>Os reis da natureza

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>4 anos em 4-D

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Eu realmente não queria deixar passar em branco uma data tão quadrática. Quatro anos em 4-D não se repetem. No entanto, eu não tenho muito a dizer (não precisam fugir, eu não sou como o Fidel Castro quando uso essa frase). 

Sinto-me muito feliz por enfim poder saber não apenas que tenho leitores mas por poder conhecê-los. Apesar de já ter aparecido em grandes agregadores de conteúdo, como Ocioso e Uêba, não me importo muito com o número do leitores. O que me importa são os que ficam e acompanham ou os que, mesmo de passagem deixam algum comentário, qualquer que seja. No momento em que escrevo, a página do hypercubic no Facebook conta com 50 fãs e 4 me acompanham através do Google. Eu gostaria de dizer que vocês são muito importantes mesmo pra mim. São motivos para eu continuar aprofundando cada vez mais as dimensões deste espaço.

Ooops, parece que já estou me alongando… #fidelfeelings

O primeiro cabeçalho (2007-2008)

Agora, porém, um pouco de autocrítica. Originalmente, este espaço foi criado para expor minhas ideias e opiniões. Eventualmente, minha paixão por curiosidades, paradoxos, ciência e humor fino e irônico acabou se sobressaindo. Eu gostaria de poder opinar mais, mas isso nem sempre é possível. Em parte por que não gosto de textos opinativos curtos — para mim, são meros comentários — e em parte por que já há muito conteúdo desse tipo na rede. Também há muitas oddities, mas eu sempre procuro algo inédito.

Por outro lado, já há mais de um ano eu tenho conseguido manter um ritmo razoavelmente diário. Às vezes há até dois posts por dia. Tenho conseguido manter algumas séries, como Em uma palavra, Conflitos Esquecidos e, desde do começo do ano, O Peso do Nome e Patentes Patéticas (infelizmente, Cectic, a série de tirinhas sobre ceticismo que eu traduzia, acabou por que o original foi encerrado). Considerando que eu trabalho durante o dia e estudo em outra cidade durante a noite, me parece um feito do qual eu não esperava ser capaz quando abri este espaço.

O segundo cabeçalho (2009-2010)

Eu gostaria de poder presentear cada um ou, ao menos, poder sortear algum brinde para comemorar essa data. Por razões econônicas ainda não posso fazer tamanha festa. Por isso, há um ponto que gostaria de por em discussão. Este é — e sempre foi — um blog ads-free. Não apenas por que sempre me opus à publicidade meio sem-noção que o Google oferece, mas por que sempre me pareceu que com tão esporádicos leitores eu ganharia muito pouco. O que eu quero perguntar é: seria aceitável incluir alguma publicidade por aqui? Não tenho praticamente custo algum para manter este blog, nem pretendo viver exclusivamente disso. Mas a grana dos anúncios seria uma ajuda bem-vinda em alguns momentos. Eventualmente, poderia proporcionar brindes e sorteios. Sintam-se à vontade para se manifestarem.

Eu preciso por a legenda? Quarto e atual cabeçalho

Para quebrar um pouco esse clima, mas ainda sem sair do tema hipercúbico, lembrei-me de compartilhar a clássica explicação sobre a Quarta Dimensão feita por Carl Sagan na inesquecível série Cosmos:

>O Juízo Final vai acabar em pizza

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Juízo_Final
Se Deus é infinitamente justo, ele irá punir todos os malfeitores (Eclesiastes 3:17).
Se Deus é infinitamente “misericordioso, clemente e vagaroso em irar-se” (Neemias, 9:17), ele os perdoará a todos.
Será possível ter, ao mesmo tempo, justiça e misericórdia infinitas? #reflita
Eu não sei, mas me parece que isso confirma a velha (e ufanista) crença de que deus é brasileiro.

>“Comer, comer, comer, comer…”

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gourmand1
Eu simplesmente não entendo os gourmands (ou gourmets ou foodies), esses gulosos sujeitos que gastam fortunas só para comer (e, como se não houvesse fome e pobreza no mundo, ainda sentem prazer nisso). Para eles, quanto mais caro e exótico, melhor. Hoje em dia há glutões tão doentios não se contentam em esbanjar para comer: eles também fotografam tudo o que comem e, depois de fazer uma ou outra crítica, chegam até a postar essas fotos em redes sociais. Ou então acaba ficando com saudades de determinado prato, que era tão caro que ele só pôde comer uma vez na vida. Mas se você acha que a vida de um gourmand é apenas luxo, gordura e glamour (ou glacê), eis uma história bem mais realista:
Um gentleman de Gloucester tinha um filho e mandou-o para o estrangeiro, para fazer o fazer o grand tour no Continente. Lá ele [o filho] prestou mais atenção à culinária das nações e a um modo de vida luxurioso do que qualquer outra coisa. Antes de seu retorno, seu pai morreu, deixando-lhe uma grande fortuna. Ele [o herdeiro] passou então a procurar entre suas anotações para descobrir onde os mais exóticos pratos e os melhores cozinheiros poderiam ser obtidos. Todos os empregados em sua casa eram cozinheiros — seu mordomo, seu lacaio, seu governante, seu cocheiro e os tratadores, todos eram cozinheiros. Ele também tinha três cozinheiros italianos — um de Florença, outro de Siena e o terceiro, de Viterbo — para preparar um prato florentino. Ele era conhecido por comer um único jantar ao custo de £50, embora raramente houvesse mais de dois pratos à mesa. Nove anos depois, ele começou a empobrecer, o que o deixou melancólico. Quando estava totalmente arruinado, após desperdiçar £150.000, um amigo lhe deu um guinéu [antiga moeda de ouro, equivalente 1 libra] para evitar-lhe a fome. No dia seguinte, ele foi encontrado em um sótão, broiling an ortolan [“grelhando uma sombra-brava”, um pequeno pássaro francês, então parte da cozinha do interior da França].
Tit-Bits from All the Most Interesting Books, Periodicals and Newspapers in the World [Petiscos dos Mais Interessantes Livros, Periódicos e Jornais do Mundo], 22 de outubro de 1881
Moral da História: não importa quão pobre um gourmand acabe ficando após literalmente devorar uma fortuna. Mesmo que ele fique deprimido e maltrapilho, ele sempre vai se recusar a comer algo tão banal quanto pão e água.

>Isso vive acontecendo comigo

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o-quê
Na faculdade dizem que o nome disso é ruído. Eu acho que é inteligência humana em ação mesmo.

Eu já disse que sou um mutante? Sim, graças a um sistema imunológico rebelde eu já perdi o ouvido direito. =/

>O Paradoxo da Chuva de Amanhã

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Mas como podemos perceber a mudança da “indefinição” para a “verdade”? Ela é súbita ou gradual? Em que momento a afirmação “vai chover amanhã” começa a ser verdade? Quando a primeira gota cai no solo? E supondo que não chova, quando a afirmação passará a ser falsa? Somente no fim do dia, à meia-noite em ponto? [...] Não sabemos como responder a essas questões. Isso não se deve a nenhuma ignorância em particular ou à estupidez de nossa parte, mas ao fato de que algo dá errado com o modo de uso das palavras “verdade” e “mentira” que são aplicadas aqui.
— F. Waissmann, “Como eu vejo a filosofia”, in H.D. Lewis (editor), Contemporary British Philosophy [Filosofia Britânica Contemporânea], 1956.

>Em respeito ao Islã

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Paquistão bloqueia acesso ao Facebook por caricaturas de Maomé

Decreto foi motivado por competição “profana” para desenhar o profeta muçulmano, marcada para esta quinta (20)

“O tribunal decretou que o governo bloqueasse o Facebook imediatamente, até 31 de maio, devido a esta competição profana”, disse Azhar Aiddique, um representante do Fórum de Advogados Islâmicos, que abriu o processo no Tribunal Superior.

Os muçulmanos dizem amar o Profeta, mas ele não pode ser retratado de maneira nenhuma, pois isso é considerado anti-islâmico. Ah, a religião e suas lógicas absurdas! 
Mas isso não é lá muito diferente do que se passa aqui no Ocidente. Os cristãos dizem que amam Deus, mas ele também não pode ser retratado — nem seu nome pode ser pronunciado e ele é tratado apenas como “Senhor”, coisa que qualquer velho consegue.

>Os ateus e o natal

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Afinal, os ateus participam do natal? Comemoram? O que é o natal para um ateu?

OBS: Antes de responder, porém, quero deixar claro aos não-ateus que as respostas apresentadas aqui são pessoais, pois, para quem não sabe, não há uma doutrina ateísta, com respostas padronizadas para tudo.  Tampouco há uma autoridade ateísta, cujas palavras viram lei. Aliás, essas são coisas que os ateus detestam.

O mês de dezembro chega, as lojas se enfeitam, cantigas — algumas nem tão antigas, tipo Simone — são repetidas à exaustão, todo mundo vai às compras, troca presentes com amigos (ou até inimigos) secretos e, eventualmente, participa de uma ceia. Sem falar nas comemorações religiosas, nos filmes cristãos que as TVs insistem em reprisar (como se a velha mitologia cristã não fosse conhecida) ou em especiais de fim-de-ano que se esforçam para mostrar um espírito natalino.
E se você não acredita em deus, em nenhum deles, muito menos num suposto filho de uma virgem, o que é o natal pra você? Evidentemente, não dá pra negar que é uma boa desculpa para tirar uma folga, nem que seja por alguns dias, no fim do ano. Hoje, talvez, não haja mais um grande conflito entre a cultura ateísta (se é que há uma) e o natal. Afinal, para desespero dos líderes religiosos, notadamante os mais ortodoxos, o natal tornou-se exatamente o que sempre foi pros ateus: apenas um feriadão familiar com fortes influência comercial.
Mas, então, o que os ateus comememoram? Há muitas coisas que um ateu pode, ainda que silenciosamente, comemorar nesta época. Talavez a mais comum seja comemorar a Humanidade, afinal, os ateus — ou pelo menos a maioria deles — são humanistas inveterados. Não importa a crença ou a ausência dela, uma coisa que se torna comum nessa época é a generosidade, a solidariedade e o voluntariado, mesmo que seja só por uma semana.
Não me surpreenderia nem um pouco se um ateu, mesmo achando que essa história de papai-noel é ridícula, vá até uma agência dos Correios e adote uma ou mais cartas. [Eu só não fiz isso por que entrei de férias hoje, e já é um pouco tarde...]. Enfim, o que um ateu faz nessa época é quase tudo o que todo mundo faz: compra presentes em lojas ou shoppings lotados, participa de amigos secretos na firma ou na escola, visita os amigos, reúne a família, faz uma ceia (ainda que sem orações) e talvez até assista ao especial do Roberto Carlos.

“São muitas emoções…”

Eu acho que fazer tudo isso é justificável para um ateu. Talvez a desculpa mais bem-humorada seja a de que nós comemoramos o “Newtal”, o nascimento de Isaac Newton (aquele que descobriu a gravidade debaixo de uma macieira). Pode haver, ainda, uma justificativa mais, digamos, precisa.
[clique para ampliar]

Nós comemoramos o nascimento, não de um menino-deus (que, apesar de sua condição divina acabaria morto, ainda que ele fosse um pouco teimoso com relação à morte). Comemoramos, isso sim, o nascimento da Humanidade, o surgimento da família humana, humana e imperfeita como é. De acordo com o calendário cósmico — um resumo de toda a história do universo num ano de 365 dias —, a espécie humana surgiu apenas há poucos minutos, nos últimos minutos da noite de 31 de dezembro. Diante disso, parece bastante razoável adiantar um pouquinho as festas e já começar a comemorar no dia 25, como todo mundo faz (ainda que seja por outros motivos).

E quanto ao ano-novo, não há problema algum, visto que é uma tradição literalmente secular. E nós também comemoramos, muitos cheios de esperança e otimismo, mesmo sabendo que nada vai mudar de uma hora pra outra  e que um ano nada mais é do que apenas uma volta da Terra em torno do Sol a partir de uma data arbitrária (afinal, antigamente o ano novo começava em abril, mas isso já é outra história).

>Da impossibilidade de Deus

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Um atributo essencial de Deus é a sua onipresença. S. Tomás Aquino sustentava também que ele estava, de alguma forma, fora do tempo e não poderia sofrer efeitos temporais. Mas, como aponta o escritor francês Richard La Croix,
se Deus é mesmo onipresente, então ele poderia ter estado na sede das Nações Unidas tanto ontem quanto anteontem. E se Deus esteve nas Nações Unidas tanto ontem quanto anteontem, ele esteve no tempo e, portanto, possui um predicado temporal. Então, parece que Deus não pode ser um ente extemporal se ele for onipresente e, assim, as duas doutrinas cruciais da teologia de Tomás de Aquino são logicamente incompatíveis.
E como se poderia provar a onipresença divina, mesmo se fosse possível, se ele simplesmente não é visível (ou não pode ser visto por alguém vivo)? Por que o Todo-Poderoso se esconde?
Outro atributo exclusivamente divino, a onisciência, cria ainda mais problemas:

  • Se Deus sabe de todas as coisas, então ele sabe tanto o que o homem quanto o que ele vão fazer. Sendo assim, como o livre arbítrio é possível?
  • E se ele sabe que alguém vai cometer um crime e, sendo onipotente que é, não fizer nada para impedir, que raio de Deus imoral é esse?
Qualquer pessoa que pudesse impedir um crime — seja um assassinato ou um ataque terrorista — acabaria fazendo-o, fosse pela fama, pela coragem, pela compaixão, pelo amor ou, simplesmente, por dever do ofício. E Deus não tem deveres diante de cada um de nós? Ou será que nenhum sentimento ou emoção é capaz de fazê-lo agir (a não ser a ira diante da blasfêmia)? Por que ele se contenta apenas em exigir hábitos antiquados e conservadores que não impedem as injustiças do mundo?
O Todo-Poderso, afinal, não tem poder algum. A não ser os poderes de iludir e escravizar as pessoas que insistem em acreditar nele tão ingenuamente quanto um adolescente que crê no Papai-Noel.

>Geração Noé

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A atual geração de jovens, formada principalmente pelos nascidos nas décadas de 1980 e 1990 vai ter um papel fundamental e importantíssimo no futuro e na História da Humanidade. Alguém poderia dizer que toda geração jovem pensa em mudar o mundo. Mas, no caso da atual geração, se isso não acontecer, a Humanidade como um todo correrá sérios riscos. Eis por que ela devia ser chamada de Geração Noé.
Não é apenas pela mudança climática. A Humanidade passa por um período crítico que vem se acumulando já há alguns séculos, desde o surgimento da industrialização e do pensamento racionalista-materialista. Ocorre que passamos milênios seguindo basicamente um modelo de sociedade patriarcal, agrário, nacionalista, provinciano, religioso e moralista.

A partir do século XX, em todo o mundo, esses velhos valores passaram a ser profundamente modificados e questionados. Até agora, porém, ainda não encontramos um modelo social que seja benéfico a todos e ao próprio planeta. Para piorar, diante de tamanha crise de identidade da sociedade humana, nosso crescimento demográfico aumentou ainda mais rapidamente quando deveria diminuir ou se estabilizar.
A importância da atual geração de jovens está no fato de que é ela quem vai definir os novos valores da nova civilização humana global que está emergindo agora, após um processo de globalização que começou com as Grandes Navegações dos séculos XV e XVI. Há justiças e injustiças nessa responsabilidade que enfrentamos.
Nunca houve tantos jovens no planeta Terra; a população nunca teve uma maioria tão grande de jovens. Embora pareça uma geração alienada políticamente – muitos jovens, de fato, o são – o que ocorre é que esta geração não busca o poder apenas pelo poder. Nossa geração tem consciência de que o poder corrompe por que, em todo o mundo, crescemos vendo escândalos políticos e/ou econõmicos causados, acima de tudo, por uma luta feroz – e um tanto primitiva – pelo poder.
Nos últimos séculos, as diversas sociedades humanas abraçaram o materialismo com certa facilidade. Em muitos casos, o mote materialista (“O Homem é o Senhor da natureza”; uma versão semelhante da frase já estava presente no Gênesis. A ideia, portanto, não é tão nova assim.) foi levado longe demais e perdeu-se a noção de que fazemos parte de um todo muito maior e mais poderoso. Deixamos de ser uma humilde espécie animal dotada de alguma racionalidade e fomos inundados por um orgulho ufanista que nos levou à exploração desenfreada de recursos naturais e até humanos.
— “OH, E AGORA, QUEM PODERÁ NOS DEFENDER?”
O lado racionalista da filosofia moderna foi quase esquecido. As pessoas comuns se aproveitam dos bens produzidos pela tecnologia, mas parecem ter preguiça de pensar e de aprender. Quantas pessoas têm um carro ou um computador e não sabem como eles funcionam? Você sabe? Se não sabe, procura saber? Se você não procura aprender, por que não se importa? A ignorância não é uma bênção, como muitos pensam.
O pensamento livre e crítico, base da filosofia moderna, foi duramente reprimido em sociedades autoritárias e mesmo desestimulado em sociedades democráticas. Por que, em qualquer situação, o simples questionamento pode demolir o status quo tão caro aos poderosos de plantão. Felizmente, a atual geração de jovens conta com a liberdade da internet e dos meios de comunicação convergentes para se encontrar, se conhecer e se reconhecer, se organizar e trabalhar em conjunto.
Por outro lado, porém, não deixa de ser injusto que nós tenhamos que corrigir erros que jamais cometemos. Não fomos responsáveis pelas explorações colonialistas e imperialistas; não fomos nós que colocamos mulheres e negros em cativeiro; não fomos nós que inventamos deuses e depois passamos a guerrear por causa deles ou de nossas nações; não fomos nós que exploramos inconsequentemente este planeta acreditando na infinitude de seus recursos ou na milagrosa intervenção divina. Muitos dentre nós não se sentem responsáveis por causa disso tudo.
Entretanto, cabe a esta geração corrigir ou, ao menos, aliviar as sociedades injustas decorrentes das explorações sociais, econômicas e ambientais. Cabe a nós libertar as mulheres e os trabalhadores que ainda estão escravizados e cabe a nós inseri-los na sociedade humana moderna. Cabe a nós tirar países inteiros da miséria e da fome sem deixar de esquecer que nem todos podem ter um padrão de vida tão luxuoso quanto o do “primeiro mundo”. Cabe a nós evitar o desaparecimento catastrófico de ecossistemas inteiros cujo valor pode ser inestimável. Cabe a nós deixar de adorar deuses, nações ou líderes carismáticos e passar a ter uma humilde reverência pela Terra, um profundo respeito pela vida e uma imensa gratidão pelo Universo que nos cerca em todas as direções.
Nossa tarefa será longa e árdua, mas ainda será mais fácil que o mítico trabalho de Noé. Em lugar dele, nós temos um planeta inteiro para dividir com todos os animais e plantas e para formar uma família humana muito mais diversa e promissora. A Terra tem espaço bastante, desde que saibamos administrar sua finitude ao longo deste primeiro século do Terceiro Milênio da Civilização Humana. Estamos saindo da adolescência histórica, mas nunca fomos tão jovens.

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PS: Dedico esse texto ao Mola e à Giu. A ideia e a expressão “Geração Noé” me surgiram durante um bom papo pré-balada com eles.

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