Letreiros de Londres
Quando se fala em Era Vitoriana, quase sempre vem à mente a imagem de senhores cavalheirescos, verdadeiros gentlemen, e damas submissas e virginais. Isso nem sempre foi verdade, claro. Até porque, por volta de 1850, em meio à Revolução Industrial movida a vapor, surgiu o moderno mercado publicitário e cada espaço disponível em Londres passou a ser disputado como ponto de anúncio. Não raro, as disputas eram desleais, como no caso dos billstickers, os coladores de cartazes e pôsteres:
Nunca prestando atenção aos constantes anúncios à sua volta, o billsticker pouco se importava com a privacidade de paredes ou, menos ainda, com portas de casas. E embora ele fosse raramente visto, seu trabalho disfigurativo era uma característica proeminente da metrópole. Para ele, era questão de honra — se pudermos aplicar o termo em relação aos billstickers — colar em cima do trabalho de um rival. Tamanhos eram os acúmulos, e mais heterogêneas eram suas aparências que, embora não faltassem cartazes, suas inscrições eram quase ininteligíveis. Bem cedo na manhã de domingo era o momento mais ocupado do billsticker andarilho. Equipado com uma carroça leve e um assistente, ele rodava um distrito inteiro, colando suas notas e desaparecendo com maravilhosa rapidez. E como ele ria, enquanto ia embora, especialmente se, além de desfigurar um muro particular, ele ainda conseguia cobrir o trabalho de um concorrente! Por essa razão, o billsticker hábil costumava escolher um momento em que fosse cedo o bastante para evadir-se sem detecção, mas tarde o bastante para destruir o trabalho daquele que havia chegado antes dele.
Quando não eram os billstickers, eram os pintores-letreiros — que pintavam reclames em muros e paredes — que deixavam o cavalheirismo de lado e, arregaçando as mangas, partiam para a ignorância:
Outro plano engenhoso e, por sua cor, algo sugestivo foi posto em execução por essa época por um empreiteiro para destruir os anúncios bem-sucedidos de um rival. Ele armou um de seus assistentes com uma grande lata de tinta negra e uma broxa e passou-lhe instruções no sentido de tomar atalhos e desfigurar os placares concorrentes. É claro que o oponente revidou na mesma moeda e, por algum tempo o anúncio de um empreiteiro era mais conhecido por sua ilegibilidade. Eventualmente, estes dois homens de cor [no sentido de pintores] encontraram-se e lutaram com os instrumentos que haviam recebido de seus empregadores [as broxas e baldes de tinta]. Na manhã seguinte, quando foram levados diante de um magistrado, eles tinham uma aparência deplorável ao serem forçados a fazer as pazes e deixar de jogar tinta um no outro ou nos anúncios um do outro.
Deve ser daí que vem a expressão “marketing de guerrilha”. Ambos os episódios — e a gravura acima — foram extraídos de Henry Sampson, A History of Advertising from the Earliest Times, Illlustrated by Anecdotes, Curious Specimens and Biographical Notes [Uma História dos Anúncios desde os Tempos mais Antigos, Ilustrada por Anedotas, Espécimes Curiosos e Notas Biográficas]. Londres: Chatto & Windus, 1874.
Um banco e uma placa

Isso é tudo nessa modestíssima estação ferroviária situada Gwynedd, North Gales, que já teve o sesquipedálico nome de Gorsafawddacha’idraigodanheddogleddollônpenrhynareurdraethceredigion.
Essa denominação foi uma tentativa de superar Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch pela complicada distinção de ser o local com nome mais comprido da Europa. A ideia foi da Fairborne Railway, uma ferrovia turística de Gales e o objetivo era justamente atrair turistas.
Mas como Gorsafawddacha’idraigodanheddogleddollônpenrhynareurdraethceredigion não passa de um banco no meio do nada enquanto Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch é uma vila na ilha de Anglesey, ninguém se importou com a estação ferroviária e o nome não pegou. Talvez se houvesse algo além de um banco…
Gorsafawddacha’idraigodanheddogleddollônpenrhynareurdraethceredigion é algo como “a estação Mawddach e seus dragões sob a paz do norte da Penrhyn Road sobre a praia dourada de Cardigan Bay”. Os tais dragões seriam antigas barreiras anti-tanque, remanascentes da Segunda Guerra Mundial com aparência de… bem, dragões.
Esse não é o único problema com Gorsafawddacha’idraigodanheddogleddollônpenrhynareurdraethceredigion. O nome só faz sentido com aquele apóstrofo ali e o uso do hífen seria a forma correta de escrever o trecho “…[g]ogleddol-lôn…” (mais ou menos no meio do nome). Sendo assim, mesmo para os galeses, foi difícil considerar que tal (notem quantas letras podem ser substituídas por tal) nome seria apenas uma palavra. Outro problema: Cardigan Bay, em galês, é Bae Ceredigion e não apenas “…ceredigion” (não é estranho que tenham perdido a oportunidade de meter mais três letrinhas? talvez tenham se perdido…). Pra piorar, a tal baía situa-se apenas no condado vizinho ao condado de Gwynedd, onde fica a estaçãozinha megalômana.
Assim, em 2007 — para alívio do cara que anuncia o nome das estações de trem —, houve uma mudança de nome um tanto drástica: Gorsafawddacha’idraigodanheddogleddollônpenrhynareurdraethceredigion virou Golf Halt. Aliás, voltou a ser Golf Halt, já que esse era o nome original antes do desastroso batismo publicitário. Mas nem tudo está perdido: até hoje, ainda que em letras minúsculas, a pequena placa traz o grande nome antigo.
Veja também: Um dia na vida de Don Juan Nepomuceno de Burionagonatotorecagageazcoecha.
>Uma pequena (e bem pequena) bolha imobiliária
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>Um emplastro
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A estória sobre o Dr. Abernethy e uma paciente é clássica. Ele era um homem de poucas palavras e a moça sabia disso. Ao entrar no consultório, ela mostrou-lhe o braço nu e disse, simplesmente, “Queima”.“Um emplastro.”, disse o doutror.
No dia seguinte, ela apareceu novamente, mostrou-lhe o braço e disse: “Melhorou.”“Continue com o emplastro.”Alguns dias se passaram antes que Dr. Abernathy a visse novamente. Então, ela disse: “Bem, quanto devo?”“Nada”, disse o médico, numa explosão de loquacidade incomum. “Você é a mulher mais sensível que eu já encontrei em toda a minha vida!”– William Shepard Walsh, Handy-Book of Literary Curiosities [Manual de Curiosidades Literárias], 1892
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| “Um remédio para remediar o vício em remédios”. À venda nas melhores pharmacias d’além e d’aquém-túmulo. |
>Prêmio Nobel de Publicidade
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>Verdades Goebbelianas
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| Goebbels: apesar de poderoso, o número 2 da Alemanha Nazi nunca deve ter ido ao dentista. |
| A galinha ariana é a da esquerda, evidentemente. |
Nós requeremos que cada galinha ponha de 130 a 140 ovos por ano. Esse aumento não pode ser alcançado através das galinhas bastardas (não-Arianas), que agora são a população das granjas germânicas. Abatam essas indesejáveis e substituam-nas. — Agência de Notícias do Partido Nazista, 3 de abril de 1937.
Respirar apropriadamente é um meio de adquirir mentalidade heroica nacional. A arte da respiração era uma antiga característica do verdadeiro Arianismo e [era] conhecida por todos os líderes Arianos. — Weltpolitische Rundschau [Observações da Política Mundial], Berlim, (s/d).
| “zu sein oder nicht Deutsch ist, das ist die Frage” |
Considerável número de pessoas [...] descrevem o clássico autor alemão, Shakespeare, como pertencente à literatura inglesa por que — acidentalmente nascido em Stratford-on-Avon —, ele foi forçado pelas autoridades daquele país a escrever em inglês. — Deutscher Weckruf und Beobachter [Observadores e Despertadores Alemães], jornal da comunidade alemã de NY; citado pela revista The American Mercury (Julho de 1940).
O coelho, é certo, não é um animal germânico, dada a sua dolorosa timidez. É um imigrante que aproveita os privilégios de um convidado. Quanto ao leão, vemos nele características indisputavelmente germânicas. Assim, poderíamos considerá-lo um alemão no estrangeiro. — Gen. Erich Ludendorff em Am Quell Deutscher Kraft [Na Fonte do Vigor Alemão].
| Ops, Coelho errado! |
>Para um sorriso radiante…
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>Publicidade do Futuro (1906)
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A publicidade irá, no futuro, adquirir gradativamente um tom cada vez mais inteligente. Procurar-se-á influenciar a demanda com argumentos em vez de alegações, uma tendência que já aparece a cada ano. Truques baratos para chamar a atenção e os aplausos serão totalmente substituídos, como já estão sendo grandemente substituídos, por uma exposição séria. E os anúncios, em vez de serem mera repetição de bordões pouco originais se tornarão mais interessantes e informativos, de tal forma que eles serão bem-vindos e não rejeitados. Será tão suicida para um fabricante publicar alegações idiotas ou notavelmente falaciosas quanto é para o lojista dos dias de hoje procurar clientela contando mentiras para seus clientes.





É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídeo pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.