uma bola de golfe em seu cólon (!!!). Ironicamente, Zell foi curado não por seus unicórnios ou por sua mágica (ou pelo transplante de um chifre sobre sua glândula pineal), mas por uma combinação de cirurgia e quimioterapia. Atualmente, ele ainda dá palestras e mantém uma página na internet, onde se define como um moderno homem da Renascença.
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¹ Segundo o texto da patente, a referência é a seguinte: W. Franklin Dove, Artific. Production of the Fabulous Unicorn, Scientific Monthly, v. 42, pp. 431-466

>Como tomar banho, em oito lições (1931)

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Não é de hoje que acidentes no banheiro são comuns. Também não é de hoje que se tenta preveni-los com algumas regras para a hora do banho:
Oito regras para tomar banhos

Para ajudar a diminuir o crescente número de acidentes no banheiro, a New Health Society of England apresentou recentemente oito regras.
A primeira regra é sempre manter a janela um pouco aberta para prevenir o envenenamento através de um aquecedor com defeito. A segunda e a terceira regras são nunca tomar um banho quente após uma refeição pesada nem um banho frio se você tem coração fraco. A quarta é ter todos os aquecedores equipados com dispositivos de segurança, para que os tubos cheios de vapor não explodam. As outras regras lidam com as instalações elétricas no banheiro, sendo consenso que choques elétricos são tão comuns quanto fatais quando a pele está molhada ou quando o banhista está numa banheira de metal eletricamente ligada ao solo pelos encanamentos de água. — Modern Mechanix, Maio de 1931
Atentem para um potencial conflito entre as regras 2 e 3 — se você tem coração fraco (e não pode tomar banho frio) e acabou de tomar uma refeição pesada (e não pode tomar banho quente), você não precisa tomar banho de maneira nenhuma porque não lhe sobra nenhuma escolha. Boa desculpa, hein!

>Pérolas Fundamentalistas IV: ‘Se a Terra fosse um globo…’

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Excertos de One Hundred Proofs that the Earth is not a Globe [Uma centena de provas de que a Terra não é um globo], um panfleto em defesa da Terra Plana escrito e distribuído por William Carpenter (1830-1896) em 1885:

Se a Terra fosse um globo, então um pequeno modelo do globo seria a melhor coisa — por ser a mais verdadeira — para o navegador que se orienta no mar. Mas não se conhece tal coisa. Com tal brinquedo como guia, o marinheiro bateria seu navio e, com toda a certeza!, esta é uma prova de que a Terra não é um globo. 

Navegadores (e mesmo aeronautas!) usam projeções planas em lugar de globos terrestres por dois motivos. (1) é geometricamente simples: é muito mais fácil traçar e manter uma linha reta que permite a menor distância em um mapa plano do que em um globo; (2) Carpenter está parcialmente correto: um globo terrestre pode ser um brinquedinho tão divertido que pode distrair os mais bravos navegadores!

Se a Terra fosse um globo, rolando impetuosamente através do “espaço” a uma taxa de “cem milhas em cinco segundos”, as águas dos mares e oceanos não poderiam, segundo qualquer lei conhecida, ser mantidas em sua superfície. A afirmação de que elas poderiam ser retidas sob essas circunstâncias é uma ofensa ao entendimento e à credulidade humana.

Claro que é uma tremenda ofensa a qualquer inteligência. Além dessa tal gravidade, conceitos como inércia, atrito e pressão do ar são tão etéreos e contra-intuitivos!

Há rios que fluem por centenas de milhas até o nível do mar sem declinar mais que uns poucos pés — o mais notável é o Nilo, que, em mil milhas (sic) não cai mais do que um pé. Um desnível dessa extensão é bastante incompatível com a ideia de convexidade da Terra. É, portanto, uma prova razoável de que a Terra não é um globo.

Mas se há rios que correm por tão longas distâncias sem mudar de nível, porque temos tantas cachoeiras, cascatas ou desníveis tão grandes que nos permitem construir usinas hidrelétricas como a Represa de Assuã, que fica no próprio Nilo? E, por falar em Nilo, esse grande rio africando tem umas quatro mil milhas.

Os astrônomos nos dizem que, em consequência da “esfericidade” da Terra, as paredes perpendiculares dos edifícios não são, nenhures, paralelas e que mesmo as paredes de casas do lado oposto da rua não são! Mas, uma vez que todas as observações falham ao encontrar qualquer evidência dessa ausência de paralelismo que a teoria exige, devemos renunciar à ideia por ser absurda e estar em oposição a todos os fatos bem-conhecidos.

WTF, Mr. Carpenter? Paredes perpendiculares não poderiam ser paralelas nem mesmo em um mundo plano! Tu não sabe escrever ou não sabe consultar um dicionário?? E a distância entre duas casas é pequena demais para que a divergência de duas paredes ou muros seja observável — mas ela existe.

Se nós examinarmos uma verdadeira imagem do horizonte distante, ou a própria coisa, nós veremos que ele coincide exatamente com uma linha perfeitamente reta e nivelada.

Pode até ser verdade, mas apenas em terrenos perfeitamente planos. E embora seja a prova mais clássica da Terra-Plana, isso não prova nada.  Mesmo tendo emigrado de navio de Greenwich, Inglaterra, para Baltimore, nos EUA, Carpenter negava as evidências que ele mesmo pôde observar. Ele achava que o “desaparecimento” de navios na linha do horizonte fosse apenas uma ilusão de ótica, e, por isso mesmo, não provaria a convexidade terrestre.

A teoria Newtoniana de astronomia afirma que a Lua “empresta” sua luz do Sol. Agora, uma vez que os raios do Sol são quentes e que a Lua emite uma luz que não é asolutamente quente, segue-se que o Sol e a Lua são “duas grandes luzes” como lemos algures [e] que a teoria Newtoniana é um equívoco.

Essa é tão singela que chega a ser hilária. Parece a explicação de uma criança (com todo respeito aos pequenos, que também têm seus momentos de genialidade). Se isso fosse verdade, então a luz de uma fogueira ou tocha refletida por um espelho plano deveria ser capaz de nos aquecer, mesmo que estivéssemos bem longe do fogo. E esse “algures” que fala de “duas grandes luzes” é nada menos que a Bíblia!

Se um projétil for disparado de um corpo, que se move rapidamente, na direção oposta  à qual o corpo se dirige, ela cairia a uma distância menor do que alcançaria se fosse disparada na direção do movimento. Agora, uma vez que diz-se que a Terra move-se a cerca de dezenove milhas por segundo, “de oeste para leste”, isso faria toda a diferença imaginável se uma arma fosse disparada na direção oposta [à do movimento terrestre]. Mas… independente do que se faça, não há a menor diferença.

Incrivelmente, essa quase chegou à relatividade do tempo e do espaço. Se Carpenter tivesse pensado na luz viajando no espaço e não em balas na Terra, talvez desenvolvesse uma Teoria da Relatividade. Mas ele preferiu ficar com a cabeça bem firme no chão. De uma Terra Plana, naturalmente.

Quem quiser, pode continuar a se divertir com as pérolas de Mr. Carpenter. Todas as suas 100 “provas” estão disponíveis aqui (em inglês).

>Patentes patéticas (nº. 21)

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Parece ser um mouse para cegos, com botões em braille — mas não é! Ou talvez seja um rato massagista — é quase isso! É um mouse “para terapia eletrônica”, ou seja, para fazer acumpuntura enquanto você trabalha procrastina na interwebz.

Patenteado nos Esatdos Unidos sob número 6.847.846 em 25 de janeiro de 2005, esse periférico foi criado para supostamente curar seu usuário pela “aplicação dos antigos princípios chineses da acumpuntura”. É um exemplo típico de progresso conservador. Conservador mesmo, pois apesar de contar com uma roda e conexão USB, o dispositivo não é ótico!

A cura vem não pelas agulhadas, mas por algo mais moderno: “um forte pulso de corrente elétrica” proveniente do computador e aplicada em pontos de acumpuntura na mão do usuário. Se preferir, é possível estimular outros pontos de acumpuntura no corpo através das extensões (nº. 17). Parece perfeito para você que é um navegador masoquista — ou talvez seja o equipamento ideal para empresas que odeiam a internet.

>A anomalia da foto C-S11-32W071-03

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Em 1976, uma foto de satélite da NASA, de número C-S11-32W071-03, revelou algo bastante incomum na densa floresta do sudeste do Peru: objetos piramidescos, alinhados em duas fileiras quase perfeitas. Seria aquele o esconderijo de incas-venusianos?

Aquilo, fosse o que fosse, tinha que ser nomeado. Afinal, não seria muito prático ficar usando “anomalia da foto C-S11-32W071-03” nas discussões.  Os entusiastas dos mistérios sul-americanos chamaram-nas de pirâmides de Paratoari (ou pirâmides de Pantiacolla; os crentes, para variar, discordavam sobre os detalhes). Os céticos simplesmente se referiam àquilo como os “pontos”. Entretanto, como quase todas as febres dos anos 1970, esse mistério da selva peruana acabou esquecido por um bom tempo.
Foi somente em 1996 que Gregory Deyermenjian, explorador e psicólogo norte-americano decidiu montar uma expedição e descobrir de uma vez por todas o que eram (ou não eram) as “pirâmides”. Acompanhado dos peruanos Paulino Mamani, Dante Núñez del Prado, Fernando Neuenschwander, Ignacio Mamani e dois índios, Deyermenjian se embrenhou na selva peruana. Foram os primeiros a chegar naquele local. O americano já era um experiente explorador e encontrou diversas evidências de ocupação inca na área: petroglifos, estradas pavimentadas (a.k.a. peabirus) e plataformas. Mas nada das “pirâmides”.
Porém, em uma investigação mais minuciosa, Deyermenjian encontrou algo e percebeu que aquilo não poderia ter sido feito por mãos humanas (muito menos incas-venusianas). O que ele encontrou era nada menos que uma formação geológica natural, as serras de cume truncado de arenito (em inglês, sandstone truncated spur). São apenas falhas de origem glacial ou tectônica com a surpreendente e ilusória forma de uma pirâmide.
Mesmo com o mito das pirâmides de Paratoari detonado, o interesse sobre a área e uma possível cidade perdida ressurgiu em 2001. Naquele ano, o arqueólogo italiano Mario Polia alegou ter encontrado documentos nos arquivos dos jesuítas em Roma. Segundo Polia, um missionário relatava a existência de uma cidade inca conhecida como Paititi naquela área. Faltava apenas descobrir as evidências físicas. Um “forte” chegou a ser descoberto em 2007 mas, como as pirâmides, também não passava de uma extravagância geológica feita de arenito.

>Bebês em Curto

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Bebês Isolados Crescem Mais Rápido
Para fazer seu bebê crescer mais rápido, isole seu berço da eletricidade do chão, das paredes e do solo. Para reduzir seu crescimento, aterre seu berço com bandas flexíveis de metal. Esta é a extraordinária conclusão encontrada por M. Vles, de Estraburgo, França, que conduziu experimentos em dois grupos de três bebês. Os que foram isolados cresceram mais rápido do que o trio aterrado, pelo que se presume que a eletrificação do solo e do ar tem uma influência real no crescimento humano.

Modern Mechanix, Abril de 1933

Isso significa que anões são resultado de curto circuito em berços? E como é que alguém pode ter levado a sério um estudo feito apenas com seis bebês em um universo de centenas de milhões???

>Parem o mundo

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Todo mundo se lembra de Galileu como o típico gênio incompreendido e perseguido. Do que pouca gente se lembra é dos argumentos que foram usados contra Galileu, que partiam dos perseguidores de Galileu, gente com uma boa formação, mas uma profunda influência ideológica (leia-se fé religiosa). Eis alguns exemplos:
“As construções e a própria terra voariam com um movimento tão rápido que os homens deveriam ter garras, como os gatos, para que fossem capazes de se agarrar à veloz superfície da terra.” — Libertus Fromundus (1587-1653), doutor e professor de teologia na Universidade de Louvain e Deão da Igreja de São Pierre, em Anti-Aristarchus (1631)
Outro argumento de Fromundus é explicitamente religioso:

“Se a terra é um planeta, e apenas um entre os muitos, não pode ser que tantas coisas grandiosas tenham sido feitas especialmente para ela [a terra], como ensina a doutrina Cristã. Se há outros planetas, uma vez que Deus não faz nada em vão, eles devem ser habitados. Mas como podem seus habitantes descender de Adão? Como eles podem traçar suas origens até a arca de Noé? Como eles podem ter sido redimidos pelo Salvador?”.

É um caso típico de fundamentalismo antropocentrista e religioso. Ele não apenas desconsidera a possibilidade de que os habitantes de outros mundos tenham suas próprias fés, como também ignora  o fato de que eles sejam muito diferentes dos seres humanos. Em último caso, pode-se dizer que Fromundus, mesmo sendo teólogo, duvida até da onipotência divina, pois está implícito em sua argumentação que, se as coisas são como ele afirma serem, Deus só teria o poder de criar planetas como a Terra e seres como os humanos. Só que isso não é nada onipotente.
“Animais, os quais se movem, têm músculos e tendões; a terra não tem músculos ou tendões, portanto não se move” — Scipio Chiaramonte, professor de filosofia e matemática da Universidade de Pisa (1633)
Infelizmente, não consegui informações tão detalhadas sobre o prof. Chiaramonte. Mas sua argumentação — que beira a infantilidade — é facilmente refutável: pedras também não tem músculos, mas isso não impede que elas caiam das montanhas às vezes, movendo-se com uma energia inquestionável e esmagadora. 
“Se supomos o movimento da terra, por que uma flecha lançada no ar não cai de volta no mesmo lugar, enquanto a terra e todas as coisas que ela contém, nesse ínterim, moveram-se muito rapidamente em direção ao leste? Quem não veria a grande confusão que resultaria desse movimento?” — Giorgio Polacco, padre jesuíta, em Anticopernicus Catholicus (1644)
Estes homens, que se diziam tão sábios, parecem simplórios, pois se confundem com os termos Terra (planeta) e terra (solo), usados sem qualquer distinção. Sendo assim, eles imaginam que o que Copérnico e Galileu defendiam era o movimento do solo, não do planeta. Mas isso parece óbvio, se nos lembrarmos que para eles, a Terra também deveria ser plana, além de estática.

Entretanto, é surpreendente saber que mesmo três séculos de observações cuidadosas que comprovaram o movimento terrestre — e já em plena era espacial —, algumas pessoas ainda negavam-se a admitir a verdade e usavam um argumento um tanto mais complexo. Como este, que é uma versão high-tech do argumento da flecha:

“[Astrônomos calculam a velocidade de rotação da Terra como igual a 1000 km/h]. Uma aeronave voando nesta velocidade, na mesma direção da rotação, não voaria de modo algum. Ela ficaria suspensa no ar, sobre o mesmo ponto do qual decolou, uma vez que as velocidades são as mesmas. Não haveria, aliás, necessidade de voar de um lugar a outro situado na mesma latitude. A aeronave poderia simplesmente elevar-se e esperar que o país desejado chegasse durante a rotação e depois pousaria. Ainda assim, seria difícil ver como qualquer avião poderia ser capaz de tocar o solo num aeroporto que está se movendo a velocidade de 1000 quilômetros por hora. Seria certamente útil saber o que as pessoas que voam pensam sobre a rotação da terra” — Gabrielle Henriet, Heaven and Hell [Céu e Inferno] (1957)
Realmente, seria muito bom ouvir as opiniões das pessoas que voam, especialmente daquelas que voam até o espaço e dizem “A Terra é Azul!”.

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