Os trilhões de graus da Guerra Fria
Os três grandes desastres nucleares do século XX — Hiroshima, Nagasaki e Chernobyl — são constantemente lembrados. Mas estas, infelizmente, foram apenas uma fração minúscula de todas as detonações atômicas que ocorreram desde julho de 1945, em Alamogordo, no Novo México. Para ser mais preciso, 0,146%. Para dar uma noção mais precisa do impacto do uso deliberado de armas nucleares — sempre com o fim de desenvolvê-las e demonstrar força —, o artista japonês Isao Hashimoto criou o vídeo-mapa a seguir. Continue lendo…
Um paradoxo cheiroso

As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Que as rosas não falam, todo mundo já sabe. Mas talvez as rosas não exalem nada, Cartola. Quando você vê uma rosa, sabe que ela está lá, que existe. Porém, ao vendar seus olhos essa certeza desaparece, se você se guiar apenas pelo seu nariz. Você pode supor, com graus variáveis de certeza, que o que você sente com seu olfato é uma rosa. Pode não haver rosa nenhuma por perto. Pode ser apenas uma substância que imita o perfume da flor.
De qualquer modo, quando você sente o cheiro de uma rosa (ou de uma imitação de rosa), ela só existe dentro da sua mente. É uma mera impressão ou mesmo ilusão olfativa. O mundo visual, portanto, parece ser formado por objetos independentes e com propriedade (objetivamente) observáveis. Mas o mundo dos cheiros parece existir apenas em nossa consciência — ou, pelo menos, na consciência de algum ser vivo dotado de olfato.
Vamos supor que a primeira planta a brotar em Marte seja uma rosa. Mesmo daqui, do planeta Terra, seria visualmente possível confirmar que ela é vermelha. Mas, nesse caso, não haveria por lá nenhuma criatura — nem terrestre nem marciana, muito menos robótica — capaz de sentir-lhe o cheiro. Haveria, então, um perfume de rosa?
Do mesmo modo, se não houvesse aqui nenhuma criatura capaz de enxergar as rosas, elas ainda seriam vermelhas. Mas será que elas ainda teriam um doce perfume?
>4 anos em 4-D
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Eu realmente não queria deixar passar em branco uma data tão quadrática. Quatro anos em 4-D não se repetem. No entanto, eu não tenho muito a dizer (não precisam fugir, eu não sou como o Fidel Castro quando uso essa frase).
Ooops, parece que já estou me alongando… #fidelfeelings
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| O primeiro cabeçalho (2007-2008) |
Agora, porém, um pouco de autocrítica. Originalmente, este espaço foi criado para expor minhas ideias e opiniões. Eventualmente, minha paixão por curiosidades, paradoxos, ciência e humor fino e irônico acabou se sobressaindo. Eu gostaria de poder opinar mais, mas isso nem sempre é possível. Em parte por que não gosto de textos opinativos curtos — para mim, são meros comentários — e em parte por que já há muito conteúdo desse tipo na rede. Também há muitas oddities, mas eu sempre procuro algo inédito.
Por outro lado, já há mais de um ano eu tenho conseguido manter um ritmo razoavelmente diário. Às vezes há até dois posts por dia. Tenho conseguido manter algumas séries, como Em uma palavra, Conflitos Esquecidos e, desde do começo do ano, O Peso do Nome e Patentes Patéticas (infelizmente, Cectic, a série de tirinhas sobre ceticismo que eu traduzia, acabou por que o original foi encerrado). Considerando que eu trabalho durante o dia e estudo em outra cidade durante a noite, me parece um feito do qual eu não esperava ser capaz quando abri este espaço.
>O Juízo Final vai acabar em pizza
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>“Comer, comer, comer, comer…”
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Um gentleman de Gloucester tinha um filho e mandou-o para o estrangeiro, para fazer o fazer o grand tour no Continente. Lá ele [o filho] prestou mais atenção à culinária das nações e a um modo de vida luxurioso do que qualquer outra coisa. Antes de seu retorno, seu pai morreu, deixando-lhe uma grande fortuna. Ele [o herdeiro] passou então a procurar entre suas anotações para descobrir onde os mais exóticos pratos e os melhores cozinheiros poderiam ser obtidos. Todos os empregados em sua casa eram cozinheiros — seu mordomo, seu lacaio, seu governante, seu cocheiro e os tratadores, todos eram cozinheiros. Ele também tinha três cozinheiros italianos — um de Florença, outro de Siena e o terceiro, de Viterbo — para preparar um prato florentino. Ele era conhecido por comer um único jantar ao custo de £50, embora raramente houvesse mais de dois pratos à mesa. Nove anos depois, ele começou a empobrecer, o que o deixou melancólico. Quando estava totalmente arruinado, após desperdiçar £150.000, um amigo lhe deu um guinéu [antiga moeda de ouro, equivalente 1 libra] para evitar-lhe a fome. No dia seguinte, ele foi encontrado em um sótão, broiling an ortolan [“grelhando uma sombra-brava”, um pequeno pássaro francês, então parte da cozinha do interior da França].— Tit-Bits from All the Most Interesting Books, Periodicals and Newspapers in the World [Petiscos dos Mais Interessantes Livros, Periódicos e Jornais do Mundo], 22 de outubro de 1881
>Isso vive acontecendo comigo
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| Na faculdade dizem que o nome disso é ruído. Eu acho que é inteligência humana em ação mesmo. |
>O Paradoxo da Chuva de Amanhã
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Mas como podemos perceber a mudança da “indefinição” para a “verdade”? Ela é súbita ou gradual? Em que momento a afirmação “vai chover amanhã” começa a ser verdade? Quando a primeira gota cai no solo? E supondo que não chova, quando a afirmação passará a ser falsa? Somente no fim do dia, à meia-noite em ponto? [...] Não sabemos como responder a essas questões. Isso não se deve a nenhuma ignorância em particular ou à estupidez de nossa parte, mas ao fato de que algo dá errado com o modo de uso das palavras “verdade” e “mentira” que são aplicadas aqui.— F. Waissmann, “Como eu vejo a filosofia”, in H.D. Lewis (editor), Contemporary British Philosophy [Filosofia Britânica Contemporânea], 1956.
>Em respeito ao Islã
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Paquistão bloqueia acesso ao Facebook por caricaturas de Maomé
Decreto foi motivado por competição “profana” para desenhar o profeta muçulmano, marcada para esta quinta (20)
“O tribunal decretou que o governo bloqueasse o Facebook imediatamente, até 31 de maio, devido a esta competição profana”, disse Azhar Aiddique, um representante do Fórum de Advogados Islâmicos, que abriu o processo no Tribunal Superior.
>Os ateus e o natal
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OBS: Antes de responder, porém, quero deixar claro aos não-ateus que as respostas apresentadas aqui são pessoais, pois, para quem não sabe, não há uma doutrina ateísta, com respostas padronizadas para tudo. Tampouco há uma autoridade ateísta, cujas palavras viram lei. Aliás, essas são coisas que os ateus detestam.
Nós comemoramos o nascimento, não de um menino-deus (que, apesar de sua condição divina acabaria morto, ainda que ele fosse um pouco teimoso com relação à morte). Comemoramos, isso sim, o nascimento da Humanidade, o surgimento da família humana, humana e imperfeita como é. De acordo com o calendário cósmico — um resumo de toda a história do universo num ano de 365 dias —, a espécie humana surgiu apenas há poucos minutos, nos últimos minutos da noite de 31 de dezembro. Diante disso, parece bastante razoável adiantar um pouquinho as festas e já começar a comemorar no dia 25, como todo mundo faz (ainda que seja por outros motivos).












É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídeo pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.