Os trilhões de graus da Guerra Fria

Os três grandes desastres nucleares do século XX — Hiroshima, Nagasaki e Chernobyl — são constantemente lembrados. Mas estas, infelizmente, foram apenas uma fração minúscula de todas as detonações atômicas que ocorreram desde julho de 1945, em Alamogordo, no Novo México. Para ser mais preciso, 0,146%. Para dar uma noção mais precisa do impacto do uso deliberado de armas nucleares — sempre com o fim de desenvolvê-las e demonstrar força —, o artista japonês Isao Hashimoto criou o vídeo-mapa a seguir. Continue lendo…

Um paradoxo cheiroso

http://www.sxc.hu/photo/698003

As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai

Que as rosas não falam, todo mundo já sabe. Mas talvez as rosas não exalem nada, Cartola. Quando você vê uma rosa, sabe que ela está lá, que existe. Porém, ao vendar seus olhos essa certeza desaparece, se você se guiar apenas pelo seu nariz. Você pode supor, com graus variáveis de certeza, que o que você sente com seu olfato é uma rosa. Pode não haver rosa nenhuma por perto. Pode ser apenas uma substância que imita o perfume da flor.

De qualquer modo, quando você sente o cheiro de uma rosa (ou de uma imitação de rosa), ela só existe dentro da sua mente. É uma mera impressão ou mesmo ilusão olfativa. O mundo visual, portanto, parece ser formado por objetos independentes e com propriedade (objetivamente) observáveis. Mas o mundo dos cheiros parece existir apenas em nossa consciência — ou, pelo menos, na consciência de algum ser vivo dotado de olfato.

Vamos supor que a primeira planta a brotar em Marte seja uma rosa. Mesmo daqui, do planeta Terra, seria visualmente possível confirmar que ela é vermelha. Mas, nesse caso, não haveria por lá nenhuma criatura — nem terrestre nem marciana, muito menos robótica — capaz de sentir-lhe o cheiro. Haveria, então, um perfume de rosa?

Do mesmo modo, se não houvesse aqui nenhuma criatura capaz de enxergar as rosas, elas ainda seriam vermelhas. Mas será que elas ainda teriam um doce perfume?

>Os reis da natureza

>

>4 anos em 4-D

>

Eu realmente não queria deixar passar em branco uma data tão quadrática. Quatro anos em 4-D não se repetem. No entanto, eu não tenho muito a dizer (não precisam fugir, eu não sou como o Fidel Castro quando uso essa frase). 

Sinto-me muito feliz por enfim poder saber não apenas que tenho leitores mas por poder conhecê-los. Apesar de já ter aparecido em grandes agregadores de conteúdo, como Ocioso e Uêba, não me importo muito com o número do leitores. O que me importa são os que ficam e acompanham ou os que, mesmo de passagem deixam algum comentário, qualquer que seja. No momento em que escrevo, a página do hypercubic no Facebook conta com 50 fãs e 4 me acompanham através do Google. Eu gostaria de dizer que vocês são muito importantes mesmo pra mim. São motivos para eu continuar aprofundando cada vez mais as dimensões deste espaço.

Ooops, parece que já estou me alongando… #fidelfeelings

O primeiro cabeçalho (2007-2008)

Agora, porém, um pouco de autocrítica. Originalmente, este espaço foi criado para expor minhas ideias e opiniões. Eventualmente, minha paixão por curiosidades, paradoxos, ciência e humor fino e irônico acabou se sobressaindo. Eu gostaria de poder opinar mais, mas isso nem sempre é possível. Em parte por que não gosto de textos opinativos curtos — para mim, são meros comentários — e em parte por que já há muito conteúdo desse tipo na rede. Também há muitas oddities, mas eu sempre procuro algo inédito.

Por outro lado, já há mais de um ano eu tenho conseguido manter um ritmo razoavelmente diário. Às vezes há até dois posts por dia. Tenho conseguido manter algumas séries, como Em uma palavra, Conflitos Esquecidos e, desde do começo do ano, O Peso do Nome e Patentes Patéticas (infelizmente, Cectic, a série de tirinhas sobre ceticismo que eu traduzia, acabou por que o original foi encerrado). Considerando que eu trabalho durante o dia e estudo em outra cidade durante a noite, me parece um feito do qual eu não esperava ser capaz quando abri este espaço.

O segundo cabeçalho (2009-2010)

Eu gostaria de poder presentear cada um ou, ao menos, poder sortear algum brinde para comemorar essa data. Por razões econônicas ainda não posso fazer tamanha festa. Por isso, há um ponto que gostaria de por em discussão. Este é — e sempre foi — um blog ads-free. Não apenas por que sempre me opus à publicidade meio sem-noção que o Google oferece, mas por que sempre me pareceu que com tão esporádicos leitores eu ganharia muito pouco. O que eu quero perguntar é: seria aceitável incluir alguma publicidade por aqui? Não tenho praticamente custo algum para manter este blog, nem pretendo viver exclusivamente disso. Mas a grana dos anúncios seria uma ajuda bem-vinda em alguns momentos. Eventualmente, poderia proporcionar brindes e sorteios. Sintam-se à vontade para se manifestarem.

Eu preciso por a legenda? Quarto e atual cabeçalho

Para quebrar um pouco esse clima, mas ainda sem sair do tema hipercúbico, lembrei-me de compartilhar a clássica explicação sobre a Quarta Dimensão feita por Carl Sagan na inesquecível série Cosmos:

>O Juízo Final vai acabar em pizza

>

Juízo_Final
Se Deus é infinitamente justo, ele irá punir todos os malfeitores (Eclesiastes 3:17).
Se Deus é infinitamente “misericordioso, clemente e vagaroso em irar-se” (Neemias, 9:17), ele os perdoará a todos.
Será possível ter, ao mesmo tempo, justiça e misericórdia infinitas? #reflita
Eu não sei, mas me parece que isso confirma a velha (e ufanista) crença de que deus é brasileiro.

>“Comer, comer, comer, comer…”

>

gourmand1
Eu simplesmente não entendo os gourmands (ou gourmets ou foodies), esses gulosos sujeitos que gastam fortunas só para comer (e, como se não houvesse fome e pobreza no mundo, ainda sentem prazer nisso). Para eles, quanto mais caro e exótico, melhor. Hoje em dia há glutões tão doentios não se contentam em esbanjar para comer: eles também fotografam tudo o que comem e, depois de fazer uma ou outra crítica, chegam até a postar essas fotos em redes sociais. Ou então acaba ficando com saudades de determinado prato, que era tão caro que ele só pôde comer uma vez na vida. Mas se você acha que a vida de um gourmand é apenas luxo, gordura e glamour (ou glacê), eis uma história bem mais realista:
Um gentleman de Gloucester tinha um filho e mandou-o para o estrangeiro, para fazer o fazer o grand tour no Continente. Lá ele [o filho] prestou mais atenção à culinária das nações e a um modo de vida luxurioso do que qualquer outra coisa. Antes de seu retorno, seu pai morreu, deixando-lhe uma grande fortuna. Ele [o herdeiro] passou então a procurar entre suas anotações para descobrir onde os mais exóticos pratos e os melhores cozinheiros poderiam ser obtidos. Todos os empregados em sua casa eram cozinheiros — seu mordomo, seu lacaio, seu governante, seu cocheiro e os tratadores, todos eram cozinheiros. Ele também tinha três cozinheiros italianos — um de Florença, outro de Siena e o terceiro, de Viterbo — para preparar um prato florentino. Ele era conhecido por comer um único jantar ao custo de £50, embora raramente houvesse mais de dois pratos à mesa. Nove anos depois, ele começou a empobrecer, o que o deixou melancólico. Quando estava totalmente arruinado, após desperdiçar £150.000, um amigo lhe deu um guinéu [antiga moeda de ouro, equivalente 1 libra] para evitar-lhe a fome. No dia seguinte, ele foi encontrado em um sótão, broiling an ortolan [“grelhando uma sombra-brava”, um pequeno pássaro francês, então parte da cozinha do interior da França].
Tit-Bits from All the Most Interesting Books, Periodicals and Newspapers in the World [Petiscos dos Mais Interessantes Livros, Periódicos e Jornais do Mundo], 22 de outubro de 1881
Moral da História: não importa quão pobre um gourmand acabe ficando após literalmente devorar uma fortuna. Mesmo que ele fique deprimido e maltrapilho, ele sempre vai se recusar a comer algo tão banal quanto pão e água.

>Isso vive acontecendo comigo

>

o-quê
Na faculdade dizem que o nome disso é ruído. Eu acho que é inteligência humana em ação mesmo.

Eu já disse que sou um mutante? Sim, graças a um sistema imunológico rebelde eu já perdi o ouvido direito. =/

>O Paradoxo da Chuva de Amanhã

>

Mas como podemos perceber a mudança da “indefinição” para a “verdade”? Ela é súbita ou gradual? Em que momento a afirmação “vai chover amanhã” começa a ser verdade? Quando a primeira gota cai no solo? E supondo que não chova, quando a afirmação passará a ser falsa? Somente no fim do dia, à meia-noite em ponto? [...] Não sabemos como responder a essas questões. Isso não se deve a nenhuma ignorância em particular ou à estupidez de nossa parte, mas ao fato de que algo dá errado com o modo de uso das palavras “verdade” e “mentira” que são aplicadas aqui.
— F. Waissmann, “Como eu vejo a filosofia”, in H.D. Lewis (editor), Contemporary British Philosophy [Filosofia Britânica Contemporânea], 1956.

>Em respeito ao Islã

>

Paquistão bloqueia acesso ao Facebook por caricaturas de Maomé

Decreto foi motivado por competição “profana” para desenhar o profeta muçulmano, marcada para esta quinta (20)

“O tribunal decretou que o governo bloqueasse o Facebook imediatamente, até 31 de maio, devido a esta competição profana”, disse Azhar Aiddique, um representante do Fórum de Advogados Islâmicos, que abriu o processo no Tribunal Superior.

Os muçulmanos dizem amar o Profeta, mas ele não pode ser retratado de maneira nenhuma, pois isso é considerado anti-islâmico. Ah, a religião e suas lógicas absurdas! 
Mas isso não é lá muito diferente do que se passa aqui no Ocidente. Os cristãos dizem que amam Deus, mas ele também não pode ser retratado — nem seu nome pode ser pronunciado e ele é tratado apenas como “Senhor”, coisa que qualquer velho consegue.

>Os ateus e o natal

>

Afinal, os ateus participam do natal? Comemoram? O que é o natal para um ateu?

OBS: Antes de responder, porém, quero deixar claro aos não-ateus que as respostas apresentadas aqui são pessoais, pois, para quem não sabe, não há uma doutrina ateísta, com respostas padronizadas para tudo.  Tampouco há uma autoridade ateísta, cujas palavras viram lei. Aliás, essas são coisas que os ateus detestam.

O mês de dezembro chega, as lojas se enfeitam, cantigas — algumas nem tão antigas, tipo Simone — são repetidas à exaustão, todo mundo vai às compras, troca presentes com amigos (ou até inimigos) secretos e, eventualmente, participa de uma ceia. Sem falar nas comemorações religiosas, nos filmes cristãos que as TVs insistem em reprisar (como se a velha mitologia cristã não fosse conhecida) ou em especiais de fim-de-ano que se esforçam para mostrar um espírito natalino.
E se você não acredita em deus, em nenhum deles, muito menos num suposto filho de uma virgem, o que é o natal pra você? Evidentemente, não dá pra negar que é uma boa desculpa para tirar uma folga, nem que seja por alguns dias, no fim do ano. Hoje, talvez, não haja mais um grande conflito entre a cultura ateísta (se é que há uma) e o natal. Afinal, para desespero dos líderes religiosos, notadamante os mais ortodoxos, o natal tornou-se exatamente o que sempre foi pros ateus: apenas um feriadão familiar com fortes influência comercial.
Mas, então, o que os ateus comememoram? Há muitas coisas que um ateu pode, ainda que silenciosamente, comemorar nesta época. Talavez a mais comum seja comemorar a Humanidade, afinal, os ateus — ou pelo menos a maioria deles — são humanistas inveterados. Não importa a crença ou a ausência dela, uma coisa que se torna comum nessa época é a generosidade, a solidariedade e o voluntariado, mesmo que seja só por uma semana.
Não me surpreenderia nem um pouco se um ateu, mesmo achando que essa história de papai-noel é ridícula, vá até uma agência dos Correios e adote uma ou mais cartas. [Eu só não fiz isso por que entrei de férias hoje, e já é um pouco tarde...]. Enfim, o que um ateu faz nessa época é quase tudo o que todo mundo faz: compra presentes em lojas ou shoppings lotados, participa de amigos secretos na firma ou na escola, visita os amigos, reúne a família, faz uma ceia (ainda que sem orações) e talvez até assista ao especial do Roberto Carlos.

“São muitas emoções…”

Eu acho que fazer tudo isso é justificável para um ateu. Talvez a desculpa mais bem-humorada seja a de que nós comemoramos o “Newtal”, o nascimento de Isaac Newton (aquele que descobriu a gravidade debaixo de uma macieira). Pode haver, ainda, uma justificativa mais, digamos, precisa.
[clique para ampliar]

Nós comemoramos o nascimento, não de um menino-deus (que, apesar de sua condição divina acabaria morto, ainda que ele fosse um pouco teimoso com relação à morte). Comemoramos, isso sim, o nascimento da Humanidade, o surgimento da família humana, humana e imperfeita como é. De acordo com o calendário cósmico — um resumo de toda a história do universo num ano de 365 dias —, a espécie humana surgiu apenas há poucos minutos, nos últimos minutos da noite de 31 de dezembro. Diante disso, parece bastante razoável adiantar um pouquinho as festas e já começar a comemorar no dia 25, como todo mundo faz (ainda que seja por outros motivos).

E quanto ao ano-novo, não há problema algum, visto que é uma tradição literalmente secular. E nós também comemoramos, muitos cheios de esperança e otimismo, mesmo sabendo que nada vai mudar de uma hora pra outra  e que um ano nada mais é do que apenas uma volta da Terra em torno do Sol a partir de uma data arbitrária (afinal, antigamente o ano novo começava em abril, mas isso já é outra história).

Categorias

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM