>O fim do mundo chega a Doel

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(Flickr/ardenswayoflife)

O fim está próximo — mas apenas para uma pequena cidade na Bélgica. Doel está marcada para ser completamente demolida e não passará de 2012. O motivo? Ampliar o maior porto do país. Nem os protestos dos moradores nem a incrível street art foram capazes de impedir a destruição que se aproxima.

(Flickr/Wolfensteijn)

Ao longo de 700 anos, Doel foi uma pacata vizinha de Antuérpia, da qual é separada pelo Rio Schelde. No século XIX, chegou a ter mais de 2.500 habitantes. Mas ao longo do século XX, Antuépia crescia cada vez mais, o que começou a ameaçar a existência da vila vizinha. O governo vem tentando forçar a saída dos residentes de Doel com demolições agendadas desde o fim dos anos 1960. Legalmente falando, Doel já morreu: a cidade deixou de ser um município independente em 1977, quando foi incorporada ao município de Beveren.

Durante quase duas décadas, os protestos e a resistência dos “doelitas” foi mais forte. Até que, em 1999, o destino da cidadezinha foi definitivamente selado. Desde então seus habitantes vêm abandonando-a lentamente. A escola, por exemplo, foi fechada em 2003, quando havia apenas 8 alunos matriculados. Com espaços cada vez mais livres, artistas de toda a Europa passaram a cobrir os muros e paredes de Doel com seus grafittis.

(Flickr/on1stsite.)

Atualmente, restam menos de 200 habitantes, que devem partir assim que puderem. O governo deve retomar a demolição assim que área for completamente evacuada. Junto com os lares de moradores que foram forçados a sair em nome do progresso, a galeria de street art de Doel será perdida para sempre.

>O verdadeiro apart-hotel

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Olhar para cima pode ser uma experiência aterradora. Especialmente se você estiver no pátio interno da Ponte Tower, em Johanesburgo. Se você levantar a cabeça lá, tudo o que vai encontrar é um pequeno pedaço do céu cercado por um enorme cilindro de 173 metros de altura coberto com janelas idênticas. É um exemplo brutal de arquitetura brutalista.
Também conhecido como Ponte City Apartaments, o edifício Ponte foi construído em 1975 e ainda é o mais alto prédio residencial da África. O tubo de 54 andares foi projetado por Manfred Hermer.
Ponte Tower foi um edifício exemplar do ponto de vista da arquitetura do apartheid. Os apartamentos externos, sempre bem arejados e bem iluminados, eram projetados para as famílias ricas e brancas. Já os obscuros apartamentos internos eram exclusividade dos empregados negros daquelas famílias.
Ironicamente, a situação ficou brutal mesmo após o fim do apartheid. O bairro de Hillbrow, outrora de alto padrão, entrou em rápido declínio. Graças à sua estrutura imponente, Ponte Tower tornou-se a verdadeira sede do crime organizado da cidade. Os pobres senhores brancos nada puderam fazer a não ser abandonar o espigão. A quebrada se tornou tão sinistra que nem os lixeiros entravam — houve épocas em que o lixo formava uma montanha de cinco andares no pátio central.
Em 2007, o edifício foi comprado por uma empresa que pretendia revitalizar a área até a Copa de 2010. Um ano depois, a crise bateu em cheio no setor imobiliário, o projeto não saiu do papel e hoje Ponte Tower está abandonado. Até o tráfico de drogas saiu de lá. Mas não pense que a área é segura: os traficantes apenas se mudaram para o antigo Sands Hotel, a poucas quadras da  Torre Ponte.

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