Em uma palavra [145]
sinaxário (si.na.xá.rio [cs])
s.m. Crist. compêndio com resumos das vidas dos santos, usado especialmente na liturgia da Igreja Grega, onde também é chamado de μηνολόγιον, menologion. Hagiografia e Martirológio são seus homólogos mais próximos na Igreja Romana. [do grego συναξάριον, synaxarion; cp. com sinaxe, s.f., do grego synaxis, assembléia de fiéis nos primórdios do cristianismo; missa; culto cristão]
Anjos Cadentes
Um acidente assustador ocorreu na Sexta-Feira última [30 de abril] na igreja de Madeleine, em Bruges [na Bélgica]. Um dos párocos, durante uma missa, foi subitamente lançado ao solo pela cabeça de mármore de um menino Jesus que desprendeu-se de seu corpo [o da figura] e caiu em sua testa [a do padre]. Uma severa ferida e uma fratura craniana foram as consequências para o infeliz clérigo que, após resistir a grande agonia, faleceu ontem. — ‘Times’, segunda-feira, 3 de maio de 1847
Esse tipo de acidente não deve ter sido incomum num continente cheio de igrejas seculares ricamente decoradas como a Europa. Quatro décadas mais tarde, o mesmo Times reportava detalhadamente um caso em solo inglês:
Um extraordinário e fatal acidente ocorreu esta manhã na igreja da paróquia Católica de Kildare. Enquando o Reverendíssimo Dr. J. B. Kavanagh, P.P., estava diante do altar, com o cálice em mãos para levantá-lo ao fim da missa das 7 da manhã e se preparava para descer do altar para recitar o Rosário e a Ladainha da sagrada Virgem, a figura de mármore de um querubim sobre o altar caiu e acertou-o com grande força na cabeça. Ele caiu de costas, murmurou as palavras “Meu Deus” duas vezes e então perdeu os sentidos. Um grito de horror e angústia elevou-se entre a congregação que testemunhou o acidente. Algumas pessoas correram para assisti-lo, enquanto outras buscavam auxílio médico. Os Drs. Watson, Dillon e Chaplin logo se apresentaram e o Dr. Kavanagh foi posto em uma padiola e tranferido para o convento adjacente, onde, sem recobrar a consciência, faleceu em seguida. — ‘Times’, quarta-feira, 6 de outubro de 1886
Em uma palavra [119]
satanofania (sa.ta.no.fa.nia)
s.f., neolog. manifestação visível de Satã; visão ou alucinação satânica. Cf. com epifania [do gr. epipháneia], aparecimento ou manifestação divina; inspiração súbita.
As naus de Nemi

Uma das naus de Nemi, logo após a drenagem.
Foi uma grande surpresa a descoberta de dois grandes barcos no pequeno Lago Nemi, nos arredores de Roma. Embora sua existência fosse conhecida há séculos, as naus construídas pelo imperador romano Calígula eram consideradas legendárias. Porque não eram simples barcos, eram verdadeiros palácios flutuantes. Continue lendo…
Conflitos Esquecidos [12] — Guerra(s) Luso-Turca(s)
Ao estudar a história da ascenção do Império Português no século XVI, poucos autores e professores lembram-se de mencionar os opositores de tal expansão. Não são apenas os nativos americanos que são historicamente desprezados. Até mesmo os longos conflitos com o poderoso Império Otomano pela posse do Oceano Índico e a influência sobre a África Oriental são esquecidos.
A rivalidade entre lusos e turcos remontava a 1509, quando os portugueses conquistaram Diu, na Índia. Embora não fosse um império colonial (ao menos não no sentido ocidental), o Império Otomano tinha grande influência econômica e política sobre o Oceano Índico. Consequentemente, a expansão portuguesa era uma ameaça aos turcos. Além dos motivos econômicos, havia a rivalidade religiosa: Portugal era então a maior potência cristã e a Turquia Otomana era a potência islâmica. Continue lendo…
Casal é condenado após assassinato por bruxaria
Em dezembro de 2010 o adolescente franco-africano Kristy Bamu saiu de Paris acompanhado de quatro irmãs. Kristy e sua família foram para Londres para visitar sua irmã mais velha, Magali Bamu, de 29 anos, e o namorado dela, Eric Bikubi, 28. No entanto, poucos dias depois, a visita de fim de ano se tornaria um inferno.
Eric começou a acusar alguns dos irmãos de ter uma “influência maligna” sobre as crianças mais novas por estarem possuídos por espíritos. Segundo a irmã mais nova de Kristy, Kelly, as alegações de bruxaria começaram depois que o adolescente de 15 anos molhou suas calças e tentou escondê-las na cozinha.
Em vez de defender os irmãos, Magalie apoiou o parceiro e, junto com ele, tentou exorcisar os espíritos de Kristy e de duas irmãs. O trio foi forçado a cantar e orar sem parar durante dias, sem direito a comida ou sono. Eventualmente, Kristy passou a ser o foco do fervor anti-feitiçaria de Bikubi, que passou a usar violência física.
O garoto foi agredido durante dias com pedaços de pau, barras de metal, alicates e um martelo. A certa altura, Kristy chegou a pedir para morrer e acabou confessando sua suposta bruxaria. Depois disso, Bikubi o colocou numa banheira com as duas irmãs e ligou a torneira até transbordar. Fragilizado pelas agressões, o adolescente afogou-se e morreu. Mais tarde uma autópsia revelou que ele faleceu em decorrência do afogamento e das 101 feridas que trazia no corpo.
Enquanto o irmão era torturado pelo marido, Magalie ligou diversas vezes para os pais exigindo que eles viessem recolher as crianças mais novas, mas sem dar explicações. Quando pediram uma razão para ir atrás dos filhos, os pais souberam que Bikubi estava ameaçando Kristy de morte se as crianças não deixassem de ser “influenciadas” por ele. Ao perceber que o menino estava morto, ela ligou pedindo uma ambulância, dizendo que ele havia se afogado e que Bikubi estava tentando salvá-lo. Graças ao caos aéreo natalino, os pais de Kristy só conseguiram chegar em Londres quando já era tarde.
O veredito do julgamento do caso — que começou no fim de janeiro na Corte Criminal Central, em Londres — saiu no começo deste mês. Na sentença, o júri condenou Eric Bikubi a 30 anos de prisão e Magalie Bamu a 25. O promotor descreveu o crime como um “ataque prolongado de indizíveis selvageria e brutalidade.” Ao proferir a condenação, o Juiz David Paget disse que
[a] intenção [dos acusados] era livrar Kristy Bamu de bruxaria. Para fazê-lo, vocês dois abusaram fisicamente dele e brutalizaram-no até que ele veio a falecer. Foi uma tortura prolongada. A crença na bruxaria, mesmo que seja genuína, nunca pode ser desculpa para atacar outra pessoa ou assassinar outro ser humano. Parece-me impossível não concluir que havia uma intenção de matar em você, Eric Bikubi. Talvez não no começo, mas certamente no fim da provação imposta sobre Kristy. Você, Magalie Bamu, deve ter percebido o que aconteceria.
Tanto a família Bamu quanto Bikubi têm naturalidade congolesa. Os casos de assassinato motivado por acusações de bruxaria entre africanos têm crescido na Europa nos últimos anos. Só em Londres 83 crianças já foram agredidas por esse motivo. No ano 2000, Victoria Climbie foi morta pelos seus guardiães sob a mesma suspeita. No ano seguinte, o tronco de um garoto nigeriano, mutilado a ponto de não ser identificado, foi encontrado no Tâmisa, num caso de morte por magia negra.
No entanto, ao contrário do que pode parecer, a origem da crença em bruxaria não é exclusivamente africana. Investigadores alertam para o fato de que a maioria dos negros africanos que vivem no Reino Unido são cristãos e vivem sob influência de pastores evangélicos fundamentalistas. Como bem se sabe, os evangélicos mais radicais veem bruxaria e influência demoníaca nas tradições religiosas afro. Esses pastores muitas vezes incentivam ou exigem que seus fiéis de origem africana pratiquem rituais de purificação, os quais podem incluir desde jejum até exorcismos e sacrifícios. Apesar disso, e talvez por um corporativismo cristão, nenhum pastor foi condenado até agora pela nova “caça às bruxas”.
Mais informações (e fotos da cena do crime) no Daily Mail.
Retratos da fé
Quem já tentou discutir com um fundamentalista, especialmente um cristão, com certeza já ouviu uma dessas:
[do hiliariantemente herético LOLgod]
O sarcasmo esteja convosco!
[…] Era, aliás, um costume comum que clérigos repreendessem publicamente os ofensores [que atrapalhassem os serviços sagrados]. Houve o caso que aconteceu a um jovem que, ao sentar-se em uma posição privilegiada na igreja, tirou seu lenço [de seu bolso] e com ele veio um maço de cartas de baralho que voaram em todas as direções possíveis. Ele esteve, soube-se mais tarde, acordado até altas horas na noite anterior, e havia metido as cartas com que jogara em seu bolso e elas ali ficaram esquecidas. O povo ficou surpreso e horrorizado, mas o clérigo simplesmente olhou para o ofensor e disse, com um discreto porém seco sarcasmo: “Sir, esse seu livro de orações estava muito mal encadernado!”. Mas às vezes o reproche era prontamente lançado de volta ao pregador. “Você está com sono, John”, disse um [outro] clérigo, fazendo uma pausa no meio de um sonolento discurso. Olhando com dureza para o homem, ele ainda acrescentou: “Tome um pouco de rapé, John”. “Então ponha um pouco de rapé no sermão!”, reagiu John. As expressões na audiência mostravam claramente que a réplica havia sido unanimemente apreciada. — Rev. R. Wilkins REES, “Curious Anoucements in the Church” [“Curiosos Anúncios na Igreja”] in: William ANDREWS (org.), Ecclesiastical Curiosities [Curiosidades Eclesiásticas]. Londres: 1899.




É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídeo pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.